O verão que mudou minha vida
Capítulo 44
PERTO DO FIM do verão, tudo pareceu desacelerar, se encaminhar para uma conclusão. Era como quando nevava. Certa vez houve uma grande nevasca, e ficamos duas semanas sem aulas. Depois de um tempo, tudo que você quer é sair de casa, mesmo que seja para ir à escola. Ficar na casa de praia era meio que isso. Mesmo o paraíso pode ser sufocante às vezes. Tinha um limite para quantas vezes dava para ficar na praia sem fazer nada antes de sentir que já era hora de acabar com aquilo. Eu sempre me sentia assim quando faltava uma semana para irmos embora. E, claro, quando a hora realmente chegava, nunca me sentia pronta. Queria ficar para sempre. Era tipo em Ardil-22, uma contradição em termos. Assim que entrávamos no carro, a caminho de casa, tudo que eu queria era saltar e correr de volta para a casa de praia.
Cam me ligou duas vezes, mas não atendi nenhuma. Deixei cair na caixa postal. Na primeira vez, ele não deixou mensagem. Na segunda, disse: “Oi, sou eu, Cam… Espero que a gente consiga se ver antes de irmos embora. Mas, se não conseguirmos… Bem, foi legal conhecer você. Bom, é isso. Liga pra mim, se quiser.”
Eu não sabia o que dizer a ele. Eu amava Conrad e provavelmente sempre amaria. Passaria minha vida inteira o amando, de um jeito ou de outro. Talvez eu me casasse, talvez tivesse uma família, mas nada disso teria importância, porque um pedaço do meu coração, o pedaço onde os verões ficam guardados, sempre seria do Conrad. Como dizer isso a Cam? Como dizer que ele também teria um pedaço do meu coração? Ele foi o primeiro garoto que disse que eu era bonita, e aquilo significava alguma coisa. Mas eu não era capaz de dizer nada daquilo a ele, então fiz a única coisa em que pude pensar: me afastei. Não retornei a ligação.
Com Jeremiah foi mais fácil — e com isso quero dizer que ele pegou leve comigo. Não me pressionou, só fingiu que nada havia acontecido, que a conversa na sala de TV nunca tinha existido. Ele voltou a contar piadas e a ser o Jeremiah de sempre.