Corte de Névoa e Fúria

Sarah J. Maas · Capítulo 50 de 71

Páginas do PDF

Corte de Névoa e Fúria

Capítulo 48

Aparentemente, a “estalagem” próxima não passava de pouco mais que uma taverna barulhenta, com alguns quartos para alugar — em geral por hora. E, pelo visto, não havia vagas. Exceto por um quarto minúsculo, minúsculo, no que um dia fora parte do sótão.

 

Rhys não queria que ninguém soubesse quem, exatamente, estava entre os Grão-Feéricos, os feéricos e os illyrianos, e quem mais estava hospedado na estalagem abaixo. Embora eu mal o reconhecesse quando Rhys — sem magia, sem qualquer coisa exceto ajustar a postura — calou aquela sensação de poder sobrenatural até não passar de um guerreiro illyriano comum e muito belo, nervosinho por precisar pegar o último quarto disponível, tão no alto que havia apenas uma escada estreita até ele: nenhum corredor, nenhum outro cômodo. Se eu precisasse usar o banheiro, teria de me aventurar no nível abaixo, o qual... considerando os cheiros e os sons da meia dúzia de quartos naquele nível, fiz questão de usar rapidamente quando subimos e então jurar não visitá-lo de novo até a manhã.

Um dia brincando com água e fogo e gelo e escuridão na chuva congelante tinha me exaurido tanto que ninguém me olhava, nem mesmo o mais bêbado e solitário dos clientes da taverna da cidade. A pequena cidade mal passava daquilo: um conjunto formado pela estalagem, uma alfaiataria, uma mercearia e um bordel. Tudo voltado para os caçadores, os guerreiros e os viajantes que passavam por aquela parte da floresta a caminho das terras illyrianas, ou para fora delas. Ou apenas para os feéricos que moravam ali, solitários e felizes com isso. Pequena e remota demais para que Amarantha e seu séquito sequer se importassem.

Sinceramente, não me interessava onde estávamos, contanto que fosse seco e quente. Rhys abriu a porta para nosso sótão e se afastou para me deixar passar.

Bem, pelo menos o quarto era seco.

O teto era tão rebaixado que, para chegar ao outro lado da cama, eu precisaria engatinhar pelo colchão; o quarto era tão minúsculo que era quase impossível dar a volta pela cama até o armário mínimo enfiado contra a outra parede. Eu podia facilmente sentar na cama e abrir o armário.

A cama.

— Eu pedi duas — falou Rhys, já com as mãos erguidas.

A respiração dele se condensou diante do rosto. Não havia nem mesmo uma lareira. E não havia espaço bastante para que eu sequer exigisse que Rhys dormisse no chão. Não confiei no meu domínio das chamas para tentar aquecer o quarto. Provavelmente queimaria aquela espelunca toda até o chão.

— Se não pode arriscar usar magia, então precisaremos aquecer um ao outro — falei, e imediatamente me arrependi. — Calor do corpo — esclareci. E, só para tirar aquele olhar do rosto dele, acrescentei: — Minhas irmãs e eu precisávamos dividir uma cama, estou acostumada.

— Vou tentar segurar as mãos.

Minha boca ficou um pouco seca.

— Estou com fome.

Rhys parou de sorrir ao ouvir isso.

— Vou descer e pegar comida para nós enquanto você se troca. — Ergui uma sobrancelha. Rhys falou: — Por mais que minhas habilidades de me misturar sejam notáveis, meu rosto é reconhecível. Prefiro não ficar lá embaixo por tempo suficiente para ser notado. — De fato, ele tirou um manto da sacola e o vestiu, as faixas verticais cobriram as asas, as quais Rhys não arriscaria fazer sumirem de novo. Ele usara poder mais cedo naquele dia, muito pouco, dissera, para talvez não ser notado, mas não voltaríamos para aquela parte da floresta tão cedo.

Rhys vestiu o capuz, e me deliciei com as sombras, a ameaça e as asas.

Morte em asas ligeiras. Era como eu chamaria a pintura.

Rhys falou, baixinho:

— Adoro quando você me olha assim.

O ronronar na voz aqueceu meu sangue.

— Como?

— Como se meu poder não fosse algo do qual fugir. Como se você me visse realmente.

