Dexter: Em Cena

Jeff Lindsay · Capítulo 36 de 38

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Dexter: Em Cena

Capítulo 34

 

QUANDO CHEGUEI AO MEU CARRO, AINDA NÃO SABIA PARA ONDE IR. Isso parecia bastante adequado ao retardado completo em que eu havia me transformado; sem ideias, sem objetivos, sem esperança. O Avatar da Idiotice. Sem ter a menor ideia de para onde ir, apenas uma necessidade premente de ir rapidamente para lá. Então, naturalmente, eu só me sentei em meu carro e apoiei a testa no volante. Não era muita coisa, mas pelo menos isso não estava acabando com ninguém por perto de mim.

Como isso poderia ser eu? Como tanta confiança calma e capaz poderia se transformar neste monte patético de partes de corpo usadas e destituídas de cérebro? Dexter, o Debiloide, que havia despreocupadamente apresentado Astor a um pedófilo e encorajado os dois a brincar juntos; Dexter, o Demente, que fez tudo para que Jackie fosse morta e depois a deixou sozinha com o assassino – um assassino que tinha estado bem debaixo do meu nariz por mais de uma semana, e eu nunca tive a menor indicação. Dexter, o Destruidor, que deixou atrás de si sofrimento e miséria e morte e seguiu alegremente em frente, sem ter consciência do que ficava para trás – e, aparentemente, de tudo que estava à sua frente também. Tinha sido pura sorte eu não me estrangular enquanto tentava dar o laço nos meus sapatos.

E eu nem conseguia acreditar que isso era uma aberração, um desvio precipitado de um caminho bem trilhado de astúcia. Eu tinha ferrado tudo que estava ao meu redor sem fazer o menor esforço, com tanta naturalidade e tão completamente, que tinha de acreditar que esse era o Eu real que finalmente subia à tona. Eu tivera sorte por muito tempo, nunca percebendo mesmo a ameba que eu realmente era, mas minha sorte finalmente tinha acabado, e cá estava eu, prisioneiro do pior Eu possível, em uma circunstância em que precisava ser a bem calibrada e inteligente máquina de destruição que sempre tinha sido antes, ainda que fosse somente na minha imaginação.

E então, com o mundo desabando ao meu redor em chamas, cá estava eu, sentado imóvel em meu carro, massageando a minha testa e conjecturando para onde tinham ido todos os pensamentos. Astor poderia estar em qualquer lugar. Robert poderia tê-la levado para o seu resort especial no México, ou para Los Angeles, ou para qualquer outro lugar. Ele poderia estar fazendo coisas horríveis com ela agora, enquanto ela suplicava e se contorcia e ficava pensando por que nenhuma ajuda chegava. Mas a Ajuda, sob a forma de Dexter, não iria aparecer, porque ela não sabia para onde ir – e isso poderia ser um verdadeiro golpe de sorte para Astor, considerando o que eu havia feito até então. E é claro, o que eu estava fazendo agora, também, porque ficar sentado aqui dizendo para mim mesmo que eu era uma ameba não ajudava ninguém, ainda que isso fosse verdade.

Então, pense, Dexter: tente com todas as forças fazer com que algo novo e maravilhoso aconteça nessa enfadonha e imóvel caixa de areia dentro de seu crânio. Tente achar um pensamento verdadeiro, uma ideia genuína, antes que seja tarde demais para Astor também – se é que já não era.

Nada surgiu. Isso não me surpreendia, em meu atual estado de idiotice avassaladora. Eu deveria ter somente aceitado o fato de que era mentalmente deficiente e aprender a ser feliz. Talvez comprar um banjo. Porque eu não tinha a menor ideia de onde eles poderiam estar, nem mesmo a sombra de uma pista para descobrir isso. Eu só podia esperar que em algum ponto no meio do caminho, de algum jeito, alguém casualmente se deparasse com eles e tirasse Astor das mãos de Robert. É claro que não seria eu. Eu não conseguiria encontrá-los nem que caíssem de uma árvore sobre a minha cabeça. Até mesmo Rita tinha mais chance. Pelo menos, ela tinha uma, como é que se diz mesmo, uma dessas tais de ideias...

