Dexter: Em Cena

Jeff Lindsay · Capítulo 37 de 38

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Dexter: Em Cena

Capítulo 35

 

POR MUITO TEMPO, SÓ HOUVE A ESCURIDÃO. NADA SE MOVEU, OU, SE moveu, não havia nada que iluminasse o seu caminho, e nada para ser visto. Havia apenas uma melancolia atemporal, sem fundo, sem pensamentos, sem forma ou propósito, e isso era muito bom.

E então, em algum lugar bem lá longe no horizonte soturno, um persistente balido de dor começou a importunar nas bordas da escuridão. Ele latejava insistente, e com cada batida ritmada de seu pulsar ele maior, mais vivido, enviando ramificações espinhentas de miséria que ficavam maiores e mais fortes e afastavam a escuridão a passos curtos que ficavam cada vez menores. E finalmente a dor cresceu em uma árvore grande e luminosa com suas raízes fincadas profundamente no leito de rochas firmes, e expandiu seus ramos e iluminou a escuridão e, oh!, pronunciou o seu nome:

Sou eu, Dexter.

E, surpresa!, a escuridão retrucou:

Oi, idiota.

Eu estava acordado. Não sabia se isso era uma coisa boa: doía demais e, até então, eu tinha me dado muito melhor quando estava inconsciente. Mas não importava quanto eu quisesse me entregar e voltar a dormir, a dor latejante em minha cabeça era grande o suficiente para garantir que eu tinha de acordar e viver com minha estupidez aparentemente ilimitada.

Então, eu acordei. Estava atordoado e dopado, e não estava entendendo as coisas muito bem, mas estava acordado. Eu tinha bastante certeza de que não fora dormir de modo normal, e pensei que talvez houvesse uma explicação realmente importante para eu ter feito isso, mas em meu estado atordoado e dolorido eu não conseguia pensar muito bem nisso, ou em qualquer outra coisa, por isso, retornei à mesma estupidez que tinha me trazido até aqui e tentei ficar em pé.

Não deu muito certo. Na verdade, nenhum dos meus membros parecia estar fazendo o que deveria fazer. Mexi um braço; ele parecia estar atrás das minhas costas por algum motivo, e se mexeu desajeitado uns cinco centímetros, puxando o outro braço junto, e aí ele parou e voltou a ficar onde estava, molenga, preso sob as minhas costas. Tentei mexer as pernas; elas se moveram um pouco, mas não separadamente – também pareciam estar mantidas unidas por alguma coisa.

Inspirei profundamente. Doeu. Tentei pensar, doeu ainda mais. Tudo doía e eu não conseguia me mexer; isso não parecia certo. Teria alguma coisa acontecido comigo? Talvez – mas como eu poderia saber se não conseguia me mexer nem ver? Minha cabeça latejou enquanto uma ou duas ideias passavam por ela e apareceram com uma resposta: você não pode saber se você não pode se mexer e não pode ver.

Isso era certo, eu tinha certeza disso. Tinha aparecido com a resposta certa. Eu me senti muito bem com isso. E em um ímpeto de autoconfiança avassaladora e completamente injustificada, agarrei-me a outro pensamento que passou flutuando: eu iria fazer alguma coisa a respeito disso.

Isso também era bom. Eu resplandecia de orgulho. Duas ideias completas inteiras, só por minha conta. Será que conseguiria ter outra? Dei uma respirada que transformou a parte de trás da minha cabeça em um lago de dor derretida, mas uma terceira ideia apareceu. Não consigo me mexer, então vou abrir os olhos.

Maravilha, eu estava funcionando a pleno vapor. Ia abrir os olhos. Se eu me lembrasse de como fazer isso...

Eu tentei; consegui dar uma ligeira tremida nas pálpebras. Minha cabeça latejou. Talvez abrir dois olhos fosse difícil demais; eu ia abrir um deles.

Lentamente, com muito cuidado, e com uma grande dose de esforço cheio de dor, eu abri um olho.

