Trindade
Capítulo 23
Margarida respirou fundo, apreciando o aroma que preenchia o Palácio de Westminster. O Natal passara havia apenas três dias e, embora fosse o dia de Herodes, quando o velho tirano ordenara a morte das crianças, 28 de dezembro também era o dia em que as cozinhas reais preparariam tortas com o que tinha restado da carne de veado para serem distribuídas. Os cozinheiros usavam os restos — o fígado, o coração, os miolos, os pés e as orelhas —, que eram fervidos num molho grosso antes de serem colocados dentro da massa. Então o pessoal da cozinha real levaria as tortas para fora, com um grito de triunfo dos que se reuniam diante do palácio. As tortas seriam cortadas em fatias grossas e levadas, ainda fumegantes, para serem apreciadas pelas famílias. Margarida havia provado uma fatia e achou que o caldo grosso levava algum tempo para abandonar a boca e os dentes.
Ela fitava a multidão de uma janela alta, contente de observar as pessoas enquanto a fila de cozinheiros saía, cada um deles com uma bandeja e uma torta pesada, com facas na cintura para cortar as porções. Margarida notou que não havia crianças na multidão. No dia de Herodes, era comum elas serem surradas em memória da crueldade daquele rei, e os meninos e as meninas de Londres tentavam passar despercebidos, de cabeça baixa e trabalhando em silêncio, para não lembrar aos senhores aquela tradição. Havia homens e mulheres lá, sorridentes e alegres enquanto se ajuntavam em torno da fila de cozinheiros. Muitos trouxeram toalhas e cestos para levar os pedaços para casa.
Margarida passou a mão sobre a barriga, sentindo o peso de tudo o que comera nos dias anteriores. Havia comparecido à missa do galo na Abadia de Westminster, com o marido cabeceando ao seu lado. Músicos e cantores se reuniram do lado de fora para dançar e cantar pelo nascimento de Cristo, proibidos de entrar na igreja porque atrapalhavam a congregação. Tinham começado um tumulto, brigando na rua até os guardas saírem com porretes e os expulsarem de lá com pancadas e pontapés.
Derry Brewer pigarreou atrás dela, e Margarida se virou, sorrindo ao avistá-lo com suas melhores roupas escovadas. Era difícil conciliar a imagem do homem que havia acabado de entrar com o monge magro e trêmulo que a procurara em Windsor cinco anos antes. Derry tinha engordado naquele período, sua cintura e seus ombros estavam mais largos. Porém ainda parecia forte como um javali que não perde a astúcia com a idade. Ela tocou de leve na própria barriga ao pensar nisso. O pesar e a preocupação tinham-na ajudado a evitar o mesmo destino, talvez porque seu útero permanecera vazio depois de Eduardo. Essa lembrança era uma pontada de tristeza, e ela forçou um sorriso para receber o espião-mor.
— Notícias, Derry? Meu mordomo me disse que haveria crianças espancadas em Londres esta tarde. Acho que ele estava brincando comigo por saber que passei a infância na França. É verdade?
— Já aconteceu, milady, quando os aprendizes eram rudes e os mestres perdiam a paciência. Já houve tumulto neste dia. Mas não todo ano. Se deseja ver uma coisa dessas, posso organizar, é claro.
Margarida riu e fez que não.
— Ah, se todos os meus desejos pudessem ser atendidos dessa maneira, Derry. Era como eu imaginava ser rainha, quando menina, atravessando o canal da Mancha pela primeira vez.
As palavras lhe trouxeram a lembrança do homem que a levara para a Inglaterra, William de la Pole, duque de Suffolk. Seus olhos foram tomados pela tristeza, em memória do duque.
— Como vai seu trabalho, Derry? A frota está pronta?
