Corte de Névoa e Fúria

Sarah J. Maas · Capítulo 67 de 71

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Corte de Névoa e Fúria

Capítulo 65

Aquele era algum novo tipo de inferno. Algum novo nível de pesadelo. Até cheguei a tentar me acordar.

Mas ali estavam elas: de camisola, a seda e a renda sujas, rasgadas.

Elain chorava baixinho, com uma mordaça ensopada em lágrimas. Nestha tinha os cabelos embaraçados como se tivesse lutado como um felino selvagem, e ofegava conforme nos observava. Observava o Caldeirão.

— Você cometeu um grande erro — disse o rei a Rhysand, enquanto os braços de meu parceiro estavam entrelaçados com os meus — no dia em que foi atrás do Livro. Eu não precisava dele. Estava contente por deixar que permanecesse escondido. Mas assim que suas forças começaram a xeretar... Decidi: quem melhor para ser minha conexão com o reino humano que meu amigo recém-ressuscitado, Jurian? Ele tinha acabado de passar por todos aqueles meses se recuperando do processo, e queria ver o que acontecera com o antigo lar; então, ficou mais que feliz em visitar o continente por uma longa temporada.

De fato, as rainhas sorriram para ele; fizeram uma reverência. Os braços de Rhys se retesaram em um aviso silencioso.

— O valente e esperto Jurian, que sofreu tanto no fim da Guerra, agora é meu aliado. Está aqui para me ajudar a convencer essas rainhas a ajudarem com minha causa. Por um preço, é claro, que é irrelevante aqui. E é mais inteligente trabalhar comigo, com meus homens, que permitir que vocês, monstros da Corte Noturna governem e ataquem. Jurian estava certo em avisar a Suas Majestades que você tentaria pegar o Livro, que alimentaria as rainhas com mentiras sobre amor e bondade, quando ele vira do que o Grão-Senhor da Corte Noturna era capaz. O herói das forças humanas, renascido, como um gesto ao mundo humano de minha boa-fé. Não pretendo invadir o continente, mas trabalhar com eles. Meus poderes protegeram a corte delas de olhos curiosos, apenas para mostrar os benefícios a elas. — Um risinho para Azriel, que mal conseguia erguer a cabeça para grunhir de volta. — Tentativas tão impressionantes de se infiltrar no lugar sagrado delas, encantador de sombras, e uma prova irrefutável para Suas Majestades, é claro, de que sua corte não é tão benevolente quanto parece.

— Mentiroso — sibilei, e me virei para as rainhas, ousando dar apenas um passo para longe de Rhys. — Eles são mentirosos, e, se não libertarem minhas irmãs, vou massacrar...

— Estão ouvindo as ameaças, a linguagem que usam na Corte Noturna? — disse o rei para as rainhas mortais, os guardas agora nos cercando em um semicírculo. — Massacrar, ultimatos... Eles querem acabar com a vida. Eu eu desejo dar vida.

A rainha mais velha disse ao rei, recusando-se a reconhecer minha presença, minhas palavras:

— Então, mostre, prove esse dom que mencionou.

Rhysand me puxou de volta contra si. Ele disse, em voz baixa, para a rainha:

— Você é uma tola.

O rei interrompeu.

— É mesmo? Por que se submeter à velhice e a doenças quando o que ofereço é muito melhor? Ele gesticulou com a mão em minha direção. — Juventude eterna. Você nega os benefícios? Uma rainha mortal se torna uma rainha que pode reinar para sempre. É claro que há riscos, a transição pode ser... difícil. Mas um indivíduo com força de vontade poderia sobreviver.

A rainha mais jovem, a de cabelos pretos, deu um leve sorriso. Juventude arrogante... e velhice amarga. Apenas as duas outras, aquelas que vestiam branco e preto, pareceram hesitar, aproximando-se uma da outra, e de seus guardas altos.

A rainha idosa ergueu o queixo:

— Mostre. Demonstre que pode ser feito, que é seguro. — Ela falou de juventude eterna naquele dia, me desprezou por causa disso. Vadia duas-caras.

