Quando a Bela Domou a Fera

Eloisa James · Capítulo 26 de 36

Páginas do PDF

Quando a Bela Domou a Fera

Capítulo 26

cam a.

— Teria um enorm e prazer em apaziguar a sua inquietação. Ele endireitou-se com o

sorrido riso dela nos ouvidos.

— Tenho de ter a certeza de que a Linnet j á está em segurança, longe daqui, num a

carruagem . Depois, correrei de volta aqui com tal velocidade que os criados pensarão que

estou m aluco.

— Você estás m aluco — afirm ou Marguerite, dando risadinhas com o um a m enininha.

— Não — disse ele, inclinando-se para a beij ar outra vez.

— Eu estou são de espírito. Pela prim eira vez, em m uitos anos.

26

— Peço m uita desculpa — disse o duque de Windebank a Linnet, após ter subido para a

carruagem e ter descoberto que ela estava a soluçar. — Peço desculpa por a ter trazido aqui,

Miss Thry nne.

— Linnet — conseguiu dizer ela. — Afinal de contas, estivem os quase a ser parentes pelo

casam ento. Tem um lenço, por acaso? O m eu está m olhado.

— O m eu filho é um hom em difícil — argum entou o duque, dando- um enorm e lenço de

linho bordado com o seu brasão.

— Ele é um ... um tolo — disse ela, a voz a quebrar.

— Isso tam bém .

— Ele am a-m e, eu sei que m e am a, e no entanto diz que não casará com igo. Que não quer

casar.

O duque ficou em silêncio. Linnet assoou-se.

— Talvez ele m ude de ideias.

Ela conseguia ver a resposta nos olhos do duque.

— Não m uda, pois não? — Lágrim as com eçaram a rolar novam ente pelas faces.

— Minha querida, m inha querida, quem m e dera dar- um a resposta diferente.

— Está bem — conseguiu dizer Linnet. — Podem os partir agora?

O duque hesitou.

Ela com preendeu im ediatam ente.

— O senhor tenciona ficar com a duquesa, quero dizer, com Lady Bernaise.

— Não posso deixá-la — disse ele serenam ente. Havia um a forte determ inação nos seus

olhos, que era o espelhe da do seu filho. — E tam bém não posso deixar o Piers. Apesar de

todas as m inhas transgressões, eles são a m inha fam ília, e serão sem pre a m inha fam ília.

Linnet fungou deselegantem ente.

— Eu faria o m esm o. Não se preocupe com igo. Ficarei perfeitam ente bem .

— Lam ento tudo isto — disse o duque. — Lam ento profundam ente, profundam ente. A

m inha carruagem vai levá-la a um a aldeia, onde os criados e a sua criada estão à espera. Não devem os atrasar-nos m ais, pois eu disse que continuassem sem nós se não chegássem os

antes desta noite. Quero o pessoal dom éstico e a senhora bem longe desta epidem ia.

— Estou pronta a partir — confirm ou Linnet, soluçando.

— Lam ento que sej a um a viagem solitária de regresso a Londres.

Ela conseguiu esboçar um sorriso.

— Estou habituada a estar sozinha.

— Oh! — O duque parecia ainda m ais abalado, se possível.

— Ignore-m e — disse ela, ousando um sorriso lacrim ej ante.

— Estou apenas a sentir pena de m im própria. Apaixonei-m e pelo seu inatingível filho.

Irrem ediavelm ente. E agora preciso de construir um a vida sem ele. O que irei fazer.

— Em bora não conseguisse im aginá-lo. A dor de pensar sequer nisso despedaçava o

coração.

— Não vai ser fácil — disse o duque, inclinando-se para a frente e fazendo- um a festa no

j oelhe. — Mas a senhora consegue. Eu consegui.

— Talvez, quando tiver sessenta anos — disse ela, rindo um pouco —, venha a Gales e

force o Piers a viver com igo na casa do guarda durante um a sem ana ou assim .

— Sim , sim , faça isso — concordou o duque. — Sentiria-m e m elhor em relação a ele, se a

im aginasse a tirá-lo do castelo, um dia.

— Se disser isso ao Piers, não terei nenhum obj etivo na vida quando chegar aos sessenta

— disse ela, francam ente.

— Eu tenho consciência disso. Não direi um a palavra sobre você. Se eu tivesse percebido

quão profunda é a antipatia dele por m im , a senhora não estaria a sofrer tanto agora.

Lam ento profundam ente.

— Nesse caso, eu não teria conhecido o Piers. — Ela secou novam ente os olhos. — Aceito

o coração partido.

Ele aproxim ou-se novam ente e apertou- o j oelhe.

— A senhora é um a m ulher realm ente m aravilhosa, sabe.

Desta vez, o sorriso dela foi tím ido. Não tinha nem um pouco do talento fam iliar.

— Obrigada. Desej o- a m aior sorte.

A sobrancelha do duque ergueu-se precisam ente da form a com o a do filho fazia.

— Obrigado. — Dirigiu-se à porta — Visita assim que regressar a Londres.

— Penso que não irá sozinho — disse Linnet.

Ele parou por um m om ento nos degraus da carruagem e ela m al ouviu a sua resposta

quando ele pôs os pés no chão.

— Espero que não.

A porta fechou-se atrás dele. Houve um ruído de vozes de hom ens à porta da carruagem

e esta com eçou a rolar estrada abaixo. Para longe do castelo, para longe do oceano e da

piscina, para longe de Kibbles e de Bitts, de Prufrock e dos pacientes. Para longe de Piers.