Judaísmo para o século XXI: o rabino e o sociólogo
Diáspora e pesquisa e ensino judaicos
Por que essa explosão de diásporas? A resposta básica, sobre a qual coincide a bibliografia sobre o tema, é que o surgimento de novas identidades diaspóricas está relacionado à transferência maciça de populações no mundo contemporâneo, aos novos sistemas de comunicação e transporte e ao descolamento e reconstrução de identidades – pela crise dos marcos políticos e ideológicos tradicionais associados ao Estado nacional, que deixa de ser um foco monopolístico de identificações identitárias coletivas.
Existe porém uma outra influência na utilização crescente do conceito de diáspora, que reivindica o sucesso da diáspora judaica e do Estado de Israel. Já nas primeiras décadas do século XX, o escritor e líder afro-americano Du Bois mencionava a capacidade mobilizadora do sionismo como fonte de inspiração do movimento negro, assim como o próprio Arafat não deixa de apontar a necessidade de se aprender com a história do movimento sionista.
Assim, apesar das pretensões de vários teóricos da ciência social, que romanticamente procuram ver nas diásporas uma expressão de resistência às estruturas dominantes, o que inspira boa parte das novas diásporas é seu sucesso como mecanismo de organização capaz de assegurar canais de informação e apoio mútuo, ou de obter maior influência no sistema do poder, através da solidariedade transnacional. Qualquer analista das novas gerações judias observara que, apesar da mensagem de perseguição e Holocausto sobre a qual as escolas judaicas ainda procuram constituir a identidade judaica, são os laços e redes de solidariedade global que
mais atraem hoje os jovens judeus ao judaísmo.2
Diáspora e pesquisa e ensino judaicos
O resgate do conceito de diáspora por parte das ciências sociais deveria, a princípio, ser considerado bem-vindo pelo campo dos
estudos judaicos. Não é este o caso. Biale e Galchinsky 3 explicam esse distanciamento entre a área de estudos culturais (cultural studies), onde se dá em boa medida o debate sobre o conceito de diáspora, e a dos estudos judaicos, como expressão do distanciamento da experiência do movimento negro e o da comunidade judaica norte-americana. Enquanto para os últimos as instituições americanas de mobilidade social funcionaram perfeitamente – como indica Biale o judeu foi “embranquecendo” –, para os primeiros elas se mostraram particularmente frustrantes e