E para um macho que tinha crescido sabendo que era o Grão-Senhor mais poderoso da história de Prythian, que podia destruir mentes se não tomasse cuidado, que estava sozinho, sozinho com aquele poder, aquele fardo, que o medo era sua arma mais poderosa contra as ameaças a seu povo... Eu acertei em cheio quando brigamos, depois da Corte dos Pesadelos.

— Tive medo de você a princípio.

Os dentes brancos de Rhys brilharam nas sombras do capuz.

— Não teve não. Nervosa, talvez, mas jamais sentiu medo. Já senti o terror genuíno em pessoas suficientes para saber a diferença. Talvez por isso eu não conseguisse ficar longe.

Quando? Antes que eu pudesse perguntar, Rhys desceu as escadas, fechando a porta atrás de si.

Foi um suplício tirar minhas roupas semicongeladas, pois se agarravam à pele molhada de chuva, e me choquei contra o teto rebaixado, contra as paredes próximas, e bati com o joelho no mastro de latão da cama enquanto me trocava. O quarto estava tão frio que precisei me despir aos poucos: troquei uma camisa congelada por uma seca, a calça, por legging com forro de lã, e as meias ensopadas, por meiões de crochê espessos, feitos à mão, que subiam até as canelas. Quando vesti um suéter grande demais que tinha um leve cheiro de Rhys, sentei de pernas cruzadas na cama e esperei.

A cama não era pequena, mas certamente não era grande o bastante para que eu fingisse que não estaria dormindo ao lado dele. Principalmente com as asas.

A chuva pingava no telhado a pouco centímetros de onde eu estava: uma batida constante para os pensamentos que agora latejavam em minha mente.

Só o Caldeirão sabia o que Lucien estava relatando a Tamlin, provavelmente naquele exato momento, se não horas antes.

Eu tinha mandado aquele bilhete a Tamlin... e ele decidiu ignorá-lo. Assim como ignorara ou rejeitara quase todos os meus pedidos, agira de acordo com aquele senso iludido do que ele acreditava ser certo para meu bem-estar e minha segurança. E Lucien estava preparado para me levar contra a vontade.

Machos feéricos eram territoriais, dominantes, arrogantes — mas aqueles na Corte Primaveril... tinha algo de podre em seu treinamento. Porque eu sabia — bem no fundo — que Cassian podia insistir e testar meus limites, mas, assim que eu dissesse não, ele recuaria. E eu sabia que se... se eu estivesse definhando e Rhys não fizesse nada para impedir, Cassian ou Azriel teriam me salvado. Eles teriam me levado para algum lugar — onde quer que eu precisasse estar — e lidado com Rhys depois.

Mas Rhys... Rhys jamais teria não visto o que acontecia comigo; jamais estaria tão errado, seria tão arrogante ou autocentrado. Ele sabia o que Ianthe era desde o momento em que a conheceu. E entendia como era ser uma prisioneira, e estar indefesa, e lutar — todos os dias — contra os horrores de ambos.

Eu amara o Grão-Senhor que tinha me mostrado os confortos e as maravilhas de Prythian; amara o Grão-Senhor que me deixou ter tempo e comida e segurança para pintar. Talvez uma pequena parte de mim sempre se importasse com ele, mas... Amarantha nos quebrara, aos dois. Ou me quebrara tanto que quem ele era não parecia mais adequado.

E eu podia me libertar disso. Podia aceitar isso. Talvez fosse difícil por um tempo, mas... talvez melhorasse.

Os pés de Rhys eram quase silenciosos, delatados apenas pelo leve rangido das escadas. Fiquei de pé para abrir a porta antes que ele pudesse bater, e o vi ali, parado, com uma bandeja em mãos. Nela havia duas pilhas de pratos cobertos, além de duas taças, uma garrafa de vinho e...

— Diga que esse cheiro é de ensopado. — Inspirei, saí da frente e fechei a porta enquanto Rhys colocava a bandeja na cama. Certo... não havia nem mesmo espaço para uma mesa ali.

— Ensopado de coelho, se é que podemos acreditar no cozinheiro.

— Eu podia viver sem ouvir isso — falei, e Rhys sorriu. Aquele sorriso deu um puxão em algo no fundo de meu estômago, e virei o rosto, sentando ao lado da comida, com o cuidado de não agitar a bandeja. Tirei a tampa dos pratos de cima: duas tigelas de ensopado. — O que é o outro prato aqui embaixo?

