Quando a Bela Domou a Fera

Eloisa James · Capítulo 20 de 36

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Quando a Bela Domou a Fera

Capítulo 20

E deixou com pletam ente de pensar, porque as m ãos dela... a boca dela...

Esqueceu-se de se retirar. Esqueceu-se do seu nom e. Esqueceu-se de que era m édico.

Esqueceu-se...

Esqueceu-se de tudo, exceto de Linnet e da curva do seu pescoço, e do calor húm ido da

sua boca, e daquele pequeno hum m que dizia que estava feliz.

De fato, a sua m ente continuava com pletam ente vazia quando ela trepou até ele e disse

num a voz rouca, lasciva:

— Agora está em dívida para com igo.

20

Nessa noite, depois do j antar, retiraram -se todos para a sala de estar para um brande pós-

prandial (para os cavalheiros) e chá (para as senhoras).

Linnet estava com m uita dificuldade em se m anter dentro dos lim ites do com portam ento

próprio de um a senhora. Queria tocar em Piers, falar só com ele, sorrir- num convite

inequívoco.

Estava possuída de um a fom e voraz, com o se a luxúria fosse a única em oção do seu corpo.

De vez em quando, um pensam ento no futuro — até, tinha de se dizer, um a palpitação de

ansiedade — atravessava- a m ente. Afinal, tinha deitado fora a sua virtude, o seu bem m ais

precioso. O pai ficaria horrorizado e ainda m ais se soubesse que Piers prom etera casar com

ela, m as só se ela estivesse à espera de bebê.

Mas um único olhar para o corpo esbelto de Piers e o seu coração com eçava a bater- bem

alto, j unto à garganta, e calor trepava- pelas pernas. Não podia esconder a verdade de você

própria: se tivesse oportunidade, lançaria a sua virtude ao vento outra vez. E outra.

Era com o loucura. Era com o estar bêbada, com o se estivesse a beber brande com o chá.

Depois de alguns m inutos na sala de estar, Linnet deu com você a interrogar-se se, talvez,

Lady Bernaise teria deitado brande no chá dela. Sua senhoria insistia em dançar, levando o

m arquês com o seu par e atribuindo Linnet a Mr. Bitts. Mesm o depois de a valsa acabar,

estava extraordinariam ente alegre, os olhos a brilhar, o leque em constante m ovim ento.

Linnet olhou para baixo, para o seu vestido branco, e suspirou. Lady Bernaise envergava

um vestido requintado, de tecido lilás, apanhado m esm o abaixo do corpete com fitas da cor

de am oras. Apesar de ser incorreto falar de corpete, um a vez que o decote estava tão em

evidência que os seios pareciam estar decorados m ais do que escondidos.

Piers estava encostado na parede, observando, com um a expressão sardônica, que a m ãe

estava a tornar-se cada vez m ais escandalosa, nam oriscando com os j ovens m édicos, dando pancadinhas com o leque, rindo o seu gutural risinho francês.

Linnet atraiu a sua atenção, e pôs a m ão no sofá, ao seu lado.

— Cham ou-m e? — perguntou ele, um m om ento depois.

Todo o seu corpo estrem eceu quando ele se sentou, o om bro largo a roçar no dela.

— A sua m ãe bebeu cham panhe dem ais? — disse ela, em voz baixa, tentando não parecer

excessivam ente deliciada por ele ter respondido ao seu cham am ento.

— Duvido. Acho que ela descobriu um passatem po novo que podia resum ir-se a

Atorm entar o Duque.

— Atorm entar no sentido de fazer- ciúm es? — perguntou Linnet, os olhos a desviarem -

se para o duque. — Suponho que está a resultar. — O pai de Piers estava sentado m uito

direito, os olhos fixos na ex-m ulher.

— Pode ser um pouco m ais com plicado do que isso — disse Piers. — Com o sabe, o m eu

pai divorciou-se dela com o fundam ento de que ela era um a...

— Oh, estou a ver — sussurrou Linnet. — Fale baixo, Piers. O seu pai pode ouvi-lo.

— E?

