Quando a Bela Domou a Fera
Epílogo
Porque a alegria no seu rosto e nos seus olhos era ofuscante.
Epílogo
Alguns anos mais tarde
— Não percebo porque cham a m orango à m ãe — disse. Um m enino pequeno ao pai, num
dia de verão. Estava a descansar num a rocha, observando a irm ã a chapinhar na piscina com
a m ãe.
— E um nom e íntim o — explicou o pai. Estava a observar a m ãe com um sorriso peculiar
no rosto que o rapaz não conseguia interpretar.
— Não é lógico — observou John Yelverton, futuro conde de Marchant e duque de
Windebank. — A m ãe não parece um m orango. A Evie, sim , porque é redonda e gorda e tem
aquele cabelo ruivo.
Olhava a irm ã m ais nova com certo desagrado. Mesm o com sete anos, apercebia-se de que
a irm ã parecia exercer algum fascínio poderoso sobre estranhos. Se lhes sorrisse, eles
derretiam -se. Davam - tudo o que ela queria.
Não que o pai e a m ãe o fizessem , claro. Era m ais provável que fizessem cócegas até ela
se rir. Quanto a ele, preferia dar- beliscões.
— Um a vez, a sua m ãe teve a pele m uito rosada — contou o pai. — Por isso, parecia um fruto particularm ente delicioso, um a baga verm elha, um m orango.
John j á tinha visto aquela expressão no rosto dos pais, m as não pensava grande coisa dela.
Não era racional. Ele gostava de classificar o m undo; as coisas eram ou racionais ou
irracionais. Aquela expressão piegas? Irracional.
— Podem os voltar para o castelo agora e dissecar outra rã? — perguntou.
— Não. Um a rã por sem ana. As rãs não nascem apenas para seu divertim ento, com o sabes.
— Mas lem bra-se que eu tive dificuldade em encontrar a vesícula biliar, não lem bra?
Preciso de tentar outra vez.
— Na próxim a sem ana — disse o pai. — Tenho a certeza de que vai haver m uitas vesículas
biliares no seu futuro.
Aquilo era precisam ente o tipo de coisa disparatada que os pais diziam o tem po todo e
que John não apreciava.
— Eu quero dissecar um a rã agora!
O pai deixou de olhar para a piscina e baixou os olhos para ele. Ergueu um dedo.
— Lem bras-te do que discutim os esta m anhã?
— Tenho de aprender a controlar o m eu m au hum or — recordou John, obedientem ente.
— E se eu o sentir a subir-m e ao estôm ago, tenho de contar até dez.
— Precisas de contar neste m om ento?
— Não — disse ele, um tanto som brio.
Evie estava à borda da piscina e o pai levantou-se para a tirar de lá. Tinha a bengala num a
m ão, m as dobrou-se. Evie agarrou- o braço com as duas m ãos e ele baloiçou a para fora,
desenhando um grande círculo, enquanto ela se fartava de gritar.
Depois, pousou a bengala e estendeu am bas as m ãos para aj udar a m ãe a sair da piscina.
Lá estavam eles, a sorrir um para o outro, novam ente daquela m aneira.
O pai tinha um a toalha sobre o om bro, que utilizou para a secar.
John rolou os olhos e foi exam inar as pequenas poças deixadas pela m aré. Talvez, se
encontrasse a sua própria rã, o pai o deixasse dissecá-la.
Não parecia haver rãs.
— Elas não gostam de água salgada — com entou Evie, ciciando um pouco. Inclinou à
cabeça para o lado e lançou aquele sorriso que ele tanto detestava. — Você não sabes nada?
Ele puxou- o cabelo.
Ela chorou, por isso ele contou até dez.
— Eu não puxei o cabelo com força — explicou ele ao seu pai um segundo depois. — Nem
o arranquei. Isso teria sido m uito m au. Foi só um puxãozinho.
— Você tens a quem sair — disse o pai, levando-o pela m ão quando com eçaram a subir o
cam inho de volta ao castelo.
— Para a próxim a, conta até dez antes de puxares.
John sorriu. A sua m aior am bição era ser exatam ente com o o pai em todos os aspetos.
Bem , um pouco tam bém com o o avô, o duque, porque adm irava a m aneira com o Sua Graça
contava histórias.
Mas, acim a de tudo, queria ser com o o seu pai.
— Talvez eu opere a próxim a rã antes de a dissecar — sugeriu.
— Ponho gesso na perna. Podíam os fingir que saltava alto dem ais.
— Hm m — disse o pai e John apercebeu-se de que ele estava a olhar outra vez para a m ãe.
Ela ia de m ão dada com Evie, que estava ainda a soluçar, apesar de John saber
perfeitam ente que não tinha m agoado a irm ã.
— O pai gosta m uito da m ãe, não gosta? — perguntou John, puxando a m ão do pai para
atrair a sua atenção.
— Sim , gosto. Gosto, certam ente.
— E ela gosta de você — afirm ou John. Gostava de ter as coisas organizadas e claras na
sua m ente.
—A m ãe riu.
— Eu gosto m uito do seu pai, Johnakins.
Ele franziu a sobrancelha.
— Esse é o m eu nom e de bebê. Eu j á não sou bebê.
— As m inhas desculpas — disse ela, pondo um dedo no nariz.
— Então, se gosta dela — disse ele ao pai — e se ela gosta de você e se os dois gostam de nós, porque têm de ter outro? — Tinham - dito que havia outro bebê na barriga da m ãe, m as