Quando a Bela Domou a Fera

Eloisa James · Capítulo 3 de 36

Páginas do PDF

Quando a Bela Domou a Fera

Capítulo 3

olhos.

— Não estavas a brincar.

O m ordom o acenou com a cabeça.

— Tenho a im pressão de que Sua Graça o vê, a você, ou o seu casam ento, com o um desafio.

Provavelm ente, não devia ter listado tantos requisitos. Pode dizer-se que isso incendiou a

determ inação do duque. Levou-o a interessar-se no proj eto, por assim dizer.

— Não m e diga. Nunca vai conseguir encontrar alguém . Eu tenho a m inha reputação, com o

sabes.

— O seu título tem m ais peso do que a sua reputação — disse Prufrock. — Além disso, há

a pequena questão dos bens do seu pai.

— Se calhar tens razão, raios te partam . — Piers concluiu que era capaz de beber m ais um

copo pequeno. — E a m inha lesão, hã? Achas que um a m ulher concordaria em casar com um

hom em ... que estou eu para aqui a dizer? Claro que um a m ulher concordava com isso.

— Duvido que m uitas j ovens vissem isso com o um problem a insuperável — disse

Prufrock. — Já a sua personalidade...

— Raios te partam — disse Piers, m as sem raiva.

3

No m om ento em que Linnet regressou à sala de estar, o pai lam entou-se bem alto:

— No m ês passado, recusei três propostas de casam ento que te fizeram e posso dizer-te

neste instante que nunca m ais hei de receber outra. Diabos, eu tam bém não acreditaria que

é um a donzela. Parece que j á estás de quatro ou cinco m eses.

Linnet sentou-se pesadam ente, as saias a pairarem com o um a nuvem branca e depois a

assentarem em volta dela.

— Não estou — disse ela. — Não estou grávida. — Com eçava a sentir-se quase com o se

estivesse realm ente à espera de um bebê.

— As senhoras não dizem essa palavra — disse Lorde Sundon. — Não aprendeste nada

com essa sua governanta? — Brandiu no ar o m onóculo para m elhor ilustrar a sua

observação.

— Um a pessoa pode falar num a situação delicada, ou talvez que está grávida. Nunca

gravidez, um a palavra desagradável com conotações desagradáveis. O prazer, a felicidade de

serm os da nossa classe é que podem os ignorar os grosseiros, os fecundos, os. .

Linnet deixou de dar atenção. O pai era um a visão em azul pálido, o colete apertado com

botões de prata com papoilas de m árm ore incrustadas, o seu colarinho prussiano um m ilagre

de elegância. Ele é que era m uito bom a ignorar tudo o que era grosseiro, m as ela nunca tinha

sido tão bem sucedida.

Nesse m om ento, ouviu-se um a pancada longa na porta. Contra a sua vontade, Linnet

ergueu os olhos, cheia de esperança, quando o m ordom o entrou para anunciar a visita.

Decerto, o príncipe Augustus tinha reconsiderado. Com o podia ele estar sentado no seu

castelo, sabendo que ela estava a ser rej eitada pela alta sociedade? Devia ter ouvido falar nos

acontecim entos desastrosos do baile, na m aneira com o ninguém falara com ela depois de ele

ter partido.

Evidentem ente, o príncipe retirara-se enquanto a notícia ainda estava a espalhar-se pelo

salão de baile. Tinha saído pela porta com os seus com pinchas, sem se voltar para trás para

olhar para ela... e depois disso todos os rostos que estavam naquele salão de baile se

desviaram dela. Aparentem ente, estavam apenas à espera para ver a reação dele

quando disseram que ela estava grávida.

No entanto, ele, m ais do que qualquer outra pessoa, sabia que aquilo era um a aldrabice.

Pelo m enos, sabia que o bebê não era dele. Talvez fosse por isso que ele a abandonara tão

abruptam ente. Talvez, tam bém ele, acreditasse nas histórias e pensasse que ela tinha sido

engravidada por outro hom em .

O desprezo, diretam ente de todo um salão de baile. Tinha de ser a prim eira vez que tal

acontecia.

O visitante não era o príncipe Augustus, m as a tia de Linnet, Lady Etheridge, Zenobia para

os íntim os. Tinha escolhido esse nom e para você própria, percebendo, em criança, que

Hortense não se adequava à sua personalidade.

— Eu sabia que isto ia dar para o torto — declarou ela, parando m esm o à entrada da porta

e deixando cair as luvas ao chão em vez de as entregar ao lacaio que estava m esm o à sua

direita.

Zenobia apreciava um bom dram a e, quando ébria, tinha tendência a inform ar um a m esa de

j antar inteira de que podia ter representado Lady Macbeth m elhor do que Sarah Siddons{2}.

— Fartei-m e de te dizer, Cornelius, que essa m enina é bonita dem ais para estar em

segurança. E tinha razão. Cá está ela, grávida, e Londres inteira sabe da notícia exceto eu.

— Eu não estou... — disse Linnet.

