Correr
A batalha
Pela descrição de Heródoto, depois do sacrifício de animais aos deuses a batalha foi decidida.
Milcíades ordenou que parte da tropa ateniense se concentrasse em apenas quatro fileiras centrais, enquanto os soldados restantes correriam pelas laterais com a intenção de atacar os inimigos pelos flancos. A fragilidade da formação central era um convite para que o exército persa por aí penetrasse. Ao perceber que vinham correndo em pequeno número, sem apoio de arqueiros ou cavalaria, os persas acreditaram que os adversários estavam acometidos por alguma forma de loucura desesperada.
Protegidas por seus escudos, sob a chuva de flechas persas, as linhas gregas que avançaram pelas laterais finalmente colidiram com os oponentes. O armamento pesado, de bronze, dos gregos era de qualidade muito superior às espadas inimigas. O ataque cercou os persas que invadiram pela parte central. Era a primeira vez na história militar grega que os soldados atacavam na correria, pelos flancos. Eles foram, também, os primeiros a enfrentar as vestimentas dos medos e os homens que as usavam. Até então, a simples menção ao nome “medos” bastava para apavorar os habitantes da Grécia antiga.
A letalidade das armas e a fúria do ataque pelas laterais acuaram o exército invasor, bem mais numeroso. A batalha terminou com a debandada dos soldados em pânico, na direção dos navios. Perseguidos num terreno que mal conheciam, muitos se perderam nos pântanos, afogaram-se ou foram trucidados.
Os atenienses capturaram sete dos navios. Com o resto da frota, os persas rodearam o cabo Súnio, com a intenção de atingir Atenas antes que os inimigos o fizessem. Apesar do esforço exigido pelo combate, o exército vitorioso correu com os armamentos, a toda a velocidade, os 42 quilômetros que separam Maratona de Atenas, para proteger a cidade. Quando os navios chegaram ao porto de Faleros — o porto de Atenas na época —, a armada defensora estava à espera, na praia. Depois de algum tempo, os persas levantaram âncoras e navegaram de volta para a Ásia.
No fim, o historiador contabiliza as baixas: “Na Batalha de Maratona pereceram cerca de 6400 homens do lado dos bárbaros, e 192 do lado dos atenienses”. Embora não seja possível conferir a exatidão desses números, eles dão ideia da grandeza do desastre persa.
E o que diz Heródoto dos espartanos? Logo depois da lua cheia, 2 mil espartanos chegaram a Atenas. Como estavam ansiosos para participar da luta, não levaram mais de três dias para ir de Esparta à Ática. Quando chegaram, a batalha já havia terminado. O seu desejo de ver os medos era tão grande, que se dirigiram imediatamente a Maratona para contemplá-los. Satisfeita a curiosidade, congratularam-se com os atenienses pela vitória e regressaram à pátria.
Feito glorioso da jovem democracia de Atenas, a Batalha de Maratona conferiu aos gregos uma fé em seu destino que duraria três séculos. Ela marca o início da idade de ouro de Atenas que tanto influenciou nossa cultura. Se os persas tivessem vencido, a história da civilização ocidental teria sido outra.