Anatomia: uma história de amor

Dana Schwartz · Capítulo 10 de 40

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Anatomia: uma história de amor

Capítulo 8

 

 

Hazel estava à espera, pelo menos, de um sermão, de uma varinha nos nós dos dedos ou de um “espera até contarmos isto ao teu pai e vais ver como ficará furioso”. Era verdade que, quando a mãe de Hazel não estava a chorar por George, era tão obsessiva no seu amor por Percy que mal conseguia ver para lá da própria crinolina, ainda assim – de certeza que alguma consequência sofreria pelo que tinha feito.

Mas não. Quando Hazel acordou, na manhã seguinte, com o sol a entrar em força pelas cortinas, descobriu que a mãe ainda nem sequer saíra dos aposentos. Iona disse-lhe que Lady Sinnett também não descera para jantar na noite anterior.

A mãe não era assim antes da morte de George. Quando George era vivo – pensando melhor, quando George e o pai de Hazel ainda estavam presentes –, eles tinham sido, mais ou menos, uma família normal. Hora do lanche na biblioteca. Leituras junto à lareira. Natais em Almont House. Tardes às escondidas, quando o pai de Hazel a levava até à pequena fonte para lá da floresta em Hawthornden e lhe mostrava os tipos de pássaros que andavam pelos ramos em redor. Mas depois veio o destacamento do pai – um destacamento de grande prestígio, relembrava Lady Sinnett rapidamente – e a febre que matou George. E agora eram só os três lá em casa: Hazel, a mãe e Percy. Percy, o pequeno principezinho estragado com mimos, o orgulho e alegria da mãe, sempre em segurança e resguardado como uma pérola numa ostra para que nunca adoecesse… como George. Agora, Lady Sinnett dedicava todo o tempo e atenção a Percy, à instrução, à roupa, ao próprio ar que o rapaz respirava, e quando falava com Hazel, era quase sempre para lhe perguntar se tinha visto Percy.

Hazel só veria a mãe alguns dias depois, quando estava a enervar-se com Percy por causa do bacon ao pequeno-almoço. Hazel sentou-se no seu lugar o mais discretamente possível, enquanto Lady Sinnett limpava a gordura nas faces de Percy com um lenço.

Mas depois, para espanto de Hazel, a mãe voltou-se para ela.

– Bacon, querida? – disse Lady Sinnett, estendendo-lhe um prato com a mão de luva preta. Já passara mais de um ano desde a morte de George, mas a mãe continuava de luto da cabeça aos pés. Estava com um vestido de tafetá preto e usava uma pregadeira que continha cabelo de George no meio do peito.

Hazel aceitou cautelosamente. Parecia uma armadilha. Se fosse, o laço não demoraria a apertar-se. Talvez a mãe tivesse mesmo reparado que ela saíra, e a aquela aparente indiferença fosse um disfarce para dar uma falsa sensação de segurança a Hazel.

– Percy, querido, porque é que não vai ter com o Mestre Poglia para começar a lição? – sugeriu Lady Sinnett, a sorrir.

Percy olhou para a irmã, desconfiado, mas obedeceu à mãe e saiu alegremente da sala de jantar.

Lady Sinnett bebeu um gole de chá diligentemente casual.

– Bem, Hazel. Esta noite vai haver uma estreia no teatro, no Le Grand Leon, claro. Um agradável espetáculo de dança, imagino eu. Pensei que podíamos ir as duas.

Hazel quase se engasgava com a torrada que estava a comer.

– Nós as duas? Juntas?

– Claro – disse Lady Sinnett. – Uma mãe não deve ter compromissos sociais com a filha?

– Acho que sim. E o Percy?

