Correr
Repercussões pulmonares
REPERCUSSÕES
PULMONARES
A principal complicação pulmonar das maratonas é uma condição conhecida como broncoespasmo induzido pelo exercício, o qual resulta de contrações involuntárias dos pequenos músculos que controlam a abertura e o fechamento dos brônquios. A diminuição do calibre brônquico causa obstrução transitória do fluxo de ar para os pulmões, que em geral surge cinco a quinze minutos depois do começo do exercício e dura de trinta a sessenta minutos. Caracteristicamente, após um período de acalmia os sintomas podem retornar três a doze horas mais tarde.
Os espasmos brônquicos são disparados pelo resfriamento e ressecamento do ar que chega aos pulmões, durante a hiperventilação associada ao exercício. Podem acontecer em corredores saudáveis, sem história de asma ou quadros alérgicos. Na população geral, a prevalência é de 10% a 15%, números que podem variar de 10% a 50% nos atletas de elite. Estudos anteriores sugerem que depois de uma maratona a capacidade pulmonar diminui até 17%, provavelmente por causa da retenção de água (edema) nos pulmões.
Uma forma rara e mais grave desse tipo de broncoespasmo é a anafilaxia induzida pelo exercício. Os sintomas se instalam com fadiga, prurido pelo corpo, urticária, dor de cabeça e chiado no peito. O quadro pode progredir para rouquidão, falta de ar progressiva, edema de glote e choque anafilático nos casos mais extremos. Curiosamente, a complicação se dá com maior frequência em praticantes de jogging e no decorrer de caminhadas. Nozes, trigo, medicamentos (ácido acetilsalicílico, anti-inflamatórios) e temperaturas baixas são os gatilhos mais comuns das crises.
Outra causa de edema pulmonar induzido pelo exercício é a queda dos níveis de sódio na circulação (hiponatremia). A maioria dos casos de insuficiência respiratória provocada por edema pulmonar depois de maratonas ocorre em participantes com hiponatremia grave, concomitante. Nesses casos, a simples administração de sódio faz desaparecer o edema.