A Namorada do Meu Amigo
Capítulo 8
Como não fui dormir tarde, por causa da súbita interrupção de Verdade ou Consequência, acordei cedo no sábado. Não havia bebido nada porque não tive oportunidade de usar minhas consequências na noite anterior, mas estava me sentindo bem pelo fato de a brincadeira não ter seguido adiante.
Encontrei meu pai na sala e ele contou do jantar. Começou a falar sobre o que tia Ivone, com a ajuda de tia Matilde, havia preparado e fingi que o escutava, mas minha cabeça dava mil voltas pensando na resposta da Juliana. Ela sempre gostou do Aramis. Quando era criança dizia que se casaria comigo. Mas ela também gostava do Athos, que atualmente é o namorado dela. Era isso, eu não deveria me iludir.
Acordei dos meus pensamentos com meu pai indo atender o telefone. Era o pai do Beto nos chamando para um churrasco na casa deles. Tinha parado de chover e a carne já estava assando, segundo ele. Mal pude acreditar que, depois daquela chuva toda da noite anterior, Rio das Pitangas amanheceria com um sol forte.
A casa do Beto era grande e tinha um quintal imenso, com piscina e churrasqueira. O pai dele adorava reunir os amigos para um churrasco, e é claro que não iríamos faltar.
Não sei quem deu a ideia e como aconteceu, mas ficou combinado que o Caveira e a tia Matilde iriam conosco para o churrasco. Fomos os quatro no carro do meu pai, tia Matilde na frente, eu e o Caveira atrás. Uma perfeita família.
Chegamos lá e a Emília atendeu a porta. Meu pai e tia Matilde entraram, logo encontraram os pais do Beto e começaram uma conversa animada.
— Oi, Emília, o Beto está lá atrás?
— Está sim. — Ela virou o rosto e eu dei um beijo. Caveira tentou o mesmo, mas Emília o olhou com uma cara fechada e saiu.
— Ela te odeia. — Eu ri.
— Que nada, ela me ama!
— É? Não senti isso.
Fomos caminhando para a parte de trás da casa, onde ficavam a piscina e a churrasqueira.
— Ela me ama, vai por mim. É tudo fachada, já que ela não pode ficar comigo por causa do pacto com o Beto.
— Sei, sei. — Balancei a cabeça e ri do Caveira, que logo encontrou algumas de suas muitas amigas e foi lá conversar com elas.
Olhei em volta e vi o Beto na churrasqueira, conversando com tio Manuel. Quando caminhava na direção deles, senti alguém me puxando.
— Oi, Cadu.
Eu me virei e era Alice. Ela vestia a parte de cima do biquíni e um shortinho jeans. A visão dela ali parada, de óculos escuros, o cabelo preso e aquele corpo perfeito, mexeu comigo.
— Oi, Alice. — Dei um beijo em seu rosto e um passo para trás, como sempre fazia.
— Gostou do meu biquíni novo?
— Alice, pare de provocar.
— Só fiz uma pergunta. — Ela deu de ombros e se enroscou no meu braço, me levando na direção do Beto.
— Você fica me provocando e seu irmão ainda vai me matar, como se a culpa fosse minha.
— Você leva a sério demais esse pacto — sussurrou ela no meu ouvido, e senti um arrepio percorrer meu corpo. Não consegui soltar meu braço.
Paramos ao lado do Beto e eu o cumprimentei, ainda com Alice pendurada em mim.
— Precisa de ajuda? — perguntei, tentando esquecer a presença desconcertante dela.
— Não, Manuel manja tudo de churrasco. Está me dando umas aulas — disse Beto, olhando para o meu braço enroscado no de Alice. Eu tentei mais uma vez me soltar, em vão.
— E cadê a Juju? — perguntei.
— Estou aqui. — Eu ouvi e virei, encontrando Juliana parada logo atrás.
Ela usava um vestido curto, levemente colado ao corpo, e aquela cena foi mais desconcertante que a de Alice, porque fiquei imaginando como ela seria por baixo daquele vestido. Devo ter ficado vermelho.
— Você acredita que o Cadu não gostou do meu biquíni novo? — disse Alice para Juliana, me provocando.
— Eu não disse isso.
— Mas também não elogiou.
— Alice, não me deixe numa situação complicada — falei, baixinho, indicando o Beto com a cabeça. Juliana riu.
— Acho que a Alice não liga pra isso, Cadu.
— Claro, não é ela que vai ter a cara quebrada pelo Beto.
Alice e Juliana me levaram para uma mesa e ficamos a tarde toda conversando. Beto se juntou a nós, enquanto o Caveira estava em outra mesa, rodeado de garotas.
Bebi muita cerveja e já estava levemente zonzo. Eu me levantei para ir ao banheiro, mas, como os que ficavam ao lado da sauna estavam ocupados, entrei na casa para ir até o quarto do Beto e usar o dele.
Fiquei um tempo lá sentado, esperando a cabeça melhorar, e aproveitei para jogar água fria no rosto e no cabelo. Estava decidido a cair na piscina quando voltasse para o churrasco, porque não queria ficar tonto em uma festa com a Juliana por perto; não confiava no meu comportamento de bêbado.
Quando saí do banheiro, encontrei Alice sentada na cama do Beto.
— Achei que você tinha morrido aí dentro — brincou ela.
— Estava lavando o rosto — disse.
Fiquei indeciso se saía ou não. A visão dela ali era torturante. Alice se levantou e veio andando em minha direção.
— Como falei mais cedo, você leva muito a sério o pacto que tem com o Beto.
— Alice...
Ela colocou as mãos em volta do meu pescoço e eu segurei sua cintura.
— Você está brincando com fogo.
— Não tenho medo de me queimar — sussurrou ela, com o rosto bem próximo ao meu.
Alice foi se aproximando e eu não podia mais resistir, comecei a tocar seus lábios quando uma voz soou atrás dela.
— Muito bonito, hein?
Empurrei Alice na mesma hora com o coração acelerado e vi o Caveira parado ali, rindo da nossa reação.
— Você está maluco? Quase me mata, pensei que fosse o Beto! — disse, com uma das mãos no peito.
— Quem está maluco aqui não sou eu, são vocês dois. Se é pra se agarrar vão pro quarto dela, não aqui — zombou ele, ainda rindo muito.
— Até que não é má ideia. — Alice sorriu maliciosamente para mim.
— Chega por hoje — respondi e olhei os dois. Suspirei e saí do quarto.