O verão que mudou minha vida

Jenny Han · Capítulo 17 de 48

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O verão que mudou minha vida

Capítulo 17

Eu me inclinei para a frente e empurrei Taylor com força. Ela oscilou, mas continuou ali.

— Ei! — disse ela.

Eu sorri.

— Ei — respondi.

E a empurrei novamente.

Taylor estreitou os olhos e revidou. Com força, mas não o bastante. Então nós duas nos empurramos, só que dessa vez foi muito mais fácil, porque eu me sentia segura. Eu a empurrei uma última vez, com firmeza, e Taylor caiu para a frente, mas Jeremiah continuou de pé. Bati palmas com força. Aquilo era mesmo divertido.

Fiquei surpresa quando Conrad ergueu a mão para me cumprimentar. Ele não era chegado a esse tipo de coisa.

Dessa vez, quando voltou à superfície, Taylor não estava rindo. O

cabelo loiro estava colado à cabeça.

— Esta brincadeira é um saco — disse ela. — Não quero mais brincar.

— Não sabe perder — provoquei, e Conrad se abaixou na água para eu poder descer.

— Bom trabalho — elogiou, dando um de seus raros sorrisos.

Senti como se tivesse ganhado na loteria.

— Eu jogo pra ganhar — respondi.

E sabia que ele também.

17

ALGUNS DIAS DEPOIS do episódio no cinema, Jeremiah anunciou:

— Hoje vou ensinar a Belly a dirigir com câmbio manual.

— Sério? — perguntei, ansiosa.

O dia estava claro, o primeiro da semana assim. O tempo perfeito para dirigir. Jeremiah estava de folga, e eu não conseguia acreditar que ele estava disposto a passar o tempo livre me ensinando a dirigir. Steven tinha tentado uma vez, mas desistira depois da terceira aula.

Meu irmão balançou a cabeça e tomou um gole de suco de laranja direto da caixa.

— Está querendo morrer, cara? Belly vai matar vocês dois, sem contar que não vai sobrar nada da sua embreagem. Pula fora dessa.

Quem avisa amigo é.

— Cala a boca, Steven! — gritei, chutando-o por baixo da mesa.

— Só porque você é um péssimo professor...

Steven se recusava a entrar em um carro conduzido por mim desde que eu acidentalmente fizera um amassadinho minúsculo no para-lama enquanto ele me ensinava a fazer baliza.

— Confio nas minhas habilidades de professor — interrompeu Jeremiah. — Quando terminarmos, Belly vai dirigir melhor do que você.

— Boa sorte — respondeu Steven, e bufou, então franziu a testa.

— Quanto tempo vai levar? Achei que a gente fosse jogar golfe.

— Você pode vir com a gente — sugeri.

Steven me ignorou e continuou falando com Jeremiah:

— Você precisa praticar suas tacadas, cara.

Olhei para Jeremiah, que me encarou de volta e hesitou.

— No almoço já estaremos de volta. Podemos jogar à tarde.

Steven revirou os olhos.

— Ótimo.

Notei que meu irmão estava irritado e um pouco magoado, o que me deixou ao mesmo tempo convencida e com um pouco de pena.

Ele não estava acostumado a ser deixado de lado, como acontecia comigo.

Saímos para praticar na estrada que levava ao outro lado da praia. Era um lugar calmo e não tinha mais ninguém na via, só nós dois. Ficamos ouvindo o CD velho do Jeremiah, Nevermind, que já tinha milhões de anos.

— Acho bem atraente quando uma garota sabe dirigir — explicou Jeremiah. — Mostra que ela é confiante, que sabe o que está fazendo.

Coloquei o carro na primeira e fui tirando o pé da embreagem bem devagar.

— Pensei que os caras gostassem de garotas indefesas.

— E gostam. Mas eu prefiro garotas inteligentes e seguras.

— Que mentira. Você gostou da Taylor, e ela não é nada disso.

Ele soltou um gemido e apoiou o braço na janela.

— Você precisa mesmo voltar a esse assunto?

