O Trílio Negro

Marion Zimmer Bradley, Julian May e Andre Norton · Capítulo 19 de 46

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O Trílio Negro

Capítulo 18

 

A Princesa Anigel quase desmaiou quando a Arquimaga disse o que era o talismã que ela devia procurar. Um Monstro com Três Cabeças! A perspectiva teria apavorado até mesmo a corajosa Kadiya ou a confiante Haramis. Era ridículo pensar que ela pudesse encontrar e domar uma coisa dessas. Não! Era impossível!

Num acesso de choro furioso, foi o que ela disse para Immu (pois a Arquimaga dormia profundamente e não podia ser acordada), mas a nyssomu apenas a aconselhou a ser paciente.

— Há muitos tipos de monstros — disse Immu – e nem todos são como os skriteks, com olhos de fogo, garras e presas afiadas, pois a palavra tem muitos significados. Enquanto não vir o talismã com seus próprios olhos, princesa, acho melhor não resolver se deve ou não ter medo dele.

O bom senso de Immu a reconfortou em parte. Como a Dama Branca dormia, esquecida do mundo, as duas ficaram à vontade. Lavaram-se, fizeram um ótimo jantar com o que encontraram na despensa farta, depois deitaram no chão na frente da lareira, uma de cada lado da cadeira da Arquimaga, para o caso de ela precisar de alguma coisa durante a noite.

De manhã, a Dama Branca tinha desaparecido...

Bem como a casa, o jardim com os togars comendo grama, o Trílio Negro, o pequeno pomar e até a escada de ppedra e o cais onde elas haviam desembarcado.

Anigel e Immu estavam deitadas nos seus sacos de dormir acolchoados com folhas tenras, numa encosta, sob as folhas enormes de uma bruddok, a árvore que os nyssomus chamavam de a ”amiga dos viajantes”, por causa das suas folhas acolhedoras e dos frutos doces e suculentos. A única indicação de que não estavam no meio de uma selva eram as ruínas de Noth, visíveis atrás das árvores, no outro lado do rio, na praia onde antes estava o chalé.

Anigel, desapontada, começou a chorar. Por um momento acreditou que seu encontro com a Arquimaga fora um sonho. Mas então encontrou sob o saco de dormir a folha grande e verde com o caminho marcado da ponta até a haste. Immu chegou perto da água e de repente exclamou:

— Olhe olhe olhe! A Dama Branca nos deixou um presente!

Ainda chorosa, Anigel saiu do saco de dormir e aproximou-se da margem da lagoa. Entre os juncos altos e as flores amarelas malcheirosas estava um barco. Não era como o dos uisgus, de junco trançado, que as havia levado até Noth, mas o modelo maior, dos nyssomus, feito de um tronco de kala, que ela costumava ver no rio, em volta da Cidadela. Mas havia uma diferença — além dos remos e forqueias (estas desmontadas, dentro da embarcação), tinha na proa um reforço ao qual estavam presos dois tirantes de couro, que passavam por anéis laterais externos, com duas pontas sobre o banco central e as outras duas dentro da água lamacenta.

Anigel examinou o barco por um momento, sem compreender.

— Você acha... — Então deu um grito. Duas cabeças enormes, cobertas de pêlo malhado de verde, ergueram-se da água, finas e fortes, com enormes olhos negros, bigodes de cerdas duras, as presas à mostra nas bocas abertas para um silvo hostil.

— Rimoriks — disse Immu. — Que horror.

— Mas não temos nenhum uisgu para conduzi-los — disse a princesa, com voz trêmula.

— Mesmo assim, parece que a Arquimaga quer que usemos este meio eficiente de transporte.

Anigel mordeu o lábio. Sem olhar para Immu, perguntou:

— Acha que você poderia?

— Não, Princesa Anigel — disse a oddling, solenemente. — Esses animais só trabalham por amizade para aqueles que tomam o miton sagrado.

Anigel voltou-se, trêmula, para as duas criaturas.

— A Arquimaga os mandou para nos ajudar? — perguntou.

A resposta foi um silvo ameaçador. Os rimoriks mergulhavam e emergiam de dentro da água, impacientes, deixando ver os arreios que os prendiam. O barco sacudia nas ondas que eles provocavam, esticando a linha que o prendia a uma pedra, em terra.

Anigel fechou os olhos.

— Immu, você não pode tomar o miton?

— Não, minha filha — disse a velha ama, com voz suave. — Foi um presente dos uisgus para você... e agora sabemos por quê.

Immu voltou para apanhar a bagagem das duas e alguns frutos do bruddok, para reforçar a ração de viagem. Pôs tudo no barco e estendeu o jarro vermelho de miton para a princesa.

Anigel o apanhou. Com os olhos assustados e o rosto molhado de lágrimas, ela tirou a tampa e ergueu o pequeno jarro para que os rimoriks pudessem vê-lo.