Mas a voz dela foi abafada pelo pai, que preferiu evitar a questão em causa e passar ao

ataque.

— A m inha filha não tem culpa de sair à m ãe.

— A m inha irm ã era pura com o a neve — berrou- Zenobia.

A batalha estava agora a ser adequadam ente travada e não havia m aneira de a parar.

— A m inha m ulher pode ter sido pura com o a neve, e Deus sabe que eu sou a pessoa que

pode confirm á-lo, m as era, seguram ente, quente bastante quando queria. Todos sabem os

com o a Donzela de Gelo podia aquecer, particularm ente quando estava perto da realeza,

agora que penso nisso.

— A Rosaly n m erecia um rei — berrou Zenobia. Entrou no quarto e pôs-se com o se

estivesse prestes a lançar um a seta. Linnet reconheceu a postura: era precisam ente o que

Mrs. Siddons fizera na sem ana anterior no palco de Covent Garden, quando a sua Desdém ona

repudiou as cruéis acusações de infidelidade de Otelo.

No entanto, o pobre pai dificilm ente seria um guerreiro com o Otelo. O fato era que a sua

querida m ãe tinha sido desaforadam ente infiel e ele sabia-o. E a tia Zenobia tam bém ,

em bora preferisse fazer de ignorante.

— Na verdade, não vej o que a questão sej a relevante — interrom peu Linnet. — A m ãe

m orreu há alguns anos e a sua predileção pela realeza não interessa nada para o caso.

A tia lançou um olhar desfalecido.

— Eu defenderei sem pre a sua m ãe, em bora ela j aza no túm ulo frio.

Linnet enfiou-se no seu canto. Era verdade, a m ãe j azia no túm ulo. E, francam ente, achava

que sentia m ais a falta da m ãe do que Zenobia, tendo em conta que as irm ãs brigavam de cada vez que se encontravam . A m aior parte das vezes por causa de hom ens, tinha de adm itir.

Em bora isso falasse a seu favor, a tia não era leviana com o a m ãe tinha sido.

— E a beleza — dizia o pai. — Subiu à cabeça da Linnet, tal com o aconteceu com a Rosaly n.

A m inha m ulher pensava que a beleza dava licença para fazer tudo o que apetecia...

— A Rosaly n nunca fez nada de m al! — interrom peu Zenobia.

— Ela m anteve-se na m argem da respeitabilidade anos a fio — continuou o pai,

levantando a voz. — E agora a filha seguiu as passadas e Linnet está arruinada. Arruinada!

A tia de Linnet abriu a boca e depois fechou-a bruscam ente. Houve um a pausa.

— A Rosaly n não é para aqui cham ada — disse ela finalm ente, afagando o cabelo. — Agora

tem os de nos concentrar na Linnet. Levanta-te, querida.

Linnet levantou-se.

— Cinco m eses, diria eu — declarou Zenobia. — Com o diabo é que conseguiste esconder

isso de m im , não sei. Bem , eu fiquei chocada com o toda a gente, ontem à noite. A condessa

de Derby foi m uito desagradável com igo, pensando que eu tinha andado a escondê-lo. Tive

de adm itir que não sabia nada e não tenho a certeza absoluta de ela ter acreditado em m im .

— Eu não estou à espera de bebê — disse Linnet, pronunciando as palavras lentam ente.

— Ela disse a m esm a coisa ontem à noite — confirm ou o pai. — E hoj e pela m anhã tam bém não parecia estar. — Mas ele olhou para a cintura dela. — Agora parece.

Linnet calcou para baixo o tecido que enfunava m esm o abaixo do seu peito.

— Veem , eu não estou grávida. Aqui só há tecido.

— Minha querida, m ais cedo ou m ais tarde terás de nos dizer — disse Zenobia, puxando

de um espelhinho e olhando-se nele. — Isso não vai desaparecer. A este ritm o, vais ficar

m aior do que um a casa num a questão de m eses. Eu retirei-m e para o cam po assim que a

m inha cintura se dilatou um bocadinho.

— Que vam os fazer com ela? — gem eu o pai, deixando-se cair num a cadeira tão de repente

com o um a m arionete com os fios cortados.

— Não há nada que possas fazer — disse Zenobia, em poando o nariz. — Ninguém quer

um cuco no ninho. Terás de a m andar para o estrangeiro e ver se ela consegue apanhar

alguém por lá, depois de todo este dissabor, claro. O m elhor é duplicares o dote dela.

Felizm ente, ela é herdeira de um a grande fortuna. Alguém vai aceitá-la.

Pousou a borla de pó de arroz e brandiu o dedo a Linnet.

— A sua m ãe ficaria m uito desiludida, m inha querida. Ela não te ensinou nada?

— Suponho que queres dizer que a Rosaly n devia tê-la treinado nas artes de ser tão

debochada com o ela — retorquiu o pai. Mas ele continuava abatido, na sua cadeira, e tinha

perdido todo o ardor.

