Corte de Névoa e Fúria
Capítulo 27
Eu estava ofegante, caída sobre Rhysand na neve enquanto ele dava uma gargalhada rouca.
— Nunca — grunhi para o rosto dele — mais — empurrei os ombros duros como rochas de Rhys, e as garras se curvaram nas pontas de meus dedos — me use como isca.
Rhys parou de rir.
Eu empurrei com mais força, aquelas unhas se enterraram na pele dele.
— Você disse que eu poderia ser uma arma... me ensine a virar uma. Não me use como um peão. E caso ser um peão seja parte de meu trabalho para você, então, chega. Chega.
Apesar da neve, o corpo de Rhys estava quente sob mim, e não tinha certeza de que eu entendia o quanto ele era maior até que nossos corpos estivessem nivelados — perto demais. Muito, muito perto.
Rhys inclinou a cabeça, soltando um bolo de neve preso no cabelo.
— É justo.
Empurrei Rhys para sair de cima dele, e a neve estalou quando recuei. Minhas garras tinham sumido.
Rhys se apoiou nos cotovelos.
— Faça isso de novo. Me mostre como conseguiu.
— Não. — A vela que Rhys tinha levado estava em pedaços, meio enterrada sob a neve. — Quero voltar ao palacete. — Estava com frio, cansada, e ele...
O rosto de Rhys ficou sério.
— Desculpe.
Imaginei com que frequência ele dizia aquela palavra. Não me importei.
Esperei Rhys se levantar, limpar a neve do corpo e estender a mão.
Não era apenas uma oferta.
Você se esqueceu, dissera Rhysand. E eu tinha.
— Por que o rei de Hybern me quer? Porque sabe que posso anular o poder do Caldeirão com o Livro?
Escuridão lampejou, o único sinal do temperamento que Rhysand tinha, de novo, domado.
— É o que vou descobrir.
Você parou de lutar .
— Desculpe — repetiu ele, ainda com a mão estendida. — Vamos tomar café da manhã e depois ir para casa.
— Velaris não é minha casa.
Eu podia jurar que mágoa percorreu os olhos de Rhys antes que ele nos atravessasse de volta para a casa de minha família.