A Ala dos Namorados

António de Campos Júnior · Apêndice

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A Ala dos Namorados

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A ALA DOS NAMORADOS

ANTÓNIO CAMPOS JÚNIOR

 

Esta obra respeita as regras

Do Novo Acordo Ortográfico 

BREVE NOTA

OS EVENTOS QUE ANTECEDEM ESTA HISTÓRIA

 

Corria o ano de 1383.

O rei D. Fernando I, acabara de morrer com apenas 37 anos, vítima de doença. A sua única herdeira, Beatriz, era apenas uma criança de 10 anos de idade mas, inconsequentemente, já tinha sido mandada para fora do país para ser tomada como esposa do Rei de Castela.

Com o trono vazio, a viúva, D. Leonor de Teles, tomou para si o poder aclamando reinar em nome da sua filha e do seu marido, o Rei de Castela, e pôs logo o seu amante galego, João Fernandes Andeiro, como seu consorte e ministro do reino. Tal ação trouxe a indignação da população em todas as suas fações: na plebe, na burguesia, no clero e entre a nobreza; e o que começou por ser várias revoltas populares contra os éditos da rainha e do seu ministro, culminaria numa guerra civil, por todo o território, opondo os opositores e os defensores da nova monarca.

A liderar a fação opositora, que recusava a nova rainha e a submissão do trono a Castela, estava João, Mestre de Avis, meio-irmão do falecido rei que, apesar de ser um filho bastardo, tinha sido reconhecido aos seis anos pelo pai, D. Pedro I, como filho e foi posto por este a estudar cavalaria na Ordem de Cristo, armando-o depois cavaleiro e dando-lhe o título de "príncipe de Portugal".

Sendo um bastardo, a sua aclamação ao trono era ilegítima aos olhos da igreja, mas a apoia-lo tinha a povo, a burguesia e uma grande parte da nobreza que não via com bons olhos a hipótese de Portugal vir a ter um rei castelhano. Assim, a 6 de Dezembro desse mesmo ano de 1383, juntamente com um grupo armado, João de Avis invade o Paço do Conselho (atual câmara de Lisboa), mata o Conde de Andeiro e é proclamado regedor e defensor do Reino pela população que o aclama, inconsciente de que aquilo era o inicio de um dos mais perigosos e sangrentos conflitos que Portugal se veria confrontado até então.

Sabendo da morte do seu ministro e amante, D. Leonor de Teles foge, antes de ser capturada pelos seguidores do Mestre de Avis, e refugia-se na corte do seu genro, D. João I de Castela, dando a este um pretexto para fazer aquilo que ele já desejava fazer: invadir Portugal e validar a sua pretensão ao trono.

Estes eventos são o prelúdio real das situações que conduziram à guerra Luso-Castelhana entre 1383 e 1385 e que culminaria na batalha de Aljubarrota.

A história que vai ler inicia-se já em plena invasão de Castela, durante o cerco de Lisboa de 1384, que durou exatamente 4 meses e 27 dias, e que quase dizimou a população lisboeta.