A Namorada do Meu Amigo
Capítulo 7
Estava com o Beto na sala de aula esperando o professor de Direito Penal chegar, naquela manhã de sexta-feira, quando o barulho de um trovão ecoou pelo prédio.
— Acho que vem chuva forte hoje — comentou Beto, olhando para a janela.
— Tinha combinado com o Caveira de irmos ao Trem Bão, mas com chuva não rola — falei, desanimado.
Trem Bão é um bar com música ao vivo e mesas ao ar livre. Adoro aquele lugar, mas lá é gostoso ficar na parte descoberta. Quando chove, porém eles colocam uma espécie de toldo e o clima perfeito do lugar vai embora junto com a chuva.
— Poxa, nem me chama! Ninguém me convida pra mais nada — protestou Beto.
— Sem paranoia. Eu ia te chamar hoje, mas pensamos que você ia preferir ficar namorando.
— Posso ir com a minha namorada, a não ser que vocês tenham alguma coisa contra ela.
— Imagina. A Juju é muito legal — retruquei, para não mencionar outras qualidades dela.
O professor entrou na sala e olhou para a turma. Ficamos quietos, esperando que ele falasse algo. Era a aula que eu mais esperava desde que entrei na Federal de Rio das Pitangas. Queria me especializar em Direito Penal, e o professor dessa matéria sempre foi considerado o melhor do nosso curso.
— Bom dia, turma. Hoje vamos conversar brevemente sobre o que iremos discutir durante o curso, mas já informo que a nota da matéria será a soma de uma prova no final do semestre e de uma apresentação que vocês farão a partir de maio.
As apresentações desse professor eram famosas. Ele dividia a turma em duplas e distribuía casos criminais para que elas os estudassem. Duas duplas ficavam com um caso, uma para a defesa e outra para a acusação. Na exposição de cada caso, quem não estava nem defendendo nem acusando virava jurado, enquanto o professor era o juiz. Eu estava empolgado enquanto ele ia falando sobre o trabalho. Olhei para o Beto, e ele parecia perdido nos pensamentos.
— Acorda. Presta atenção que você vai trabalhar comigo.
— Ah, você anota tudo aí. Não me interesso por isso e sei que você vai trabalhar bem e sozinho, seja na acusação, seja na defesa — disse ele, com descaso. Beto queria se especializar em Direito Tributário.
Depois de formadas as duplas, o professor distribuiu os casos. Apesar de serem fictícios, sabíamos que eram baseados em casos reais. Beto e eu pegamos a defesa de um homem que era acusado de matar seu melhor amigo, mas as provas não eram concretas. Gelei quando vi o caso detalhado no papel que o professor entregou. Qualquer semelhança poderia ser mera coincidência? Beto olhou para a acusação e riu.
— Ninguém mata o melhor amigo.
Não comentei nada.
Caveira foi lá para casa de tarde e ficou olhando desanimado a chuva forte que caía. Sem chance de sair com aquele aguaceiro.
— Essa droga de chuva estragou os meus planos — comentou Caveira.
Estava parado perto da janela enquanto eu navegava pela internet. Fiquei a tarde toda ali, empolgado com o trabalho que faríamos, e já buscava alguns casos parecidos para ajudar na defesa.
— Já tinha marcado algum encontro? — perguntei.
— Encontro mesmo, não. Mas com certeza teria muita coisa interessante lá. — Caveira olhou para mim. — Dá pra sair dessa porcaria de computador e compartilhar esse momento doloroso comigo?
— Caveira, não estou ligando muito pra sair. Amanhã a gente sai. — Programei o computador para desligar e me virei para ele. — O que você acha de pedirmos uma pizza? Já que vamos ter que ficar aqui em casa mesmo...
— Fazer o quê? — respondeu Caveira, ainda desanimado.
— Será que o Beto vai querer vir?
— Ah, ele não vai vir aqui. Provavelmente está namorando no quarto quentinho e não vai sair de casa.
Não gostei do comentário. Meu sangue gelava só de pensar na Juliana nos braços do Beto, os dois deitados na cama dele no maior dos amassos.