E talvez essa ideia tivesse dado início a alguma coisa. Talvez a sorte dela estivesse sendo maior do que a minha. Não poderia ser muito pior, a não ser que ela acidentalmente tivesse ateado fogo em si mesma. Então, peguei meu celular e telefonei para Rita, mais pelo fato de eu ser um cretino tão evidente que não conseguia pensar em mais nada.

Mas o celular de Rita tocou e tocou e caiu na caixa postal. Para onde quer que ela tivesse ido, ela ainda estava lá. Isso queria dizer que ela tinha encontrado os dois? Ou só estaria presa no trânsito? E aonde ela tinha ido, por falar nisso?

Selecionei a mensagem que ela tinha deixado antes, e a ouvi de novo. Ela não tinha mudado nada. A única parte que deu uma leve sombra de uma dica foi quando ela falou: “... você disse que ela poderia voltar pra casa, e eu pensei, é claro, ela pode, mas talvez não... E então, seja como for, eu só vou sair por uns vinte minutos...”.

“Voltar pra casa, mas talvez não” era tão típico de Rita, tão cheio de viravoltas e incompleto, que poderia significar qualquer coisa. Mas eu tinha lutado para entendê-la por muitos anos e pensei que conseguiria interpretar. É claro, pensar estava demonstrando ser uma atividade perigosa e estranha para mim, mas eu tentei de qualquer jeito e peguei “casa, mas não” e acrescentei a isso “sair por uns vinte minutos”, e isso só poderia significar uma coisa. Provavelmente era a coisa errada, mas a ideia que surgiu era a nossa Nova Casa. Casa, mas ainda não era casa, a dez minutos de carro, e com toda a certeza um lugar para onde Astor gostaria de ir.

É claro, eu teria de presumir que Astor tinha algum poder de decisão relativo ao lugar para onde iriam, mas eu sabia como ela era persuasiva, ou, na falta disso, como ela era teimosa. E Robert estaria desesperado para encontrar um lugar onde pudesse passar despercebido. Tudo isso era novidade para ele – exceto, aparentemente, a história da pedofilia – e ele iria supor que o mundo todo estava na sua cola. Então, iria querer encontrar um lugar quieto e imprevisível, um lugar onde ninguém pensasse em procurar. E a sempre prestativa Astor poderia muito bem sugerir um lugar onde ela se sentisse segura: a Casa Nova, desocupada, rodeada de sebes e equipada com Seu Próprio Quarto.

E um último farrapo de alguma coisa que poderia ter sido pensada caiu com ruído no chão do empoeirado e desocupado Salão de Baile do Cérebro do Dexter: se Robert e Astor tivessem ido para lá para se esconder, e se Rita foi para lá e encontrou os dois, Robert não iria sorrir e autografar uma fotografia e mandá-la embora. Para ser exato, ele iria fazer o possível para impedi-la de ir embora e informar a localização deles. É muito provável que iria amarrá-la ou imobilizá-la bem com fita adesiva. E, se tivesse um pingo de bom senso, iria amordaçá-la também. Depois, a colocaria em um armário, ou em um banheiro, e a deixaria lá enquanto ele ficava vigiando os seus próprios rastros e esperava para ver quem ou o que estaria vindo atrás dele.

E, levando tudo em consideração, só havia uma pessoa que poderia ir atrás dele: eu. Essa não era uma boa notícia para os mocinhos, se fosse para pensar em minha trajetória recente, mas não havia ninguém mais. E se houvesse mais alguma pessoa, eu não iria querê-la de jeito nenhum.

Robert estava com Astor, e ela era minha. Ela me pertencia, assim como uma gazela pertence ao leão, e ele a havia surrupiado, levado uma coisa minha, e eu não poderia permitir que ele escapasse.