— Torta de carne. Não ousei perguntar que tipo de carne. — Olhei para Rhys com raiva, mas ele já estava dando a volta na cama, até o armário, com sua bagagem na mão. — Pode comer — falou Rhys. — Vou trocar de roupa primeiro.

De fato, ele estava ensopado; e só podia estar congelado e dolorido.

— Você deveria ter trocado de roupa antes de descer. — Peguei a colher e revirei o ensopado, suspirando ao ver as espirais quentes de vapor que se ergueram para beijar meu rosto frio.

O farfalhar e os ruídos de roupas molhadas sendo tiradas preencheu o quarto. Tentei não pensar naquele peito nu, bronzeado, nas tatuagens. Nos músculos firmes.

— Foi você quem passou o dia treinando. Trazer uma refeição quente era o mínimo que eu podia fazer.

Tomei um pouco do ensopado. Insípido, porém comestível e, mais importante, quente. Comi em silêncio, ouvindo o farfalhar das roupas de Rhys sendo trocadas, tentando pensar em banhos frios, ou feridas infeccionadas, ou micoses — qualquer coisa, menos o corpo nu, tão perto... e a cama na qual eu estava sentada. Servi uma taça de vinho para mim, e depois enchi a dele.

Por fim, Rhys se espremeu entre a cama e o canto da parede que se projetava para fora, as asas bem recolhidas. Rhys usava calça larga e fina, e uma camisa justa do que parecia ser o algodão mais macio.

— Como a passa por cima das asas? — perguntei, enquanto Rhys devorava o próprio ensopado.

— As costas são feitas com fendas que se fecham com botões escondidos... mas em circunstâncias normais, eu apenas uso magia.

— Parece que você tem muita magia em uso constante de uma vez.

Um gesto de ombros.

— Me ajuda a trabalhar o controle sobre o poder. A magia precisa de alívio, drenagem, ou se acumula e me deixa louco. Por isso chamamos as pedras illyrianas de Sifões: elas ajudam a canalizar o poder, a esvaziá-lo quando necessário.

— Louco de verdade? — Afastei a tigela vazia de ensopado e retirei a tampa da torta de carne.

— Louco de verdade. Ou é o que me avisaram. Mas posso sentir o puxão se ficar muito tempo sem liberar o poder.

— Isso é horrível.

Outro gesto de ombros.

— Tudo tem seu custo, Feyre. Se o preço de ser forte o bastante para proteger meu povo é precisar lutar com esse mesmo poder, então, não me importo. Amren me ensinou o suficiente sobre como controlá-lo. O suficiente para que eu deva muito a ela. Inclusive o escudo atual sobre minha cidade enquanto estamos aqui.

Todos ao redor de Rhys tinham alguma utilidade, alguma habilidade poderosa. Mas ali estava eu... nada mais que uma estranha híbrida. Mais problema do que valia a pena.

— Não é — contestou Rhys.

— Não leia meus pensamentos.

— Não posso evitar o que você às vezes grita pela ligação. E, além disso, tudo costuma estar estampado em seu rosto, se souber onde procurar. O que tornou sua atuação hoje muito mais impressionante.

Rhys deixou o ensopado de lado quando terminei de devorar minha torta de carne e deslizei para trás na cama, até os travesseiros, segurando a taça de vinho entre as mãos frias. Observei-o comer enquanto eu bebia.

— Achou que eu iria com ele?

Rhys parou no meio de uma garfada e, então, abaixou o garfo.

— Ouvi cada palavra entre vocês. Eu sabia que podia cuidar de si, mas... — Rhys retornou à torta, engolindo uma mordida antes de continuar: — Mas me vi decidindo que, se você tomasse a mão dele, eu encontraria uma forma de viver com isso. Seria sua escolha.

Bebi o vinho.

— E se ele tivesse me agarrado?

Não havia nada além de força de vontade irredutível nos olhos de Rhys.

— Então, eu teria destruído o mundo para resgatá-la.

Um calafrio percorreu minha espinha, e não pude tirar os olhos dele.

— Eu teria disparado a flecha — sussurrei. — Se ele tivesse tentado ferir você.

Eu não admitira aquilo nem para mim mesma.

Os olhos de Rhys brilharam.

— Eu sei.