— Eu sei, mas ele fica o tempo todo reclamando que agora se sente excluído, que nunca o chamamos pra nada. Não quero ouvir reclamações depois.
Peguei o telefone e liguei para o Beto.
— Oi, Beto. Fazendo o quê? — perguntei quando ele atendeu.
— Estou vendo TV.
— Não quer vir aqui em casa comer uma pizza e jogar conversa fora? O Caveira já está aqui.
— Desistiram de sair? — provocou ele.
— A chuva decidiu por nós. E eu te chamei hoje pra ir ao Trem Bão, vai! — Eu me defendi.
— Só porque não ia dar pra ir por causa da chuva — disse Beto, e percebi que ele estava rindo.
— E aí, vem?
— Puxa, até que é uma boa. Mas a Ju está aqui em casa fazendo bolo de chocolate com a Alice.
— Se elas quiserem, podem vir.
— Mulher nunca atrapalha — comentou Caveira.
— O que o Caveira falou aí? — Beto quis saber.
— Nada. — Fiz sinal para o Caveira ficar quieto e ele fez outro avisando que queria falar algo.
— Só um minuto, Beto. — Olhei para o Caveira. — O que foi?
— Qual o problema dele?
— As meninas estão fazendo bolo de chocolate e ele não vai deixar a Juju lá.
— Hum... Fala que, se elas trouxerem o bolo, a gente banca a pizza.
Voltei ao telefone.
— O Caveira está falando pra você vir com a Juju e a Alice e trazer o bolo que a gente compra a pizza.
— E a Emília? — perguntou Caveira.
— Fica quieto! — sussurrei. — Beto, se a Emília quiser vir também, não tem problema.
— Ok, vou ver com as meninas e aviso vocês.
Desliguei o telefone e olhei para o Caveira.
— Ele ainda vai ouvir você falando da Emília.
— Não tenho medo dele.
— Sei.
Uma batida na porta interrompeu nossa conversa. Era meu pai, que colocou a cabeça dentro do quarto.
— Carlos Eduardo, vou dar uma saída.
— Vai aonde com essa chuva? — Estranhei, porque raramente meu pai saía em uma sexta à noite, ainda mais chovendo.
— Manuel ligou me convidando para jantar na casa deles. Quando ele ligou ainda não estava chovendo e eu me comprometi a ir e levar o vinho.
— Ok. Bom jantar — eu disse, e meu pai saiu do quarto. Virei para o Caveira, que tinha um sorriso malicioso no rosto. — O que você sabe sobre esse jantar?
— A Juliana conversou com a tia Ivone, que teve a ideia do jantar.
— Então sua mãe também vai? — Não consegui conter o sorriso.
— Vai.
— Você é o único cara que vejo arrumando namorado para a mãe.
— Minha mãe é nova e merece ser feliz. E seu pai é gente boa demais.
— Fico contente em saber.
O telefone tocou e era o Beto, avisando que estava vindo para minha casa com Alice e Juliana. Emília já tinha um compromisso, e o Caveira não gostou de saber disso, embora não pudesse fazer nada.
— Vamos descer e pedir a pizza — disse, saindo do quarto.
Depois da pizza e do bolo, ficamos na sala vendo TV e conversando. A sala lá de casa tinha dois sofás, um de dois lugares, embaixo da janela, e outro ao lado, formando um L, de três lugares, que ficava de frente para a TV. Juliana e Beto estavam no sofá de dois lugares, bem abraçadinhos. Eu estava sentado no chão encostado no outro sofá, longe deles, e evitava olhar para aquela cena. Sentia uma inveja terrível do Beto e detestava isso, porque sempre considerei a inveja o pior dos sentimentos. E ao mesmo tempo estava feliz pelo meu amigo. Sem dúvida eu estava muito confuso em relação aos meus sentimentos nos últimos dias.