O rei assentiu.

— Por que achou que pedi que minha boa amiga Ianthe descobrisse quem Feyre Archeron gostaria de ter consigo durante a eternidade? — Mesmo quando horror tomou conta de meus ouvidos com um silêncio avassalador, olhei para as rainhas; a pergunta, sem dúvida, estampada em meu rosto. O rei explicou: — Ah, perguntei a elas primeiro. Elas acharam muito... deselegante trair duas mulheres jovens e equivocadas. Ianthe não teve tais problemas. Considere isso meu presente de casamento para vocês — acrescentou o rei a Tamlin.

Mas o rosto de Tamlin ficou tenso.

— O quê?

O rei inclinou a cabeça, saboreando cada palavra.

— Acho que a Grã-Sacerdotisa estava esperando por seu retorno para contar, mas não perguntou por que ela acreditava que eu fosse capaz de quebrar o acordo? Por que ponderava tanto sobre o assunto? Há muitos milênios as Grã-Sacerdotisas são obrigadas a se ajoelhar perante os Grão-Senhores. E durante esses anos em que Ianthe morou naquela corte estrangeira... que mente aberta ela tem. Depois que nos conhecemos, depois que pintei a Ianthe uma imagem de Prythian sem Grão-Senhores, em que as Grã-Sacerdotisas pudessem governar com graciosidade e sabedoria... Não foi preciso muito para convencê-la.

Eu ia vomitar. Tamlin, há que se reconhecer, parecia prestes a fazer o mesmo.

O rosto de Lucien tinha ficado inexpressivo.

— Ela entregou... entregou a família de Feyre. A você.

Eu tinha contado a Ianthe tudo sobre minhas irmãs. Ela perguntara. Perguntara quem eram, onde moravam. E eu fora tão burra, estava tão quebrada... Entreguei cada detalhe.

— Entregou? — O rei riu com escárnio. — Ou salvou dos grilhões da morte mortal? Ianthe sugeriu que ambas eram mulheres com força de vontade, como a irmã. Sem dúvida sobreviverão. E provarão para nossas rainhas que pode ser feito. Se a pessoa tiver força.

Meu coração deu um salto.

— Não...

O rei me interrompeu:

— Sugiro que se preparem.

E, então, o inferno explodiu no salão.

Poder, branco, infinito, horrível, se chocou contra nós.

Tudo que vi foi o corpo de Rhysand cobrindo o meu quando fomos todos atirados ao chão, e ouvi o rompante de dor conforme ele absorveu a maior parte do poder do rei.

Cassian se contorceu, e suas asas brilharam conforme ele protegia Azriel.

As asas dele... as asas dele...

O grito de Cassian à medida que suas asas eram destruídas sob garras de pura magia foi o som mais terrível que já ouvi. Mor disparou até ele, mas era tarde demais.

Rhys se moveu em um instante, como se partisse em disparada até o rei, mas poder nos atingiu de novo, e de novo. Rhys caiu de joelhos.

Minhas irmãs gritavam, apesar das mordaças. Mas o grito de Elain... um aviso. Um aviso para...

À minha direita, agora exposta, Tamlin corria até mim. Para me agarrar, por fim.

Golpeei com uma faca contra ele... com o máximo de força possível.

Tamlin precisou se abaixar para desviar dela. E recuou da segunda faca que eu tinha em punho, me olhando boquiaberto, olhando para Rhys, como se pudesse, realmente, ver o laço da parceria entre nós.

Mas eu me virei quando os soldados avançaram, nos interrompendo. Virei e vi Cassian e Azriel no chão, e Jurian rindo baixinho para o sangue que jorrava das asas destruídas de Cassian...

Estavam em frangalhos.

Fui até ele, desajeitadamente. Meu sangue. Talvez fosse o bastante, fosse...

Mor, de joelhos ao lado de Cassian, disparou contra o rei com um grito de puro ódio.

Ele lançou um golpe de poder contra Mor. Ela desviou, com a faca inclinada na mão, e...

Azriel gritou de dor.

