Dexter: Em Cena

Jeff Lindsay · Capítulo 3 de 38

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Dexter: Em Cena

Capítulo 1

 

TUDO COMEÇOU DE MANEIRA MUITO PACÍFICA, APENAS POUCAS semanas atrás, em um delicioso dia do começo do outono.

Eu havia ido de carro para o serviço, como sempre, através da feliz carnificina que é a hora do rush em Miami. Aquele tinha sido um dia iluminado e agradável; o sol brilhava; a temperatura lá pelos 21°C; os demais motoristas buzinando alegremente e gritando ameaças de morte, e eu havia dirigido com uma agradável sensação de fazer parte daquilo.

Havia parado em uma vaga no estacionamento do QG da polícia, ainda ignorando por completo o terror que estava à minha espera em uma emboscada, e havia cuidadosamente carregado uma grande caixa de donuts até o prédio, e depois até o segundo andar. Havia chegado à minha mesa pontualmente, no meu horário habitual. E havia me acomodado em uma posição sentada em minha cadeira, uma xícara de café abjeto em uma das mãos e um donut de geleia na outra, sem sequer por um momento suspeitar que hoje fosse alguma coisa além de mais um dia de agradável rotina entre os recém-falecidos de Nossa Formosa Cidade.

E então o telefone em minha mesa começou a tocar e, como fui idiota o suficiente para atendê-lo, tudo mudou para sempre.

– Morgan – eu disse, no receptor. E se eu tivesse sabido o que estava por vir, não teria dito com tanta alegria.

Alguém do outro lado da linha pigarreou e, com um sobressalto de surpresa, eu o reconheci. Era o som que o capitão Matthews fazia quando queria chamar a atenção para o fato de que estava prestes a fazer um importante pronunciamento. Mas qual declaração relevante poderia ele ter então, para mim, antes mesmo que eu terminasse um donut, e por que iria falar a respeito disso no telefone com um mero CDF forense?

– Aham, hum, Morgan – disse o capitão. E então houve aquele silêncio.

– Aqui é o Morgan – eu disse, tentando ajudar.

– Tem um, hum – ele disse e pigarreou de novo. – Eu tenho uma tarefa especial. Para você. Dá para você vir até meu escritório? Agora. – Houve outra ligeira pausa, e então, o mais desconcertante de tudo, ele acrescentou: – Hum. Por favor. – E então desligou.

Fiquei encarando o telefone por um longo momento antes de recolocá-lo em seu suporte. Eu não sabia com certeza o que havia acabado de acontecer, ou o que aquilo significava: “Dá para você vir até meu escritório? Agora”. Capitães não designam tarefas especiais para peritos em análise de borrifos de sangue, e nem nós visitamos as salas dos capitães socialmente. Então, o que aquilo significava?

Minha consciência estava tranquila – a maior parte das coisas míticas está –, mas, mesmo assim, senti uma leve pontada de inquietação. Seria isso um problema – talvez uma acareação a respeito de alguma emergente evidência dos meus Modos Malvados? Eu sempre limpava tudo cuidadosamente – Nenhuma Parte do Corpo Deixada Para Trás! – e, de qualquer modo, já fazia um bom tempo desde que eu tinha feito alguma coisa a respeito da qual não valesse a pena falar. Na verdade, recentemente tinha começado a dar a impressão de que fazia tempo demais, e nas últimas noites eu andara afagando minha pequena lista de candidatos e pensando em um novo Companheiro de Brincadeiras. Meu último Encontro Encantador tinha acontecido havia muitos meses, e com certeza eu merecia outro em breve – a não ser que eu, de algum modo, tivesse sido descoberto. Mas, enquanto rememorava aquela noite maravilhosa, não conseguia me lembrar de nenhum deslize, nenhum atalho indolente, nada além de uma perfeição esmerada. Apesar disso, teria Alguém de Algum Modo descoberto Alguma Coisa?

Mas não: era impossível. Eu havia sido meticulosamente limpo, como sempre. Além do mais, se meu trabalho manual tivesse sido detectado, eu não teria recebido um educado convite para ir bater papo com o capitão – com um “por favor” de verdade adicionado a ele! Pelo contrário, eu estaria olhando para a Tropa de Choque amontoada ao redor da minha mesa, me examinando através de seus rifles com mira telescópica guiada a laser e me implorando para tentar fazer alguma coisa.

