Corte de Névoa e Fúria

Sarah J. Maas · Capítulo 28 de 71

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Corte de Névoa e Fúria

Capítulo 26

O Attor tinha sumido momentos depois de Amarantha morrer; suspeitava-se de que tivesse fugido para o rei de Hybern. E, se estava ali, nas terras mortais...

Fiquei imóvel em seus braços, ganhando um pouco de tempo para procurar algo, qualquer coisa que pudesse usar contra ele.

— Bom — sibilou o Attor em meu ouvido. — Agora me conte...

Noite explodiu ao nosso redor.

O Attor gritou — gritou — quando aquela escuridão nos engoliu; fui largada pelos braços finos e duros, e suas unhas perfuraram minha pele. Caí de cara na neve firme e gelada.

Rolei, virando de barriga para cima, me agitando para levantar...

A luz retornou quando me agachei com a faca inclinada.

E lá estava Rhysand, prendendo o Attor contra um carvalho coberto de neve, com nada além de amarras de noite em espirais. Como aquelas que tinham esmagado a mão de Ianthe. As mãos do próprio Rhysand estavam nos bolsos, e o rosto, frio e lindo como a morte.

— Estava me perguntando para onde você teria rastejado.

O Attor estava ofegante conforme lutava contra as amarras.

Rhysand apenas atirou duas lanças de noite contra as asas do demônio. O Attor gritou quando aquelas lanças encontraram carne e se enterraram firmemente contra a casca de árvore atrás desta.

— Responda minhas perguntas e pode rastejar de volta para seu mestre — exigiu Rhys, como se estivesse perguntando a respeito do tempo.

— Vadia — disparou o Attor. Sangue prateado lhe escorreu das asas, chiando ao atingir a neve.

Rhys sorriu.

— Você se esquece de que eu me divirto muito com essas coisas. — Ele ergueu um dedo.

— Não! — O dedo de Rhys parou. — Fui enviado — disse a criatura, ofegante. — Para buscá-la — gritou o Attor.

Meu sangue gelou tanto quanto o bosque ao nosso redor.

— Por quê? — perguntou Rhys, com aquela calma casual e assustadora.

— Essa foi minha ordem. Não devo questionar. O rei a quer.

— Por quê? — insistiu Rhys. O Attor começou a gritar, dessa vez sob a força de um poder que eu não conseguia ver. Encolhi o corpo.

— Não sei, não sei, não sei. — Acreditei nele.

— Onde está o rei no momento?

— Hybern.

— Exército?

— Virá em breve.

— De que tamanho?

— Infinito. Temos aliados em todos os territórios, todos esperando.

Rhys inclinou a cabeça, como se considerasse o que perguntar a seguir. Mas ele se esticou e Azriel aterrissou na neve, lançando-a pelos ares como se fosse água em uma poça. Ele voara tão silenciosamente que nem ouvi o bater das asas. Cassian devia ter ficado na casa para defender minhas irmãs.

Não havia bondade no rosto de Azriel quando a neve baixou — a máscara imóvel do encantador de sombras do Grão-Senhor.

O Attor começou a tremer, e quase me senti mal pela criatura quando Azriel foi andando até ele. Quase... mas não senti. Não quando aqueles bosques estavam tão perto do palacete. De minhas irmãs.

Rhys foi para meu lado quando Azriel chegou ao Attor.

— Da próxima vez que tentar levá-la — falou Rhys para o Attor —, matarei primeiro; perguntarei depois.

Azriel o encarou. Rhys assentiu. Os Sifões no topo das mãos cobertas de cicatrizes se iluminaram como fogo azul ondulante quando ele as estendeu para o Attor. Antes que a criatura pudesse gritar, ela e o mestre-espião sumiram.

Não queria pensar para onde teriam ido, no que Azriel faria. Nem mesmo sabia que Azriel tinha a habilidade de atravessar, ou qualquer que fosse o poder que ele canalizara pelos Sifões. Azriel permitira que Rhys atravessasse conosco no outro dia — a não ser que o poder o exaurisse demais para ser usado tão banalmente.