— Eu devo beber — é isso?

Os grandes animais aquáticos fecharam as bocas e mergulharam, deixando só a narina e os olhos negros e desconfiados acima da água. Imóveis, observaram Anigel.

A princesa levou a mão ao amuleto. Com a outra, levou aos lábios pálidos o líquido rubro e tomou um pequeno gole..

Está vendo, irmão, como a fêmea humana tem medo de nós.

Ela tem mais medo do miton, mesmo assim, ela bebeu. Humana! Pode nos ouvir? Quer ser nossa amiga?

— Quero — murmurou Anigel.

Então, molhe dois dedos com o miton, entre na água e compartilhe a bebida conosco.

Atordoada, ela obedeceu, prendendo a bainha do vestido no cinto. A lama quente do fundo da lagoa insinuou-se entre os dedos do seu pé e ela entrou na água até os joelhos. Estendeu a mão com o líquido vermelho-escuro pingando dos dois dedos.

Os animais peludos e malhados de verde deslizaram até perto dela e, apoiando as patas da frente no fundo, abriram as mandíbulas. Estenderam as línguas que pareciam dois chicotes aguçados, capazes de cortar o corpo coberto de escamas de um peixe com a facilidade de uma azagaia. Anigel tinha a impressão de estar observando tudo de longe, como espectadora de uma peça fantástica, representada pela jovem na água e pelos dois rimoriks. Primeiro um dedo, depois o outro, tocaram as línguas predadoras. Assim que engoliram o líquido, sua expressão mudou. Agora, irradiavam bondade, em vez de selvageria, e Anigel não sentiu mais medo deles.

A princesa fechou o pequeno jarro e o guardou na bolsa, no cinto, ao lado da folha de trílio. Atordoada, Anigel tinha a impressão de Ver a folhagem, a água coberta de algas da lagoa, a superfície cinzelada do barco com maior nitidez e clareza. Sentia odores sutis que não havia notado antes, seus ouvidos chegaram a doer, por um momento, com a quantidade e a ampliação de sons variados. Sua pele parecia se arrepiar com o toque da brisa leve e recusar a aspereza da roupa que vestia. Mas suas pernas eram acariciadas pela água corrente e a lama era como veludo macio nos seus pés. O miton vai mudá-la.

O miton vai deixá-la apreensiva, no começo, aguçando demais seus fracos sentidos humanos. Mas esse mal-estar passa logo. Vai sentir-se forte e corajosa, como nós.

— Sim... já me sinto melhor.

Isso é bom. Significa que podemos ser amigos dos humanos, que podemos compartilhar da sua inteligência e vocês, da nossa força e coragem.

— Dizem que sou inteligente. Nunca me considerei inteligente. Mas farei o melhor possível para ser, se me emprestarem sua coragem, pois sem ela nenhuma inteligência será suficiente para realizar minha missão.

A Dama Branca nos deu ordens para ajudá-la. Faremos o melhor possível.

— Vocês têm nomes?

— Você não saberia dizê-los. Pode nos chamar de amigos

— O quê... o que fazemos agora?

Mentalmente, Anigel ouviu as risadas dos dois rimoriks. Mas quem respondeu foi a velha e rabugenta Immu.

— Fazer fazer fazer! E você, a inteligente! Que piada! A Floresta Tassaleyo fica a mais de trezentas léguas daqui, e não podemos nem começar nossa procura antes de chegarmos lá. Que tal entrar no barco, tolinha, segurar as rédeas e começar a viagem?

Os rimoriks pareciam saber exatamente qual o caminho que deviam seguir, valendo-se do que Anigel tinha visto na folha do Trílio Negro. Desceram, veloz e descuidadamente, o Rio Nothar, uma vez que não havia perigo de encontrar nenhum labornok. Não viram nem sinal de Kadiya e os rimoriks não sabiam nada sobre ela. Quando o barco entrou no Alto Mutar, mais largo, Anigel fez com que nadassem mais devagar e com mais cuidado, perto da margem, para não serem facilmente descobertos pelo inimigo. Viram uma meia dúzia de canoas cheias de labornoks, logo depois de Trevista. Mas não foram vistos, embora uma das canoas tivesse passado a menos de vinte ells das fugitivas.

Todas as noites escolhiam um lugar para descanso. Anigel entrava na água e desatrelava os animais que se afastavam para caçar. Uma parte dos peixes e outras criaturas aquáticas que apanhavam, os rimoriks levavam para a nova amiga, e de manhã elas sempre encontravam alguma coisa para a primeira refeição. Porém, antes de atrelar novamente os rimoriks, Anigel tinha de tomar o miton e depois dar a parte dos animais.

