Polícia e sociedade: gestão de segurança pública e controle social
Organização burocrática e controle social
Organização burocrática e controle
social
Os temas da ordem social,
da desigualdade, do poder,
e da organização social estão esboçados
muito antes de haver sociologia;
os sociólogos constroem as suas
disciplinas num permanente diálogo com
o passado e com os autores mais
representativos desse passado.
Ferreira
A problemática da organização burocrática na atualidade é compreendida como estrutura e forma de pensar, materializada no controle social, particularmente sob condições de insegurança e desigualdade entre diferentes e múltiplos poderes sociais.
Os modelos alternativos de busca de flexibilidade, em substituição ao burocrático, vêm-se defrontando com dificuldades e insuficiências nas suas abordagens, uma vez que o problema da rigidez burocrática continua sendo um campo de incerteza e dilema, ainda dependentes de condições sociais não resolvidas. As organizações prosseguem apresentando certas características típicas do modelo weberiano, que as definiu como um poder legal-formal, diferentemente do tradicional e do carismático, instalando-se, no percurso do século XX e na atualidade, grandes inquietações, pela problemática da sua deterioração e da necessidade social dos serviços a serem por elas prestados, especialmente os governamentais.
Essa problemática visualizada, com maior ênfase na década de 70, por diversos teóricos, foi tratada de forma radical por Warren Bennis (1973), prevendo que o mundo veria nos próximos 25 a 50 anos, portanto entre 1998 e 2023, o fim da organização burocrática. Ao contrário de suas previsões, este fato ainda não se constatou, podendo-se até afirmar, frente às evidências atuais, a tendência para a sua permanência, como forma de expressão de controle de poderes, em espaços sociais racionalmente estruturados.