– O Percy é demasiado novo para ir ao teatro, querida. Além disso, sabe-se lá do que ele seria capaz num teatro. Ele fica bem com a senhora Herberts. Que patetice essa pergunta. – Lady Sinnett ficou à espera que Hazel dissesse mais qualquer coisa. Como isso não aconteceu, continuou. – Muito bem, ótimo. Vou mandar a Iona preparar aquele seu vestido novo de seda. O verde-arsénico. Faz os seus olhos parecerem, enfim, não tão castanhos.

Portanto, Hazel não estava metida em sarilhos. Ficou tão aliviada que se limitou a assentir.

Lady Sinnett aceitou a concordância da filha e sorriu-lhe, satisfeita.

– Sei que ainda estou de luto, mas suponho que posso usar as pérolas que a minha mãe me deu e o anel de esmeralda que o seu pai me ofereceu. Comprou-o quando ficámos noivos, não sei onde é que ele arranjou dinheiro para aquilo, na altura era apenas tenente. E eu, filha de um visconde e tão facilmente conquistada por ideias românticas e… – deu um riso curto e arrependido – … e de amor. Cresci em Almont House, com uma casa de verão em Devon e um apartamento em Londres para a temporada. – Reparou num olhar estranho na cara de Hazel. – Porque está a olhar para mim assim, como se fosse um gato apanhado num parapeito? Não é nada bom para essa ruga que tem na testa.

Hazel bebeu um gole de chá com esforço.

– Acho que a mãe nunca falou tanto comigo desde… – Sabia que não devia tocar no nome de George. – Que o pai se foi embora.

Lady Sinnett fez um riso de troça.

– Oh, francamente, Hazel. O ridículo não a favorece nada.

Ficaram sentadas, sem trocarem mais palavras, por mais alguns momentos, com o silêncio a ser quebrado apenas pelo tilintar dos garfos na porcelana e, de vez em quando, um estalido na lareira. Quando Lady Sinnett tornou a falar, o tom de voz estava diferente. Pesado e grave. Não olhou para a cara de Hazel. Em vez disso, fixou o olhar na janela, observando a vastidão dos campos enevoados e, mais ao longe, os estábulos.

– Hazel, quando o seu pai morrer – disse –, será o Percy a herdar a casa. Sabe isso. Tudo, a casa, a propriedade, o dinheiro que ele tiver, o dinheiro que eu dei a este casamento, passará para o Percy.

Como que de propósito, ouviu-se o som de Percy a correr e a rir-se na galeria do andar de cima. Os passos e gargalhadas do rapaz ecoaram.

– Tudo isto para dizer – continuou a mãe de Hazel, cuidadosamente – que seria conveniente que convencesse o seu primo a formalizar o vosso noivado o mais cedo possível.

Hazel deu uma gargalhada.

– Formalizar? Mãe, nós somos praticamente noivos desde que éramos crianças.

Lady Sinnett não se riu. Cerrou os lábios finos.

– Ele já pediu a sua mão?

– Não, mas…

– Não brinque com o futuro. É possível que perca. – Lady Sinnett tocou a campainha para a criada levantar a mesa. – Vou tomar a minha infusão no meu quarto – disse, e levantou-se para sair. Voltando-se para trás, para Hazel, acrescentou: – Diga à Iona para lhe apertar bem o espartilho esta noite. Se tiver de ser, que lhe aperte o casaco. Deixe que o Bernard a veja esta noite como uma mulher, não como uma companheira de infância.

Ouviu-se outro estalido na lareira, quando um pedaço de um tronco caiu. De repente, Hazel sentiu o bacon demasiado compacto na garganta.

Quando Hazel e a mãe chegaram ao Le Grand Leon, a maioria das outras carruagens já deixara os passageiros. Lady Sinnett estava vestida de cinzento, um vestido com mangas compridas fora de moda. O vestido de Hazel era vermelho. Raramente o usava – um vestido de seda com um bordado de fio de chenile na bainha e nas mangas que a mãe lhe trouxera de Paris –, mas o estômago dera uma volta ao ver o vestido verde-arsénico que Iona deixara em cima da cama. Qualquer coisa a atraiu para o vermelho, guardado no fundo do guarda-roupa. Tinha-se esquecido daquele vestido. Era mais suave do que a crinolina e transparente à volta dos ombros.