Alice estava sentada no sofá ao meu lado. Suas pernas esbarravam no meu braço às vezes, e eu sabia que era para me provocar, mas naquele momento não me importava. Caveira estava ao lado dela, falando sem parar, e eu não prestava a mínima atenção ao que os dois conversavam até Alice soltar uma frase que ecoou pela sala.
— O que vocês acham de brincarmos de Verdade ou Consequência?
Gelei. Brincar não era bem a palavra, já que aquilo era mais um jogo de vida do que uma brincadeira.
— Isso é coisa de criança — eu disse, com descaso, na tentativa frustrada de fazer todos ficarem do meu lado. Claro que não deu certo.
— Eu topo! — Caveira se prontificou, levantando e já procurando uma garrafa vazia.
— Deixa de ser sem graça e brinca com a gente, Cadu — disse Alice, limpando a mesinha que havia no centro da sala na frente dos dois sofás.
Olhei para Juliana, mas ela prestava atenção ao Caveira, que voltava com uma garrafa pet de refrigerante vazia.
— Uma garrafa de plástico para não quebrar ao cair da mesa. — Ele a apoiou na mesinha. — E também para não provocar vontade de quebrá-la na cabeça do outro, conforme as perguntas esquentarem.
— Não quero nenhuma pergunta indiscreta e indecente pra minha irmã, nem pra minha namorada — disse Beto, e Alice mostrou a língua para ele.
— Não vem estragar a brincadeira, Beto — repreendeu Caveira. — E o que for falado não sai daqui.
— Isso é o de menos, já que quem sabe meus podres está aqui — disse Alice, apontando Juliana. — E quem não pode saber também está aqui. — Agora apontava o Beto.
— Ok, vamos brincar. — Finalmente me levantei, vencido por todos. Para falar a verdade, estava curioso para algumas respostas de Juliana e temeroso por algumas perguntas que viessem a ser feitas para mim. — Quem escolher consequência vai fazer o quê? Qual vai ser a punição? — Quis logo saber, já que usaria esse artifício muitas vezes, dependendo das perguntas.
— Hum... — Caveira ficou pensativo. — Que tal beijo de língua? — disse, maliciosamente.
— Jamais! — gritou Beto. — Ninguém vai beijar a minha irmã, muito menos a minha namorada.
— Então invente outra punição, já que beijar você ou o Cadu não me interessa — disse Caveira, desanimado, e tive de rir daquela cena.
É claro que dar um beijo na Juliana não seria ruim, mas não dessa forma, como uma obrigação, muito menos na frente do namorado dela. Clima zero.
— Não sei, mas beijo não vai rolar aqui. — Beto ainda estava furioso com aquela audácia do Caveira.
— Ele só estava brincando. — Tentei acalmar os ânimos.
— Uma dose de alguma bebida alcoólica, então? — propôs Alice, toda animada.
— Ei, não vou chegar com você bêbada em casa. — Beto logo quis vetar também.
— Você é um chato. Está estragando a brincadeira — disse Caveira, sem a mínima paciência.
— E quem disse que eu vou chegar bêbada? Só se eu escolher sempre consequência, mas pretendo responder tudo — esclareceu Alice.
— Opa, estou gostando. — Caveira logo esqueceu as implicâncias do Beto.
Dei graças a Deus por estar na minha própria casa, pois provavelmente sairia bêbado da brincadeira.
— Acho que seria uma boa estipular uma cota de consequências, não? — propôs Juliana, também se mostrando animada. Arregalei meus olhos e fiz sinal para ela, mas, se percebeu algo, não demonstrou.
— É uma boa. Se escolher consequência tem que responder obrigatoriamente depois, o que acham? — Alice deu a ideia e todos aceitaram, menos eu. Porém, como era minoria, ficou estipulado que ninguém podia pedir consequência duas vezes seguidas. Eu me sentei logo, tentando ficar de frente para Juliana.
— Eu começo. — Caveira rodou a garrafa e saiu para ele perguntar ao Beto. — Deixe-me pensar... Qual a melhor garota com quem você já ficou? E não vale a Juliana.