Mor congelou. Parou a 30 centímetros do trono. A faca caiu no chão com um clangor.

O rei ficou de pé.

— Que rainha poderosa você é — sussurrou ele.

E Mor recuou. Passo a passo.

— Que prêmio — disse o rei, com o olhar sombrio devorando Mor.

A cabeça de Azriel se ergueu de onde ele estava jogado sobre o próprio sangue, com os olhos cheios de ódio e dor quando grunhiu para o rei:

— Não toque nela.

Mor olhou para Azriel; e havia medo real ali. Medo... e outra coisa. Mor não parou de se mover até, de novo, se ajoelhar ao lado dele e pressionar o ferimento de Azriel com a mão. Ele chiou, mas cobriu os dedos ensanguentados de Mor com os próprios.

Rhys se colocou entre mim e o rei quando me ajoelhei diante de Cassian. Arranquei o couro que cobria meu antebraço...

— Coloque a mais bonita primeiro — disse o rei, Mor já esquecida.

Eu me virei, apenas para que os guardas do rei me agarrassem pelas costas. Rhys apareceu ali instantaneamente, mas Azriel gritou, arqueando as costas, conforme o veneno do rei avançava.

— Por favor, evite — disse o rei — ter ideias burras, Rhysand. — Ele sorriu para mim. — Se algum de vocês interferir, o encantador de sombras morre. Uma pena quanto às asas do outro troglodita. — O rei fez uma reverência debochada para minhas irmãs. — Senhoras, a eternidade espera. Provem para Suas Majestades que o Caldeirão é seguro para... indivíduos com força de vontade.

Sacudi a cabeça, incapaz de respirar, de pensar em uma forma de sair daquilo...

Elain tremia, chorava, conforme era empurrada para a frente. Na direção do Caldeirão.

Nestha começou a se debater contra os homens que a seguravam.

— Pare — disse Tamlin.

O rei não o fez.

Lucien, ao lado de Tamlin, levou de novo a mão à espada.

— Pare com isso.

Nestha urrava para os guardas, para o rei, conforme Elain cedia, passo a passo, na direção daquele Caldeirão. Quando o rei gesticulou com a mão, líquido encheu o Caldeirão até a borda. Não, não...

As rainhas apenas observavam, com expressões petrificadas. E Rhys e Mor, separados de mim por aqueles guardas, não ousaram sequer mover um músculo.

— Isso não é parte do acordo. Pare com isso agora — disparou Tamlin.

— Não me importo — disse o rei, simplesmente.

Tamlin se atirou contra o trono, como se fosse despedaçar o rei.

Aquela magia branca incandescente se chocou contra ele, empurrando Tamlin para o chão. Laçando-o.

Tamlin lutou contra a coleira de luz no pescoço, em volta dos pulsos. O poder dourado de Tamlin irradiou; inutilmente. Eu me debati contra o punho que segurava meu poder, rasgando-o, de novo e de novo...

Lucien deu um passo cambaleante para a frente quando Elain foi agarrada por dois guardas e erguida. Ela começou a espernear então, chorando enquanto os pés se chocavam contra as laterais do Caldeirão, como se fosse dar impulso nele, como se fosse derrubar o artefato...

— Basta. — Lucien disparou até Elain, até o Caldeirão.

E o poder do rei o laçou também. No chão, ao lado de Tamlin, com o único olho arregalado, Lucien teve o bom senso de parecer horrorizado ao olhar de Elain para o Grão-Senhor.

— Por favor — implorei ao rei, que gesticulou para que Elain fosse atirada na água. — Por favor, faço qualquer coisa. Darei qualquer coisa a você. — Eu fiquei de pé, me afastando de onde Cassian estava prostrado, e olhei para as rainhas. — Por favor, vocês não precisam de prova, eu sou prova de que funciona. Jurian é prova de que é seguro.

A rainha idosa falou:

— Você é uma ladra e uma mentirosa. Conspirou com nossa irmã. Sua punição deveria ser a mesma. Considere isso um presente.

O pé de Elain atingiu a água, e ela gritou — gritou com um terror que me atingiu tão profundamente que comecei a chorar.