— Eu não dorm i com o príncipe — disse Linnet, num a voz tão clara e alta quanto

conseguia. — Podia tê-lo feito, obviam ente. E, se tivesse, talvez ele se sentisse obrigado a

casar com igo agora. Mas eu preferi não o fazer.

O pai gem eu e pousou a cabeça nas costas da cadeira.

— Eu não ouvi isso — disse Zenobia, estreitando os olhos.

— Pelo m enos, a realeza é um a desculpa. Se esta criança é resultado de nada m enos do

que sangue ducal, não quero ouvir nem um a palavra sobre o assunto.

— Eu não... — tentou Linnet.

A tia interrom peu-a com um gesto ríspido.

— Acabei de perceber, Cornelius, que isto pode ser a sua salvação. — Virou-se para Linnet.

— Diz-nos quem é o pai dessa criança e o seu pai exigirá o casam ento. Ninguém abaixo de

príncipe ousaria recusá-lo.

Sem parar para respirar, virou-se para o cunhado.

— Podes ter de travar um duelo, Cornelius, Calculo que tenhas pistolas nesta casa, não?

Não am eaçaste travar um duelo com Lorde Billetsford há uns anos?

— Depois de o ter encontrado na cam a com a Rosaly n — disse o pai de Linnet. Nem sequer

pareceu pesaroso, apenas pragm ático. — Cam a nova; só a tínham os havia um a sem ana.

— A m inha irm ã tinha m uitas paixões — disse Zenobia, com ternura.

— Pensava que tinhas dito que era pura com o a neve! — respondeu o visconde com

aspereza.

— Nenhum deles tocou na alm a! Morreu em estado de graça.

Ninguém estava inclinado a discutir isso, portanto, Zenobia continuou.

— De qualquer m odo, é m elhor ires buscar essas pistolas, Cornelius, e ver se elas ainda

funcionam . Podes ter de am eaçar m atar o hom em . Em bora a experiência m e diga que, se

dobrares o dote, tudo se resolverá rapidam ente.

— Não há hom em nenhum para m atar — disse Linnet.

Zenobia resfolegou.

— Não m e digas que vais tentar dar à luz virgem , m inha querida. Im agino que isso não

funcionou m uito bem lá em Jerusalém . Cada vez que o padre fala sobre isso no Natal, não

com você deixar de pensar que a pobre m enina deve ter tido m uita dificuldade a tentar que

as pessoas acreditassem nela.

— Não percebo porque estás a trazer a Sagrada Escritura para esta conversa — disse o

pai de Linnet. — Estam os a falar de príncipes, não de deuses.

Linnet lam entou-se:

— É o vestido que m e faz parecer roliça.

Zenobia afundou-se num cadeirão.

— Estás a querer dizer-m e que não estás à espera de bebê?

—Tenho estado sem pre a dizer isso. Não dorm i com o príncipe nem com m ais ninguém .

Houve um a pausa pesarosa enquanto a verdade era, finalm ente, percebida.

— Deus Todo-Poderoso, você estás arruinada e nem sequer tiveste o proveito — disse a

tia por fim . — E m ais, m ostrar a cintura na sua m elhor form a não serviria de nada nesta

altura. As pessoas suporiam sim plesm ente que você tinhas, digam os, resolvido o assunto.

— Depois de o príncipe ter recusado casar com ela — disse o visconde pesadam ente —,

eu próprio pensaria isso, dadas as circunstâncias.

— E inj usto — disse Linnet veem entem ente. — Com a... hã... reputação da m ãe, as pessoas

esperavam naturalm ente que eu fosse m uito nam oradeira...

— Isso é um a m eia verdade — disse o pai. — Pensavam que serias um a m ulher prom íscua

e agora sabem que é. Só que não é.

— É a beleza — disse a tia, envaidecendo-se um pouco.

— As m ulheres da m inha fam ília são sim plesm ente am aldiçoadas pela beleza. Vej am a

pobre Rosaly n, que m orreu tão cedo.

— Não vej o que isso te tenha am aldiçoado você — disse o visconde, com bastante rudeza.

— Ah, m as am aldiçoou — disse Zenobia. — Am aldiçoou, am aldiçoou sim . Ensinou-m e o

que podia ter acontecido se eu não tivesse as correntes da linhagem a segurar-m e. Eu podia

ter em belezado os palcos do m undo, com o sabem . A Rosaly n tam bém . Penso que é por isso

que ela era tão...

— Quê? — disse o visconde, com curiosidade.

— Irresistível — disse Zenobia.

O pai de Linnet resfolegou.

— Im pura, m elhor dizendo.

— Ela sabia que podia ter casado com o m elhor hom em da Terra — disse Zenobia com ar

sonhador. — E, sabes, o m esm o sonho apanhou a nossa querida Linnet na sua espiral, e agora

ela está arruinada.

— A Rosaly n não podia ter casado com o m elhor hom em da Terra — disse o visconde. —

Há um a razão para as leis dos casam entos reais, sabes. — Apontou um dedo a Linnet. — Nem

sequer pensaste nisso antes de criares um escândalo destes com o j ovem Augustus? Por

am or de Deus, toda a gente sabe que ele casou com um a m ulher alem ã há alguns anos. Em

Rom a, acho eu. O próprio rei teve de interferir e anular o casam ento.

