Polícia e sociedade: gestão de segurança pública e controle social

Segurança pública e responsabilidade social

Segurança pública e responsabilidade

social

 

Não há dúvidas de que o melhor governo é

aquele em que cada um encontra aquilo de

que necessita para ser feliz.

Aristóteles, A Política

 

A visão dos chefes de família

Para melhor apreender o sentido da segurança pública para as camadas populares e o modo como expressam a relação que estabelecem com a Polícia nessa perspectiva de segurança, nosso objetivo é, uma vez mais, tentar aproximar a informação obtida com

as hipóteses levantadas neste estudo (tabela 37).

A segurança, sob o ponto de vista dos chefes de família entrevistados, decorre da capacidade individual de estabelecer relações de confiança, não só com a própria Polícia, como, também, com os marginais e com os traficantes do bairro. Este processo de identidades construídas na violência revela uma realidade particular do cotidiano das famílias populares, as quais recriam na violência, os seus espaços de convivência e sobrevivência humanas, aprofundando, desta forma, a violência social com a participação de policiais.

Tabela 37 -Razões de Segurança na Área da Liberdade (Chefes de

Família)

Razões de existência de Segurança Frequência

Uma dimensão de capacidade individual.

Um sentido concreto de relação com os 23.5% policiais, marginais e com os traficantes

que atuam na área.

Pela presença da Polícia. 58.8%

Porque não há violência, não há 17.7% marginais.

Base [17] 100.0%

Fonte: Pesquisa de campo

As expressões de segurança, entendidas como uma questão de capacitação e de coragem individual, confirmam hipóteses clássicas de que o indivíduo, ao sentir-se desprotegido pelos mecanismos institucionais da ordem legalmente instituída, cria suas próprias formas para obter a segurança individual. No caso, elas foram expressas por práticas sociais através da cumplicidade com marginais, traficantes e policiais, conforme se pode constatar no seguinte depoimento:

[…] os marginais não mexem com ninguém do bairro;

[…] a Polícia não vem e quando vem é porque aconteceu uma

morte ou roubo; acontece muito roubo;

[…] há quase dois meses que não há nenhum policiamento;

[…] tinha um bar e passei a conhecer muita gente; sinto-me

segura, pois passei a conhecer os marginais; dois deles

estavam no bar junto com mais dois e pediram para ninguém