O verão que mudou minha vida

Jenny Han · Capítulo 35 de 48

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O verão que mudou minha vida

Capítulo 35

Susannah queria que o verão fosse perfeito para eles, como quando ela e o Sr. Fisher ainda estavam juntos e tudo era como

sempre tinha sido. Minha vontade era dizer que esse tipo de verão não existia mais.

35

QUASE NO FIM da tarde, Cam chegou para me levar ao minigolfe.

Esperei por ele no portão e entrei correndo no carro assim que ele avançou pela entrada da garagem. Em vez de ir para o lugar do passageiro, fui direto para o banco do motorista.

— Posso dirigir? — perguntei.

Eu sabia que ele ia deixar.

Cam balançou a cabeça e disse, seco:

— E alguém consegue dizer não a você?

Dei uma piscadinha sedutora, com aquele meu olhar pidão.

— Ninguém nunca disse — respondi, mesmo que não fosse nem de longe a verdade.

Abri a porta do carona, e ele entrou. Saindo da garagem, avisei a ele:

— Tenho que voltar cedo hoje.

— Tudo bem. — Ele pigarreou. — E... hum... poderia diminuir um pouco a velocidade? O limite nesta rua é sessenta por hora.

Ele ficava me olhando e sorrindo enquanto eu dirigia.

— O que foi? Por que você está rindo? — perguntei.

Fiquei com vontade de cobrir o rosto com a camiseta.

— Seu nariz não é pontudo, como os outros. Parece o nariz de um coelhinho.

Ele esticou a mão e encostou na ponta do meu nariz. Afastei a mão dele com um tapa.

— Detesto meu nariz — confessei.

Cam pareceu perplexo.

— Por quê? Seu nariz é tão bonitinho. São as imperfeições que tornam as coisas bonitas.

Fiquei pensando se isso significava que ele me achava bonita.

Será que era por isso que ele gostava de mim? Por causa das minhas imperfeições?

Acabamos demorando mais que o planejado. As pessoas na nossa frente levavam um século em cada buraco. Eram um casal, e eles paravam toda hora para se beijar. Era irritante. Queria dizer que o minigolfe não era lugar para ficarem se agarrando, que para isso existia o drive-in. Depois, Cam ficou com fome, então paramos para comer mariscos fritos. Já tinha passado das dez da noite, e eu sabia que minha mãe e Susannah já teriam ido dormir.

Cam deixou que eu dirigisse até em casa. Não precisei pedir, ele simplesmente me entregou as chaves. Na entrada da garagem, quando chegamos, desliguei o motor. Todas as luzes da casa estavam apagadas, menos a do quarto do Conrad.

— Não quero entrar — falei para Cam.

— Achei que você tivesse que voltar cedo.

— Eu tinha. Eu tenho. Só que ainda não estou pronta pra entrar. Liguei o rádio, e ficamos uns cinco minutos sentados ouvindo música.

Cam pigarreou e perguntou:

— Posso beijar você?

Queria que ele não tivesse perguntado. Queria que ele simplesmente tivesse me beijado. O fato de ele perguntar tornava tudo meio estranho, como se eu fosse obrigada a dizer que sim.

Quase revirei os olhos, mas, em vez disso, falei:

— Hum, pode. Mas da próxima vez não precisa perguntar. É

estranho. Melhor beijar de uma vez.

Mas eu me arrependi de dizer isso assim que vi a expressão no rosto dele.

— Deixa pra lá — retrucou ele, corando. — Faz de conta que eu não falei nada.

— Cam, descul...

Ele se inclinou para a frente e me beijou antes que eu pudesse terminar a frase. A barba dele estava começando a crescer, e meio que arranhava, mas era bom.

— Tudo bem? — perguntou Cam, no fim do beijo.

— Tudo bem — respondi, sorrindo. Soltei o cinto de segurança. —

Boa noite.

Saí do carro, e ele deu a volta para se sentar no banco do motorista. Nós nos abraçamos, e percebi que estava desejando que Conrad estivesse vendo aquilo. Mesmo que não tivesse importância, mesmo que eu nem gostasse mais dele. Só queria que ele soubesse que eu não gostava mais dele, de verdade. Que ele visse isso com os próprios olhos.