O verão que mudou minha vida

Jenny Han · Capítulo 41 de 48

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O verão que mudou minha vida

Capítulo 41

Os olhos dele estavam esperançosos, e aquilo estava me matando — eu queria morrer por não poder responder o que ele queria ouvir.

— Eu... Eu não sei — murmurei.

Ele prendeu a respiração, daquele jeito que fazia quando estava frustrado.

— Mas por quê? Ele não sente o mesmo por você. Não sente o que eu sinto.

Meus olhos se encheram de lágrimas, o que não era nada justo.

Eu não podia chorar. Mas ele estava certo. Conrad não sentia o mesmo por mim. Eu só queria sentir pelo Jeremiah o que sentia pelo Conrad.

— Eu sei. Eu não queria gostar dele. Mas eu gosto. Ainda.

Jeremiah se afastou de mim. Ele não conseguia me encarar.

Fixava os olhos em qualquer lugar, menos em mim.

— Conrad só vai magoar você — disse ele, em uma voz embargada.

— Desculpa. Por favor, não fica bravo comigo. Não vou suportar se você ficar bravo comigo.

Ele suspirou.

— Não estou bravo com você. Eu só... Por que sempre tem que ser o Conrad?

Então ele se levantou e me deixou ali sentada.

41

Doze anos O SR. FISHER tinha levado os garotos para uma de suas viagens de pesca submarina noturna. Jeremiah não pôde ir, porque tinha passado mal mais cedo naquele dia e Susannah o obrigou a ficar em casa. Passamos a noite no velho sofá xadrez do porão, comendo batata frita e vendo filmes.

Entre O Exterminador do Futuro e O Exterminador do Futuro 2, Jeremiah declarou, amargo:

— Ele gosta mais do Conrad do que de mim.

Eu tinha me levantado para trocar o DVD e me virei.

— Hã?

— É verdade. Eu não ligo. Ele é um idiota mesmo — continuou Jeremiah, puxando um fio no cobertor de flanela em seu colo.

Eu também o achava meio idiota, mas não falei nada. Não é certo concordar quando alguém xinga o próprio pai. Só coloquei o DVD no aparelho e voltei a me sentar. Puxei uma ponta do cobertor e disse:

— Ele não é horrível assim.

Jeremiah me encarou.

— Ele é, e você sabe disso. Con acha que ele é Deus, ou coisa do tipo. E seu irmão também.

— É porque seu pai é muito diferente do meu — falei, na defensiva. — O seu leva vocês pra pescar e jogar futebol. O meu não faz esse tipo de coisa, só gosta de jogar xadrez.

Jeremiah deu de ombros.

— Eu gosto de jogar xadrez.

Eu não sabia. Eu também gostava. Meu pai me ensinara quando eu tinha sete anos, e eu não jogava tão mal. Nunca tinha entrado para o clube de xadrez, mas até que tinha vontade, embora Taylor sempre dissesse que só gente esquisita participava.

— E o Conrad também gosta de xadrez. Ele só tenta ser o que nosso pai quer que ele seja. Acho que ele nem gosta de futebol, não como eu. Ele só é bom em futebol, porque é bom em tudo.

Pior que era verdade. Conrad era bom em tudo. Peguei um punhado de batatas e enchi minha boca, para não precisar falar.

— Um dia vou ser melhor que ele — anunciou Jeremiah.

Eu não conseguia ver como. Conrad era muito bom.

— Eu sei que você gosta dele — comentou Jeremiah, de repente.

Engoli as batatinhas, que de uma hora para outra ficaram com gosto de ração de coelho.

— Não, não gosto. Eu não gosto do Conrad.

— Gosta, sim. — Os olhos dele pareciam tão sábios. — Fala a verdade. Não temos segredos, lembra?

Jeremiah e eu sempre falávamos que não havia segredos entre a gente. Era uma tradição, assim como Jeremiah beber o leite que sobrava do meu cereal, essas coisas que fazíamos quando estávamos a sós.

— Não, eu não gosto dele — insisti. — Eu gosto dele como amigo. Não gosto dele desse jeito.

— Gosta, sim. Você olha pra ele como se o amasse.

Eu não podia mais aguentar aqueles olhos sabichões me encarando.

— Você só está falando isso porque tem ciúme de tudo que o Conrad faz.