Ele terminou de comer, colocou a bandeja vazia no canto e me encarou na cama, enchendo meu copo antes de cuidar do dele. Rhys era tão alto que precisava se abaixar para não bater com a cabeça no teto rebaixado.

— Um pensamento em troca de outro — sugeri. — Sem treinamento envolvido, por favor.

Uma risada rouca saiu de Rhys, e ele esvaziou a taça, apoiando-a na bandeja.

Rhys me observou tomar um longo gole.

— Estou pensando — disse ele, seguindo o movimento de minha língua no lábio inferior — que olho para você e me sinto como se eu estivesse morrendo. Como se não conseguisse respirar. Estou pensando que a quero tanto que não consigo me concentrar na metade do tempo que estou com você, e este quarto é pequeno demais para que eu me deite com você direito. Principalmente com as asas.

Meu coração deu um salto. Não sabia o que fazer com os braços, as pernas, o rosto. Bebi o restante do vinho e larguei a taça ao lado da cama, tomando coragem ao dizer:

— Estou pensando que não consigo parar de pensar em você. E me sinto assim há muito tempo. Mesmo antes de eu deixar a Corte Primaveril. E talvez isso me torne um lixo traidor e mentiroso, mas...

— Não torna — garantiu Rhys, o rosto sério.

Mas tornava. Eu queria ver Rhysand durante aquelas semanas entre as visitas. E não me importei quando Tamlin parou de visitar meu quarto. Tamlin tinha desistido de mim, mas eu também desistira dele. E era um lixo mentiroso por causa disso.

— Deveríamos ir dormir — murmurei.

O barulho da chuva foi o único som durante um bom tempo antes de Rhysand dizer:

— Tudo bem.

Eu engatinhei por cima da cama, até o lado quase enfiado contra o teto rebaixado, e me enfiei debaixo da colcha. Lençóis frios e ásperos me envolveram como a mão fria de alguém. Mas meu tremor vinha de outra coisa, totalmente diferente, conforme o colchão se movia, o cobertor se agitava e, então, as duas velas ao lado da cama se apagavam.

Escuridão me atingiu no mesmo momento em que o calor do corpo de Rhys veio. Foi difícil não me arrastar até ele. Nenhum de nós se moveu, no entanto.

Encarei a escuridão, ouvindo aquela chuva gélida, tentando roubar o calor de Rhys.

— Está tremendo tanto que a cama está sacudindo — disse ele.

— Meu cabelo está molhado — expliquei. Não era mentira.

Rhys ficou calado, e então o colchão rangeu, afundando diretamente atrás de mim quando seu calor me envolveu.

— Nenhuma expectativa — falou Rhys. — Apenas calor corporal. — Fiz uma careta para a risada em sua voz.

Mas as mãos largas de Rhys deslizaram por baixo e por cima de mim: uma espalmada contra minha barriga e me puxando contra seu calor firme, a outra deslizando sob as costelas e os braços para envolver meu peito, pressionando a frente de Rhys contra mim. Ele entrelaçou as pernas nas minhas, e depois uma escuridão mais pesada e mais quente se assentou sobre nós, com cheiro de algo cítrico e de mar.

Ergui a mão na direção daquela escuridão e toquei um material macio, sedoso — a asa de Rhys, me encasulando e aquecendo. Passei o dedo por ela, e Rhys estremeceu, e os braços me apertaram.

— Seu dedo... está muito frio — disse Rhys, com os dentes trincados, as palavras quentes em meu pescoço.

Tentei não sorrir, mesmo quando inclinei um pouco mais o pescoço, esperando que o calor da respiração de Rhys pudesse acariciá-lo de novo. Arrastei o dedo por sua asa, e a unha raspou suavemente contra a superfície lisa. Rhys ficou tenso, e a mão se abriu em meu estômago.

— Coisinha cruel e travessa — ronronou Rhys, o nariz roçando a parte exposta de pescoço que eu tinha arqueado sob ele. — Ninguém lhe ensinou modos?

— Não sabia que os illyrianos eram bebês tão sensíveis — comentei, deslizando outro dedo pelo interior da asa de Rhys.

Algo duro pressionou minha bunda. Calor tomou conta de meu corpo, e fiquei tensa e relaxada ao mesmo tempo. Acariciei a asa de Rhys de novo, agora com dois dedos, e ele estremeceu contra minhas costas ao ritmo da carícia.