Certamente, havia outra explicação mais simples para o fato de o capitão Matthews me intimar a comparecer ao Olimpo; porém, não importava quão diligentemente eu incitasse meu poderoso cérebro ao longo de seus processos, ele não apareceu com nada além de uma premente sugestão de que eu comesse o donut antes de comparecer perante a augusta presença do capitão. Aquilo não era na verdade uma resposta, mas era um pensamento bom e prático, e ele foi seguido por outro. Na verdade, não importava o que ele queria. Ele era o capitão, eu era um humilde perito em análise de borrifos de sangue. Ele dava ordens e eu as obedecia. Isso é tudo que você sabe neste mundo, e tudo de que precisa saber. E com um coro crescente de “O Dever Chama” soando nas minhas gaitas de foles mentais, eu me levantei da cadeira e me dirigi para fora da sala, terminando de comer meu donut enquanto saía.

Por ser um capitão de verdade, e muito importante no esquema geral das coisas, Matthews tinha uma secretária, embora ela gostasse de ser chamada de Assistente Executiva. O nome dela era Gwen; e ela possuía três virtudes em um grau maior do que qualquer outra pessoa que eu já tivesse conhecido: impressionantemente eficiente, insuportavelmente séria e inflexivelmente sem graça. Uma combinação deliciosa, e eu sempre a achei irresistível. Então, enquanto me apressava até a mesa dela, limpando os resíduos de donut das mãos nas calças, que era o lugar deles, não consegui deixar de tentar dizer um

pequeno [1] bon mot.

– Bela Gwendolyn – eu disse. – A face que lançou mil carros de patrulha!

Ela me encarou com uma ligeira carranca.

– Ele está esperando você – ela disse. – Na sala de reunião. Pode entrar.

Não era uma observação das mais alegres, mas Gwen nunca tinha sido conhecida por seu senso de humor brilhante, então lhe dirigi o meu melhor sorriso falso, de qualquer modo, e disse:

– Sagacidade e beleza! Uma combinação devastadora!

– Entre – ela repetiu, com um rosto que poderia ter sido esculpido em pedra ou, pelo menos, em um pudim muito duro. Passei rapidamente por ela e me encaminhei pela porta até a sala de reunião.

O capitão Matthews estava sentado à ponta da mesa, com uma aparência séria, viril e, pelo menos, seminobre, como ele quase sempre fazia. Sentada a um lado dele estava minha irmã, a sargento Deborah Morgan, e ela não estava com uma cara feliz. É claro, ela raramente estava feliz; entre sua cuidadosamente cultivada Cara Fechada de Policial e sua aparência geral de vigilância emburrada, a mais alegre expressão que havia conseguido arrumar em minha presença era um olhar de aquiescência malevolente. Mesmo assim, naquela manhã ela estava com um ar de grande desagrado, até mesmo para ela. Voltei meu olhar para as outras três pessoas sentadas ao redor da mesa, esperando encontrar alguma dica para o mal-estar da minha irmã.

Sentado mais perto do capitão estava um homem que era certamente o Macho Alfa do grupo. Tinha uns trinta e cinco anos, e vestia o que parecia ser um terno muito caro, e Matthews havia inclinado sua cabeça na direção do homem de um jeito que ia além da deferência e quase se aproximava da reverência. O homem me encarou quando entrei, escaneando-me como se estivesse memorizando uma lista de números, e então se voltou impaciente para Matthews.

