O verão que mudou minha vida

Jenny Han · Capítulo 46 de 48

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O verão que mudou minha vida

Capítulo 46

— Todos nós.

Fiquei em silêncio outra vez, até que tive uma ideia.

— Vamos fazer um redemoinho! — falei, batendo palmas.

— Você é uma criança — resmungou Conrad, sorrindo para mim e balançando a cabeça.

Pela primeira vez, não me importei que ele me chamasse de criança. Senti como se fosse um elogio.

Fui até o meio da piscina.

— Venham, garotos!

Eles nadaram até mim, então fizemos uma roda, dando as mãos, e começamos a girar o mais rápido que podíamos.

— Mais rápido! — gritou Jeremiah, rindo.

Então paramos e deixamos nossos corpos serem levados pelo redemoinho, como sempre fazíamos. Joguei a cabeça para trás e deixei a água me levar.

46

NÃO RECONHECI A voz quando ele ligou, em parte porque eu não estava esperando e em parte porque eu ainda estava meio dormindo.

— Estou no carro, a caminho da sua casa. Podemos nos ver? —

perguntou.

Era meia-noite e meia. Boston ficava a cinco horas e meia de distância. Ele tinha dirigido a noite inteira. Porque queria me ver. Pedi a ele que estacionasse no fim da rua, dizendo que o encontraria na esquina depois que minha mãe fosse dormir. Ele disse que ia esperar.

Apaguei as luzes e fiquei esperando na janela, prestando atenção nos faróis. Tive vontade de ir correndo assim que avistei o carro dele, mas precisava esperar. Ainda podia ouvir minha mãe vagando para lá e para cá no quarto dela, e sabia que ficaria lendo na cama por pelo menos meia hora antes de pegar no sono. Era uma tortura saber que ele estava logo ali, me esperando, e eu não podia ir ao encontro dele.

* * *

No escuro, coloquei o cachecol que minha avó tinha tricotado para mim no Natal. Então fechei a porta do quarto e fui pisando na ponta dos pés pelo corredor, até o quarto da minha mãe, e encostei a orelha na porta. A luz estava apagada, e pude ouvi-la roncando baixinho. Para minha sorte, Steven sequer havia chegado em casa

— ainda bem, porque ele tinha o sono leve como o do nosso pai.

Minha mãe finalmente estava dormindo, a casa estava quieta e silenciosa. Nossa árvore de Natal ainda estava montada.

Deixávamos as luzinhas acesas a noite toda, porque aquilo me fazia sentir que ainda era Natal, como se a qualquer minuto Papai Noel pudesse aparecer com presentes. Não deixei um bilhete para minha mãe. Eu ligaria para ela pela manhã, quando acordasse e procurasse por mim.

Desci a escada lentamente, tomando o cuidado de evitar o degrau do meio, que rangia, mas, assim que me vi do lado de fora, corri pelos degraus da entrada e atravessei o jardim congelado. A grama quebrava sob a sola dos meus tênis. Eu tinha me esquecido de vestir um casaco. Só me lembrei do cachecol, mas não do casaco.

O carro de Conrad estava na esquina, bem onde eu achei que estaria. Estava todo apagado, e abri a porta do lado do passageiro como se já tivesse feito aquilo um milhão de vezes. Mas não tinha.

Eu nunca havia estado dentro daquele carro. Eu não o via desde agosto.

Enfiei a cabeça para dentro, mas não entrei. Queria olhar para ele primeiro. Era inverno, e ele vestia uma camisa de flanela cinza. O

rosto estava rosado por causa do frio; o bronzeado já tinha desbotado, mas ele parecia o mesmo de sempre.

— Oi — cumprimentei, entrando no carro.

— Você está sem casaco — observou ele.

— Não está tão frio assim — respondi, embora estivesse, e apesar de eu estar tremendo ao dizer isso.

— Toma — ofereceu ele, tirando a camisa de flanela e me entregando.

Vesti a camisa. Estava quente e não cheirava a cigarro. Tinha o cheiro dele. Então Conrad havia parado de fumar, afinal. Pensar nisso me fez sorrir.

Ele deu partida no motor.

— Não acredito que você está aqui — falei.

— Nem eu. — Ele tinha um ar quase tímido, hesitante. — Você ainda vem comigo?

Ele nem precisava perguntar. Eu iria a qualquer lugar com ele.

— Sim — respondi.