— Só estou dizendo que ela não era tão inteligente e segura assim. — Talvez não, mas ela definitivamente sabia o que estava fazendo — retrucou, antes de soltar uma gargalhada.

Dei um tapão no braço dele.

— Você é nojento. E também é um mentiroso. Sei que vocês não chegaram a fazer nada.

Ele parou de rir.

— Tudo bem, é verdade. Mas ela beijava bem. Tinha gosto de bala.

Taylor amava bala, estava sempre comendo uma, como se elas fossem vitaminas e fizessem bem à saúde. Fiquei me perguntando se ele achava meu beijo melhor que o da Taylor.

Dei uma olhadinha para ele, que devia ter reparado na minha cara, porque riu e disse:

— Você é melhor, Bells.

Dei outro tapa no braço do Jeremiah, que ria cada vez mais.

— Não tire o pé da embreagem — avisou, gargalhando.

Eu estava surpresa por ele ter lembrado. Quer dizer, tinha sido inesquecível para mim, mas fora meu primeiro beijo. E com Jeremiah. Por isso não liguei tanto por ele achar graça daquilo, porque pelo menos ele lembrava.

— Foi meu primeiro beijo — comentei.

Eu me sentia à vontade para falar qualquer coisa com ele. Por um momento, voltei ao passado, quando tudo era simples, amigável, normal entre a gente. Antes de as coisas ficarem complicadas.

Ele desviou o olhar, envergonhado.

— É, eu sei.

— Como é que você sabe?

Será que o beijo tinha sido tão ruim assim, para ele deduzir que fora o primeiro? Que humilhação.

— Hum, Taylor me contou. Depois.

— O quê? Não acredito! Que traidora!

Quase parei o carro. Na verdade, eu sabia que era a cara dela ter feito aquilo. Mas mesmo assim me senti traída.

— Não é nada de mais. — As bochechas dele estavam vermelhas. — Quer dizer, meu primeiro beijo foi um desastre. A garota ficava me falando que eu estava fazendo tudo errado.

— Quem era? Com quem foi seu primeiro beijo?

— Você não conhece. Não importa.

— Ah, qual é. Conta — insisti.

Deixei o carro morrer.

— Pisa na embreagem e coloca em ponto morto — orientou Jeremiah.

— Só se você me contar.

— Tudo bem. Foi com a Christi Turnduck — revelou, abaixando a cabeça.

— Você beijou aquela menina?

Agora eu é quem estava rindo. Conhecia Christi Turnduck; era uma frequentadora assídua daquela praia, assim como nós. Só que ela passava o ano todo lá.

— Ela era apaixonada por mim — explicou Jeremiah, dando de ombros.

— Você contou para o Con e para o Steven?

— Nossa, claro que não. E é melhor você também não contar!

Tem que prometer! E dando o dedinho.

Estendi o dedo mindinho para ele e selamos a promessa.

— Christi Turnduck. Ela beijava bem, me ensinou tudo que eu sei.

O que será que aconteceu com ela?

Fiquei me perguntando se Christi também beijava melhor do que eu. Devia beijar, já que tinha ensinado tudo ao Jeremiah.

Deixei o carro morrer de novo.

— Que saco! Desisto!

— Não tem essa de desistir de dirigir — decretou Jeremiah. —

Vamos lá.

Suspirei e dei a partida outra vez. Duas horas depois, tinha aprendido. Mais ou menos. Ainda deixava o carro morrer, mas estávamos fazendo progressos. Eu estava dirigindo. Jeremiah disse que eu tinha talento para a direção.

Quando chegamos em casa, já passava das quatro da tarde, e Steven tinha saído sozinho. Supus que ele havia se cansado de esperar e ido jogar golfe sozinho. Minha mãe e Susannah estavam assistindo a filmes antigos no quarto da Susannah; o quarto estava escuro, com as cortinas fechadas.

Fiquei parada do lado de fora, escutando enquanto elas riam. Eu me sentia excluída. Invejava a relação delas. Eram como copilotas em equilíbrio perfeito. Eu não tinha uma amizade daquelas, o tipo de amizade que duraria uma vida inteira, não importava o que houvesse.