Os dedos que Rhys tinha aberto sobre minha barriga começaram a fazer carícias suaves e preguiçosas. Rhys girou um em volta de meu umbigo, e eu me aproximei imperceptivelmente, roçando o corpo contra o dele, me arqueando um pouco mais, para dar àquela outra mão acesso aos meus seios.

— Gananciosa — murmurou Rhys, os lábios hesitantes sobre meu pescoço. — Primeiro, você me aterroriza com as mãos frias, agora você quer... o que você quer, Feyre?

Mais, mais, mais, quase implorei a Rhys conforme seus dedos percorriam a curva de meus seios, enquanto a outra mão continuava as carícias preguiçosas na altura da barriga, do abdômen, devagar — tão devagar — seguindo na direção do cós baixo de minha calça e do desejo que se acumulava abaixo deste.

Os dentes de Rhysand roçaram contra meu pescoço em uma carícia demorada.

— O que você quer, Feyre? — Rhys mordiscou minha orelha.

Dei um gritinho, arqueando totalmente o corpo contra ele, como se pudesse fazer com que aquela mão deslizasse exatamente para onde eu queria. Sabia o que Rhys queria que eu dissesse. Não daria a ele essa satisfação. Ainda não.

Então, eu disse:

— Quero uma distração. — Saiu sem fôlego. — Eu quero... diversão.

O corpo de Rhys ficou tenso de novo atrás de mim.

E me perguntei se ele, de alguma forma, não via aquilo pela mentira que era; se achava... se achava que era realmente tudo que eu queria.

Mas as mãos de Rhys retomaram as carícias.

— Então, me permita o prazer de distraí-la.

Rhys passou a mão por baixo da parte de cima de meu suéter, mergulhando direto sob a blusa. Pele com pele, os calos das mãos me fizeram gemer conforme roçaram no alto de meu seio e circularam meu mamilo firme.

— Amo esses — sussurrou Rhys, em meu pescoço, com a mão deslizando para meu outro seio. — Não tem ideia do quanto os amo.

Gemi quando Rhys acariciou meu mamilo com o nó do dedo, e me entreguei ao toque, silenciosamente implorando. Rhys estava duro como granito atrás de mim, e eu esfreguei o corpo no dele, o que fez com que Rhys soltasse um chiado baixo e malicioso.

— Pare com isso — grunhiu ele contra minha pele. — Vai estragar minha diversão.

Eu não faria tal coisa. Comecei a me virar, buscando Rhys, precisando apenas senti-lo, mas ele emitiu um estalo com a língua e empurrou o corpo com mais força contra o meu, até que não restasse espaço para minha mão sequer deslizar.

— Quero tocá-la primeiro — falou Rhys, com a voz tão gutural que mal a reconheci. — Apenas... me deixe tocar você. — Rhys espalmou meu seio para enfatizar.

Foi uma súplica tão partida que parei, cedendo quando a outra mão de Rhys, de novo, traçou linhas em minha barriga.

Não consigo respirar quando olho para você.

Me deixe tocá-la.

Porque eu estava com ciúmes e irritado...

Ela é minha.

Afastei os pensamentos, os fragmentos que Rhys me lançava.

Ele deslizou o dedo pelo cós de minha calça de novo, um gato brincando com o jantar.

De novo.

De novo.

— Por favor! — Eu consegui dizer.

Rhys sorriu contra meu pescoço.

— Aí estão seus modos. — Sua mão, por fim, desceu sob minha calça. O primeiro toque de Rhys contra mim me arrancou um gemido do fundo da garganta.

Ele grunhiu com satisfação pela umidade que encontrou esperando, e o polegar circulou por aquele ponto no ápice de minhas coxas, provocando, roçando para cima, contra ele, mas sem chegar a...

A outra mão de Rhys suavemente pressionou meu seio ao mesmo tempo em que o polegar desceu até onde eu queria. Empinei o quadril, minha cabeça estava totalmente para trás contra o ombro de Rhys agora, sem fôlego enquanto o polegar dele esfregava...

Soltei um gritinho, e Rhys gargalhou, uma gargalhada grave e baixa.

— Assim?

Um gemido foi minha única resposta. Mais mais mais.

Os dedos de Rhys deslizaram para baixo, lentos e diretos, até meu centro, e cada ponto de meu corpo, minha mente, minha alma se contraiu diante da sensação dos dedos dele ali, como se tivessem todo o tempo do mundo.