– Lady Sinnett, está verdadeiramente espantosa!

Os volumosos seios de Hyacinth Caldwater estavam ao nível dos olhos de Hazel, enquanto subiam as escadas do Le Grand Leon. A senhora Caldwater já tinha tido dois maridos e parecia estar já à caça do terceiro. O vestido, de um rosa-choque, tinha um decote enorme. As maçãs de rosto tinham tanto rouge que faria parecer ameninada uma mulher com metade da idade dela.

O rosto de Lady Sinnett ficou tenso como um tambor.

– Senhora Caldwater. Muito prazer em vê-la – saudou, com um ar que mostrava tudo menos isso.

– Há tanto tempo! Ainda a aliviar o luto? Oh, coitada. É maravilhoso vê-la sair. Não me convidou para tomar chá como prometeu, não me esqueci! Ah, ah, ah! E ooooh! – A senhora Caldwater olhou para Hazel e guinchou de agrado. – Esta não é a Hazel. Não. Não! Não é possível! Tão crescida que está. Juro que cresceu mesmo desde a última vez que a vi. Não tem andado a escondê-la, pois não?

Lady Sinnett olhou para lá da senhora Caldwater, na esperança de encontrar alguém com quem pudesse mudar de conversa.

– Não – replicou distraidamente. – Infelizmente, a Hazel é mais dada à leitura. Se puder, nunca sai de Hawthornden.

– À leitura. Que fascinante. O que andas a ler, minha querida? Romances?

Hazel olhou para a mãe antes de responder.

– Comecei agora a ler O Antiquário, do mesmo autor de O Talismã. Foi o meu pai que o encomendou e me mandou.

A senhora Caldwater juntou as mãos.

– Que linda cabecinha ela tem, Lavinia.

A mãe de Hazel puxou-a pela mão.

– Temos de ir andando para os nossos lugares.

Hyacinth Caldwater ainda lhes gritou enquanto subiam a escada:

– E não se esqueça do chá, Lavinia, vou ficar escandalizada se me continuar a evitar!

– Que mulher horrível – murmurou Lady Sinnett, enquanto ela e Hazel continuavam a andar por entre as outras pessoas. – Oh, olhe, estão ali o Bernard e o seu tio.

Bernard fez uma vénia a Hazel e a Lady Sinnett quando se aproximaram.

– Espero que estejas bem, Hazel? Devo dizer que esse vermelho te assenta maravilhosamente.

Hazel não conseguiu obrigar-se a sorrir. Olhou para o rosto de Bernard e só conseguiu ver a mesma expressão pretensiosa e vazia daquele dia na rua. Quando éramos crianças, dissera ele. Se Bernard soubesse do que ela era capaz! Se soubesse o que ela tinha visto!

Lady Sinnett deu com o cotovelo nas costelas de Hazel.

– Muito bem, obrigada, primo – replicou Hazel, com frieza.

– Iremos certamente encontrar-nos em Londres para a temporada, Bernard? – interveio rapidamente a mãe de Hazel, sorrindo como uma serpente. – A Hazel está desejosa de ir ao baile de máscaras que o duque oferece sempre em Delmont, não está, querida?

Hazel desviou a cara, dizendo apenas “Hum.”

– Não faltaria por nada deste mundo – retorquiu Bernard. – Ah! Parece que o meu pai está a chamar-me para o nosso camarote. Com a vossa licença, minhas senhoras. – Fez outra vénia e desapareceu rapidamente por entre as pessoas. Hazel e a mãe subiram o resto das escadas até aos respetivos lugares, num camarote do lado direito do teatro. O pano, de veludo pesado e sujo de pó verde ácido, estava caído à frente do palco. A orquestra ainda fazia o aquecimento, e Hazel aproveitou o tempo para dar uma vista de olhos em redor para ver quem tinha ido assistir à estreia.