— Azriel vai matá-lo? — perguntei, a respiração irregular.

— Não. — Estremeci diante do poder cru que cobria o corpo rígido de Rhysand. — Nós o usaremos para mandar uma mensagem para Hybern de que, se quiserem caçar os membros de minha corte, terão de fazer melhor que isso.

Eu me espantei; com a alegação que fizera sobre mim e com as palavras.

— Você sabia... sabia que ele estava me caçando?

— Estava curioso para saber quem a levaria assim que você estivesse sozinha.

Eu não sabia por onde começar. Então, Tamlin estava certo — em relação à minha segurança. Até certo ponto. Aquilo não desculpava nada.

— Então, jamais planejou ficar comigo enquanto eu treinava. Você me usou como isca...

— Sim, e faria de novo. Você estava segura o tempo todo.

— Deveria ter me contado!

— Talvez da próxima vez.

— Não haverá próxima vez! — Bati com a mão no peito de Rhysand, e ele cambaleou para trás um passo devido à força do golpe. Pisquei. Tinha me esquecido... esquecido daquela força durante o pânico. Assim como com a Tecelã. Tinha me esquecido do quanto eu era forte.

— Sim, esqueceu — grunhiu Rhysand, lendo a surpresa em meu rosto, aquela calma fria se dissipando. — Esqueceu dessa força e de que pode queimar e se tornar escuridão e criar garras. Você esqueceu. Você parou de lutar.

Ele não estava falando apenas do Attor. Ou da Tecelã.

E o ódio subiu dentro de mim em uma onda tão poderosa que não pensei em qualquer coisa a não ser ira: comigo mesma, com o que tinha sido forçada a fazer, o que tinha sido feito comigo, com ele.

— E daí se parei? — sibilei, e empurrei Rhys de novo. — E daí se parei?

Fiz menção de empurrá-lo de novo, mas Rhys atravessou alguns metros.

Disparei na direção dele, neve estalando sob meus pés.

— Não é fácil. — O ódio me esmagava, me cegava. Ergui os braços para golpear seu peito com as palmas das mãos...

E Rhys sumiu de novo.

Ele surgiu atrás de mim, tão perto que a respiração fez cócegas em minha orelha quando ele falou:

— Não tem ideia do quanto não é fácil.

Virei, segurando-o. Rhys sumiu antes que eu conseguisse acertá-lo, socá-lo.

Ele surgiu do outro lado da clareira, rindo.

— Tente com mais afinco.

Não podia me dobrar em escuridão e para dentro de bolsões. E se pudesse... se pudesse me transformar em fumaça, em ar e noite e estrelas, usaria isso para surgir bem diante dele e arrancar aquele sorriso de seu rosto.

Eu me movi, mesmo que fosse inútil, mesmo conforme Rhys ondulou e virou escuridão, e eu o odiei por aquilo: pelas asas e pela habilidade de se mover como névoa ao vento. Rhys surgiu a um passo de distância, e golpeei, com as mãos estendidas... com as garras estendidas...

E me choquei contra uma árvore.

Rhysand gargalhou quando ricocheteei para trás, os dentes zunindo, as garras doendo quando rasgaram a madeira. Mas eu já estava disparando quando Rhysand sumiu, disparando como se pudesse desaparecer para as dobras do mundo também, rastreá-lo pela eternidade...

Então, consegui.

O tempo ficou mais lento, e pude ver a escuridão de Rhysand se tornar fumaça e virar, como se estivesse fugindo para outro lugar na clareira. Disparei para aquele ponto, mesmo quando senti minha leveza, dobrando meu próprio ser em vento e sombra e pó, a liberdade daquilo irradiando para fora de mim, tudo isso enquanto eu mirava para onde Rhysand se dirigia...

Ele apareceu, uma figura sólida em meu mundo de fumaça e estrelas.

E seus olhos estavam arregalados, e a boca, entreaberta com um sorriso de prazer malicioso, quando atravessei para diante dele e o derrubei na neve.