— Se o com preendo, ela está a exibir a sua independência: com o adúltera, pode ter prazer

com quem quiser, incluindo hom ens j ovens. Apesar de, claro, não ser nenhum a adúltera.

— Parece-m e que o ilustre Bitts se tornou o desafiador principal — com entou Piers.

— Quem havia de pensar que o hom em tinha tal j eito de cortesão dentro de você? Em bora

eu ache que ele o faz honestam ente, sendo filho de visconde ou algo no gênero.

— Mas ela... — sussurrou Linnet.

— Nunca — disse Piers, calm am ente. — O m eu pai tam bém o sabe. A m inha m ãe adora

nam oriscar, afinal é francesa, m as foi um a m ulher dedicada, tanto ao m eu pai com o ao

segundo m arido.

— Com o era ele? — Linnet observava, fascinada, com o a ex-duquesa deliciava Mr. Bitts

sentando-se ao piano. Os outros dois m édicos aproxim aram -se e j untaram -se a ela tam bém .

— Provavelm ente, conseguem ver até ao um bigo — notou Piers. — E, para responder à

sua pergunta, o segundo m arido da m ãe era um excelente esposo. O antídoto do m eu pai,

certam ente: robusto, não dem asiado brilhante, perfeitam ente civilizado. Infelizm ente,

tam bém desm iolado, depois de a revolução se incendiar e ele se recusar a abandonar a sua

propriedade, insistindo que os seus cam poneses não estavam tão irados com o os de toda a

gente.

A duquesa estava então a cantar, os olhos brilhantes e os dedos a voarem sobre o teclado.

— Que canção m aravilhosa — disse Linnet. — E está a cantar em inglês!

— De outra m aneira não teria interesse — disse Piers, ironicam ente. — O francês do m eu

pai não é suficientem ente bom para perceber as palavras na língua dela.

Linnet ouviu com m ais atenção. Um a m ulher lasciva era ela, cantarolava a duquesa,

alegrem ente.

— Maravilhoso! — exclam ou Linnet, dando um a risadinha. Aquela era um a canção digna

da tia ou da m ãe, apesar de ela não poder dizê-lo a Piers.

— O m eu pai não está lá m uito divertido — notou Piers, acenando com a cabeça.

— Sinto-m e com o se estivesse a ver um a peça de teatro.

— De fato, o duque estava a franzir a sobrancelha tão ferozm ente que a sem elhança com

o filho era inequívoca.

— Ontem à noite, tive a m esm a sensação. Se estivéssem os num cam arote, no teatro —

adm itiu Piers —, estaria bastante escuro.

— E?

O lábio inferior do duque estava a proj etar-se para fora e os dedos tam borilavam no

j oelhe.

— Punha o braço à sua volta — continuou Piers —, arriscando a censura pública. — Ele

fez exatam ente isso, puxando-a para trás, para as profundezas do sofá.

Linnet ergueu os olhos para ele.

— Suponho que, se eu estivesse m uito, m uito cansada, depois de algum a atividade inesperada durante o dia, poderia descansar a cabeça sobre o seu om bro. — E foi o que fez.

Os dedos de Piers desenharam pequenos círculos no seu braço nu, tornando difícil pensar

no dram a que estava a desenrolar-se à sua frente. Lady Bernaise term inou a canção e

levantou-se do piano com um rebuliço de saias. Os Patinhos aglom eraram -se à sua volta.

Estavam todos a rir: na verdade, estavam a sacudir-se de tanto riso.

— Deus m e valha — censurou Piers —, aqueles atores não deviam esquecer-se de que

têm um a audiência, isto é, nós.

Mas, precisam ente nessa altura, a m ãe fez- a vontade, quando a sua vozinha atravessou o

riso, perfeitam ente clara.

Tinha o leque aberto e os seus olhos cintilavam perigosam ente por cim a dele.

— Eu sem pre pensei, Mister Bitts, que é bom encontrar um hom em duro.

Linnet abafou um a gargalhada, m as Piers estava a olhar para o pai.

—Tirou o velho leão da j aula com aquele gracej o — disse- ao ouvido.