— Estou com todos os estaleiros do litoral sul trabalhando noite e dia. Embarcações novas ou as antigas reformadas, a frota estará pronta na primavera, milady. Teremos embarcações para levar um exército como a França nunca viu desde 1446. Será suficiente para arrancar Salisbury, Warwick e March de Calais, tenho certeza. Se eles avançarem mais pela França, ficarão sozinhos. O rei francês nunca permitirá que soldados ingleses marchem ou acampem em suas terras. Defenderemos Calais para a Coroa, milady, nunca duvide disso. Negaremos aquele posto aos inimigos do rei, seja lá o que pretendam.
— E depois disso, York, na Irlanda — disse Margarida.
Tinha sido dito quase como uma pergunta, e Derry respondeu como já fizera uma dezena de vezes.
— Milady, a senhora sabe que eu disse que a Irlanda é um lugar selvagem... e York é amado por lá desde quando foi tenente do rei. — Ele pigarreou, pouco à vontade. — Ele tem amigos na Irlanda que acreditam que a casa de York... bem, que ela deveria ser a linhagem real. York resistirá com seus homens. Milady, levar uma frota por trinta quilômetros de mar até Calais não é um grande passo. Podemos cercar aquele porto e desembarcar um exército, canhões, o que quisermos, embora eu espere que eles se rendam antes que sejamos forçados a romper as muralhas. Não quero que o rei francês sinta que tem outra oportunidade nascida de nossa rixa! A Irlanda... é um pouco diferente, milady. Desembarcar um exército no leste daquele litoral selvagem seria uma verdadeira campanha, um ano ou mais longe da Inglaterra, com homens que seriam mais úteis em casa. O povo irlandês é soturno. Seus lordes se ressentirão do desafio à sua autoridade, e basta uma fagulha para provocar uma rebelião. Eu disse que não posso recomendar esse rumo, pelo menos este ano. Por favor, permita que eu pense em York novamente depois que tivermos Calais em nosso poder. Deus ama aqueles que fazem planos a longo prazo, milady. Ele adora lhes mostrar o custo de suas ambições.
Margarida franziu os lábios, fazendo uma careta de frustração.
— Não posso deixar aquele passarinho descansar — disse ela. — Ele fugiu quando o tínhamos acuado, zombando de todos os meus Galantes. Você entende, Derry? Vi Salisbury massacrar bons homens que foram ao campo de batalha com minha insígnia, por amor a mim. Onde está a punição daquele dia imundo? Onde está a justiça, com Salisbury e seu filho a salvo na França, York na Irlanda? Quero-os trazidos para cá acorrentados, Derry! Por tudo o que me custaram, por tudo o que ameaçaram.
— Vossa Alteza, eu sei. Seria Natal outra vez se eu pudesse ver York e Salisbury trazidos de volta para julgamento. Eu estava em St. Albans, milady. Sei em que dívidas incorreram... e que permanecem. Elas serão pagas, juro. Com sessenta barcos, carregados de homens e canhões, vamos desentocá-los como raposas. Só lhe peço paciência.
Margarida assentiu rigidamente, mandando-o embora com um gesto. Derry fez uma reverência, sentindo uma pontada nas costas. Céus, estava ficando velho! Ele pensou em tudo que teria de fazer naquele dia e se conseguiria encaixar uma hora de prática de esgrima com um dos guardas do rei. Afinal de contas, aprendera a cavalgar como um cavaleiro. Havia decidido aprender a lutar como um deles, embora ferisse seu orgulho ser derrubado como uma criança travessa. Ele tomou a decisão, determinado a se exercitar, por mais que isso lhe custasse.
Margarida se virara para a janela quando ele saiu e sorrira outra vez ao ver a multidão de Londres. O ano-novo estava a poucos dias, e a rainha depositava nele grandes esperanças, mais que em todos os que já se passaram. Primeiro Calais, depois York, onde quer que estivesse escondido. Os inimigos do marido seriam caçados, e Henrique poderia viver seus anos em paz. A Inglaterra ficaria mais forte apesar de todo o sofrimento, Margarida tinha certeza, assim como ela ficara mais forte depois dos últimos anos. Ela ainda conseguia se lembrar de como havia sido inocente, um fiapo de menina que falava um péssimo inglês, um mero sopro da mulher em que se transformara.
