O verão que mudou minha vida

Jenny Han · Capítulo 30 de 48

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O verão que mudou minha vida

Capítulo 30

— Não considero isso uma dança — retruquei, saindo do quarto.

— E pode diminuir um pouquinho o volume? Acordou a casa inteira.

Ele sorriu. Conrad tinha um jeito de olhar para mim — para qualquer um, na verdade — que fazia eu me desintegrar e querer me jogar a seus pés.

— Claro. Boa noite, Bells.

Bells, um apelido de mil anos atrás.

Era tão difícil não amar aquele garoto…. Eu sempre me lembrava disso quando ele era doce daquele jeito. Do porquê costumava amá-lo.

Era quando eu me lembrava de tudo.

30

Onze anos

A COLEÇÃO DE CDs na casa de praia não era muito extensa, e passávamos o verão inteiro ouvindo as mesmas músicas. Susannah colocava The Police de manhã, Bob Dylan à tarde e Billie Holiday na hora do jantar. As noites eram livres. Eram os momentos mais engraçados. Jeremiah colocava seu The Chronic, e minha mãe cantarolava junto enquanto lavava roupa, apesar de não gostar muito de rap. Logo depois, ela colocava Aretha Franklin, e Jeremiah cantava todas as músicas que, de tanto ouvir, todos nós já sabíamos de cor.

Minhas músicas preferidas eram as da Motown e as com um ar ensolarado, de praia. Eu gostava de ouvi-las no walkman velho da Susannah enquanto tomava sol. Naquela noite, tinha colocado Boogie Beach Shag para tocar no grande aparelho de som da sala, e Susannah puxara Jeremiah para dançar. Ele estava jogando pôquer com Steven, Conrad e minha mãe, que jogava muito bem. Jeremiah reclamou, mas dançou com a mãe, aquelas danças de praia dos anos 1960. Fiquei observando Susannah jogar a cabeça para trás, rindo, enquanto Jeremiah girava em torno dela, e quis dançar também. Meus pés estavam coçando, afinal de contas, eu era bailarina clássica e contemporânea. Que mal havia em mostrar que eu era boa?

— Dança comigo, Steven — pedi, cutucando meu irmão.

Eu estava deitada no chão de barriga para baixo, olhando para eles.

— Nunca.

Como se ele soubesse dançar.

— Con, dança com a Belly — ordenou Susannah, com o rosto vermelho, enquanto Jeremiah a girava mais uma vez.

Não tive coragem de olhar para Conrad. Tinha medo de que meu amor por ele e o desejo de que ele dissesse sim estivessem estampados na minha cara.

Conrad suspirou. Na época, ele ainda era obediente. Estendeu a mão e me puxou. Eu me levantei tremendo. Ele não largou minha mão.

— Essa dança é assim — ensinou, balançando os pés para um lado e para outro. — Um-dois-três, um-dois-três, pisa.

Levei um tempo para pegar o jeito. Era mais difícil do que parecia, e eu estava nervosa.

— Sente a batida — mandou Steven, ao meu lado.

— Relaxa o corpo, Belly. É uma dança relaxada — orientou minha mãe, do sofá.

Tentei ignorá-los e olhar só para Conrad.