Corte de Névoa e Fúria

Sarah J. Maas · Capítulo 59 de 71

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Corte de Névoa e Fúria

Capítulo 57

A primavera por fim chegara ao mundo humano; açafrões e narcisos despontavam da terra descongelada.

Apenas a rainha mais velha e a de cabelos dourados vieram dessa vez.

Mas foram escoltadas pelo mesmo número de guardas.

Mais uma vez, usei meu vestido marfim esvoaçante e a coroa de penas de ouro, mais uma vez estava ao lado de Rhysand quando as rainhas e as sentinelas atravessaram para a sala de estar.

Mas agora Rhys e eu dávamos as mãos — sem hesitar, uma canção sem fim ou começo.

A rainha mais velha nos observou com os olhos inteligentes, viu nossas mãos, nossas coroas, e simplesmente se sentou sem que a convidássemos a fazê-lo, arrumando a saia do vestido esmeralda em volta do corpo. A rainha dourada permaneceu de pé por mais um momento, e a cabeça reluzente e cacheada se inclinou levemente. Os lábios vermelhos se curvaram para cima quando ocupou o assento ao lado da companheira.

Rhys sequer abaixou a cabeça para elas ao dizer:

— Agradecemos por tomarem o tempo para nos ver de novo.

A rainha mais jovem apenas deu um curto aceno de cabeça, e o olhar âmbar passou para nossos amigos atrás de nós: Cassian e Azriel de cada lado das janelas recuadas, onde Elain e Nestha estavam de pé com as roupas mais finas, o jardim de Elain todo florido atrás de ambas. Os ombros de Nestha já eretos. Elain mordeu o lábio.

Mor estava do outro lado de Rhys, dessa vez usando azul-esverdeado que me lembrou das águas calmas do Sidra; a caixa ônix que continha a Veritas estava nas mãos bronzeadas.

A rainha idosa, avaliando todos nós com olhos semicerrados, soltou um suspiro.

— Depois de ter sido tão gravemente insultada da última vez... — Ela lançou um olhar incandescente na direção de Nestha. Minha irmã devolveu um olhar que era pura chama irredutível para a rainha. A idosa emitiu um estalo com a língua. — Debatemos durante muitos dias se deveríamos voltar. Como podem ver, três de nós acharam o insulto imperdoável.

Mentirosa. Culpar Nestha, tentar semear a discórdia entre nós pelo que ela tentara defender... Eu disse, com calma surpreendente:

— Se aquele foi o pior insulto que já ouviram em suas vidas, diria então que vão ficar muito chocadas quando a guerra vier.

Os lábios da mais jovem se contraíram de novo, olhos âmbar incandescentes... uma leoa encarnada. Ela me disse, ronronando:

— Então, ele conquistou seu coração no fim das contas, Quebradora da Maldição.

Encarei a rainha de volta enquanto Rhys e eu nos sentávamos em nossas poltronas; Mor passou para aquela ao meu lado.

— Não acho — comecei — mera coincidência que o Caldeirão tenha permitido que nos encontrássemos às vésperas do retorno de uma guerra entre nossos dois povos.

— O Caldeirão? E dois povos? — A rainha dourada brincou com um anel de rubi no dedo. — Nosso povo não evoca um Caldeirão; nosso povo não tem magia. Da forma como vejo, há seu povo, e o nosso. Você é pouco melhor que aqueles Filhos dos Abençoados. — Ela ergueu uma sobrancelha bem-cuidada. — O que acontece com eles quando atravessam a muralha? — A rainha inclinou a cabeça para Rhys, Cassian e Azriel. — Viram presas? Ou são usados e descartados, e deixados para envelhecer e morrer enquanto vocês permanecem jovens para sempre? Uma pena... é tão injusto que você, Quebradora da Maldição, tenha recebido o que todos aqueles tolos sem dúvida imploraram para obter. Imortalidade, juventude eterna... O que Lorde Rhysand teria feito se você envelhecesse, e ele não?