— Puxa, desse jeito meu namoro acaba hoje. — Beto ficou extremamente sem graça com a pergunta.
— Beto, se você fica assim com uma pergunta desse tipo, quero ver quando chegar nas mais pesadas. — Alice riu da reação do irmão.
— Eu não me importo com o que aconteceu na sua vida antes de começarmos a namorar. — Juliana o tranquilizou, mas Beto ainda estava pensando, provavelmente decidindo se era uma boa hora para usar a consequência.
— Ok. Foi a Kátia.
— Aquela piranha? — berrou Alice, com a boca aberta de espanto, e todos caímos na gargalhada com a reação dela.
— Eu não sei quem ela é, nem quero saber — disse Juliana, rindo.
— Tem séculos que nós ficamos. — Beto tratou de esclarecer, mas era mentira, porque ele havia ficado com a Kátia no final do semestre passado. — Agora é minha vez — disse ele, rodando a garrafa, que parou virada para Alice me fazer uma pergunta. Senti um frio na barriga porque percebi que ela ia soltar alguma besteira.
— Você já quis ficar com alguém que é proibido para você? Quem?
Sabia que ela perguntava pensando em si mesma, e minha resposta deveria ser sim, mas por causa da Juliana.
— Você fez duas perguntas — retruquei, tentando ganhar tempo.
— Responde então a primeira que a segunda faço depois. — Ela sorriu maliciosamente para mim, e foi a minha vez de pensar se deveria usar a consequência nesse momento ou não.
Se usasse, todos saberiam que a resposta era sim, e na próxima vez ela iria querer saber quem era a pessoa. Se falasse sim e usasse depois, ficaria aquela dúvida no ar e ela pensaria que a pessoa era ela. Pior! Beto poderia sacar alguma coisa e também achar que eu era a fim da Alice. Era uma dúvida cruel.
— Vamos, Cadu, responde logo. — Caveira me deu um cutucão.
— Acho que todo mundo já quis uma vez na vida ficar com alguém que é proibido — respondi.
— Você não respondeu a pergunta — disse Alice.
— Acho que respondi.
Beto franziu a testa e me olhou sério.
— Você está falando da minha irmã?
— Você pergunta isso para ele depois — disse Caveira, pegando a garrafa e me dando.
— Espera aí, Caveira — disse Beto, sério. — Você está falando da minha irmã?
— Não, não estou falando de nenhuma das suas irmãs.
— E quem é proibida para você além delas?
— Uma garota que tenha namorado, por exemplo — falei, me arriscando. Tentei não olhar para a Juliana para ele não perceber, embora quisesse ver a reação dela à minha resposta.
— Você está falando da Juliana? — Desta vez Beto falou tão alto que estremeci.
Respirei fundo e olhei para ele.
— Se for pra você implicar com todas as respostas, querer vir tirar satisfação, então não vou brincar. Não quero brigar com você por causa disso, é apenas uma brincadeira — reclamei, sério, percebendo que surtiu efeito e escapei da resposta.
— Desculpa, acho que estou me exaltando. — Ele estava arrependido de verdade.
— Tudo bem, relaxa. Ninguém aqui quer atacar sua irmã — eu disse.
— Ou roubar sua namorada — explicou Caveira, mas eu não podia concordar.
— Foi mal, gente. Prometo que não vai mais acontecer.
— É bom mesmo, ou então imagina quando as meninas começarem a responder — disse Caveira, e vi que o Beto não gostou de pensar muito sobre o assunto, mas ficou quieto.
— Vamos, Cadu, roda a garrafa — pediu Juliana.
Rodei e, dessa vez, Juliana deveria responder uma pergunta feita por mim. Eu a encarei sério e vi que ela começou a ficar vermelha.
— Ainda nem perguntei e você já está sem graça? — brinquei e todos riram, descontraindo o ambiente. Eu a olhei mais um instante e fiz a pergunta que esperava desde que o jogo começou. — Qual o seu mosqueteiro preferido?
— Que raio de pergunta é essa? — Caveira quis saber, com a sobrancelha franzida.