Por uns instantes, não fui capaz de entender o que estava vendo. Minha vista estava borrada, mas parecia que estava olhando alguma coisa cor de creme, talvez um pouco felpuda? Não dava para dizer o que era, nem a que distância estava. Forcei a vista, doeu demais. Mas, depois de um longo e dolorido momento, as coisas começaram a ficar em foco.

Um pouco felpudo, por baixo do meu corpo, onde deveria haver chão: “Ahá”, eu pensei. Carpete. E ele era cor de creme. Eu sabia que havia alguma coisa em que eu poderia pensar a respeito disso e que tinha a ver com carpete cor de creme. Pensei com muita força por um tempo e finalmente me lembrei: a suíte na Casa Nova tinha carpete cor de creme. Eu deveria estar na Casa Nova. O carpete estava embaçado e difícil de ver, porque meu olho estava muito perto dele.

Mas isso queria dizer que eu estava deitado de bruços. Isso não parecia certo, não uma coisa que eu normalmente fizesse. Por que estava fazendo isso agora? E por que não conseguia me mexer?

Alguma coisa não estava mesmo certa. Mas agora eu tinha várias pistas muito boas e uma leve lembrança obscura me disse que havia coisas que eu gostava de fazer com pistas. Eu gostava de acrescentar uma à outra. Fechei o olho e fiz as contas. Meu rosto estava perto de um carpete. Minhas mãos e pernas pareciam estar mantidas juntas por alguma coisa, portanto, eu não conseguia me mexer. Minha cabeça doía de um jeito que me dava vontade de gritar – a não ser pelo fato de que só de pensar em um barulho alto ela doía ainda mais.

Eu tinha certeza de que não queria fazer essas coisas todas comigo. Algo pouco habitual havia acontecido. Isso só podia querer dizer que outra pessoa tinha causado tudo isso. Cabeça, mãos, pernas, Casa Nova – tudo isso estava conectado. Elas se somavam e criavam um significado, e se eu conseguisse deixar a dor de lado só por um momento, iria lembrar o que elas queriam dizer.

Ouvi uma voz em outro quarto – a voz de Astor se elevando em um tom de reprimenda e de desprezo. E lembrei:

Eu tinha ouvido aquela voz, aquela mesma entonação, no momento exato em que todas essas coisas pouco comuns tinham começado a acontecer.

Por um bom tempo, só fiquei flutuando em meio à dor, me lembrando de detalhes. Eu me lembrei do tump na minha cabeça que me tinha colocado nessa situação e me lembrei da voz de Astor enquanto eu cambaleava para a frente e, muito devagar mesmo, comecei a me lembrar da razão pela qual estava aqui.

Eu tinha vindo aqui para amarrar Robert. Não tinha dado certo. Pelo contrário, ele tinha me amarrado.

E, a princípio lentamente, e depois com um fluxo de lembranças amargas, e uma raiva rastejante, tudo voltou à minha cabeça.

Robert tinha matado Jackie e, ao fazer isso, ele tinha matado minha vida nova e maravilhosa. E tinha levado Astor, ele a tinha tirado de mim, e tinha feito todas essas coisas bem debaixo do meu nariz farejador noturno, me transformando em um trapalhão, um pateta, um palhaço perfeito: Desleixado Dexter, Bobo Real na Corte das Trevas. Vistam-no como um arlequim e libertem-no com sua faquinha engraçada. Observem enquanto ele se esfaqueia e cai, tropeçando em seus imensos sapatos largos. Dexter, o Defraudado, olhando bem na cara de Robert e sorrindo porque ele só vê uma idiotice egocêntrica, inofensiva e acéfala. E ainda olhando e sorrindo enquanto a ameba sem um pingo de inteligência raciocina melhor que ele, passa na frente dele e desaba por cima de sua cabeça.

Durante vários e luminosos segundos a raiva se apossou de mim e eu tremi por causa dela, rangendo os dentes e forçando as cordas que me prendiam. Rolei uma vez, duas, e forcei meus membros com fúria e, é claro, nada mesmo aconteceu, a não ser pelo fato de eu estar agora a três passos de distância de onde estivera, e de minha cabeça latejar ainda mais.