Sentada ao lado desse sujeito charmoso estava uma mulher tão impressionantemente bonita que, por uma fração de segundo, esqueci que estava andando e parei na metade do passo, meu pé direito balançando no ar, enquanto a olhava de boca aberta, como um moleque de doze anos de idade. Eu simplesmente fiquei olhando, e não daria para dizer por quê. O cabelo da mulher tinha a cor de ouro velho, e seus traços eram agradáveis e regulares, não dava para negar. E os olhos eram de um impressionante tom violeta, uma cor tão improvável e, ao mesmo tempo, tão irresistível, que senti uma necessidade urgente de me aproximar e estudá-los com muita atenção. Mas havia algo além da mera organização de seus traços, alguma coisa que não era vista e apenas sentida, que a fazia parecer muito mais atraente do que realmente era – uma Passageira das Luzes? O que quer que fosse, aquilo chamou minha atenção e fez com que eu ficasse incapaz de agir. A mulher observou meus olhos arregalados como quem não acha tanta graça assim, erguendo uma sobrancelha e me dando um sorrisinho que dizia: é claro, mas e daí? E então ela tornou a olhar para o rosto do capitão, me liberando para retomar meu passo interrompido e ir tropeçando para a mesa uma vez mais.

Em uma manhã cheia de surpresas, minha reação à mera Formosura Feminina era até que bem grande. Eu não conseguia me lembrar de ter agido de modo tão absurdamente humano: Dexter não se Derrete, não por causa da mera beleza feminina. Meus gostos são um pouco mais refinados, geralmente envolvendo um companheiro cuidadosamente escolhido e um rolo de fita adesiva. Mas alguma coisa naquela mulher havia me deixado completamente paralisado, e eu não conseguia deixar de olhar enquanto desabava em uma cadeira ao lado da minha irmã. Debs me recebeu com uma cotovelada nas costelas e um sussurro:

– Você está se derretendo todo – ela sibilou.

Eu não estava, é claro; mas, de qualquer jeito, endireitei-me e conclamei os fragmentos da minha dignidade em frangalhos, olhando ao redor em uma tentativa de recuperar minha habitual compostura.

Havia mais uma pessoa à mesa, que eu ainda não havia registrado. Ele havia deixado uma cadeira livre entre ele próprio e a Irresistível Sereia, e se inclinava na direção oposta a ela, como se pudesse contrair alguma coisa; sua cabeça apoiada em um braço, o cotovelo displicentemente plantado na mesa. Estava de óculos escuros do tipo usado por aviadores, que não disfarçavam que era um homem vigoroso e charmoso de seus quarenta e cinco anos, com um bigode cuidado à perfeição e um corte de cabelo espetacular. Não era possível ter certeza, com os óculos escuros grudados no rosto, mas com certeza parecia que não havia dado nem uma olhadinha na minha direção enquanto eu entrava desajeitado na sala e me dirigia à cadeira reservada a mim. De algum modo, consegui esconder minha esmagadora decepção em relação à negligência dele e voltei meu olhar calmo e determinado para a cabeceira da mesa, onde o capitão Matthews estava uma vez mais pigarreando.

– Aham – ele disse, cuidadosamente. – Já que estamos todos aqui, hum. Então... – Ele acenou na direção de Deborah. – Morgan – ele disse, e me olhou. – E, ahn... Morgan. – Franziu o sobrecenho, como se eu o tivesse insultado ao escolher para mim um nome que ele já havia pronunciado, e a bela mulher deu uma risadinha no silêncio da sala. O capitão Matthews ficou até ruborizado, o que era, quase com certeza, uma coisa que não acontecia desde o ensino médio; e ele pigarreou uma vez mais. – Tudo bem – disse, com sólida autoridade e um olhar enviesado na direção da mulher. Acenou para o homem com o terno impressivo. – O sr., ahn, Eissen, que está aqui, representa, hum, a BTN. Big Ticket Network. – O homem acenou de volta para Matthews com uma demonstração muito deliberada de desprezo paciente. – E, hum, eles estão aqui, na cidade. Em Miami – ele acrescentou, caso nós tivéssemos esquecido em qual cidade morávamos. – Eles querem fazer um filme. Um, ahn, seriado para a TV, vocês sabem.

O homem com os óculos escuros falou pela primeira vez:

– Um piloto – ele disse, sem mexer o rosto, separando os lábios apenas o suficiente para revelar um conjunto faiscante de dentes perfeitos. – Queremos fazer um piloto.

A bela mulher revirou os olhos e me olhou, balançando a cabeça, e quando dei por mim eu estava sorrindo ansiosamente para ela, sem nenhuma decisão consciente de fazer isso.