— É o que eu quero saber.
— Faz uma pergunta melhor. — Caveira ainda estava revoltado.
— Eu faço a pergunta que quiser.
— Caveira, nem todo mundo tem o pensamento sujo igual a você — disse Beto, embora ele não soubesse que minha pergunta tinha duplo sentido. Esperava que Juliana entendesse, mas não estava muito certo.
— Ah, mas o Cadu não sabe brincar — disse Caveira, olhando para a Juliana. — Vai, responde essa que deve ser fácil.
Juliana me olhou e depois olhou o Beto.
— Você ainda tem que pensar? Sabe tudo da vida dos mosqueteiros e ainda tem que pensar? — brincou Beto.
— Ah, não vale o D’Artagnan — esclareci.
— Ele não era mosqueteiro. Era? — perguntou Caveira.
— Acho que no final ele vira um. Não? — perguntou Beto para a Juliana, que não respondeu. Ela continuava olhando para mim.
— Sempre gostei do Aramis. Mas gosto do Athos também.
O que era aquilo? Ela gostava de mim e do Beto? Gostava dele? Gostava do Aramis e do Athos? Fiquei perdido em dúvidas, mas não tinha como esclarecer nada, nem ali, nem nunca.
— Pronto, pergunta idiota respondida, roda isso aí, Ju — disse Caveira, esfregando as mãos.
Juliana rodou e saiu para Caveira perguntar a Alice.
— Vê lá o que vai perguntar pra minha irmã — ameçou Beto, e Juliana deu um tapa no braço dele.
— Não enche, Beto. — Caveira olhou para Alice. — Se você pudesse ficar com um de nós, escolheria eu ou o Cadu?
— Que merda, Caveira! — berrou Beto, se levantando. — Escolhe consequência porque você não vai responder — disse ele, apontando o dedo para Alice.
— Assim não dá, Beto! — Dessa vez foi Caveira quem berrou, ficando de pé também.
— Calma, cara. É uma brincadeira. — Tentei acalmá-lo, mas ele estava furioso.
— Se você não sabe brincar, vai embora — disse Alice.
— Calma. É só besteira que estamos falando aqui. Ninguém está mandando Alice beijar os meninos. — Juliana tentou melhorar, mas piorou.
— Se eu deixasse, ele a beijava agora. — Beto olhou para Caveira. — Nós temos um pacto!
— Ei, eu não tentei agarrar a menina. Só fiz uma pergunta.
— Calma, cara. — Fui para perto dele. — Relaxa, é só uma pergunta. Que problema tem ela falar qual de nós escolheria se pudesse um dia? Nós não vamos ficar com a Alice.
— Além do mais, você prometeu que ia se comportar. — Alice olhou séria para ele. — Ou então você vai embora. Que saco!
Juliana levou o Beto para a cozinha e os dois ficaram lá conversando.
— Vamos, Alice, responde agora que ele não está ouvindo — provocou Caveira.
— Você sabe a minha resposta — disse ela, me olhando, e senti meu rosto corar.
— Vocês dois estão provocando o cara. — Fingi que não entendi a indireta dela.
— Claro que é o Cadu — disse ela, ainda me olhando. — Mas, como ele mesmo falou, nunca vai ficar comigo.
— Beto não está olhando agora. — Caveira provocou ainda mais.
— Deus do céu, Caveira! — respondi, e vi a Juliana vindo da cozinha com o Beto.
— Desculpa de novo, gente. Vou tentar me comportar.
— A brincadeira perdeu a graça — reclamou Caveira.
— Desculpa. — Beto estava visivelmente transtornado. Eu queria saber o que a Juliana havia falado para ele.
— Não tem problema. Acho que no seu lugar eu teria agido do mesmo modo. — Tentei deixá-lo mais calmo.
— Você é um chato. — Alice mostrou a língua para ele. — O que vamos fazer agora que a brincadeira acabou? — perguntou ela, olhando a chuva que ainda caía lá fora.
— Acho melhor irmos embora — disse Juliana. — Já está tarde.