Na quarta manhã da jornada rio abaixo, a princesa acordou no escuro silencioso do amanhecer, quando as criaturas noturnas se calam e as diurnas não acordaram ainda. Uma neblina espessa envolvia a pequena ilhota nos arredores de Trevista e a umidade formava gotas que pingavam das folhas. Um pingo d’água caído da canoa emborcada que lhes servia de abrigo a acordou.

Mais uma vez seu sono fora sem sonhos.

Ficou deitada, ouvindo os pingos de orvalho e o ressonar discreto de Immu, segurando com força o amuleto. Nenhum sonho de seca e fogo. Nenhum pesadelo, desde a noite em que haviam dormido no chão, na casa encantada da Dama Branca. Era estranho que não tivesse notado antes..

Estarei realmente curada da minha covardia? Não, não podia ser. Sentia ainda um medo desesperado — medo de ser capturada e morta pelos soldados labornoks, medo da misteriosa Floresta Tassaleyo e dos nativos desconhecidos que a habitavam, medo, acima de tudo, do terrível talismã que devia encontrar, o Monstro de Três Cabeças.

Mas o pesadelo tinha acabado — era a advertência do seu eu secreto. O que significava isso? Pensou em perguntar para Immu, mas a velha oddling dormia a sono solto, murmurando uma vez ou outra na sua língua, e a princesa não teve coragem de acordá-la.

Com esses pensamentos, Anigel adormeceu outra vez.

Várias barcaças com soldados e suprimentos subiam e desciam o Baixo Mutar. Era como se os invasores tivessem se apossado de toda a frota mercante de Ruwenda — para quê, Anigel e Immu não sabiam. Certa tarde, escaparam por pouco quando, depois de uma curva do rio, viram uma barcaça que navegava para elas em curso de colisão. Anigel segurou o amuleto e tentou fazer com que as duas ficassem invisíveis, mas o talismã não a atendeu. Porém, antes que ela entrasse em pânico, os rimoriks mudaram o rumo, atravessando o rio em ângulo reto e escondendo o barco atrás de um grande obstáculo flutuante. Os homens de Labornok, ofuscados pelo sol poente, passaram sem vê-las.

Quando alcançaram as regiões mais populosas, acima da Cidadela, a princesa dirigiu os rimoriks para os canais secundários e os remansos menos movimentados. Sua sorte começava a parecer quase sobrenatural. Uma vez que não podiam trocar os rimoriks por outros descansados, como faziam Lebb e Tirebb, na viagem para Noth, navegavam mais devagar, mas numa boa velocidade, e não estavam expostas aos perigos naturais do rio, como o gigantesco peixe carnívoro, o milingal, que infestava a região do Pântano Negro atravessada pelo Baixo Mutar, protegidas pela natureza combativa dos rimoriks. Muitas outras criaturas aquáticas mantinham-se a distância, à passagem dos grandes carnívoros peludos.

A primeira ameaça real surgiu no dia em que estavam acampadas a poucas léguas da Cidadela, esperando a noite para atravessar o Knoll com maior segurança, e Anigel descobriu que o jarro vermelho de miton estava vazio. A tampa havia se soltado e não tinha mais nem uma gota do líquido precioso.

— Isto é horrível! — exclamou a princesa. — Logo aqui, na parte mais perigosa do rio, com soldados inimigos por toda parte! Sem o miton, os rimoriks não vão nem nos deixar entrar no barco. Lembra-se daquela manhã quando eu me esqueci do ritual? Arreganharam os dentes como se eu fosse uma estranha! Ó, Immu, o que vamos fazer? Sem a ajuda dos rimoriks, nunca chegaremos à Floresta Tassaleyo.

— Só há uma coisa a fazer — disse Immu. — Você tem de preparar mais miton.

— Mas, como? — disse a jovem, irritada. Então arregalou os olhos azuis, compreendendo. — Mas não posso! — gemeu. — Nem em mim — muito menos neles!

— Posso ajudar a tirar seu sangue — disse Immu. — O processo é indolor, depois da primeira picada. Mas você tem de se encarregar dos seus amigos de dentes afiados. Se eu chegar perto deles com minha faca, me engolem de uma só vez.

Depois de um momento de hesitação e repulsa, a princesa concordou. Immu espremeu o suco de algumas folhas, depois, com a adaga afiada, fez um pequeno talho no pulso de Anigel. A princesa ficou impassível. O suco das plantas derramado no corte impediu a coagulação do sangue e Immu o aparou no côncavo de uma folha de dogo. Passou o sangue para o pequeno jarro vermelho, lavou o corte com orvalho, colocou sobre ele uma flor azul medicinal e fez uma atadura apertada.

— Pronto! — A oddling deu o último nó na atadura de relva. — Agora, não tenho idéia de como você vai tirar o sangue dos rimoriks.

— Vou perguntar a eles — disse Anigel. E os animais responderam.

— Traga uma folha-prato para o barco.