— Há um objetivo por trás de suas perguntas, além de ouvir a si mesma falar? — perguntou Rhys, impassível.

Uma risada baixa, e a rainha se voltou para a idosa, o vestido amarelo farfalhando com o movimento. A mulher mais velha apenas estendeu a mão enrugada para a caixa nos dedos finos de Mor.

— Essa é a prova que pedimos?

Não faça isso , meu coração começou a suplicar. Não mostre a elas.

Antes que Mor conseguisse sequer assentir, eu disse:

— Meu amor pelo Grão-Senhor não é prova suficiente de nossas boas intenções? A presença de minhas irmãs aqui não lhes diz nada? Há um anel de noivado de ferro no dedo de minha irmã, e, mesmo assim, ela está do nosso lado.

Elain parecia lutar contra a vontade de esconder a mão atrás da saia do vestido rosa-claro e azul, mas permaneceu altiva enquanto as rainhas a avaliavam.

— Eu diria que é prova da estupidez dela — disse a rainha dourada, com escárnio — estar noiva de um homem que odeia feéricos... e arriscar a união associando-se a vocês.

— Não julgue algo sobre o qual não sabe nada — sibilou Nestha, com um veneno silencioso.

A rainha dourada cruzou as mãos sobre o colo.

— A víbora fala de novo. — Ela ergueu as sobrancelhas para mim. — Certamente seria sábio evitar que ela participasse desta reunião.

— Ela oferece a casa e arrisca a posição social para que tenhamos as reuniões — argumentei. — Tem o direito de ouvir o que é dito. De participar como representante do povo destas terras. As duas têm.

A idosa interrompeu a mais nova antes que ela pudesse responder, e, de novo, gesticulou com aquela mão enrugada para Mor.

— Mostre, então. Prove que estamos erradas.

Rhys deu um aceno sutil de cabeça para Mor. Não... não, não era certo. Mostrar a elas, revelar o tesouro que era Velaris, que era meu lar...

Guerra é sacrifício, disse Rhys em minha mente, pela pequena fenda que eu no momento mantinha aberta para ele. Se não apostarmos Velaris, arriscamos perder Prythian... e mais .

Mor abriu a tampa da caixa preta.

A esfera de prata do lado de dentro reluziu como estrela sob um vidro.

— Esta é Veritas — falou Mor, com uma voz que era jovem e velha. — O dom de meu primeiro ancestral para nossa linhagem. Apenas algumas vezes na história de Prythian nós a usamos, nós liberamos sua verdade sobre o mundo.

Mor ergueu a esfera do ninho de veludo. Não era maior que uma maçã madura e cabia dentro das palmas das mãos em concha de Mor, como se o corpo inteiro, todo o ser de Mor tivesse sido moldado para a esfera.

— Verdade é mortal. Verdade é liberdade. Verdade pode quebrar e consertar e unir. A Veritas contém a verdade do mundo. Eu sou Morrigan — disse Mor, com os olhos não totalmente terrenos. Os pelos em meu braço se arrepiaram. — Vocês sabem que falo a verdade.

Mor colocou a Veritas no tapete entre nós. As duas rainhas se aproximaram.

Mas foi Rhys quem disse:

— Desejam prova de nossa bondade, de nossas intenções, para que possam confiar o Livro em nossas mãos? — A Veritas começou a pulsar, uma teia de luz irradiando a cada pulso. — Há um lugar em minhas terras. Uma cidade de paz. E arte. E prosperidade. Como duvido que seus guardas ousem cruzar a muralha, mostrarei a vocês, mostrarei a verdade dessas palavras, mostrarei esse lugar dentro da própria esfera.

Mor estendeu a mão, e uma nuvem pálida rodopiou da esfera, unindo-se à luz do objeto quando passou flutuando por nossos tornozelos.