– Correto – disse Matthews. – Um piloto. Okay. Então, o negócio é o seguinte. – Ele deu um tapinha ligeiro na mesa com as duas mãos e olhou para Deborah. – O sr. Eissen solicitou nossa cooperação. A qual estamos felizes em dar. Muito felizes – ele disse, acenando na direção de Eissen. – É bom para o Departamento. Uma imagem positiva e, ahn, aham. – Franziu o cenho outra vez, tamborilou os dedos na mesa e encarou Deborah. – Então, é isso que você vai fazer, Morgan. – Franziu o cenho de novo e balançou a cabeça. – E, hum, Morgan. Os dois.

Talvez fosse pelo fato de eu não ter terminado minha xícara do abjeto café, mas eu não tinha a menor ideia do que Matthews estava falando. E então, já que Dexter sempre tinha sido um cara que aprendia as coisas rapidinho, eu pigarreei também. Deu certo; Matthews me olhou com uma expressão de surpresa.

– Desculpe, capitão – eu disse. – Mas devo fazer exatamente o quê?

Matthews piscou na minha direção.

– O que for preciso – ele disse. – Qualquer coisa que eles peçam para você fazer.

O sr. Bigode falou, uma vez mais sem mover qualquer músculo facial:

– Eu preciiiiiiso – ele disse, enfatizando a palavra sem a menor razão – saber Quem. Você. É.

Isso fazia ainda menos sentido do que o que Matthews falara, e não consegui pensar em nenhuma resposta mais arguta do que:

– Oh. Hm-hum... – Isso deve ter soado tão medíocre para ele quanto soou para mim, porque finalmente ele se moveu, voltando sua cabeça totalmente na minha direção e dando um piparote nos óculos escuros com um dedo muito bem manicurado.

– Preciso observar você; aprender a fazer o que você faz; entender como ser você – ele disse. E me mostrou rapidamente um conjunto de dentes faiscantes. – Não deve demorar mais que uns poucos dias.

A bela mulher perto dele bufou e murmurou alguma coisa que soou como “bundão”. No rosto do homem houve uma ligeira contração causada pela irritação; mas, a não ser por isso, ele a ignorou.

– Mas a troco de quê? – eu disse. E já que gosto de jogar no mesmo nível que meus competidores, acrescentei: – Você não gosta da pessoa que você é?

A Deusa soltou uma risadinha; o homem apenas franziu as sobrancelhas.

– É para o papel – ele explicou, soando ligeiramente surpreso. – Eu preciso fazer uma pesquisa para meu personagem.

Acho que eu ainda estava com uma expressão um pouco confusa, porque a bela mulher me dirigiu um sorriso estonteante que fez com que meus dedos dos pés se curvassem e eu ficasse feliz por estar vivo.

– Acho que ele não sabe quem você é, Bob – ela disse.

– Robert – ele grunhiu. – Não Bob.

– Na verdade, algumas pessoas nunca ouviram falar de você, sabe – ela disse, com uma doçura excessiva.

– Ele provavelmente também não sabe quem você é – retrucou Robert, ríspido. – A não ser que leia as revistas de fofoca.

O sr. Eissen, o homem com o terno maravilhoso, bateu o nó de um dos dedos na mesa. Ele fez isso com muita discrição, mas todos ficaram em silêncio e se empertigaram um pouco. Eissen me dirigiu um sorriso microscópico.

– Robert – ele disse, dando uma ligeira ênfase ao nome, e então acrescentando: –, Robert Chase. – Deu uma balançadinha na cabeça com ar de quem não acha aquilo importante. – Robert é um ator muito conhecido, sr. Morgan.

– Ah, certo – eu disse, fazendo-lhe um amigável gesto com a cabeça. Ele empurrou seus óculos escuros de volta.

– Quase todos os atores gostam de ter uma ideia da... realidade... por trás do papel que vão desempenhar – disse Eissen; e, de algum modo, ele fez com que aquilo soasse como se estivesse falando a respeito de criancinhas que estão passando por uma fase desagradável, e me dirigiu outro sorrisinho condescendente para acompanhar suas palavras.