Eles estavam desatrelados, na água rasa, perto da popa do barco. A proa estava em terra. Anigel foi até a popa e eles se aproximaram. Um depois do outro, ergueram metade do corpo fora da água, morderam a ponta de uma das nadadeiras providas de garras e deixaram o sangue escorrer na folha. Depois, um deles nadou para longe e voltou com uma erva do pântano de flores vermelhas, arrancadas com raiz e tudo.

Esprema um tubérculo desta planta e misture com sangue. Assim é feito o miton. O povo do pântano costuma coar o líquido, mas não é necessário.

— Obrigada, meus amigos — disse Anigel.

Ela seguiu as instruções e logo o jarro estava cheio com o líquido sagrado vermelho-escuro, com gosto de sal e de açúcar. A princesa estava acostumada com a bebida e o estímulo dos sentidos provocado por ela lhe parecia tão normal que só se sentia realmente acordada de manhã, depois do ritual com os rimoriks.

Muito depois, nas primeiras horas quietas e escuras da madrugada seguinte, quando tinham quase terminado a Pas” sagem perigosa do Knoll da Cidadela, e navegavam velozmente pelo remanso, na entrada do Pântano Verde, Anigel lembrou-se de perguntar a Immu se o miton havia provocado alguma mudança na sua personalidade — como diziam que mudava a dos nyssomus que o tomavam.

— Você é a mesma pessoa querida que eu sempre amei — disse Immu —, talvez mais madura e mais experiente, menos exigente com a comida e com o lugar em que descansa a cabeça à noite, ou onde faz suas necessidades. Também se transformou numa barqueira consumada. Não sei se seu povo consideraria isso como uma melhora.

Anigel disse, olhando para Immu por sobre o ombro:

— Desde que deixamos Noth não tive mais os pesadelos. Acha que é porque agora sou corajosa, Immu?

— Corajosa ou louca — disse a velha oddling, num resmungo, agarrada com toda a força na borda do barco, enquanto deslizavam velozmente no meio de uma floresta de kalas, ao norte da Grande Passarela. Pela primeira vez não havia neblina e as Três Luas bruxuleavam entre os galhos cobertos de musgo. — Veja só, princesa, segurando as rédeas como um veterano cavaleiro com seu volumnial, enquanto voamos na escuridão, mais rápido do que os bandidos skriteks! Percorreu um longo caminho desde o tempo em que se considerava ousada por tentar um novo passo de dança ou um novo ponto de bordado.

— Mas eu ainda sinto medo, Immu.

— É claro que sente. Eu também — e com um bom motivo! Se não diminuir a velocidade dessas duas criaturas danadas, podemos acabar grudadas numa árvore, com os pássaros noturnos rindo dos nossos ossos quebrados.

Anigel puxou um pouco as rédeas dos rimoriks.

— Eles enxergam no escuro. Não corremos perigo aqui. O perigo está mais adiante — eu sinto.

— Isso pode ser verdade.

— Você acha que as minhas irmãs também estão procurando seus talismãs?

— Provavelmente.

— A Dama Branca foi cruel separando-nos — exclamou Anigel, de repente. — Nascemos juntas. Sempre vivemos juntas. Seria muito mais fácil se ela nos deixasse compartilhar nossas procuras. Podíamos nos ajudar mutuamente!

— Sem dúvida — resmungou Immu com voz cansada. Inclinou a cabeça e as orelhas longas e pontudas tatalaram ao vento, contra o linho fino e sujo da touca da corte, que ela insistia em usar. — Mas ela não as privou dos servos fiéis.

A princesa conteve-se para não expressar a nova queixa que chegou aos seus lábios. Sim, foi ajudada por muitos nativos, para não falar nos rimoriks. Mas a companheira e auxiliar mais constante foi sempre Immu — e o que tinha feito para demonstrar sua gratidão à velha ama, desde o começo daquela jornada? Para ela, Immu era presença obrigatória. Nunca perguntou se a velha oddling estava cansada ou com medo. E agora as duas estavam sem dormir um dia e parte da noite, porque Immu não aceitou a sugestão da princesa de um cochilo durante a viagem noturna. Anigel sentia-se cheia de energia e entusiasmo, ansiosa para continuar, e os rimoriks, sentindo essa urgência, respondiam à altura. Mas Immu estava evidentemente exausta...

— Encontrem um lugar seguro para uma parada — ordenou ela aos animais.

Sim, amiga, responderam eles. Diminuindo a velocidade, levaram o barco para a margem atravessando uma espessa cortina de trepadeiras floridas. Logo adiante havia uma ilhota alta e seca. Quando o barco raspou o fundo, Immu fungou. Ergueu a cabeça e abriu os olhos com um estalido.

— Acorde, Immu — disse Anigel, suavemente. — Está na hora de ir para a cama.