As rainhas se encolheram, e os guardas se aproximaram com as mãos nas armas. Mas as nuvens continuaram fluindo conforme a verdade daquilo, de Velaris, escorria da esfera, de onde quer que se originasse, de Mor, de Rhys. Da verdade do mundo.

E, na luz cinzenta, uma imagem surgiu.

Era Velaris, vista de cima — vista por Rhys, voando para a cidade. Um grão na costa, mas, conforme ele descia, a cidade e o rio se tornaram mais nítidos, vibrantes.

Então, a imagem deu uma guinada e fez uma curva, como se Rhys tivesse voado por Velaris naquela manhã mesmo. Ela disparou entre barcos e docas, além de lares e ruas e teatros. Além do Arco-Íris de Velaris, tão colorido e lindo sob o novo sol da primavera. Pessoas, felizes e reflexivas, boas e acolhedoras, acenavam para ele. Momento após momento, imagens dos Palácios, dos restaurantes, da Casa do Vento. Tudo — toda aquela cidade secreta e impressionante. Meu lar.

E eu podia jurar que havia amor naquela imagem. Não conseguia explicar como a Veritas comunicava aquilo, mas as cores... Entendi as cores, e a luz, o que elas passavam, o que a esfera, de alguma forma, captava de qualquer que fosse a ligação com as memórias de Rhys.

A ilusão se dissipou, e cor e luz e nuvens foram puxadas de volta para dentro da esfera.

— Essa é Velaris — disse Rhys. — Durante cinco mil anos, nós a mantemos em segredo de forasteiros. E agora vocês sabem. É isso que protejo com os boatos, com os sussurros, com o medo. Por que lutei por seu povo na Guerra, apenas para dar início ao meu suposto reino de terror depois que subi ao trono e me certifiquei de que todos ouvissem as lendas a respeito disso. Mas, se o custo de proteger minha cidade e meu povo é o desprezo do mundo, então, que seja.

As duas rainhas olhavam boquiabertas para o tapete, como se pudessem ver a cidade ali. Mor pigarreou. A rainha dourada, como se Mor tivesse latido, se assustou e soltou um lenço decorado no chão. Ela se abaixou para pegá-lo, as bochechas um pouco rosadas.

Mas a idosa ergueu o olhar para nós.

— Sua confiança é... valorizada.

Esperamos.

Seus rostos ficaram severos, insensíveis. E agradeci por estar sentada quando a mais velha acrescentou, por fim:

— Vamos considerar.

— Não há tempo para considerar — replicou Mor. — Cada dia perdido é mais um que Hybern se aproxima de destruir a muralha.

— Discutiremos entre nossas companheiras e os informaremos quando nos aprouver.

— Não entendem os riscos que estão tomando ao fazer isso? — perguntou Rhys, sem um pingo de condescendência. Apenas... apenas, talvez, choque. — Precisa dessa aliança tanto quanto nós.

A rainha idosa fez um gesto com os ombros frágeis.

— Achou que ficaríamos comovidas com sua carta, sua súplica? — A mulher indicou o guarda mais próximo com o queixo, e ele levou a mão à armadura para tirar de dentro dela uma carta dobrada. A idosa leu: — Escrevo não como Grão-Senhor, mas como um macho apaixonado por uma mulher que um dia foi humana. Escrevo para implorar que aja rapidamente. Que salve seu povo, que ajude a salvar o meu. Escrevo para que um dia possamos encontrar a verdadeira paz. Para que eu possa, um dia, conseguir viver em um mundo no qual a mulher que amo possa visitar a família sem medo de ódio e reprimendas. Um mundo melhor . — A rainha soltou a carta.

Rhys escrevera a carta semanas antes... antes de nossa parceria. Não era uma exigência para que as rainhas nos encontrassem, mas uma carta de amor. Estendi a mão pelo espaço entre nós e peguei a mão dele, apertando-a suavemente. Os dedos de Rhys se apertaram sobre os meus.

