Corte de Névoa e Fúria

Sarah J. Maas · Capítulo 58 de 71

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Corte de Névoa e Fúria

Capítulo 56

Rhys atravessou conosco até o acampamento illyriano. Não ficaríamos tempo o suficiente para corrermos riscos — e com dez mil guerreiros illyrianos nos cercando nos diversos picos, Rhys duvidava que alguém seria burro o suficiente para atacar.

Tínhamos acabado de aparecer na lama do lado de fora da pequena casa quando Cassian disse, atrás de nós:

— Bem, já estava na hora.

O grunhido selvagem e descontrolado que Rhys emitiu era diferente de tudo que eu tinha ouvido, e segurei seus braços quando ele se virou para Cassian.

Cassian olhou para Rhys e riu.

Mas os guerreiros illyrianos no acampamento começaram a levantar voo, levando mulheres e crianças com eles.

— Viagem difícil? — Cassian prendeu o cabelo preto com uma faixa de couro desgastada.

Silêncio sobrenatural agora escorria de Rhys, de onde o grunhido tinha disparado apenas momentos antes. E para não ver Rhys transformar o acampamento em ruínas, eu disse:

— Quando ele esmagar seus dentes para dentro da boca, Cassian, não venha chorando até mim.

Cassian cruzou os braços.

— O laço da parceria está deixando você irritadinho, Rhys?

Rhys não respondeu.

Cassian riu.

— Feyre não parece muito cansada. Talvez ela possa me montar...

Rhys explodiu.

Asas e músculos e dentes estalando, e os dois saíram rolando pela lama, punhos pelos ares, e...

E Cassian sabia exatamente o que estava dizendo e fazendo, percebi, quando chutou Rhys de cima dele, pois Rhys não tocou naquele poder que poderia ter derrubado as montanhas.

Ele vira a ansiedade nos olhos de Rhys e soube que precisava liberá-la antes de prosseguirmos.

Rhys também sabia. Por isso ele atravessou para lá primeiro... e não para Velaris.

Eram uma visão e tanto, dois illyrianos lutando na lama e nas pedras, ofegantes, cuspindo sangue. Nenhum dos outros illyrianos ousou pousar.

E não pousariam, percebi, até que Rhys tivesse acalmado o temperamento... ou deixado o acampamento de vez. Se o macho comum precisava de uma semana para se ajustar... O que seria preciso de Rhysand? Um mês? Dois? Um ano?

Cassian gargalhou quando Rhys lhe acertou um soco no rosto, e sangue jorrou. Cassian devolveu o soco, e encolhi o corpo quando a cabeça de Rhys disparou para o lado. Tinha visto Rhys lutar antes, controlado e elegante, e o vira com raiva, mas nunca tão... selvagem.

— Eles vão ficar nessa por um tempo — disse Mor, encostada ao portal da casa. Ela mantinha a porta aberta. — Bem-vinda à família, Feyre.

E achei que aquelas poderiam ser as palavras mais lindas que eu já ouvira.

 

Rhys e Cassian passaram uma hora se socando até a exaustão, e, quando voltaram arrastando os pés para a casa, ensanguentados, imundos, bastou apenas um olhar para meu parceiro para que eu desejasse seu cheiro e sensação.

Cassian e Mor imediatamente encontraram outro lugar para ir, e Rhys não se incomodou em tirar completamente minhas roupas antes de me curvar sobre a mesa da cozinha e me fazer gemer seu nome alto o bastante para que os illyrianos que ainda circundavam os céus nos ouvissem.

Mas, quando terminamos, a tensão nos ombros de Rhys e aquela contida nos olhos tinham sumido... E uma batida à porta de Cassian fez com que Rhys me entregasse um pano úmido para que eu me limpasse. Um momento depois, nós quatro tínhamos atravessado para a música e a luz de Velaris.

Para casa.

 

O sol mal tinha se posto quando Rhys e eu caminhamos de mãos dadas para a sala de jantar da Casa do Vento e encontramos Mor, Azriel, Amren e Cassian já sentados. Esperando por nós.

Ao mesmo tempo, eles se levantaram.

Ao mesmo tempo, olharam para mim.

Ao mesmo tempo, fizeram uma reverência.

Foi Amren quem disse:

— Vamos servir e proteger.

Cada um levou a mão ao coração.

Esperando... por minha resposta.

Rhys não havia me avisado, e me perguntei se as palavras deveriam vir de meu coração, ditas sem segundas intenções ou ardis. Então, eu as disse.

— Obrigada — agradeci, desejando que minha voz fosse firme. — Mas preferiria se fossem meus amigos antes da servidão e da proteção.

Mor falou, piscando um olho:

— Nós somos. Mas vamos servir e proteger.

Meu rosto corou, e sorri para eles. Minha... família.

— Agora que isso está definido — disse Rhys, atrás de mim —, podemos, por favor, comer? Estou morto de fome. — Amren abriu a boca com um sorriso sarcástico, mas ele acrescentou: — Não diga o que estava prestes a dizer, Amren. — Rhys lançou um olhar afiado a Cassian. Os dois ainda estavam cheios de hematomas, mas se curavam rápido. — A não ser que queira resolver isso no telhado.

Amren emitiu um estalo com a língua e me apontou com o queixo.

— Ouvi dizer que você criou presas na floresta e matou umas bestas hybernianas. Bom para você, garota.

— Na verdade, ela salvou a pele dele — revelou Mor, enchendo a taça de vinho. — O pobrezinho do Rhys acabou amarrado.

Ergui minha taça para que Mor a enchesse.

— Ele precisa mesmo ser excepcionalmente paparicado.

Azriel engasgou com o vinho e me encarou: com o olhar acolhedor, para variar. Até mesmo suave. Senti Rhys ficar tenso ao meu lado, e rapidamente desviei o rosto do mestre-espião.

Um olhar para a culpa nos olhos de Rhys me disse que ele estava arrependido. E lutava contra aquilo. Tão estranho, os Grão-Feéricos com as parcerias e os instintos primitivos. Tão destoante das tradições antigas e de seus ensinamentos.

Partimos para as terras mortais logo depois do jantar. Mor levou a esfera; Cassian carregou Mor, Azriel voou perto, e Rhys... Rhys me carregou firme, os braços fortes e determinados em volta de mim. Ficamos em silêncio conforme disparamos sobre a água escura.

Conforme seguíamos a fim de mostrar às rainhas o segredo que todos haviam sofrido tanto, por tanto tempo, para guardar.