Para uma noite escura de janeiro, o mar estava calmo. Precisava estar para o que Warwick tinha em mente. Ele e seus homens escolhidos passaram três dias preocupados com uma tempestade terrível que havia assolado o canal da Mancha, e só se consolaram com o fato de que a frota real jamais conseguiria sair do porto com o mar tão revolto.
O ano de 1460 mal havia começado, apenas três meses se passaram desde a fuga de Ludlow. Enquanto York zarpava para a Irlanda, Salisbury, Warwick e Eduardo de March tinham escapulido para a França num barco de pesca de arenque. Tinha sido o ponto mais baixo para todos eles, embora os três condes tivessem se dedicado aos planos do retorno quase assim que puseram os pés na fortaleza de Calais. William, lorde Fauconberg, irmão de Salisbury, visitara-os depois, levando consigo cem homens e duas caravelas sólidas que ficariam atracadas nas docas protegidas. Favorecido entre os partidários de Henrique, Fauconberg também levara notícias de uma frota de Lancaster que estava sendo preparada em Kent, com embarcações suficientes para levar dez mil soldados ou mais na primavera. Se havia qualquer dúvida em sua mente sobre o caminho futuro, essas palavras as dissiparam. Os Decretos de Desonra foram aprovados, e eles não teriam paz em seu exílio.
O porto de Sandwich estava silencioso nas primeiras horas de uma manhã gelada de inverno. Warwick e Salisbury caminhavam juntos pelo cais deserto, com Eduardo de March apenas um passo atrás. Cerca de quarenta homens os seguiam, em grupos escalonados de seis ou doze soldados. No total, duzentos veteranos atravessaram o canal da Mancha para a Inglaterra naquela noite, usando roupas simples e rústicas de lã e couro. Armadura ou cota de malha só atrapalhariam o tipo de serviço sigiloso que planejavam. Na escuridão, teriam a oportunidade de se confundir com tripulações do rei ou pescadores de Kent. No decorrer dos séculos Sandwich fora atacada pelos franceses muitas vezes. Embarcações inimigas já se esgueiraram por aquele canal, e Warwick se surpreendeu ao perceber que os sinos da igreja não haviam começado a soar o alerta pela cidade.
Sua sorte durou bastante tempo. Eles amarraram quatro pequenos barcos em meio às sombras da frota real, cerca de quarenta barcos ancorados, com apenas algumas lâmpadas balançando. A própria cidade estava negra contra o céu noturno, com tantos habitantes acostumados a se levantar antes do amanhecer. Warwick e o pai planejaram a travessia para chegar ao porto enquanto os pescadores dormissem e os marinheiros do rei ainda estivessem adormecidos de cerveja.
Warwick se virou rapidamente ao ouvir um grito estrangulado vindo de uma coca mercante que rangia no ancoradouro. Ele não saberia dizer a fonte. As embarcações atracadas na doca estavam tão próximas que seus homens conseguiam escalar uma delas e passar para a seguinte. Para aquelas ancoradas mais longe, pequenos barcos levaram os soldados de Warwick até escadas nas laterais de madeira, e eles se esgueiraram a bordo o mais silenciosamente possível. Naquele momento, todos corriam descalços por conveses escuros, golpeando ou esfaqueando as pobres almas deixadas para guardá-los da forma menos ruidosa que conseguissem. As tripulações do rei estavam todas em terra, e em cada barco havia apenas alguns rapazes encarregados de cuidar da lâmpada e ficar de olho nos franceses.
Warwick olhava para o mar e deu um pulo quando o pai segurou seu braço. A luz de uma lâmpada se aproximava por uma rua lateral que levava ao mar. Talvez devido à presença de tantos soldados do rei na cidade, os vigias locais estavam menos atentos do que deveriam. Quando saíram correndo, Warwick e March ouviram risadas contidas e conversas, alguma história do último Natal. Warwick conseguia sentir a sombra imensa de Eduardo de March à direita. Vestir o jovem gigante com a lã dos pescadores era uma causa perdida. Quem o visse logo pensaria se tratar de um soldado.