— Só ontem é que soube — disse Linnet. — Quando o Augustus m e disse.

— Ninguém diz um a coisa dessas às raparigas — disse a tia com desdém . — Se estavas

assim tão preocupado com ela, Cornelius, porque não correste a essas festas para a vigiares

você m esm o?

— Porque estava ocupado! E arranj ei um a m ulher para a acom panhar, um a vez que você

eras preguiçosa dem ais para o fazeres. Mistress Hutchins. Perfeitam ente respeitável em

todos os aspetos e parecendo tam bém entender o problem a. Onde está essa m ulher? Ela

garantiu-m e que m anteria o seu nom e puro com o a neve.

— Recusou-se a descer.

— Com m edo de enfrentar as consequências — m urm urou ele. — E onde está a sua

governanta? Essa é outra. Fartei-m e de dizer que tinhas de ser duplam ente casta para

com pensar a reputação da sua m ãe.

— Mistress Flaccide sentiu-se ofendida ontem à noite, quando o pai disse que ela era

pérfida e a acusou de fazer de m im um a concubina.

—Tinha bebido um a ou duas gotas — disse o pai, parecendo absolutam ente im penitente.

— Afoguei os m eus desgostos depois de m e dizerem na cara, na cara, que a m inha filha única

tinha sido devassa.

— Ela foi-se em bora cerca de um a hora m ais tarde — continuou Linnet. — E eu duvido

que volte porque o Tinkle diz que ela levou um a grande porção de prata.

— A prata é irrelevante — disse Zenobia. — Mas nunca devias irritar os m elhores criados,

porque eles sabem , invariavelm ente, onde estão guardadas todas as coisas valiosas. Muito

m ais im portante, suponho que a sua governanta sabia tudo sobre quaisquer billets-doux que

esse rebento real possa ter-te enviado?

— Ele não m e escreveu cartas de am or nenhum as, se é isso que quer dizer. Mas um a vez,

m anhã cedo, atirou m orangos à j anela do m eu quarto. Ela e Mistress Hutchins disseram ao

m esm o tem po que ninguém podia saber.

— E agora a Flaccide anda por aí a contar ao m undo — declarou a tia. — Realm ente você

é um idiota, Cornelius. Devias ter- pago logo quinhentas libras e tê-la m andado para Suffolk.

Agora a Flaccide anda por aí a transform ar um m orango num m orangal inteiro. Vai dizer que

a Linnet está à espera de gêm eos.

Linnet pensou que, provavelm ente, a governanta aproveitaria a oportunidade de braços

abertos. Nunca tinham gostado um a da outra. Na verdade, as m ulheres raram ente gostavam

dela. A partir do m om ento em que fora apresentada à sociedade, quatro m eses atrás, as

outras raparigas tinham -se j untado em grupos, escondendo, os risinhos com as m ãos. Mas

nunca nenhum a partilhou um a graça com Linnet.

Zenobia estendeu a m ão e tocou a cam painha.

— Não percebo porque não m e ofereceste chá, Cornelius. A vida da Linnet pode ter

tom ado novo rum o, m as nós continuam os a ter de com er.

— Eu estou arruinado e você queres chá? — lam entou-se o pai.

Tinkle abriu a porta tão depressa que Linnet percebeu que tinha estado escondido a ouvir,

não que ficasse adm irada.

— Vam os tom ar chá e com er qualquer coisa a acom panhar — disse- Zenobia. — E m elhor

trazeres tam bém qualquer coisa que em agreça.

O m ordom o franziu a sobrancelha.

— Pepinos, vinagre, qualquer coisa desse gênero — disse ela, im paciente. Quando ele

fechou a porta. Ela indicou com a m ão o peito de Linnet. — Tem os de fazer qualquer coisa

em relação a isso. Ninguém te descreveria com o roliça, m inha querida, m as tam bém não é

exatam ente um esqueleto, pois não?

Linnet voltou a contar até cinco.

— A m inha figura é exatam ente com o a da m inha m ãe. E com o a sua.

— Tentação de Satanás — disse o pai, taciturno. — Não é decente estar tão descoberta.

— Não tive essa sorte — disse Linnet. — Arranj ei um príncipe, m as o rei das trevas nunca

apareceu.

— O Augustus nem sequer podia ser um diabo m enor — disse a tia, refletindo. — Não m e

espanta que ele não tenha conseguido seduzir-te, agora que penso nisso. É um bocado

sim plório.

— Não deviam existir m odas que façam um a j ovem parecer um a m atrona com um bebê a

cam inho — declarou Lorde Sundon.

— Se existem , eu não quero nada disso. Quer dizer, não quereria nada disso se fosse do

gênero de usar vestidos. Quer dizer, se fosse m ulher.

