O verão que mudou minha vida

Jenny Han · Capítulo 40 de 48

Páginas do PDF

O verão que mudou minha vida

Capítulo 40

Cam pigarreou.

— Daqui a pouco você vai embora. Vai querer manter contato?

Eu não havia pensado naquilo. Ele estava certo: o verão estava quase acabando. Em pouco tempo eu estaria de volta em casa.

— Hum... Você vai querer?

— Bem, eu vou.

Ele me olhou como se esperasse alguma coisa, e por um segundo eu não consegui entender o que era. Então falei:

— Eu também. Também vou querer.

Mas eu tinha demorado demais. Cam tirou o celular do bolso e disse que era melhor ir andando. Não protestei.

40

FINALMENTE TIVEMOS NOSSA noite de cinema. Minha mãe, Susannah, Jeremiah e eu assistimos aos filmes de Alfred Hitchcock que Susannah adorava, na sala de TV, com todas as luzes apagadas.

Minha mãe fez pipoca doce e comprou chocolates, balas e caramelos. Susannah adorava caramelo. Era como nos velhos tempos, só que sem Steven e Conrad, que estava trabalhando no turno da noite.

Susannah dormiu na metade de Interlúdio, o filme favorito dela.

Minha mãe a enrolou em um cobertor e, quando o filme acabou, sussurrou:

— Jeremiah, pode levá-la lá pra cima?

Ele fez que sim com a cabeça, e Susannah não acordou quando o filho a pegou nos braços e a carregou escada acima. Jeremiah a levantou como se ela fosse uma pluma. Eu nunca o vira fazer aquilo. Embora tivéssemos quase a mesma idade, ele me pareceu um adulto naquele momento.

Minha mãe também se levantou, se espreguiçando.

— Estou exausta. Vai dormir também, Belly?

— Ainda não. Acho que vou dar uma arrumada aqui embaixo.

— Boa garota — respondeu ela, dando uma piscadela, e subiu.

Comecei catando os papéis de caramelos e umas pipocas que tinham caído no tapete.

Jeremiah desceu quando eu estava guardando o filme na caixa.

Ele afundou nas almofadas do sofá.

— Não vamos dormir ainda — pediu, olhando para mim.

— Tudo bem. Quer ver outro filme?

— Não. Vamos ver TV. — Ele pegou o controle remoto e começou a zapear entre os canais. — Por onde anda o Cam Cameron?

Eu me sentei de novo, soltando um breve suspiro.

— Não sei. Ele não me ligou, e eu não liguei pra ele. O verão está quase acabando. Acho que nunca mais vamos nos ver.

Ele não olhou para mim quando perguntou:

— E você quer? Ver o Cam outra vez?

— Não sei... Não tenho certeza. Talvez, sim. Talvez, não.

Jeremiah colocou a TV no mudo e se virou para mim.

— Acho que ele não é o cara certo pra você.

Ele estava com um olhar sombrio. Nunca tinha me olhado daquele jeito.

— É, também acho que não — admiti, baixinho.

— Belly... — começou ele.

Jeremiah respirou fundo e inflou as bochechas, então soprou tão forte que o cabelo em sua testa voou. Senti meu coração começar a martelar — algo ia acontecer. Ele ia dizer alguma coisa. Eu não queria ouvir. Ele estava prestes a mudar tudo.

Abri a boca para falar, para interrompê-lo antes que ele dissesse algo de que pudesse se arrepender, mas ele balançou a cabeça.

— Me deixa falar. — Ele respirou fundo de novo. — Você sempre foi minha melhor amiga. Mas agora é mais que isso. Eu vejo você como mais que isso — continuou, chegando mais perto. — Você é mais legal que qualquer outra garota que já conheci, e sempre esteve do meu lado. Você sempre me apoiou. Eu... Eu sei que posso contar com você. E você também pode contar comigo. Você sabe.

Assenti. Estava ouvindo enquanto ele falava, via os lábios dele se mexendo, mas minha cabeça estava a mil por hora. Era Jeremiah.

Meu amigo, meu melhor amigo. Eu nem conseguia olhar para ele.

Eu não o via daquela maneira. Havia só uma pessoa. E, para mim, essa pessoa era Conrad.

— E eu sei que você sempre gostou do Conrad, mas você já superou isso, certo?