Tudo bem; força bruta não era a solução. E, visivelmente, pensar não era nosso ponto forte. E com isso sobrava rezar, o que é simplesmente Falar Com Você Mesmo, e Eu Mesmo não tinha sido de grande ajuda recentemente. Havia alguma coisa a fazer?

E, de um modo estranho, e felizmente bem na hora, aconteceu que havia uma última coisa: pura, idiota, não merecida Sorte.

E a Sorte entrou deslizando no quarto onde eu jazia.

– Dexter – uma voz baixa sussurrou, e virei minha cabeça para a porta com um grande e dolorido esforço.

Astor estava lá parada, uma silhueta brilhante, a luz vinda do outro quarto por trás dela. Ela estava usando o que parecia ser um négligé de seda branca, com um laço azul-claro mantendo-o preso abaixo do pescoço dela. Entrou na ponta dos pés e se agachou ao meu lado.

– Você se mexeu – ela sussurrou. – Tá tudo bem com você?

– Não – eu respondi. – A minha cabeça está doendo e estou amarrado.

Astor nem prestou atenção nisso.

– Ele bateu em você com toda a força – ela disse, ainda falando baixinho. – Com um taco de beisebol. Ele bateu com força na mamãe também. Ela não se mexe já faz um tempo. – Colocou uma das mãos na minha testa e então tirou, fazendo um gesto de cabeça. – Eu não sabia que ele ia fazer isso. Achei que você podia estar morto.

– Eu vou morrer – eu disse. – E você também, se não me desamarrar.

– Ele não vai me matar – ela disse. Havia um tom convencido e estranho na voz dela. – O Robert me ama.

– Astor, o Robert não ama ninguém além dele próprio. E ele matou umas pessoas.

– Ele fez isso por mim – ela disse. – Pra gente poder ficar juntos. – Ela sorriu, um pouquinho orgulhosa, um pouquinho satisfeita consigo mesma, e um pensamento bizarro e inesperado passou rapidamente pela minha cabeça latejante; ela estava mesmo pensando em me deixar amarrado, por amor a Robert. Impensável, mas ela estava pensando nisso.

– Astor – eu disse, e, infelizmente, um pouquinho do Papai Desaprovador apareceu na minha voz. Era o pior tom possível para usar com Astor, e ela balançou a cabeça e franziu a testa de novo.

– É verdade – ela disse. – Ele matou as duas porque me ama mesmo.

– Ele matou Jackie – eu falei.

– Eu sei. Sinto muito – ela disse e deu umas palmadinhas no meu braço. – Ele meio que foi obrigado a fazer isso. Ela entrou correndo no trailer dele, gritando com ele, e nós estávamos... juntos – ela disse, com ar convencido e um pouquinho tímido. – Ela estava gritando alguma coisa a respeito de o computador dizer que ele tinha matado Kathy, sei lá quem é essa criatura. Mas ela viu a gente lá, você sabe. Eu deixei ele... me beijar, e... E ela meio que, uau, só ficou parada lá. E Robert deu um pulo, e estava todo “não, não, espere um minuto, eu posso explicar”. E ela olhou para ele, e disse algo parecido com: “tudo bem, você pode explicar isso para a sargento Morgan”. – Ela deu um sorriso ligeiro. – Tia Deborah.

– Sim, eu sei – falei.

– Então, sei lá, o Robert deu um pulo e me falou, fique aqui, e ele saiu pela porta, atrás da Jackie. – Ela deu de ombros. – Eu não quis perder nada, então fui atrás e vi os dois entrando no trailer da Jackie, e quando eu cheguei lá ele estava correndo para fora de novo, levando aquele MacBook Air superlegal. – Ela assentiu. – Ele disse que posso ficar com ele. Quando a gente for para um lugar seguro.

– Astor, não tem nenhum lugar seguro – eu disse. – Ele matou duas pessoas. Vão encontrar o Robert e vão colocá-lo na cadeia por muito tempo.

Astor mordeu os lábios.

– Não sei, não – ela disse.

– Eu sei – eu disse. – Não existe nenhum lugar para onde ele possa ir que não o encontrem.

Ela não parecia convencida.