—Você estás a ficar m ais idiota a cada ano que passa — observou Zenobia. — Porque é

que a m inha irm ã concordou em casar contigo é que eu nunca saberei.

— A m ãe am ava o pai — disse Linnet com toda a firm eza de que foi capaz. Agarrara-se a

esse fato anos antes, na m anhã que se seguiu a um a noite confusa, quando ela encontrou a

m ãe com outro cavalheiro num cenário íntim o, envolvida num a atividade m uito íntim a.

— Eu am o o seu pai — dissera- a m ãe nessa altura.

— Mas, querida, o am or não é suficiente para um a m ulher com o eu. Eu tenho de ter

adoração, versos, poesia, flores, j oias... j á para não falar no fato de François ter a constituição

de um anj o e os dotes de um cavalo.

Linnet pestanej ara e a m ãe dissera:

— Não faz m al, querida, eu explico-te m ais tarde, quando fores um pouco m ais velha.

Nunca teve tem po para isso, m as Linnet conseguira reunir inform ação suficiente para

interpretar o que tinha cham ado a atenção da m ãe relativam ente a François.

Agora, os olhos do pai fitaram -na, brilhando.

— A Rosaly n am ava-m e do m esm o m odo que o Augustus te am a você. Em resum o: não o

suficiente.

— Por am or de Deus — exclam ou Zenobia. — Isto chega para m e m andar para o pântano

do desânim o! Deixem a pobre Rosaly n descansar no túm ulo, está bem ? Fazes-m e lam entar o

dia em que ela aceitou a sua m ão.

— Isto fez-m e vir tudo à m em ória — disse o visconde, devagar.

— A Linnet sai à m ãe; qualquer pessoa vê.

— Isso é m uito inj usto — obj etou Linnet, franzindo a sobrancelha. — Tenho sido um

m odelo de castidade esta tem porada. De fato, ao longo de toda a m inha vida!

Ele franziu a sobrancelha.

— É que há qualquer coisa contigo...

— Tens um ar inconveniente — disse a tia, não de form a desagradável. — Deus aj ude a

Rosaly n, m as tudo isto é culpa dela. Foi ela quem te transm itiu. Essa covinha, e qualquer coisa

nos teus olhos e na sua boca. Pareces um a debochada.

— Um a debochada teria divertido m uito m ais do que eu nesta tem porada — obj etou

Linnet. — Eu fui tão recatada com o qualquer outra m enina da alta sociedade; podem

perguntar a Mistress Hutchins.

— De fato, é inj usto — concordou Zenobia. Um a gota de m el ficou suspensa da sua

panqueca e balançou suavem ente antes de cair na seda lilás do seu vestido.

— Espero que tenha dito à condessa que eu nunca estive sozinha com o Augustus, em

altura nenhum a — disse Linnet.

— Com o podia fazê-lo? — perguntou Zenobia. — Não estou ao corrente da sua agenda

social, m inha querida. Fiquei tão chocada com o a querida condessa, isso posso dizer-te.

Linnet gem eu.

— Podia despir-m e no Alm ack’s'{3} que m esm o assim ninguém acreditaria que eu não estava à

espera de bebê por m uito esguia que fosse a m inha cintura. A senhora, tia Zenobia, praticam ente

o confirm ou. E o pai despediu Miss Flaccide e eu tenho a certeza absoluta de que ela anda a dizer

coisas horríveis a m eu respeito por toda a cidade de Londres. Na verdade, terei de ir viver para

o estrangeiro ou algures no cam po.

— Os hom ens franceses são m uito fáceis de satisfazer, apesar de estar em curso essa

guerra inconveniente — disse Zenobia de form a encoraj adora. — Mas eu tive outra ideia.

Linnet não conseguiu arranj ar coragem para fazer perguntas, m as o pai perguntou, com

ar fatigado:

— O quê?

— Não o quê... quem ?

— Quem ?

— Yelverton, o herdeiro de Windebank.

— Windebank? Quem diabo é esse? Queres dizer Yonnington, Walter Yonnington?

Porque, se o filho for m inim am ente parecido com o pai, eu não deixaria a Linnet aproxim ar-

se dele, m esm o que estivesse à espera de um bebê.

— Muito gentil da sua parte, pai — m urm urou Linnet. Um a vez que a tia não oferecera

um a panqueca, ela serviu-se.

— Em agrecer, m inha querida. Pensa em em agrecer — disse Zenobia, num tom am ável,

m as firm e.

Linnet cerrou os lábios e pôs m anteiga extra na panqueca. A tia suspirou.

— O título de Yelverton é duque de Windebank, Cornelius. Na realidade, não sei com o

consegues ter sucesso j unto dos lordes, com o seu conhecim ento tão deficiente da

aristocracia.

— Eu sei o que preciso de saber — disse o visconde. — E não m e incom odo com aquilo de

que não preciso. Se te referias ao Windebank, porque não disseste?

— Estava pensando no filho — explicou Zenobia. — O hom em tem o segundo título, claro.

Ora, deixa-m e pensar... Acho que o nom e próprio dele é um bocado estranho. Peregrine,

Penrose... Piers, é isso.