— Por favor — implorei, a ninguém em particular.

Nestha ainda estava lutando, ainda rugia por baixo da mordaça.

Elain, por quem Nestha teria matado, se prostituído, roubado. Elain, que fora gentil e doce. Elain, que deveria se casar com o filho de um senhor que odiava feéricos...

Os guardas enfiaram minha irmã no Caldeirão com um único movimento.

Meu grito não tinha terminado de ressoar quando a cabeça de Elain afundou.

Ela não emergiu.

Os gritos de Nestha eram o único ruído. Cassian avançou às cegas até eles — até ela, gemendo de dor.

O rei de Hybern se curvou levemente para as rainhas.

— Vejam.

Rhys, ainda separado de mim por uma parede de guardas, fechou os dedos em punhos. Mas não se moveu, e Mor tampouco ousou se mover, não com a vida de Azriel por um fio nas mãos do rei.

E, como se tivesse sido virado por mãos invisíveis, o Caldeirão entornou.

Mais água do que parecia possível foi despejada em cascata. Água negra, coberta de fumaça.

E Elain, como se tivesse sido atirada por uma onda, foi jogada com o rosto para baixo no piso de pedra.

As pernas estavam tão pálidas, tão delicadas. Eu não conseguia me lembrar da última vez que a vira nua.

As rainhas se aproximaram. Viva, ela tinha de estar viva, precisava ter querido sobreviver...

Elain inspirou, ergueu as costas de ossos esguios, a camisola molhada estava praticamente transparente.

E quando ela se levantou do chão, apoiada nos cotovelos, com a mordaça no lugar, quando se virou para me olhar...

Nestha começou a rugir de novo.

Pele pálida começou a brilhar. O rosto de Elain tinha, de alguma forma, se tornado mais lindo — infinitamente lindo, e as orelhas... As orelhas de Elain agora eram pontiagudas sob os cabelos encharcados.

As rainhas arquejaram. E, por um momento, tudo em que pude pensar foi meu pai. O que faria, o que diria, quando a filha preferida olhasse para ele com um rosto feérico.

— Então, podemos sobreviver — sussurrou a mais jovem, de cabelos pretos, com os olhos brilhando.

Caí de joelhos, e os guardas não se deram o trabalho me pegar enquanto eu chorava. O que ele tinha feito, o que tinha feito...

— Agora, a felina selvagem, por favor — disse o rei de Hybern.

Virei a cabeça para Nestha quando ela ficou em silêncio. O Caldeirão se levantou.

Cassian se moveu, curvando-se no chão, mas a mão dele estremeceu. Na direção de Nestha.

Elain ainda estava tremendo nas pedras molhadas, a camisola puxada até a altura das coxas, os pequenos seios completamente visíveis sob o tecido ensopado. Os guardas riam.

Lucien grunhiu para o rei apesar da magia que feria seu pescoço:

— Não a deixe no maldito chão...

Um clarão de luz surgiu, e um arranhão soou, e, então, Lucien estava andando na direção de Elain, livre das amarras. Tamlin permaneceu atado ao chão, uma mordaça de magia branca iridescente na boca agora. Mas os olhos estavam sobre Lucien quando...

Quando Lucien tirou o casaco e se ajoelhou diante de Elain. Ela se encolheu para longe do casaco, dele...

Os guardas puxaram Nestha para o Caldeirão.

Havia tipos diferentes de tortura, percebi.

Havia a tortura que eu sofrera, que Rhysand sofrera.

E havia aquilo.

A tortura que Rhys trabalhara tanto durante aqueles cinquenta anos para evitar; os pesadelos que o assombravam. Ser incapaz de se mover, de lutar... enquanto nossos entes queridos são destruídos. Meus olhos encontraram os de meu parceiro. Dor ondulou naqueles olhos violeta — ódio e culpa e pura dor. O espelho de meus olhos.

Nestha lutou a cada passo.

Não facilitou para eles. Ela arranhou e chutou e se debateu.

E não foi o suficiente.