E Robert tinha matado Jackie, e me deixado encalhado na praia de um lugar escuro e arenoso, repleto de nada mais do que de um vazio épico. Tinha tirado a única coisa que eu já havia tido e que se parecia com um sentimento, minha única tentativa de felicidade, e ele não poderia sofrer o suficiente por isso, nem que eu o amarrasse e mantivesse sob minha faca por todas as noites durante um ano, cada sessão mais longa e mais satisfatoriamente criativa. Não havia uma retribuição possível que pudesse compensar o que ele havia tirado de mim, mas o que ele pudesse me dar como pagamento, eu iria pegar. E não iria parar de pegar até que tudo se acabasse, e ele também; cada dente excessivamente branco, e cada sorriso muito iluminado, cada gesto estudado e expressão ensaiada, tudo isso. Eu iria tirar tudo que ele tinha, tudo que ele tivesse sido ou fosse ser, e eu iria despachá-lo para sempre para o lugar onde apenas a dor é uma realidade, uma dor lancinante e infinita, que destruísse a alma. E se eu fizesse uma bagunça grande o suficiente para levar os tiras diretamente para mim, tudo bem também. Nada mais havia restado neste mundo além do sofrimento monótono, e se eu tivesse de suportá-lo na prisão, ou no sofá ao lado de Rita, não fazia a menor diferença para mim.

Poderia ser a última coisa que eu faria, mas iria fazê-la. Iria arrancar Robert de seu complacente e excessivamente adornado mundo de mimos e o arrastaria diretamente para o meu: o mundo do Sombrio de Deleite do Dexter. Ele não tinha a menor ideia do que havia desencadeado ao puxar a minha corrente. Eu estava indo, e mesmo que ele soubesse disso, estaria esperando pelo manso e educado Dexter Diurno, o Dexter do Donut, o cara molenga dos respingos de sangue lá do escritório, que não representava uma ameaça maior do que uma cadeira giratória. Mas esse Dexter havia desaparecido, talvez para sempre, e era uma coisa muito diferente que estava indo ao encontro de Robert, e ele não iria gostar da diferença, nem um pouquinho.

Dei a partida no carro e saí do estacionamento, passando pelo policial na barreira, e entrei no trânsito noturno, e a noite escura e sem estrelas penetrou em mim e me encheu com o fulgor de um objetivo muito especial, e eu estava pronto para o Robert.

Era o pico da hora do rush, e o tráfego estava complicado de um jeito que não tinha solução. Eu avançava aos milímetros, rangendo os dentes e pensando em coisas novas e especiais para fazer com Robert. Ele era bonito, e muito consciente disso; essa seria uma ajuda, eu podia me aproveitar disso. Poderia passar horas só brincando com o rosto dele, lenta e cuidadosamente removendo cada parte dele e segurando-a em frente a seus olhos, para que pudesse Me ver segurando partes permanentemente removidas dele, e ver cada passo do meu jeito de fazer isso, e isso não poderia ser detido, ou reduzido, ou consertado. Isso estava acontecendo com ele, e era só isso que podia ser real, e que poderia ser real, e não havia um caminho de volta para a situação. Esse era o show perpétuo em Dexterlândia, e os ingressos não podiam ser reembolsados e valiam apenas para a entrada.

E eu estava tão profundamente mergulhado em meus agradáveis devaneios que, antes de me dar conta, eu já estava na US 1 e me dirigia para o sul rumo à Casa Nova. O tráfego engasgava e bufava e se arrastava, mas eu acompanhava o seu passo lento, pensando apenas no que estava prestes a acontecer, e de modo tão completo, com alguém que merecia isso mais do que ninguém jamais havia merecido.