Mas, então, a idosa disse:

— Quem sabe isso não é tudo alguma grande manipulação?

— O quê? — disparou Mor.

A rainha dourada assentiu em concordância e ousou dizer a Mor:

— Muitas coisas mudaram desde a Guerra. Desde suas supostas amizades com nossas ancestrais. Talvez não sejam quem dizem ser. Talvez o Grão-Senhor tenha entrado em suas mentes para nos fazer crer que você é a Morrigan.

Rhys ficou em silêncio; todos ficamos. Até que Nestha disse, baixinho:

— Essa é a conversa de mulheres loucas. De tolas arrogantes e estúpidas.

Elain tentou pegar a mão de Nestha para silenciá-la. Mas Nestha deu um passo adiante, com o rosto branco de ódio.

— Dê o Livro a eles.

As rainhas piscaram, enrijecendo o corpo.

Minha irmã disparou:

— Dê o Livro a eles.

E a rainha mais velha sibilou:

— Não.

A palavra ecoou dentro de mim.

Mas Nestha continuou e estendeu o braço, para nos indicar, indicar a sala, o mundo.

— Há pessoas inocentes aqui. Nestas terras. Se não querem arriscar as vidas contra as forças que nos ameaçam, então conceda a essas pessoas uma chance de lutar. Dê o Livro a minha irmã.

A velha emitiu um suspiro agudo pelo nariz.

— Uma evacuação pode ser possível...

— Você precisaria de dez mil navios — disse Nestha, a voz falhando. — Precisaria de uma armada. Fiz os cálculos. E, se estiver se preparando para a guerra, não enviará seus navios para nós. Estamos abandonados aqui.

A idosa segurou os braços polidos da poltrona quando se inclinou um pouco à frente.

— Então, sugiro pedir que um de seus machos alados a carregue pelo mar, garota.

Nestha engoliu em seco.

— Por favor. — Não achei que jamais ouviria aquela palavra da boca de Nestha. — Por favor, não nos abandone para enfrentar isso sozinhos.

A rainha mais velha permaneceu imóvel. Eu não tinha palavras na mente.

Tínhamos mostrado a elas... tínhamos... tínhamos feito tudo. Até mesmo Rhys estava em silêncio, o rosto, indecifrável.

Mas, então, Cassian caminhou até Nestha, e os guardas enrijeceram o corpo quando o illyriano passou por eles como se fossem talos de trigo em um campo.

Cassian observou Nestha por um longo momento. Ela ainda encarava as rainhas com raiva, os olhos cheios de lágrimas — lágrimas de ódio e desespero, daquele fogo que queimava tão violentamente por dentro. Quando Nestha finalmente reparou em Cassian, ergueu o olhar para ele.

A voz de Cassian estava rouca quando ele falou:

— Há quinhentos anos, lutei em campos de batalha não muito longe desta casa. Lutei ao lado de humanos e feéricos, sangrei ao lado deles. Ficarei de pé naquele campo de batalha de novo, Nestha Archeron, para proteger esta casa, seu povo. E não consigo pensar em forma melhor de encerrar minha existência que defender aqueles que mais precisam.

Observei uma lágrima escorrer pela bochecha de Nestha. E observei Cassian estender a mão para limpá-la.

Nestha não se encolheu ao toque.

Não sabia por que, mas olhei para Mor.

Ela estava com os olhos arregalados. Não de ciúmes, ou de irritação, mas... algo talvez parecido com assombro.

Nestha engoliu em seco e, por fim, deu as costas a Cassian. Ele encarou minha irmã por mais um momento antes de encarar as rainhas.

Sem aviso, as duas mulheres se levantaram.

Mor indagou, também de pé:

— É uma quantia que querem? Digam seu preço, então.

A rainha dourada deu um riso de escárnio quando seus guardas as cercaram.