– As pessoas ficam livres depois de matar, o tempo todo – ela disse, e me olhou com um tipo de sorriso afetado e desafiador de quem sabe das coisas.

– Mas o Robert matou alguém famoso, Astor. Os policiais têm de pegá-lo ou vão ficar com cara de bobos na frente de todo mundo. Eles vão fazer o melhor que puderem neste caso e vão pegá-lo.

– Talvez – disse ela.

– Com certeza – eu falei. – Eles vão fazer o impossível. Na verdade, a única coisa que pode fazer os policiais irem mais fundo ainda é se o Robert também sequestrou alguém. Como uma menina de onze anos de idade com cabelos loiros.

– Ele não me sequestrou, Dexter. Eu fui com ele. Ele me ama.

– Você ama o Robert?

Ela emitiu um ruído de desprezo.

– Claro que não. Mas ele vai me levar para fazer filmes.

– Ele não pode fazer isso da prisão. Ou se estiver morto – eu disse.

– Mas ele disse que podemos fugir! – exclamou. – Nós podemos nos esconder dos tiras!

– E como ele vai levar você para o mundo do cinema se estiver se escondendo da polícia?

Ela segurou o lábio inferior com os dentes e fechou a cara.

– Eu não sei – ela disse. E achei que finalmente eu a tinha convencido.

– Astor – eu falei. – A carreira de ator do Robert acabou. A vida dele acabou. E a sua também, se você ficar com ele. – Rastejei até chegar um pouco mais perto dela e ergui meus pulsos o máximo possível. – Agora, me desamarre.

Astor me olhou. Então se voltou e olhou para a porta. Depois tornou a me olhar e balançou a cabeça.

– É melhor não – ela disse. – O Robert pode ficar bravo.

– Astor, pelo amor de Deus!

Ela colocou uma das mãos sobre a minha boca.

– Shhhhh – ela disse. – Ele vai ouvir você.

– Eu já ouvi – disse uma voz vinda da porta, e Robert entrou no quarto.

Ele mexeu no interruptor ao lado da porta e a luz do teto se acendeu. Era bem mais forte do que eu me lembrava, e tive de cerrar os olhos. Por isso, não pude ver nada até Robert se ajoelhar ao meu lado, a cabeça dele bloqueando a luz. Então, consegui ver, mas desejei que não pudesse; Robert estava carregando uma faca de açougueiro muito grande, e tinha a cara de quem sabia muito bem o que queria fazer com ela.

Robert me analisou por uns instantes, a cabeça inclinada para o lado. Mesmo sob a luz forte do quarto, o bronzeado dele parecia perfeito, sua pele lisa e macia, e os dentes ainda eram perfeitos quando ele afastou os lábios para me endereçar um sorriso rápido e automático. Deu uma avaliada na faca, não havia dúvidas quanto ao que estava pensando, mas, mesmo assim, ele era o carrasco mais improvável que eu jamais poderia imaginar.

– Você não deveria ter vindo aqui, Dexter – ele disse, com um tom pesaroso, como se tudo fosse culpa minha.

– Você não deveria ter matado a Jackie – eu disse.

Ele fez uma ligeira careta.

– É, odeio isso. Eu não tenho estômago para fazer isso. Mas tive de fazer – ele disse e deu de ombros. – Fica um pouquinho mais fácil a cada vez. – Ele me olhou como se achasse que eu ia ser o mais fácil de todos, e dava para ver que eu estava ficando sem tempo. – Seja como for, eu fiz isso por causa da Astor.

Ele se virou e a olhou e, para lhe fazer justiça, se é que essa era a palavra exata, o olhar que ele lançou para ela era de afeição genuína, ou ele era um ator muito melhor do que eu pensava. Astor devolveu o olhar, mas não parecia tão apaixonada, e achei que eu tinha uma chance minúscula de salvar o couro do pobre Dexter.

– Se você gosta tanto assim da Astor – eu disse –, nunca deveria ter mentido para ela.

Robert voltou rapidamente a cabeça para me olhar e franziu as sobrancelhas.