— Soa a doca — interrom peu Lorde Sundon.

— Esta m anhã, Mistress Hutchins cham ou-m e fragata ligeira — disse Linnet. — Um a doca

deve ser precisam ente aquilo que m e convém .

Zenobia abanou a cabeça.

— Isso é m esm o o tipo de com entário que te pôs nesta situação, Linnet. Fartei-m e de te

dizer que toda essa esperteza não te faz nada bem . As pessoas querem que um a senhora sej a

bela, m as esperam que sej a senhoril, em sum a: doce, subm issa e requintada.

— E, m esm o assim , a tia é universalm ente considerada um a senhora — retorquiu Linnet.

— Eu sou casada — disse Zenobia. — Ou era, até o Philip falecer. Não preciso de m ostrar

doçura nem requinte. Você precisas. É m elhor aprim orares algum a tagarelice senhoril antes

de ires ter com o Yelverton ao País de Gales. O título dele deve ser conde de Marchant. Ou

será Mossford? Não m e lem bro bem . Nunca m e foi apresentado, claro.

— Nem a m im — disse Lorde Sundon. — Estás a tentar casar a Linnet com um rapazinho,

Zenobia? Nunca resultará.

— Ele não é rapazinho nenhum . Deve ter m ais de trinta anos. Trinta e cinco, pelo m enos.

Lem bras-te certam ente da história, Cornelius?

— Eu não presto atenção a histórias — disse o visconde, irritado. — Era a única m aneira

de sobreviver debaixo do m esm o teto com a sua irm ã.

— Você precisas de fazer um tratam ento para lim par o baço — disse Zenobia, pousando

a panqueca. — Estás a deixar o fel ferm entar no seu organism o, Cornelius, e isso é um a

em oção m uito poderosa. A Rosaly n está m orta. Deixa-a estar, se fazes favor!

Linnet decidiu que era altura de falar.

— Tia Zenobia, porque pensa que o duque estaria interessado em m e casar com o filho?

Se é isso, realm ente, que estava pensando?

— Está desesperado — disse a tia. — Foi Mistress Nem ble quem m e disse, e ela é am iga

íntim a de Lady Gry m es, e você sabes que o m arido dela é m eio-irm ão do Windebank.

— Não, não sei — disse o visconde. — E tam bém não m e interessa. Porque está o Windebank

desesperado? O filho é tolo? Não m e lem bro de ter visto filhos nenhuns nos lordes ou no

Boodle’s'{4}.

— Não é tolo — disse Zenobia, triunfalm ente. — Ainda m elhor!

Houve um m om ento de silêncio enquanto Linnet e o pai pensavam no que aquilo podia

querer dizer.

— Ele não tem as qualidades necessárias — esclareceu a tia.

— Não tem ? — perguntou Sundon, inexpressivam ente.

— Um dígito a m enos — acrescentou Zenobia.

— Um dedo? — arriscou Linnet.

— Por am or de Deus — disse Zenobia, lam bendo um pouco de m el de um dedo. — Tenho

sem pre de dizer tudo nesta casa. O hom em sofreu um acidente quando era novo. Anda de bengala. É esse acidente deixou-o im potente, para cham ar os bois pelos nom es. Não tem

herdeiro agora e não terá no futuro.

— De fato, neste caso particular — disse o pai com nítida satisfação —, um boi não é um

boi.

— Im potente? — perguntou Linnet. — Que quer isso dizer?

Houve um m om ento de silêncio enquanto os seus dois parentes m ais próxim os a

exam inavam de perto, com o se ela fosse um a espécie rara de escaravelho que tinham

encontrado debaixo da carpete.

— Isso é para você explicares — disse o pai, virando-se para Zenobia.

— Não à sua frente — disse Zenobia. Linnet ficou à espera.

— Tudo o que precisas de saber por agora é que ele não pode ter filhos — acrescentou a

tia. — Essa é a questão crucial.

Linnet associou esse fato com vários com entários que a m ãe fizera ao longo dos anos e

percebeu que não tinha qualquer disposição para fazer m ais perguntas.

— Com o é isso m elhor do que ser tolo? — perguntou ela.

— Num m arido, quer dizer.

— Tolo podia querer dizer babar-se à m esa do j antar e Deus sabe o que m ais — explicou

a tia.

— Estás a falar do Monstro! — exclam ou subitam ente o pai. — Contaram -m e tudo sobre

ele. Só que a princípio não relacionei.

— O Marchant não é m onstro nenhum — escarneceu Zenobia. — Isso é um m exerico

repugnante, Cornelius, e eu não esperava isso de você.

— Toda a gente cham a isso — observou o visconde.

— O hom em tem um feitio horrível. Médico brilhante ou, pelo m enos, é o que toda a gente

diz, m as um feitio do diabo.

— Um a birra aqui ou acolá faz parte do casam ento — disse Zenobia, encolhendo os

om bros. — Espera até ele ver com o a Linnet é bela. Vai ficar atordoado e encantado por o

destino o ter abençoado com um a noiva tão linda.