De fato, o duque levantara-se. Os m édicos espalharam -se com o folhelho à frente dele; ele

deslizou a m ão sob o braço da senhora e puxou-a para fora da sala antes que Linnet pudesse

fazer m ais do que pestanej ar.

— Que vergonha — com entou Piers, sem se m exer. Linnet tentou soerguer-se.

— Devíam os...

Piers atraiu a atenção de Kibbles e sacudiu a cabeça. Num segundo, os Patinhos tinham

desaparecido.

— O divertim ento term inou — disse Piers, pesaroso. — Só a Linnet e eu no teatro

obscurecido.

— Onde está o seu prim o? — perguntou Linnet, apercebendo-se de repente que o

m arquês não estava em parte nenhum a.

— O Prufrock levou-o para fora da sala há uns m inutos. Deve ter aparecido um paciente

com um m em bro partido, um a vez que essa é a especialidade do Sebastian.

Linnet descansou contra o om bro de Piers, deixando-o puxá-la m ais para você, e depois

inclinou a cabeça para cim a, para exam inar o teto. Não havia lá m uito para ver, m as isso deu

a oportunidade a Piers para espalhar beij os no seu pescoço.

— Mm m m — m urm urou Linnet, bem do fundo da garganta.

— Adoro quando faz isso — confessou Piers, levantando a cabeça para depositar um

beij o ao canto da boca.

— Quando faço o quê?

— Esse sonzinho na garganta que significa que está disponível e nada relutante.

— Está a sugerir que sou fácil? — perguntou Linnet, ofendida.

— Está a sugerir que eu não a respeitaria se fosse? Afinal, não foi a Linnet que acabou de

exaltar as virtudes de hom ens duros — observou ele. — Foi a m inha m ãe, a m ulher que eu

tenho as m aiores razões para honrar.

— Eu não sou fácil — disse Linnet, obstinadam ente.

— Eu, m elhor do que nenhum outro hom em , sei disso.

— Afagou a orelha com o nariz. — Mas acha que podia, talvez, fazer um a im itação de um a

leviana fácil logo m ais à noite?

Linnet deu com você a trem er. Piers estava a apertá-la contra você e a lam ber — ele estava

a lam ber! — o rebordo da orelha.

— Isso é um a coisa estranha de se fazer — disse ela, evitando a pergunta dele.

Com o resposta, m ordiscou o lóbulo da orelha e um a pequena onda de excitação foi direita

às coxas de Linnet.

— Muito estranha! — conseguiu dizer.

— Este seu cabelo todo está a estorvar.

— Quanto a esta noite — com eçou Linnet, m as a porta abriu-se. Era Prufrock.

— Peço desculpa por interrom per, m as sua senhoria o m arquês solicita a sua aj uda.

— Um a operação com plicada? — perguntou Piers, ainda a afagar a orelha de Linnet com

o nariz.

Linnet tentou sentar-se direita, m as ele não a deixou.

— Foi o que percebi — confirm ou Prufrock. E depois, obedecendo a algum sinal oculto,

ou a um código tácito, recuou e atravessou a porta, que fechou atrás de você.

— Maldição! — suspirou Piers.

— Que com plicação é que pode ter, cortar um a perna? — perguntou Linnet. —

Pensava

que era bastante sim ples, com o serrar um tronco, só que fazendo m ais porcaria.

— Onde está a sua suscetibilidade de donzela? — perguntou Piers. — Até parece que não

se im portava de segurar num a das extrem idades da serra.

— Pois não — adm itiu Linnet, pensando nisso. — Acho que devia ser interessante. Tem

m esm o de m e deixar sentar m ais para cim a. Tenho a certeza de que o Prufrock ficou

horrorizado.

— O Prufrock? Nada horroriza esse hom em . Além disso, a Linnet é a m inha noiva.

Podem os estar aconchegados um ao outro.

— Não, sem um a dam a de com panhia algures nas redondezas— disse Linnet, firm em ente.

— Pff. Calculo que nunca foi a parte nenhum a sem dam a de com panhia durante toda a

tem porada?

— Nunca.

— E vej a aonde isso a levou... grávida de um príncipe e noiva de um louco.

Um a vez que Linnet pensara m uitas vezes a m esm a coisa, dificilm ente podia protestar.

