Judaísmo para o século XXI: o rabino e o sociólogo
SOCIABILIDADE BRASILEIRA E IDENTIDADE JUDAICA Bernardo Sorj
Sociabilidade Brasileira e Identidade
Judaica 1
Bernardo Sorj
Introdução
À primeira vista o estudo da comunidade judaica no Brasil não apresenta maior interesse sociológico. Grupo pequeno, que não chega a representar 0,1% da população, ocupando em grande parte setores sociais médios, sem maior peso institucional na vida nacional, a comunidade judaica aparece como mais um componente do lado bem-sucedido e moderno do Brasil contemporâneo. Acreditamos, porém, que a análise da dinâmica de integração dos judeus no Brasil pode ser particularmente instrutiva tanto para a compreensão da cultura brasileira como do judaísmo e do antissemitismo modernos.
A sociedade brasileira não discrimina o imigrante, pelo contrário, o valoriza. O Brasil conseguiu absorver o maior contingente de população japonesa fora do próprio Japão, milhões de árabes e menor quantidade de judeus, sem gerar conflitos étnicos ou práticas preconceituosas. Trata-se de um feito admirável, possivelmente sem similares na história contemporânea. Grande parte desses imigrantes, numa sociedade que até final dos anos 70 apresentou índices altíssimos de crescimento econômico e mobilidade social, conseguiu rapidamente, graças aos valores e conhecimentos trazidos de seus lugares de origem, ascender socialmente e ocupar posições importantes nas classes médias e elites do país. Ao contrário do restante da América Latina ou da Europa, a ascensão social dos imigrantes, em lugar de alimentar ideologias, movimentos políticos racistas ou sentimentos antiétnicos, foi vista em geral como fator positivo.