Bernard e Lorde Almont estavam sentados num camarote do outro lado do teatro, e logo ao lado dos gémeos Hartwick-Ellis, Cecilia e Gibbs. Hazel já não via Cecilia há algum tempo – quando teria sido a última vez? Desde o baile dos Morris? Tinha sido no verão do ano anterior. Cecilia estava mais alta; tinha o pescoço alto e estreito como o de uma cegonha. Sempre fora bonita; naquela noite, tinha o cabelo louro encaracolado em cachos de cada lado da cabeça. Hazel não podia deixar de reparar neles; ninguém podia; ela abanava-os constantemente de um lado para o outro, tentando que a luz incidisse sobre eles, ao mesmo tempo que dava umas gargalhadinhas obscenas. O irmão, Gibbs, carrancudo como sempre, era um rapaz louro, cujos olhos, nariz e boca pareciam demasiado pequenos e demasiado juntos numa cara do tamanho de um prato de jantar.

– A Cecilia está bonita – disse Hazel à mãe.

Lady Sinnett não respondeu. Tinha os olhos fixos como punhais em Cecilia e, reparou Hazel, em Bernard. Bernard, que parecia estar a rir-se com Cecilia, que se esquivava alegremente a cada investida contra os cachos encaracolados e dava habilmente uma palmadinha com a mão enluvada quando prendia as mãos dele nas suas. Estariam a… namoriscar? Não era possível. Cecilia Hartwick-Ellis tinha basicamente tanta personalidade como uma taça de arroz-doce. Provavelmente, os dois – Cecilia e Gibbs – não conseguiam contar até cinco se começassem no quatro. Entre os dois teriam, certamente, sido muito poucos os livros que tinham lido.

Nesse momento, Cecilia deu uma gargalhada tão ridícula e falsa que Hazel ouviu do outro lado do teatro. E Bernard – Bernard parecia estar a gostar. Havia um rubor a subir-lhe do pescoço para as faces. Tinha feito qualquer coisa diferente ao cabelo naquela noite – estava puxado para a frente e tinha umas suíças compridas, como se estivesse a fingir ser aquele escandaloso poeta Lorde Byron. Bernard segredou qualquer coisa ao ouvido de Cecilia, e ela deu outra gargalhada, atirando a cabeça para trás e fazendo abanar os caracóis. Hazel não aguentava mais ver aquilo. Não tinha a certeza de qual dos dois achava mais vergonhoso.

Por fim, as lamparinas do teatro diminuíram e a orquestra começou a tocar um som sombrio num acorde menor. Quando o pano se abriu, revelou um palco quase vazio. O cenário era uma charneca nebulosa, cinzenta e castanha, com uma falsa árvore morta e uma lua baixa e alaranjada. Uma bailarina ruiva com um vestido branco esvoaçante, como se fosse uma camisa de noite, entrou no palco e rapidamente se juntou a ela um homem, que supostamente seria o marido. Hazel tentou concentrar-se no enredo e ignorar o que estava a acontecer no camarote do outro lado do teatro. No bailado, o marido da mulher foi recrutado para uma guerra vaga e distante, e a mulher ficou deprimida na sua ausência, rodopiando pelo palco e levantando os braços em direção ao céu – ou melhor, às vigas lá em cima. Todos os dias, ia à janela para esperar pelo amado e todos os dias ficava desiludida.

E eis que chega realmente um homem, todo vestido de preto com um bigode de vilão e olhos escuros e obstinados, vestindo o casaco do seu antigo amor. Talvez seja o seu amor, regressado da guerra, pensa a mulher! Dançam juntos, e ela é seduzida. Mas enquanto dançam, o traje do misterioso homem cai. Afinal, não era o marido; era o próprio Diabo. Desolada com o erro e a traição, a mulher tira um punhal da escrivaninha e espeta-o no peito. Fitas vermelhas, com o propósito de imitar sangue, esvoaçam até ao chão. A bailarina cai. O verdadeiro marido chega finalmente a casa e encontra o corpo dela caído e frio, e o pano fecha-se. Uma tragédia.