Desgraçado.

— Por favor — pedi, de novo, e empinei a bunda em sua direção para enfatizar.

Rhys chiou ao sentir o toque e deslizou um dedo para dentro de mim. Ele xingou.

— Feyre...

Mas eu já tinha começado a me mover contra ele, e Rhys xingou de novo, com uma exalação longa. Os lábios pressionaram meu pescoço, beijando mais e mais para cima, na direção de minha orelha.

Soltei um gemido tão alto que abafou a chuva conforme Rhys deslizou um segundo dedo para dentro, me preenchendo de tal forma que não consegui pensar em mais nada, não consegui respirar.

— Isso — murmurou ele, e percorreu minha orelha com os lábios.

Eu estava cansada de meu pescoço e minha orelha ganharem tanta atenção. Eu me virei o máximo que consegui, e vi Rhys me encarando, encarando a mão na frente de minha calça, observando eu me aproximar.

Rhys ainda me encarava quando peguei a boca dele na minha, mordendo seu lábio inferior.

Rhys gemeu, mergulhando os dedos mais profundamente. Com mais força.

Não me importava; não me importava nem um pouco com o que e quem eu era e onde tinha estado quando me entreguei totalmente a ele, abrindo a boca. A língua de Rhys entrou, movendo-se de uma forma que me dizia exatamente o que ele faria se estivesse entre minhas pernas.

Os dedos de Rhys mergulhavam e saíam, devagar e com força, e minha própria existência pareceu se resumir àquela sensação, à tensão em mim que subia a cada carícia profunda, a cada impulso equivalente da língua em minha boca.

— Você não tem ideia do quanto eu... — Rhys se interrompeu, e gemeu de novo. — Feyre.

O som de meu nome em seus lábios me desfez. O alívio desceu por minha espinha, e gritei, apenas para que os lábios de Rhys cobrissem os meus, como se ele pudesse devorar o som. A língua de Rhys roçou o céu de minha boca enquanto eu estremecia em volta dele, retesando o corpo. Rhys xingou de novo, respirando com dificuldade, enquanto os dedos me acariciavam durante os últimos tremores, até que eu estivesse inerte e trêmula em seus braços.

Eu não conseguia tomar fôlego suficiente, rápido o suficiente, e Rhys tirou os dedos, recuando para eu pudesse encará-lo. Ele disse:

— Eu queria fazer isso quando senti o quanto você estava encharcada na Corte dos Pesadelos. Queria tomar você bem ali, no meio de todos. Mas, principalmente, só queria fazer isso. — Os olhos de Rhys encararam os meus quando ele levou aqueles dedos à boca e chupou.

Meu gosto.

Eu o comeria vivo. Deslizei a mão pelo peito de Rhys para prendê-lo na cama, e ele segurou meu pulso.

— Quando você me lamber — disse ele, com a voz rouca —, quero estar sozinho, muito longe de todos. Porque quando você me lamber, Feyre — falou Rhys, dando beijos breves em meu maxilar, meu pescoço —, vou me deixar rugir alto o bastante para derrubar uma montanha.

Imediatamente, me liquefiz de novo, e Rhys gargalhou baixo.

— E quando lamber você — disse ele, deslizando os braços ao meu redor e me puxando para junto do corpo —, quero que esteja deitada em uma mesa como meu banquete pessoal.

Solucei.

— Tive muito, muito tempo para pensar em como e onde quero isso — continuou Rhys, contra a pele de meu pescoço, os dedos deslizaram sob o cós de minha calça, mas pararam logo abaixo. O lar deles naquela noite. — Não tenho intenção alguma de fazer tudo em uma noite. Ou em um quarto onde nem consiga trepar com você contra a parede.

Estremeci. Rhys permanecia longo e duro contra mim. Eu precisava sentir, precisava colocar todo aquele tamanho dentro de mim...

— Durma — disse Rhys. Ele poderia muito bem ter me mandado respirar debaixo d’água.

Mas ele começou a acariciar meu corpo de novo; não para excitar, mas para acalmar, carícias longas e lascivas por minha barriga, pelas laterais do corpo.

O sono me encontrou mais rápido do que pensei.

E talvez fosse o vinho, ou a consequência do prazer que Rhys arrancara de mim, mas não tive sequer um pesadelo.