Havia seis homens no pequeno grupo que dobrou a esquina e parou, espantado. Warwick viu que um deles carregava uma grande sineta para despertar a cidade. Engoliu em seco. Os dois grupos ficaram paralisados, encarando-se.
— Os franceses! — sibilou um dos vigias, erguendo a sineta.
— Cale a boca, idiota — disse Warwick com rispidez. — Parecemos franceses?
O homem hesitou, como se fosse sair correndo a qualquer momento. O que ia à frente abriu os aparadores da lâmpada e o brilho revelou alguns dos homens sombrios que trotavam atrás de Warwick. O vigia pigarreou com cuidado, sabendo que a palavra errada sem dúvida lhe traria a morte.
— Não queremos problemas, sejam vocês quem forem — disse, tentando pôr alguma autoridade numa voz tensa e abalada.
Os olhos do homem passaram rápido por Eduardo, sentindo sua disposição para a violência.
— Condes Warwick, Salisbury e March — respondeu Warwick.
Não se importava que soubessem que estavam ali. Só queria levar as embarcações embora e sumir quando o sol nascesse. As tripulações reais não conseguiriam persegui-los em barcos de pesca.
O vigia se aproximou, fitando-o. Para surpresa de Warwick, sorriu. Sem se virar, ordenou em voz baixa aos homens que estavam com ele que não corressem.
— Então vocês precisarão nos amarrar. Senão os homens do rei vão nos enforcar pela manhã.
— Pare com isso, Jim! — sibilou o portador da sineta. — Eles vão nos açoitar de qualquer jeito.
— Vocês sobreviverão — retorquiu o vigia. — Se tocar essa sineta, Pete, eu mesmo dou uma surra em você.
Warwick franziu a testa enquanto acompanhava a conversa. Havia esperado uma luta rápida e violenta com os vigias, depois talvez uma corrida até os últimos barcos nas docas enquanto a cidade voltava à vida para repelir os invasores. Enquanto a furiosa discussão sussurrada continuava, Warwick lançou um olhar para Salisbury e March. O filho de York deu de ombros.
Frustrado, o homem que estava com a lâmpada pulou de repente sobre o companheiro, segurou o badalo da sineta e a arrancou da mão dele com um golpe forte.
— Aí está, milorde. Não vamos lhe criar nenhum problema.
— Eu o conheço? — perguntou Warwick.
— Jim Wainwright, milorde. Não nos conhecemos, mas me lembro do senhor correndo atrás de mim num beco há alguns anos. — Wainwright deu um sorriso esquisito, mostrando falhas nos dentes. — Eu estava com Jack Cade na época.
— Ah — respondeu Warwick com cautela, por fim compreendendo.
Milhares de homens de Kent voltaram para casa com seu saque depois daquela noite terrível. Ele gostaria de saber quantos ainda se lembravam com carinho da revolta.
— Não foi certo o que fizeram com Cade e seus amigos — continuou Wainwright, erguendo o queixo. — Esses garotos não sabem como foi, mas eu sei. Fomos perdoados pela rainha, milorde, tudo selado e assinado... e depois mandaram o xerife Iden nos perseguir. Perdi bons amigos para aquele canalha. Homens que foram perdoados, assim como eu. — Ele levou um instante observando os companheiros, para se certificar de que não tentavam escapulir. — Todos escutamos as guarnições do rei falando dos rebeldes de Calais. Acho que o senhor estava do lado errado antigamente, mas talvez tenha aprendido agora, não é?
— Talvez sim — respondeu Warwick em voz baixa, fazendo o homem dar uma risadinha.
— Foi o que pensei, milorde.