Um pouco pesado, pensou Hazel. Mas Le Grand Leon nunca era dado a subtilezas. No mês anterior, tinham estreado outra história mais ou menos com a mesma trama – uma bela jovem virtuosa desencaminhada –, só que dessa vez fora um vampiro desconhecido que a tinha tentado com ouro e joias antes de lhe consumir o coração.

 

Era a lição ensinada às jovens em todo o lado – não se deixem seduzir pelos homens que encontram, protejam a vossa virtude –, até, claro, toda a sua vida depender da sedução pelo homem certo. Era uma situação impossível, uma armadilha da sociedade no seu todo: forçar as mulheres a viver à mercê de qualquer homem que as queira, mas envergonhá-las por tudo o que possam fazer para conseguir um homem que as queira. A passividade era a maior das virtudes. Que Deus as protegesse de se transformarem em alguém como Hyacinth Coldwater. Sejam pacientes, sejam silenciosas, sejam belas e puras como uma orquídea, e então – e só então – a vossa recompensa chegará

Lady Sinnett mantivera a mão cerrada como uma garra no braço da cadeira durante todo o espetáculo. Antes mesmo de terminarem os aplausos, arrancou Hazel da cadeira, desceu as escadas, saiu do teatro e entrou para a carruagem. Esperou até estarem a uma distância sensata do teatro, no caminho sossegado que ia dar a Hawthornden, e, então, virou-se para Hazel.

– Faz a mais pequena ideia – disse por entre os dentes cerrados – do que lhe vai acontecer?

– O que quer dizer? – perguntou Hazel.

Lady Sinnett engoliu em seco e cerrou os lábios.

– O mundo não é gentil para as mulheres, Hazel. Nem mesmo para as mulheres como a menina. É verdade que o seu avô era visconde, mas eu era filha e, portanto, isso significa muito pouco. O seu pai é o proprietário de Hawthornden e quando ele… quando o seu pai morrer, Hawthornden passará para o Percy. Sabe o que acontece às mulheres solteiras?

Hazel uniu as sobrancelhas.

– Imagino que… quer dizer…

Lady Sinnett interrompeu-a com uma gargalhada triste e arrependida.

– Não terá onde viver. Ficará à mercê dos familiares. À mercê do seu irmão mais novo e da mulher com quem ele casar. A pedir à sua cunhada migalhas de decência humana, a rezar para que ela seja bondosa.

Hazel não sabia o que dizer. Limitou-se a olhar para o colo.

A mãe continuou, mexendo na ponta do véu.

– Eu sei… eu sei que desde que o George nos deixou, posso não lhe ter prestado tanta atenção como devia. Posso não ter acentuado a importância do seu casamento com o Bernard Almont, porque parti do principio de que a menina sabia.

– Eu sei.

– Sim, eu pensei que sabia. Uma jovem inteligente, sempre a ler. Nem todos serão tão tolerantes em relação aos seus pequenos… caprichos como o seu primo. Os livros sobre filosofia da natureza que rouba do escritório do seu pai. Isso acabará quando formos para Londres. Garanto-lhe que a Cecilia Hartwick-Ellis não suja os vestidos de lama… ou de tinta dos livros.

– Isso é só porque ela não sabe ler – murmurou Hazel para o vidro da janela da carruagem.

Lady Sinnett fungou.

– Então, dedique a cabeça ao seu destino. Já lhe dei todos os conselhos de mãe que podia dar.

Passaram o resto da viagem em silêncio. Hazel olhou para a escuridão deprimente pela janela e viu os ramos mortos a passar enquanto os cavalos as levavam para longe da cidade, em direção a casa.

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