Por isso, virou a cabeça, apenas um centím etro, e apanhou os lábios dele quando deslizavam

pela face.

Os lábios eram indom áveis, exigentes, nada cavalheirescos. Abriu a boca para ele, perm itindo- , não, m ais do que isso, acolhendo-o na sua pródiga avidez. No beij o dele havia

um pedido que ela tencionava recusar. Não podiam fazer aquilo outra vez.

Ela afastou-se, o peito arquej ando. E viu o m onstro a rir-se dela, as m ãos, am bas as m ãos,

a apertarem - os seios. O seu corpete podia não reivindicar a lascívia que o de Lady Bernaise

tinha, m as por outro lado, estava seguro apenas por um a fita franzida. E Piers, o hábil, esperto

Piers, puxou o nozinho que estava no seu om bro direito, fazendo os seus seios nus

caírem - direitinhos nas m ãos.

— É linda! — sussurrou ele. Os polegares esfregavam os m am ilos. Ela chegou m esm o a

gem er alto, tão delicioso aquilo era.

Tinha a posse total dos seus seios, apertando-os quase brutalm ente, inclinando a cabeça...

As costas de Linnet arquearam -se instintivam ente e um a espécie de gritinho voou dos

lábios. Acordou-a.

— O Prufrock, ele está lá fora — balbuciou ela, em purrando os om bros de Piers.

Ele largou- os seios depois do seu segundo em purrão. O corpo de Linnet vibrou todo,

outra vez, perante a expressão dos seus olhos, o desej o selvático, incontrolável, irradiando

do seu rosto.

— Não podem os fazer isto — disse ela, respirando fundo. O que fez os seus seios

erguerem -se e os olhos de Piers regressarem a eles, com o um hom em a afogar-se ao ver um a

corda.

— Deus, Linnet, é perfeita — m urm urou ele.

— Não acha que sou grande dem ais aí? — perguntou ela, sentindo-se estúpida m al as

palavras saíram da boca.

— O m eu pai disse que eu.. quer dizer, a m inha governanta disse, um a vez, que eu parecia

um a vaca.

— Se as vacas fossem assim ... — com entou Piers, m as não pareceu capaz de pensar na

segunda parte da frase. Estendeu a m ão de novo, desta vez reverentem ente. — Os seus seios

são perfeitos, Linnet. O sonho de qualquer hom em .

— O seu sonho? — perguntou ela.

— Nunca sonhei com ninguém com o a Linnet — confessou ele, olhando-a finalm ente nos

olhos.

Ela sabia que o sorriso do seu coração se tinha espalhado no seu rosto. Instantaneam ente

algo m udou no dele. Estendeu a m ão e puxou- para cim a o corpete, pondo a fita e depois

atando-a. Ela não se m exeu, ficou ali sentada, olhando para os olhos baixos dele e refletindo.

— Só porque eu nunca sonhei com você não significa que case com você — disse ele, por

fim .

— Eu sei — disse Linnet, esforçando-se por se controlar.

— Nós não fom os feitos um para o outro. Am bos concordam os.

— Olhe; eu trouxe- um a coisa — revelou ele, m etendo a m ão no bolso e tirando um

saquinho de m usselina m uito bem atado com fio.

— O que é?

— Sais m inerais. Tom e um grande banho esta noite e ficará pronta para ir nadar am anhã.

Ela pegou no saco.

— Outro banho! Os lacaios vão queixar-se de acarretar toda essa água quente para o m eu

quarto.

Ele encolheu os om bros.

— Com o queira.

Depois, pôs-se em pé, agarrando a bengala com um a m ão e estendendo a outra para aj udar

a levantar-se.

— Tenho de ir.

Pareceu irritado, de repente, com o se estivesse a culpá-la por qualquer coisa. Ela

segurou- o braço.

— Que se passa?

— Nada.

— Estávam os a ter uns m om entos perfeitam ente agradáveis há um bocadinho e agora

está todo form al e antipático.

Ele virou-se com um pequeno grunhido.

— Um hom em não gosta quando quase perde a cabeça por causa de um a m ulher. Linnet

franziu a sobrancelha.