– Eu não menti para ela – ele disse. – Nunca faria isso, eu a amo de verdade. Ela sabe disso. – Ele sorriu de novo, colocando a faca no chão ao seu lado, para poder pegar a mão dela com um gesto tranquilizador.

– Você mentiu para ela – eu disse, e essa era a única cartada que eu podia jogar, então forcei a mão. – Você disse para ela que podia levá-la para o mundo do cinema, e isso é mentira.

– Não – ele disse. – Eu tenho um monte de contatos e...

– Seus contatos vão fugir de você como se você fosse a peste – eu falei. – Assim que ficarem sabendo que você é um pedófilo mentiroso e assassino.

Robert enrubesceu profundamente.

– Você não entende – ele disse. – Ninguém entende.

– Isso mesmo – eu falei. – E os tiras também não vão entender e vão fazer de tudo para você ir para a cadeia pelo resto da sua vida. Isso se você tiver sorte. Nós temos pena de morte na Flórida, sabe.

Ele estava balançando a cabeça, cada vez mais rápido.

– Não, de jeito nenhum. Nunca vão me pegar. Eu posso fugir.

– Como, Robert? – eu disse. – Já estão vigiando os aeroportos, as docas, até mesmo o terminal de ônibus.

– Eu tenho um carro – ele disse, quase como se esperasse que aquilo valesse alguma coisa.

– E se você usar seu cartão de crédito para comprar combustível, eles vão saber. Vão pegar você, Robert. Você pegou uma menininha, e eles vão vir atrás de você e não vão parar, até colocarem as mãos em você.

Robert mordeu o lábio. Uma gota de suor se formou em sua testa.

– Eu posso... eu posso negociar – ele disse.

– Você não tem nada com que negociar – eu disse.

– Tenho – ele falou. – Eu tenho uma... uma refém.

– O quê? – eu perguntei.

– Isso mesmo. Eu posso pegar um barco e chegar a Cuba... Eu só preciso tomar a dianteira. Eles vão me dar isso se eu lhes entregar Astor.

Bem ao lado de Robert, eu vi o rosto de Astor se alterar. Ela estava nos observando como se estivesse assistindo a uma partida de pingue-pongue, a cabeça se voltando de Robert para mim, enquanto um franzir de sobrancelhas aparecia momentaneamente em seu rosto. Mas, quando Robert disse “lhes entregar Astor”, o rosto dela se endureceu em uma máscara de raiva fria e sombria, e ela a direcionou exatamente para Robert.

– Entregar Astor? Achei que você a amasse – eu disse.

Ele balançou a cabeça.

– Eu não posso ir para a prisão – ele falou. – Sei o que fazem com gente como eu. – O maxilar dele se moveu de um lado para o outro, soltou a respiração e repetiu: – Não posso ir para a prisão. Não posso mesmo. Vou fazer qualquer coisa para ficar fora dessa. – Ele se inclinou sobre meu corpo, afastando tudo do meu campo de visão, a não ser seu rosto perfeitamente bronzeado e excessivamente bonito, e realmente parecia estar um pouco sentido. – Então, eu sinto muito: Mas isso quer dizer que tenho de, hum, você sabe. – Soltou um suspiro profundo. – Matar você. Sinto muito, Dexter. Mesmo. Eu gosto de você. Mas não posso me arriscar a uurrgh... – ele disse, e seus olhos se arregalaram.

Por um momento, ele não se mexeu nem respirou, só ficou ajoelhado ao meu lado, parecendo ligeiramente surpreendido. Então, franziu a testa e abriu a boca para dizer alguma coisa. Mas, em vez de palavras, uma grande e horrível golfada de sangue abjeto e quente e pavoroso saiu dela e se espalhou no chão e por cima de mim, e embora eu fizesse um gesto brusco com a cabeça para um lado um pouquinho dele respingou no meu rosto...

E então Robert caiu para um lado e não se moveu, e atrás dele, emitindo um som triunfante para ele e segurando uma faca muito ensanguentada e afiada – por trás dele, com o seu pequeno négligé de seda branca com o laço de um azul-claro, e um novo conjunto de bolinhas vermelhas e brilhantes, estava Astor.

– Seu idiota retardado – ela disse para Robert.