— Temos todas as riquezas de que precisamos. Agora voltaremos a nosso palácio para deliberar com nossas irmãs.

— Vocês já vão dizer que não — insistiu Mor.

A rainha dourada deu um risinho.

— Talvez. — Ela segurou a mão enrugada da idosa.

A rainha idosa ergueu o queixo.

— Agradecemos o gesto de sua confiança.

Então, elas se foram.

Mor xingou. E olhei para Rhys, meu coração se partiu, estava prestes a indagar por que não insistira, por que não dissera mais...

Mas os olhos de Rhys estavam na poltrona na qual a rainha dourada estivera sentada.

Abaixo dela, de alguma forma escondida pela volumosa saia enquanto a mulher estava sentada, havia uma caixa.

Uma caixa... que ela devia ter removido de onde quer que a estivesse escondendo quando se abaixou para pegar o lenço.

Rhys se dera conta. Tinha parado de falar para tirar as mulheres dali o mais rápido possível.

Como e onde ela contrabandeara aquela caixa de chumbo era a menor de minhas preocupações.

Não quando a voz da segunda e última parte do Livro tomou conta da sala e cantou para mim.

Vida e morte e ressurreição

Sol e lua e escuridão

Putrefação e florescência e ossos

Oi, coisinha doce. Oi, Senhora da noite, princesa da decomposição. Oi, besta de presas e corça trêmula. Me ame, me toque, me cante.

Loucura. Enquanto a primeira metade era inteligência calculista, aquela caixa... aquilo era o caos, e a desordem, e desgovernança, alegria e desespero.

Rhys suavemente pegou a caixa e a colocou na poltrona da rainha dourada. Ele não precisou de meu poder para abri-la... porque o feitiço de nenhum Grão-Senhor estava preso a ela.

Rhys abriu a tampa. Um bilhete estava sobre o metal dourado do livro.

Li sua carta. Sobre a mulher que ama. Acredito em você. E acredito em paz.

Acredito em um mundo melhor.

Se alguém perguntar, você roubou isto durante a reunião.

Não confie nas outras. A sexta rainha não estava doente .

Só isso.

Rhys pegou o Livro dos Sopros.

Luz e escuridão e cinza e luz e escuridão e cinza...

Ele disse para minhas duas irmãs, Cassian permanecendo próximo a Nestha:

— A escolha é de vocês, senhoras, se desejam ficar aqui, ou vir conosco. Ouviram falar da situação em curso. Fizeram os cálculos a respeito de uma evacuação. — Um aceno de aprovação quando Rhys encontrou o olhar azul de Nestha. — Se escolherem ficar, uma unidade de meus soldados estará aqui em uma hora para guardar este lugar. Se desejarem vir morar conosco naquela cidade que acabamos de mostrar a elas, sugiro que façam as malas agora.

Nestha olhou para Elain, ainda em silêncio e de olhos arregalados. O chá que ela havia preparado... o chá mais fino e exótico que o dinheiro podia comprar, estava intocado na mesa.

Elain tocou o anel de ferro no dedo.

— A escolha é sua — disse Nestha, com suavidade incomum. Por ela, Nestha iria para Prythian.

Elain engoliu em seco, uma corça presa em uma armadilha.

— Eu... eu não posso. Eu...

Mas meu parceiro assentiu, carinhosamente. Com compreensão.

— As sentinelas estarão aqui, e permanecerão invisíveis e não serão sentidas. Elas se viram, não precisa se preocupar com elas. Se mudarem de ideia, uma delas estará à espera nesta sala todo dia ao meio-dia e à meia-noite para que falem. Meu lar é seu lar. As portas estão sempre abertas a vocês.

Nestha olhou de Rhys para Cassian e, depois, para mim. Desespero ainda empalidecia seu rosto, mas... ela fez uma reverência com a cabeça. E disse para mim:

— Foi por isso que pintou estrelas em sua gaveta.