Saí da US 1 à esquerda, e em poucos minutos estava lá. Passei pela frente da casa para ver se havia sinais da presença deles no lugar. Um pequeno conversível estava parado na frente da porta da garagem. A minivan de Rita estava estacionada de modo descuidado atrás dele. Um full house, mas o coringa estava chegando.

Prossegui, examinando a área para ver se alguém estava observando, e não vi ninguém, nada fora do lugar, nada além do tranquilo bairro de classe média que ele deveria ser. Ao longo da rua, casas modestas irradiando a satisfeita calma noturna de um dia cumprido a contento. Bicicletas apoiadas nas árvores, patins largados nas calçadas, e os discretos aromas de meia dúzia de jantares se entremeavam entre as casas e lutavam pelo predomínio. Mas nada estava fora, ninguém estava olhando, e tudo estava tão exatamente calmo e despido de suspeitas como eu tinha desejado que estivesse.

Estacionei a um quarteirão de distância da casa, sob a copa de uma imensa figueira-de-bengala, peguei a faca para peixe de sob o banco e descí do meu carro. Já era noite escura, e eu a inspirei profundamente, absorvendo a escuridão em meus pulmões e deixando que ela percorresse todo o meu corpo e subisse pela minha coluna, e enquanto ela se espalhava sobre meu rosto e ia até as pontas das orelhas, senti a calma fria e escorregadia assumir o controle e lentamente, cuidadosamente, nos incitar a uma ação decidida e ansiosa.

Nós olhamos sobre o capô do carro, pela rua, até a Casa. Uma luz brilhava sob a porta da frente. Nós não nos importamos. Seu brilho desagradável nunca Nos afetaria: nós iríamos silenciosamente dar a volta por trás, roçando a sebe e seguindo as sombras. Nós passaríamos por poças de escuridão e deslizaríamos sob a esfrangalhada tela da cobertura da piscina até a porta de trás. Nós usaríamos a chave que nós temos carregado todas essas semanas, e nós iríamos deslizar pela porta, entrar em casa, e chegar até Robert, e então nós iríamos começar, e nós não terminaríamos até que não houvesse mais nada a fazer.

Uma inspiração profunda, um lento e firme fulgor de claridade e de controle, e todos os tons frios e escuros de azul da noite ao nosso redor luziram cálidos e brilhantes em nossos olhos, e os aromas da noite chegaram vividos até nosso nariz, e todos os estalidos e sussurros da vida noturna começaram a se misturar à música ritmada da caçada, e nós seguimos adiante com eles.

Devagar, com um descuido casual em nossos passos, nós caminhamos na direção da Casa. Luminosidade e tagarelices da televisão nas salas de nossos vizinhos, e tudo é tão normal quanto possa ser, tudo tão maravilhoso e tão livre de problemas... tudo a não ser pelo Monstro despreocupado andando lentamente a caminho de uma noite agradável de brincadeiras descompromissadas que não combinavam muito bem com esse sonolento bairro.

Nós chegamos à sebe e tudo está como deveria ser, o que tem de ser, e fazemos uma pausa para ter certeza, e, quando temos certeza, nós deslizamos sem o menor ruído na escuridão ainda mais profunda da entrada lateral e nos movemos cuidadosamente, em silêncio, perfeitamente, ao longo da sebe cheia de sombras até o quintal.

E movendo-nos cuidadosa e silenciosamente ao longo de um pequeno trecho iluminado, nós fazemos mais uma pausa atrás de uma limeira a apenas três metros da cobertura da piscina, onde um grande pedaço de tela arrancada está pendurado, e nós ficamos lá e não fazemos nada a não ser respirar, esperar, ouvir e observar.

Vários minutos se passam e nós continuamos imóveis e sem fazer o menor ruído na nossa paciência de predador. Nada acontece. Não há nenhum som ou algo visível ou cheiro, e ainda assim nós não nos mexemos, só ficamos esperando e observando. Este lado da casa é bastante visível, uma janela deixa passar um ligeiro brilho, como se uma luz estivesse acesa bem fora do cômodo. Ao longo da parte de trás da casa, de frente para a piscina, está a minha porta, e então uma grande porta de correr de vidro, e então outra janela. Nessa última janela, uma luz mais forte brilha e, no centro, podendo ser visto através da porta de correr de vidro, há um brilho fraco, vindo de uma lâmpada colocada por trás da porta.

