O verão que mudou minha vida
Capítulo 19
O VERÃO MAL tinha começado, e Steven já estava indo embora. Ele e meu pai viajariam para conhecer universidades, mas depois, em vez de voltar para a praia, Steven iria direto para casa — supostamente para estudar para as provas de admissão, mas eu sabia que ele só queria ficar com a nova namorada.
Fui até o quarto dele para vê-lo arrumando as malas. Steven não tinha levado muita coisa, só uma mochila. De repente fiquei muito triste por ele estar de partida. A praia sem ele ficaria meio sem graça. Steven era nossa memória, um lembrete de carne e osso de que nada muda de verdade, de que tudo continua sempre igual.
Porque Steven nunca mudou; ele era apenas Steven, meu irmão mais velho inconveniente e insuportável, a razão da minha existência. Era como aquele cobertor velho de flanela que cheira a cachorro molhado: fedorento, confortável e parte fundamental do ambiente de um lar. Com ele lá, tudo permanecia igual: três contra uma, meninos contra menina.
— Não queria que você fosse — confessei, me sentando e abraçando os joelhos.
— Vamos nos ver daqui a um mês — lembrou ele.
— Um mês e meio — corrigi. — Você sabe que vai perder meu aniversário, né?
— Mas dou seu presente quando você voltar pra casa.
— É, mas não é a mesma coisa. — Eu sabia que estava sendo infantil, mas não conseguia evitar. — Pelo menos vai mandar um cartão-postal?
Steven fechou a mochila.
— Acho que não vou ter tempo. Mas mando uma mensagem.
— Traz um moletom de Princeton pra mim?
Eu não via a hora de usar um moletom de universidade. Era uma espécie de atestado de maturidade, um indicativo de que, mesmo que a pessoa ainda não estivesse na faculdade, faltava pouco.
Queria uma gaveta cheia desses moletons.
— Se eu lembrar…
— Pode deixar que eu lembro você. Mando uma mensagem.
— Certo. Vai ser seu presente de aniversário.
— Combinado. — Eu me deitei na cama dele e apoiei os pés na parede. Steven detestava quando eu fazia isso. — Talvez eu fique com um pouquinho de saudade, sabe?
— Você vai estar ocupada demais babando no Conrad para perceber que não estou aqui.
Respondi com uma careta.
* * *
Steven saiu bem cedo na manhã seguinte; Conrad e Jeremiah o levaram ao aeroporto. Eu desci para me despedir, mas não quis ir junto — sabia que eles não iam querer que eu fosse. Steven queria passar um tempo só com os garotos, e pela primeira vez eu estava disposta a permitir isso sem briga.
No abraço de despedida, ele lançou um daqueles seus olhares —
com os olhos tristes, meio que franzindo a testa — e disse:
— Juízo, hein?
Ele falou aquilo de um jeito sério, como se estivesse tentando me dizer algo importante, como se quisesse que eu compreendesse alguma coisa.