O Trílio Negro
Capítulo 37
Quando Voz Azul morreu, Orogastus gemeu dolorosamente e saiu do transe banhado em suor, recostando na grande poltrona em sua sala de trabalho, de onde havia assistido ao fracasso do seu servidor.
— A culpa é minha! Sou o único culpado! Agora dois talismãs estão fora do meu alcance.
Se seus estudos sobre a festa das Três Luas estivessem certos, tinha apenas três dias e quatro noites para salvar o que restava do seu grande plano..
Por ter sido invocado pelo Voz Azul, Orogastus assistiu a toda a luta com o Príncipe Antar. Mas o barco parecia conduzido por uma pessoa invisível, porque a Princesa Anigel estava protegida da Visão sobrenatural do feiticeiro pelo amuleto, agora engastado na tiara talismã.
Voz Azul havia sugerido adiar seu ataque ao príncipe para quando chegassem em terra firme, mas Orogastus achou que ele teria maior chance de sucesso se o príncipe fosse atacado nas águas revoltas, sem nenhum wyvilo ou cavaleiro para ajudá-lo. Orogastus não disse ao seu assistente que, se o pior acontecesse e a canoa naufragasse no rio, Antar morreria junto com o Voz Azul, por causa do peso da armadura — enquanto que os rimoriks sem dúvida salvariam Anigel e o talismã.
Mas agora o agente de Orogastus estava morto e o Príncipe Antar vivia ainda, apaixonado pela princesa e com possibilidade de atrair um grande número de labornoks para a sua nova causa. Vivo, Antar era um obstáculo de grandes proporções para os planos ambiciosos do feiticeiro.
Procurando furiosamente uma solução, Orogastus levantou-se e começou a andar pela sala. A neve não caía mais e as Três Luas transformavam a solidez do Monte Brom num cenário de extraordinária beleza.
A Princesa Haramis já havia se retirado para seus aposentos. Naquele dia a conversa entre os dois foi bastante satisfatória. Ela agora parecia disposta a aceitar sua versão do ataque dos labornoks, segundo a qual os responsáveis pelas atrocidades eram o Rei Voltrik e o General Hamil, com Orogastus no papel de mero aliado relutante. Conseguira explicar ou justificar quase tudo. Por sorte, Haramis não tivera a idéia de usar a visão a distância quando Kadiya estava nas mãos do General Hamil. O feiticeiro acreditava que agora Haramis podia tentar ver as irmãs sem prejuízo para sua causa.
Porque, quer ela admitisse ou não, a Princesa Haramis estava apaixonada por ele.
O feiticeiro não tinha nenhuma intenção de estudar a fundo esse sentimento. É claro que ele jamais poderia se apaixonar por ela!. Contudo, um diabinho zombeteiro, no fundo da sua alma, o aconselhava a ter cuidado. Não mentiu para Haramis quando disse que era solteiro. Precisava ser muito cauteloso. Sua mente era invulnerável para ela, mas seu corpo certamente não era. Quando seus corpos se incendiaram mutuamente de desejo, o prazer momentâneo foi algo que ele jamais havia sentido antes.
E isso o assustou tremendamente.
O amor sexual era tradicionalmente proibido para quem exercia a magia — e com muita razão. Distraía a mente dos objetivos maiores, cegava a objetividade, minava a vontade e gastava energias que deviam ser guardadas e concentradas para conseguir o verdadeiro poder.
Mas Orogastus precisava dela! E não só por causa do talismã. Haramis era a companheira que há tanto tempo ele procurava, infinitamente superior às Vozes bajuladoras. Haramis tinha a chave do Cetro do Poder, temido até pelos Desaparecidos.
Portanto, usaria Haramis, compartilharia com ela, teria até mesmo prazer em sua companhia. Mas sempre em guarda para não amá-la.
No dia seguinte, encantaria a princesa com outros instrumentos antigos, depois provocaria sua compaixão contando um pouco mais sobre sua vida. Se ela não cedesse, o que era possível, em se tratando de uma mente forte como a da jovem, então ele começaria a soltar um pouco o laço — para apertá-lo novamente de uma vez por todas, no momento crucial..
Orogastus parou de andar, e seus lábios curvaram-se num sorriso. Voltou para a poltrona, entrou em transe e chamou seu último acólito na Cidadela de Ruwenda.
— Minha Voz Verde!
— Eu escuto, Mestre Todo-Poderoso.
— Encontrou alguma coisa nova nos livros da biblioteca da Cidadela?