Mas do nosso lado, na nossa porta, há apenas essa sombra sem luzes, e nada se move ali, e nós sentimos a luminosa felicidade porque tudo está bem, tudo está pronto, porque uma vez mais as coisas vão acontecer do nosso jeito, como elas sempre acontecem quando nós estamos caçando, e, finalmente, quando não houve o menor sinal de nada se mexendo por um bom tempo, nós nos movemos, um longo e macio deslizar intencional, para fora das sombras e ao longo da grama ressequida, e através da esfrangalha borda da tela rumo à porta.

Nós fazemos uma pausa, uma das mãos na maçaneta, e nosso ouvido pressionado contra a porta; nada. Nada além do som abafado do ar-condicionado central soprando pela casa. Tudo está em silêncio, tudo está pronto, e de dentro do nosso bolso nós tiramos a chave da Nossa Casa Nova, uma casa mais nova e maior e mais iluminada e recém-pintada, pronta para a maravilhosa nova vida familiar que nunca vai se mudar para lá agora, porque esse sonho foi construído sobre a fumaça de um alegre narguilé, uma delgada imagem de alguma coisa que nunca foi mais do que alucinações de esperança, e essa ilusão se evaporou como a miragem que era e deixou para trás cinzas escuras e frias. E isso não importa. Nada mais importa mesmo, a não ser este momento, esta noite e esta faca, e este Agora.

Isto é o que é: Dexter com uma lâmina e um alvo. Essa é a única Realidade que jamais existiu, a caminhada sorrateira por entre as sombras, o salto súbito, o som do aço em um quarto cheio de sombras, e os abafados guinchos e gemidos enquanto a Verdade, lenta e alegremente, surge rapidamente por entre as cortinas e agradece os aplausos. É isto o que é, e o que foi, e o que será, e nunca houve mesmo nada mais no mundo a não ser este Propósito Sombrio, e nunca houve outro tempo além de agora, e nós colocamos a chave na fechadura e com um ligeiro movimento do pulso a porta está aberta.

Dois centímetros, cinco; quinze lentos e cuidadosos centímetros a porta se abre, e nós fazemos uma pausa novamente. Nenhum movimento, nenhum som, nenhum sinal de nada além das paredes escuras, ainda com o leve cheiro de tinta fresca.

Ainda devagar e cuidadosamente, nós abrimos a porta, abrimos o suficiente para entrar de lado sem ruído, e nós fazemos isso, e quando nós nos voltamos para fechá-la em silêncio, nós ouvimos um TUMP que dava para rachar um melão, e o quarto em sombras se ilumina ao nosso redor como uma estrela que explodisse, e uma dor viva floresce na parte de trás da nossa cabeça, e quando nós cambaleamos para a frente, passando da surpresa estúpida para a escuridão cheia de dor, nós uma vez mais estamos repletos com a pavorosa verdade da nossa completa e acéfala incompetência, e a voz maldosa e caçoísta da nossa autorrecriminação enquanto ela diz em alto e bom som: Eu avisei!

E um instante antes de a escuridão começar a tomar conta de tudo e afastar tudo menos o desgosto, dá para eu ouvir uma voz fraca vindo de uma grande distância, uma voz familiar, a empostada e sarcástica voz de uma menina de onze anos de idade, enquanto ela diz com uma grande e amarga presunção:

– Você não precisava ter batido nele com tanta força...

E então, felizmente para mim, ou para todos os estúpidos e ineptos farrapos de autoengano que sobraram de mim, a escuridão vazia assume o controle e nos conduz direto por um túnel longo e sem vida.