E nós não fomos o suficiente para salvá-la.

Observei quando Nestha foi erguida. Elain permaneceu estremecendo no chão, com o casaco de Lucien sobre o corpo. Ela não olhou para o Caldeirão atrás de si, não enquanto os pés agitados de Nestha se chocaram contra a água.

Cassian se agitou de novo, as asas destruídas estremecendo e jorrando sangue conforme os músculos se encolhiam. Diante dos gritos de Nestha, do ódio dela, os olhos de Cassian se arregalaram, vítreos e cegos, uma resposta a algum chamado em seu sangue, uma promessa que fizera a minha irmã. Mas dor o derrubou de novo.

Nestha foi enfiada na água até a altura dos ombros. Ela se debateu até mesmo quando a água subiu. Nestha arranhava e gritava de ódio, desafiadora.

— Afunde-a — sibilou o rei.

Os guardas, com dificuldade, empurraram os ombros magros de Nestha. Os cabelos castanho-dourados.

E, quando empurraram a cabeça de minha irmã, ela se debateu uma última vez, libertando o longo e pálido braço.

Com os dentes expostos, Nestha apontou um dedo para o rei de Hybern.

Um dedo, uma maldição e condenação.

Uma promessa.

E, quando a cabeça de Nestha foi forçada para debaixo d’água, quando aquela mão foi violentamente empurrada para baixo, o rei de Hybern teve o bom senso de parecer abalado.

Água negra subiu por um momento. A superfície ficou imóvel.

Vomitei no chão.

Os guardas, por fim, deixaram que Rhysand se ajoelhasse ao meu lado na poça crescente do sangue de Cassian — deixaram que ele me abraçasse enquanto o Caldeirão, de novo, se inclinava.

Água se derramou, Lucien ergueu Elain nos braços e para fora do caminho. As amarras de Tamlin sumiram, assim como a mordaça. Ele ficou imediatamente de pé, grunhindo para o rei. Até mesmo o punho em minha mente se afrouxou, virando uma mera carícia. Como se ele soubesse que tinha vencido.

Eu não me importava. Não quando Nestha estava jogada nas pedras.

Eu sabia que ela estava diferente.

De como quer que Elain tivesse sido Feita... Nestha estava diferente.

Mesmo antes de dar o primeiro suspiro, eu senti.

Como se o Caldeirão, ao fazê-la... tivesse sido forçado a dar mais do que queria. Como se Nestha tivesse lutado até mesmo depois de afundar, e tivesse decidido que, se era para ser arrastada para o inferno, levaria o Caldeirão consigo.

Como se aquele dedo que tinha apontado fosse agora uma promessa de morte para o rei de Hybern.

Nestha respirou. E quando olhei para minha irmã, com a beleza de alguma forma intensificada, as orelhas... Quando Nestha olhou para mim...

Ódio. Poder. Inteligência.

Então, esses sentimentos sumiram, e horror e choque lhe contorceram o rosto, mas Nestha não parou, não se deteve. Ela estava livre... estava solta.

Nestha ficou de pé, tropeçou nas pernas um pouco mais longas, mais finas, arrancou a mordaça...

Nestha se chocou contra Lucien, arrancando Elain de seus braços, e gritou para Lucien quando ele caiu para trás:

— Solte-a!

Os pés de Elain escorregaram no chão, mas Nestha a levantou, passou as mãos pelo rosto de Elain, pelos ombros, pelos cabelos...

— Elain, Elain, Elain — soluçava Nestha.

Cassian se moveu de novo... tentando se levantar, responder à voz de Nestha enquanto ela segurava minha irmã e gritava seu nome, de novo e de novo.

Mas Elain olhava por cima do ombro de Nestha.

Para Lucien cujo rosto ela finalmente vira.

Olhos castanho-escuros encararam um olho vermelho e outro metálico.

Nestha ainda chorava, ainda irradiava ódio, ainda inspecionava Elain...

As mãos de Lucien se abaixaram, inertes, ao lado do corpo.

A voz dele falhou quando Lucien sussurrou para Elain:

— Você é minha parceira.