O verão que mudou minha vida
Capítulo 3
— Não. — Ela riu. E perguntou a Conrad, se exibindo: — Acha curto demais?
Ele ficou vermelho. Eu nunca tinha visto Conrad ficar vermelho, nunca, em todo aquele tempo que nos conhecíamos. E tive a sensação de que não veria de novo. Fiz uma grande encenação olhando o relógio e disse:
— Con, vou dar uma volta na roda-gigante antes que a gente vá embora. Mas ganhe um prêmio pra mim, está bem?
Ele assentiu, ansioso, e eu me despedi da garota. Saí andando na direção da roda-gigante o mais rápido que pude, para que eles não me vissem chorar.
Mais tarde, soube que a garota se chamava Angie. Conrad acabou ganhando o urso-polar com óculos e cachecol. Segundo Angie, aquele era o melhor prêmio da barraca, e Conrad achou que eu também fosse gostar. Falei que teria preferido a girafa, mas agradeci mesmo assim. Batizei o urso de Junior Mint e o deixei em seu lugar de direito, na casa de praia.
3
DESFIZ AS MALAS e fui direto para a piscina, onde eu sabia que encontraria os meninos. Os três estavam deitados nas espreguiçadeiras, balançando os pés sujos para fora.
Jeremiah deu um pulo assim que me viu.
— Senhoooras e senhooores! — começou, em uma voz teatral, inclinando o corpo para a frente como um apresentador de circo. —
Está aberta a temporada de lançamento da Belly deste verão!
Hesitei, tentando fugir, mas, se eu fizesse algum movimento brusco, eles partiriam para cima de mim e me perseguiriam até conseguirem me pegar.
— Nem pensar! — retruquei.
Conrad e Steven também se levantaram, formando um círculo ao meu redor.
— Você não pode quebrar a tradição — declarou Steven.
Conrad só abriu um sorrisinho malévolo.
— Estou velha demais pra isso — argumentei, desesperada.
Tentei dar uns passos para trás, mas eles me pegaram. Steven e Jeremiah seguraram meus braços.
— Parem com isso, garotos! — pedi, tentando me soltar.
Firmei os pés no chão, só que eles me arrastaram mesmo assim.
Sabia que seria inútil resistir, mas sempre tentava, mesmo arranhando a sola dos pés no chão.
— Pronta? — perguntou Jeremiah, passando as mãos por baixo dos meus braços e me levantando.
Conrad segurou meus pés. Steven pegou meu braço direito e Jeremiah ficou com o esquerdo. Eles me balançaram para os lados, como se eu fosse um saco de farinha.
— Eu odeio vocês três! — gritei, em meio às risadas deles.
— Um! — começou Jeremiah.
— Dois! — continuou Steven.
— E três! — encerrou Conrad.
Eles me jogaram na piscina, de roupa e tudo. Caí como uma bomba, fazendo um barulhão. Dava para ouvir as gargalhadas deles mesmo debaixo d’água.
Essa história de lançamento da Belly era muito antiga. Devia ter sido ideia do Steven. E eu odiava. Mesmo que fosse uma das únicas ocasiões em que eles me incluíam na brincadeira, eu odiava ser o brinquedo. Ficava me sentindo impotente, e era um lembrete de que eu não fazia parte do grupo, de que era fraca demais para ganhar deles, tudo porque eu era menina. Porque era a irmãzinha de alguém.
Eu sempre chorava e corria para Susannah e para minha mãe, mas não adiantava. Os garotos me chamavam de fofoqueira. Só que daquela vez eu não ia chorar. Demonstraria um pouco de espírito esportivo. Pensei que, se fingisse levar na boa, a brincadeira talvez perdesse um pouco a graça.
Quando retornei à superfície, abri um sorriso enorme e comentei:
— Nossa, vocês parecem que têm dez anos.
— E vamos parecer sempre — retrucou Steven, satisfeito, e me deu vontade de afogar aquela cara presunçosa dele junto com seus preciosos óculos de sol Hugo Boss que ele precisou trabalhar feito um condenado para comprar.
Em vez disso, comentei, fingindo ter dificuldade para nadar até eles:
— Acho que você torceu meu tornozelo, Conrad.
Conrad foi até a beira da piscina e provocou, com aquele sorrisinho meio de lado:
— Ah, tenho certeza de que você vai sobreviver.
— Pelo menos me ajude a sair daqui — pedi.
Ele se agachou e estendeu a mão, e eu agradeci com uma voz estridente.
Então segurei sua mão bem firme e puxei com toda a minha força. Conrad se desequilibrou e caiu na piscina, espalhando mais água do que eu. Acho que eu nunca tinha rido tão alto em toda a minha vida. Jeremiah e Steven também riram. Parecia que toda Cousins Beach podia escutar nossas risadas.
Conrad emergiu depressa e nadou até mim com apenas duas braçadas. Fiquei com medo de ele estar zangado, mas não estava
— pelo menos não muito. Conrad sorria, mas era um sorriso meio ameaçador. Eu me afastei depressa.
— Você não vai me pegar! — anunciei, alegremente. — É muito lento!
A cada vez que ele chegava mais perto, eu me afastava.
— Marco! — gritei, rindo.
Jeremiah e Steven, que já estavam entrando em casa, responderam:
— Polo!
Aquilo me fez rir e desacelerar. Conrad conseguiu agarrar meu pé.
— Me solta! — pedi, ainda rindo.
Ele balançou a cabeça.
— Você não disse que eu era muito lento? — retrucou, batendo os pés e levantando bastante água perto de mim.
Nós estávamos na parte mais funda da piscina. A camiseta branca e ensopada dele mostrava sua pele rosada e brilhante.
Um silêncio meio estranho se estendeu entre nós. Ele ainda segurava meu pé, e eu tentava não afundar. Por um segundo, desejei que Jeremiah e Steven ainda estivessem ali. Só não sabia dizer por quê.