O verão que mudou minha vida
Capítulo 7
Afundei no sofá, cruzando os braços. Tinha perdido minha chance, e agora parecia mesmo uma fofoqueira, um bebezão.
A caminho da porta, Jeremiah se virou e fez uma dancinha para mim. Eu não consegui segurar o riso. Conrad falou, por cima do ombro:
— Boa noite, Belly.
E foi isso. Eu estava apaixonada.
7
NÃO PERCEBI LOGO de cara que a família deles tinha muito mais dinheiro que a nossa. A casa de praia não era chique; era normal, habitável e confortável, com sofás de estofados velhos e desbotados e uma poltrona reclinável — eu e os meninos sempre brigávamos para ver quem ia se sentar nela. As paredes brancas eram meio descascadas, e o piso de madeira já estava descolorido pelo sol.
Mas era uma casa grande, com espaço para todos nós e muito mais. Tinham feito uma reforma uns anos antes, aumentando os cômodos. Em uma ponta ficava o quarto da minha mãe, o da Susannah e o do Sr. Fisher, além de um quarto de hóspedes vazio.
Na outra ponta, ficava o meu quarto, mais outro quarto de hóspedes e o que os meninos dividiam — coisa que me deixava morrendo de ciúme, claro. No quarto dos três tinha um beliche e uma cama de solteiro, e eu detestava ter que dormir sozinha, ouvindo os risos e cochichos deles do outro lado da parede a noite toda. De vez em quando eles me deixavam dormir lá, mas só quando tinham alguma
história particularmente assustadora para contar. Eu era uma boa ouvinte, sempre gritava na hora certa.
Depois que crescemos, os garotos pararam de dividir quarto.