Polícia e sociedade: gestão de segurança pública e controle social
Violência, controle social e polícia no Brasil
Violência, controle social e polícia no
Brasil
A partir dos anos 60,
a violência urbana tornou-se um
fenômeno social generalizado. Contudo,
suas causas e manifestações diferem de
um país para outro. Entre os franceses,
por exemplo, ela está centrada na
desconfiança das instituições e na falta de
civilidade, que são dois dos principais
fatores explicativos do sentimento de
insegurança nesse país.
Body-Gendrot
Outrora o silêncio; hoje, denúncias abertas dos comportamentos violentos, convivendo com outro tipo de silêncio, porque há um modo de estar em silêncio que corresponde a uma relação de materialidade simbólica. A primeira situação, do silêncio, configura caso de violência conjugal e dos maus-tratos infantis. Nas sociedades modernas, o poder das imagens e a sub-informação influenciam sobre a apreensão desse fenômeno (MICHAUD, 1998). A segunda das denúncias, em muitos casos, são as formas de o silêncio se colocar na relação do dizível, que corre o risco de não saber se deslocar entre o dizer e o não dizer (ORLANDI, 1990). Tais comportamentos de determinados segmentos sociais se expressam no medo da fala e na lei do silêncio do mundo da contravenção social (ENRIQUEZ, 1990). O silêncio não é o nada, não é o vazio sem história; ele é significante, garantia do movimento de sentidos. Sempre se diz algo a partir dele (ORLANDI, 1997).
Uma pesquisa realizada pelo Instituto Vox Populi, em 50 cidades brasileiras, mostra a criminalidade citada em 40 municípios como um dos três problemas que mais preocupam a população. Em 20 cidades, o crime se apresenta como principal problema.