— Várias referências que podem ser importantes, mestre. Uma história antiga de Ruwenda diz que os primeiros habitantes humanos da região acreditavam estar vivendo na ”Era do Trílio”. E que o fim dessa primeira era e o começo da seguinte seria marcado por um grande desastre, e os acontecimentos culminariam na festa das três luas, quando o Trílio do Céu se manifestaria. Suponho que seja a descrição de algum evento astronómico incomum.
— Sem dúvida. É muito interessante e confirma uma das minhas teorias. Continue.
— Num livro que descreve as supostas artes mágicas dos uisgus, existe uma tradução literal de um certo canto. É o seguinte:
Um, dois, três, três em um.
Um a Coroa do Mal nascido, dotada de sabedoria, alimentadora do pensamento.
Dois, a Espada dos Olhos, distribuindo justiça e misericórdia.
Três, o Bastão das Asas, chave e unificador.
Três, dois, um, um em três.
Venha, Trílio. Venha, Todo-Poderoso.
— Aparentemente os uisgus cantam essa canção todos os anos, no seu festival das três luas, mas não sabem ao certo o que significa.
— Eu acho que sei o que significa — disse Orogastus brevemente. — Isso também confirma minhas pesquisas. Muito bem! Mais alguma coisa?
— Mestre, uma última descoberta. De significado pouco auspicioso.
— Diga.
— Diz respeito ao chamado Cetro Triplo do Poder, que, segundo nossas conclusões, é a combinação dos três talismãs. Num baú embolorado encontramos por acaso, alguns dias atrás, um pergaminho quase ilegível. Só hoje o velino foi cuidadosamente aberto com vapor. Vi imediatamente que estava escrito em tuzameni, a língua da sua terra.
— Isso é muito estranho. Nenhum dos povos da Península sabe da existência do meu país. Continue.
— A maior parte do pergaminho é indecifrável. Mas a parte que menciona o que chamam de ”Grande Cetro” pode ser lida e diz: ”O Grande Cetro, quebrado e escondido por Aqueles que Partiram, reaparecerá e abalará as raízes do mundo, fazendo do velho novo e provocando a queda de uma grande estrela.”
— Entendo — Orogastus ficou calado por alguns instantes. Finalmente disse, quase com despreocupação: — Existem milhões de estrelas no céu, minha Voz.
— Sim, Mestre Todo-Poderoso.
— Como o Rei Voltrik reagiu à perfídia do Príncipe Antar?
— Teve um acesso de fúria quando soube que o filho havia penhorado sua espada e seu coração à Princesa Anigel. Mas, a despeito do seu conselho, mestre, não concordou em deserdar o príncipe imediatamente. Antar é popular entre os soldados por seu bom temperamento e coragem e tem muitos amigos entre os parentes da falecida mãe. Sua majestade pensa em deserdar e depor o príncipe depois que o exército de Hamil voltar para a Cidadela, o que aumentará o número de homens leais ao trono.
— Nosso rei está agindo sabiamente — Orogastus acrescentou para si mesmo, Mais sabiamente do que eu, e evitando que eu fizesse outro grande erro! Forças das Trevas, o que aconteceu comigo, para cometer um erro tão grosseiro?
Mas os Poderes das Trevas não deram explicação e ele disse para Voz Verde:
— Temo que agora você tenha de dar ao rei outras más notícias. Hamil está morto. A maior parte do seu exército está intacta, agora sob o comando de Lorde OsorKon. Não precisa entrar em detalhes — diga que desconhecerão a totalidade da situação — mas que a missão da captura da princesa Kadiya e do talismã infelizmente falhou, bem como a da captura da Princesa Anigel.
— Mestre!
— E meus assistentes, Voz Azul e Voz Vermelha, estão mortos.
— Posso perguntar como morreram meus irmãos e Lorde General?
— Pode dizer ao Rei Voltrik que Voz Vermelha e o General Hamil morreram durante uma tentativa fracassada de obrigar Kadiya a entregar o talismã. O talismã está ligado a ela por magia e matou os dois que tentaram se apossar dele. A Princesa Kadiya escapou, mas diga que ela fugiu para o interior do pântano e não é mais uma ameaça para Labornok.
— Devo contar também a Sua Majestade o que aconteceu ao Voz Azul?
— Não diga nada. Para sua informação, Voz Azul tentou matar o Príncipe Antar dentro de um barco. Voz Azul falhou e morreu afogado.