— Eu tenho m esm o de escolher entre tolo e m onstro? — perguntou Linnet.

— Não, entre tolo e incapaz — respondeu a tia, com im paciência. — O seu novo m arido

vai ficar grato por essa criança que você, supostam ente, trazes no ventre e posso dizer-te que

o seu novo sogro vai ficar radiante.

— Vai? — perguntou Sundon.

— Ainda não percebeu? — disse Zenobia, levantando-se de um salto. Deu uns passos e

depois rodopiou com um lindo m ovim ento. — Por um lado, tem os um duque solitário, com

um filho. Apenas um . E esse duque tem um a obsessão com a realeza, lem brem -se. Considera-

se am igo íntim o do rei ou, pelo m enos, considerava-se antes de o rei com eçar a ter... m acacos

no sótão.

— Entendo — disse o visconde.

— Shhh — disse Zenobia, im paciente. Detestava ser interrom pida. — Por um lado, o

duque solitário, desesperado. Por outro, o filho lesionado e incapaz. No m eio... um reino.

— Um reino? — repetiu o visconde, de olhos esbugalhados.

— A tia está a falar m etaforicam ente — disse Linnet, pegando noutra panqueca. Ela tinha

privado m ais com a tia do que o pai e conhecia bem o seu am or por floreados retóricos.

— Um reino sem futuro, porque não há nenhum filho para continuar o nom e da fam ília —

disse Zenobia, abrindo m uito os olhos.

— O duque é... — com eçou Sundon.

— Shhh — disse ela depressa. — Pergunto-te, de que precisa esta fam ília

desesperadam ente infeliz?

Nem Linnet nem o pai ousaram responder.

O que foi bom , porque ela tinha feito um a pausa apenas para im pressionar.

— Volto a perguntar-te, de que precisa esta fam ília desesperadam ente infeliz? Precisa...

de um herdeiro!

— Não precisam os todos? — disse o visconde, suspirando.

Linnet estendeu a m ão e deu um as palm adinhas na m ão do pai. Um dos raros fatos cruéis

da vida era que a m ãe fora extrem am ente pródiga com os seus favores, m as só dera ao

m arido um a única criança, um a filha, que não podia herdar a parte principal dos bens do pai.

— Eles precisam — disse Zenobia, erguendo a voz com o se quisesse recuperar a audiência

—, precisam de um príncipe!

Cerca de um m inuto depois, Linnet atreveu-se a dizer:

— Um príncipe, tia Zenobia?

Isto valeu- o sorriso beatífico de um a atriz a receber elogios, se não braçadas de flores, da

audiência.

— Um príncipe, m inha querida. E você, m enina afortunada, tens exatam ente aquilo de que

ele precisa. Ele anda à procura de um herdeiro, e você tens esse herdeiro e, m ais, ofereces

descendência real.

— Estou a perceber o seu raciocínio — disse lentam ente o visconde. — Não é m á ideia,

Zenobia.

Ela ficou um pouco rosada nas faces.

— Nenhum a das m inhas ideias é m á. Nunca.

— Mas eu não tenho príncipe nenhum — argum entou Linnet. — Se a com preendo bem , o

duque de Windebank procura um a m ulher grávida...

O pai grunhiu e ela corrigiu a sua afirm ação.

— Quer dizer, o duque talvez aceitasse um a m ulher na m inha infeliz situação porque,

desse m odo, teria um filho...

— Não só um filho — disse Zenobia, a sua voz ainda triunfal.

— Um príncipe. O Windebank não vai acolher na sua fam ília qualquer m ulher de virtude

duvidosa. Ele é terrivelm ente arrogante, sabes. Preferiria m orrer. Mas o filho de um

príncipe? Há de adorar.

— Mas...

— Tens razão, Zenobia. Com a breca, você é um a velha astuta! — rugiu o pai.

As costas de Zenobia endireitaram -se num ápice.

— Que é que m e cham aste, Cornelius? Ele agitou a m ão.

— Não era isso que eu queria dizer, não era isso que eu queria dizer. Adm iração pura.

Adm iração pura e absoluta. Pura...

— Concordo — disse ela num tom conciliatório, afagando o cabelo: — E um plano perfeito.

Mas é m elhor ires falar com ele esta tarde. Tens de a levar até ao País de Gales para o

casam ento. É lá que vive o Marchant.

— Casam ento? — surpreendeu-se Linnet. — Não estão se esquecendo de nada? Olharam

am bos para ela e disseram ao m esm o tem po:

— De quê?

— Eu não estou à espera de um príncipe! — gritou. — Eu nunca dorm i com o Augustus.

Dentro da m inha barriga não tenho m ais nada além de um a panqueca m astigada. — Isso é um com entário repugnante — disse a tia, com um arrepio.

— Concordo — interveio o pai. — Muito desagradável. Você pareces um a plebeia a falar

da com ida dessa m aneira.