Wainwright olhou para a esquerda quando uma embarcação negra se afastou da doca, a vela içada nas vergas por figuras silenciosas.
— São os barcos, não é? Os senhores querem os barcos do rei?
Warwick fez que sim, surpreso de ouvir Wainwright rir alto.
— Eles ficarão furiosos pela manhã, disso eu sei. Mas me parece que não vou ficar do lado das guarnições do rei. Não quando tenho a chance de retribuir o que fizeram com Cade. — Wainwright coçou o queixo enquanto pensava. — E, se o senhor precisa de homens, milorde, não seria muito ruim se os procurasse em Kent, é tudo o que digo. Há mais gente que ainda tem uma queixa ou outra daquela noite. Há alguns que também não gostaram do que aconteceu em Ludlow.
— O que houve em Ludlow? — perguntou Warwick em voz baixa. — Partimos quando não havia mais esperança, não antes.
Ele viu que o vigia ficou sem graça.
— Dizem que os belos e bravos rapazes do rei foram soltos na aldeia de lá. Foi pior que invasores franceses. Foi o assunto do reino no Natal. Estupros e assassinatos de inocentes. Terrível. O rei Henrique não impediu, ou nem tentou, é o que dizem. Estou lhe dizendo, milorde. É só gritar “Kent” quando estiver pronto e veja o que acontece, é isso. Não gostamos de saber de homens do rei matando mulheres e crianças, essa é a verdade. O senhor conseguirá alguns voluntários por uma vaga na vingança... e fomos nós que invadimos a Torre, não se esqueça. Podemos não ter cotas de malha e coisa e tal, mas os homens de Kent não precisam disso. Entramos e saímos bem depressa.
Salisbury escutara sem nada dizer. Ele ergueu os olhos para as estrelas que giravam no alto e deu um tapinha no ombro do filho.
— Precisamos ir — murmurou. — Amarre esses homens e vá para as últimas embarcações.
Enquanto falavam, as filas escuras de cocas e caravelas haviam rareado como dentes arrancados, mais e mais delas com os cabos soltos, avançando para as águas mais profundas e distantes. Apenas seis permaneceram, as lâmpadas apagadas e os conveses limpos.
Warwick assentiu. Ele esperara uma luta nas docas e ainda estava pronto para o som dos sinos de igreja pela cidade. Era hora de ir embora.
— Obrigado, mestre Wainwright. E me lembrarei do que me contou.
— Faça isso, milorde. Kent se erguerá por uma boa causa. Por uma ruim também, talvez, mas boa é melhor.
Amarrar os seis vigias levou pouco tempo. Com pedidos de desculpas, Warwick mandou dois soldados criarem alguns hematomas no rosto de alguns, embora tenha poupado Wainwright. Faltava apenas uma hora, ou duas, para o amanhecer, e ele sabia que os vigias logo seriam encontrados, com alguns narizes sangrando para exibir.
Warwick mandou o pai e March para barcos diferentes, cada um no comando de uma pequena tripulação. Esperou o máximo que pôde para pular na última embarcação e assumir posição no leme para levá-la embora. A maré estava virando, e foram necessários apenas seis homens para içar a única vela e aproveitar a brisa da manhã. Eles deixaram a longa e vazia extensão das docas para trás, e Warwick olhou para o porto e riu ao partir.
As ondas estavam mais agitadas para além do abrigo do porto. Os homens de Calais estavam demasiado dispersos pelos barcos que capturaram, por isso usaram os barcos menores para levar cordas entre eles. Uma embarcação bem-tripulada poderia rebocar outra com bastante facilidade com o sol nascente e a França claramente visível do outro lado do canal da Mancha.
Com as velas enfunadas ao vento, Warwick sentiu vontade de cantar uma canção de marinheiros que recordava da infância. Sua voz soou acima do barulho das ondas, e os que a ouviram e conheciam cantaram com ele, sorrindo enquanto trabalhavam com velas e lemes, guiando seu prêmio de volta a Calais.