– Jacqueline Forrest – ele continuou, com um pequeno floreio da mão para indicar a bela mulher. – Jackie vai fazer o papel de uma detetive durona. Como a sua sargento Morgan. – Ele sorriu para Deborah, mas ela não sorriu para ele. – E Robert vai fazer o papel de um gênio forense. O que nós ficamos sabendo que o senhor é. Então, Robert gostaria de seguir o senhor durante suas horas de trabalho por uns dias e ver o que o senhor faz, e como o senhor faz.

Eu sempre ouvi dizer que a imitação é a mais sincera forma de lisonja, mas não me lembro de alguém ter acrescentado que a lisonja era na verdade uma coisa boa; e confesso que não estava terrivelmente feliz. Não é que eu tenha algo a esconder – já escondi tudo que precisava –, mas eu gosto muito da minha privacidade, e a ideia de ter alguém me seguindo por aí e tomando notas sobre o meu comportamento era um tanto perturbadora.

– Hum – eu disse, e era bom ouvir que minha costumeira eloquência havia tomado a dianteira –, isso vai ser, hum, meio difícil...

– Não tem problema – disse o capitão Matthews.

– Eu consigo dar um jeito nisso – disse Robert.

– Eu não – disse Deborah, e todos a olharam. Ela parecia ainda mais emburrada do que quando eu entrei, o que era um feito e tanto.

– Qual é o problema? – perguntou Eissen.

Debs balançou a cabeça.

– Eu sou policial, não a porra de uma babá – ela disse, com os dentes cerrados.

– Morgan – disse o capitão Matthews, e ele pigarreou e olhou ao redor, para ver se alguém havia percebido o palavrão.

– Eu não tenho tempo para essa merda – Debs continuou, usando mais um palavrão. – Hoje de manhã fiquei sabendo de um tiroteio envolvendo carros em Liberty City, uma overdose na U e uma decapitação no Grove.

– Nossa – disse Jackie, com uma surpresa resfolegante.

Matthews balançou a mão com um gesto de pouco-caso.

– Não é importante – ele disse.

– O caramba que não é – retrucou minha irmã.

Matthews balançou a cabeça na direção dela.

– Passe para o Anderson ou para outra pessoa. Isto – ele disse, batendo o nó do dedo na mesa – tem prioridade. – E ele deu para Jackie o seu mais estonteante sorriso eu-sou-ponderado-mas-sou-machão. Ela sorriu para ele, aparentemente paralisando Matthews por vários segundos até que, uma vez mais, Deborah quebrou o encanto.

– Essa não é minha função – ela insistiu. – Minha função é prender criminosos, e não ser babá de uma modelo.

Eu olhei para Jackie para ver como receberia aquilo; ela só olhou na direção de Debs com ar impressionado e balançou a cabeça devagar.

– Perfeito – ela disse, suavemente.

– Sua função – disse Matthews com severidade – é seguir ordens. Minhas ordens – ele acrescentou, dando uma olhada rápida para Jackie para ver se ela estava impressionada. Mas Jackie não havia tirado os olhos de Deborah.

– Mas que saco, capitão – disse Debs. Matthews ergueu uma das mãos e a interrompeu.

– Já chega – ele disse bruscamente. – Eu estou designando você para ser consultora técnica destas pessoas. Ponto-final. Até receber outras ordens. – Debs abriu a boca para dizer alguma coisa, mas Matthews a interrompeu na hora. – Você vai fazer isso, e vai fazer bem-feito, e é isso, é só isso, a discussão acabou. – Ele se inclinou ligeiramente na direção da minha irmã. – E, Morgan... cuidado com o que diz, certo? – Ele a encarou, e ela o encarou de volta, e por um momento foi só isso o que aconteceu, até que finalmente Eissen quebrou o encanto.

– Ótimo, tudo acertado – ele disse, e deu um sorriso falso para indicar que todos então estavam felizes. – Obrigado por sua cooperação, capitão. A Network fica muito grata.

Matthews abanou a cabeça.

– Bom, isso é... hum... E tenho certeza de que vai ser uma coisa boa. – Ele me olhou, e depois olhou Deborah. – Para todos nós – disse, com um olhar duro para minha irmã.

– Tenho certeza de que o senhor está com a razão – disse Eissen.

– Vai ser impressionante –, murmurou Jackie.

Deborah parecia não concordar.