Judaísmo para o século XXI: o rabino e o sociólogo

Sinais dos novos tempos

O judaísmo moderno chegou a seu fim nas últimas décadas. Os fatores que possibilitaram essa mudança foram tanto internos como externos. Só para enumerar os principais: a) a nível demográfico, a distribuição populacional do povo judeu, concentrado um século atrás na Europa oriental e em menor número na Europa central e ocidental, tem atualmente seus maiores contingentes estabelecidos em Israel e nos Estados Unidos; b) socialmente, um povo que no início do século XX era em grande parte formado por mascates, artesãos e operários vivendo na pobreza passou a exercer ofícios de profissionais liberais e empresários; c) enfim, um povo diaspórico criou uma base nacional própria, o Estado de Israel.

Mas se o povo judeu mudou, a situação mundial não ficou atrás. A diáspora, categoria reprimida e esquecida, passou a ser usada e legitimada intelectual e politicamente pelos mais diversos povos e grupos. Quem entrar na internet descobrirá de fato um aumento quase diário de sites referentes às mais diversas “diásporas”. Publicações mudam de nome para incluir “diáspora” em seus títulos. Só para mencionar importantes fatos políticos recentes: a diáspora de Kosovo (em particular a baseada na Alemanha), que teve um papel significativo no financiamento de compra de armas para o Exército de Liberação de Kosovo; e a diáspora curda, nas manifestações de protesto contra o governo turco.