— Não vej o qualquer sinal de que está a perder a cabeça.

— Decidi, há m uito tem po, que não casaria — disse ele, franzindo tam bém a sobrancelha.

— Mal com você tom ar conta de m im quanto m ais de outra pessoa.

Linnet acenou com a cabeça.

— Parece um a razão idiota para renunciar ao casam ento, m as foi o que m e disse. Eu

não pedi que m udasse de opinião, pois não?

— Não.

— Então porque está a culpar-se? por quaisquer pensam entos aberrantes que possam ter

atravessado a sua m ente idiota? — respondeu ela. — Eu não estava pensando em

m atrim ônio quando m e beij ou.

Escapou da garganta um a grande gargalhada.

— Nem eu!

— Então, por que o ataque de m au hum or? — Largou- o braço.

— Porque sou um burro? — sugeriu ele, m enos severo. — Mas tenho m esm o de ir aj udar

o Sebastian com o paciente, se não ele fica furioso com igo. — Havia um sorriso nos seus

olhos, por isso ela tom ou- o braço e deixou-o acom panhá-la para fora da sala.

Mesm o antes de abrir a porta, ele parou e depositou- um beij o no nariz.

— Se eu casasse com alguém , Linnet, seria com você.

— Eu sem pre soube que estes seios haviam de dar j eito — disse ela, com satisfação. Ele

riu-se.

— Se eu fosse um hom em diferente, esta seria um a história diferente.

— Im agine — disse ela. — Eu podia andar a nam orar com um noivo que não se atira a

m im com o um a víbora quando tem um ataque de enxaquecas.

— Enxaquecas! Faz-m e parecer um a am arga tia solteirona.

— Enxaquecas — repetiu ela, lançando um sorriso atrevido. E depois, m ais sensata: —

Vai ter m esm o de controlar a ansiedade, Piers. Garanto- que não concluí de repente que o

Piers é o esposo que eu sem pre quis, por m uito que goste dos seus beij os.

Ele pestanej ou, baixou os olhos para a bengala.

— Sou um idiota. Um idiota convencido, neste caso.

— Não é a sua perna — disse Linnet, rapidam ente.

Mas ele estava a sorrir, abrindo a porta que dava para o vestíbulo.

— A m inha abom inável língua, calculo?

— Um a m ulher teria de ter isso em conta — observou ela.

— Podia não aceitar bem essa sua abom inável língua a causar estragos à m esa do

pequeno-alm oço. — Hesitou, m as decidiu dizê-lo: — Nós estam os a brincar. E eu... eu m ereço

brincar, depois de tudo o que m e aconteceu recentem ente.

Ele estava a assentir com a cabeça.

— E m erece. E sou um idiota, tal com o disse. — E depois, à frente dos lacaios e de Prufrock,

e de quaisquer pessoas que pudessem estar no vestíbulo, baixou a cabeça e beij ou-a, um

daqueles beij os voluptuosos, im placavelm ente violento.

Um pedido.

E ela deu, instintivam ente, com a m ão a agarrar- na lapela do casaco, o corpo a oscilar

para o dele, os lábios a colarem -se aos dele quando ele levantou a cabeça.

Piers inclinou-se para a frente e disse- ao ouvido, tão baixinho que ninguém ouviu:

— A Linnet é um dem ônio de com panheira.

Depois, desapareceu, subindo pesadam ente as escadas.

Ela fez um esforço para olhar para Prufrock.

— Gostaria de tom ar banho, se faz favor. Ele acenou com a cabeça a um dos lacaios.

— Claro, Miss Thry nne. Creio que a sua criada está no seu quarto, à espera da senhora. —

Aclarou a voz. — O rafeiro que agora dá pelo nom e, de Rufus foi lavado e tosquiado, m as não

posso dizer que o seu aspecto tenha m elhorado de m aneira significativa.

Ela tinha-se esquecido daquilo tudo.

— Ele pode ir para o m eu quarto — retorquiu ela, com um suspiro.

Prufrock não aprovou a ideia.

— O cão fica perfeitam ente confortável nos estábulos ou m esm o na sala das botas, se

insistir.