— Desagradável é o fato de estarem a planear vender o m eu filho por nascer a um duque

com um a predileção pela realeza, quando eu nem sequer tenho um filho da realeza por

nascer!

— Eu disse que tudo isto teria de acontecer depressa — contrapôs a tia.

— Que quer dizer?

— Bem , digam os que o seu pai vai à casa do Windebank j á hoj e à tarde, e digam os que o

Windebank m orde o isco, porque m orde. Com o eu disse, o hom em está desesperado e, além

disso, adoraria m isturar a sua descendência com sangue real.

— Isso não resolve o problem a — concluiu Linnet.

— Bem , claro que não — disse Zenobia, lançando um sorriso benevolente. — Não

podem os fazer tudo por você. O que vem a seguir depende de você.

— Que quer dizer?

O pai levantou-se, obviam ente sem prestar atenção.

— Vou vestir o m eu casaco Jean de Bry e calçar as m inhas botas alem ãs — disse baixinho.

— O de Bry não! — gritou- Zenobia atrás dele. Ele parou à porta.

— Porque não?

— Os om bros têm um ar um pouco ansioso. Você não podes parecer ansioso. Afinal, vais

oferecer-te para salvar a descendência do hom em .

— Um casaco verde-salva com a orla recortada — disse o pai, acenando com a cabeça, e

desapareceu pela porta.

— Tia Zenobia — disse Linnet, dem onstrando paciência infinita, na sua opinião. — Com o

pensam que eu vou arranj ar um filho de sangue real para oferecer a um m arido que nunca

conheci?

Zenobia sorriu.

— Minha querida, você não é um a m ulher da m inha fam ília se tiveres de fazer essa

pergunta.

A boca de Linnet se abriu.

— Não está pensando...

— Claro, querida. Assim que o seu pai assinar aqueles papéis, você tem ... oh... doze horas

antes de partires para Gales.

— Doze horas — repetiu Linnet, com esperança de estar enganada naquilo que estava

pensando. — Não pode querer dizer.

— O Augustus tem andado atrás de você com o um a criança com um brinquedo de corda

— disse a tia. — Não deve ser preciso m ais do que um olhar convidativo e um sorriso alegre.

Por am or de Deus, querida, não aprendeste nada com a sua m ãe?

— Não — respondeu Linnet, sem qualquer em oção.

— Na verdade, com o seu peito nem sequer precisas de sorrir — disse Zenobia.

— Então quer m esm o dizer... — Linnet parou. — Eu... eu...

— Você. Augustus. Sedução. Cam a — disse a tia, prestável.

— Doze horas e um único príncipe... deve ser m uito fácil.

— Eu. .

—Você é filha da Rosaly n — acrescentou a tia. — E m inha sobrinha. A sedução,

especialm ente quando se trata de realeza, está-nos no sangue. Na própria linhagem .

— Não sei com o — disse Linnet, inexpressivam ente. — Posso parecer censurável, m as

não sou.

— És, sim — afirm ou a tia, anim adam ente. Levantou-se.

— Arranj a um bebê, Linnet. Pensa quantas j ovens conseguem fazê-lo e sem os atributos

que você tens, isto é, o seu corpo, o seu rosto, o seu sorriso.

— Toda a m inha educação foi orientada para a castidade — observou Linnet. — Tive um a

governanta durante uns bons cinco anos a m ais do que as outras raparigas, exatam ente para

não aprender essas coisas.

— Culpa do seu pai. Ele ficou escaldado com as indiscrições da Rosaly n.

Deve ter-se passado qualquer coisa no rosto de Linnet, porque Zenobia suspirou com o ar

de um a m ulher que estava a aguentar o peso do m undo.

— Eu acho que com você arranj ar-te um hom em pressuroso se não conseguires

aproxim ar-te do príncipe. E m uito pouco convencional, m as, claro, um a pessoa sabe, não se

pode evitar saber de estabelecim entos que aj udam .

— Que gênero de estabelecim entos?

— Bordéis que servem m ulheres, claro — disse Zenobia.

— Creio que há um perto de Covent Garden, de que m e falaram há pouco tem po... hom ens

de posses. Vão lá pelo gozo, suponho eu.

— A tia não pode certam ente querer dizer...

— Se não fores capaz de seduzir o príncipe, terem os de abordar o problem a de outro

ângulo — sugeriu ela, chegando-se a Linnet e dando- um as palm adinhas no braço. — Eu

levo-te ao bordel. Segundo creio, um a senhora pode ficar atrás de um a cortina e escolher o

hom em que quer. É m elhor escolherm os um que sej a parecido com o Augustus. Gostava de

saber se podem os sim plesm ente enviar um a m ensagem nesse sentido e m andar entregar o

hom em num a carruagem ?

Linnet rosnou.

— Não quero que penses que algum a vez te abandonaria num m om ento de infelicidade

— disse a tia. — Sinto todo o peso do am or de m ãe, agora que a querida Rosaly n m orreu.

Era espantoso com o a tia tinha conseguido ignorar esse peso durante a tem porada e, na