— Que infelicidade! Azul era o mais bravo de nós três e Vermelho o manipulador mais astuto.
— Mas você é o mais inteligente, minha Voz Verde, e está encarregado da tarefa mais delicada, que consiste em evitar que o Rei Voltrik faça algo irremediavelmente idiota antes da minha volta à Cidadela. Lorde Osorkon está conduzindo seus homens de volta com toda a pressa. Com o aumento da força das águas do rio, devido às tempestades que já começaram nas montanhas, seus barcos deverão chegar dentro de três dias. Pode dizer isso ao rei.
— Os ventos já trouxeram as primeiras chuvas a Cidadela também, mestre. Logo os caminhos por terra e os rios deste maldito reino ficarão intransponíveis. Devido a uma certa inquietação entre os ruwendianos das regiões fronteiriças, o Rei Voltrik resolveu que todo o seu exército vai ficar aqui na estação das chuvas. Ele e seus auxiliares já fizeram planos para alojar metade do exército em várias mansões e povoados ruwendianos, e a outra metade no Knoll da Cidadela.
— Isso é prudente. — Outra contingência que eu devia ter previsto e aconselhado o rei a respeito — pensou Orogastus. — Minha Voz, quero que continue a lamentar a traição do Príncipe Antar, sempre que falar com o rei. Insista com sua majestade para deserdar o príncipe logo que seus oficiais leais chegarem à Cidadela. Não preciso dizer que, se acontecer alguma coisa a Voltrik, meus planos serão extremamente prejudicados.
— Compreendo isso, mestre. Farei o melhor possível para aconselhar o Rei Voltrik. Mas a inquietação do rei cresce com a aproximação da festa das três luas. Certos empregados ruwendianos da Cidadela fizeram questão de informar sua majestade sobre as terríveis profecias a respeito desse evento. Ele gostaria de voltar para Labornok.
— Ele não deve deixar a Cidadela! Seria apanhado pelas chuvas na Estrada do Comércio!
— Mestre, eu já disse isso. Mesmo assim, o rei acha que a Cidadela é um lugar de má sorte, por ser tão antigo e repleto da magia ruwendiana.
— Bobagens! Tranqüilize o rei. Ele sabe que os meus Poderes das Trevas, aqueles que lhe deram a vitória, são superiores! E eu estarei com ele, pessoalmente, antes da conjunção das três luas.
— Mestre! Mas como? É uma jornada de oito dias da sua torre até a Cidadela, mesmo com tempo bom.
— Não interessa como vou fazer isso. Apenas espere-me antes da festa das três luas e diga ao Rei Voltrik que estarei aí e que tudo vai ficar bem.
— Mestre Todo-Poderoso, vou tranqüilizá-lo e minimizar os acontecimentos funestos, e ele o receberá de braços abertos, ansioso por seguir seus conselhos.
— Excelente. Adeus, Voz Verde.
— Mestre, adeus.
Quando desapareceu a imagem do acólito, o feiticeiro ficou sentado, por algum tempo, com a cabeça entre as mãos. Então, ergueu o rosto com uma expressão determinada e dura.
— Tudo vai ficar bem. Em primeiro lugar, consultarei o espelho de gelo para ver a Princesa Kadiya, depois vou tratar de Haramis.
Na noite seguinte, Haramis encontrou um presente quando voltou para seus aposentos, depois de jantar com Orogastus. Um embrulho grande de pano negro, atado com umcordão de prata e um bilhete.
Minha muito querida.
Amanhã eu lhe mostrarei minha possessão mais valiosa, o espelho de gelo, com o qual
posso ver os lugares mais distantes do mundo. Jamais o mostrei a qualquer pessoa. A
fim de não ofender os Poderes das Trevas, dos quais depende o funcionamento do
espelho, peço que me acompanhe vestida com as roupas que estão neste embrulho,
feitas por mim, especialmente para você. Ouso esperar que compartilhe comigo os
prazeres desses mistérios ocultos, bem como sinta alguma estima por este que os
coloca a seus pés, junto com meu coração.
Se estou sendo presunçoso, querida princesa, e você preferir deixar minha torre
amanhã, então perdoe-me a ousadia deste bilhete e perdoe este tolo que há tanto
tempo está sozinho, esperando por você, sem jamais ter conhecido o amor até agora.
Sempre seu, com o mais profundo respeito,
ORUGASTUS
Haramis sentiu-se um tanto constrangida com o tom íntimo do bilhete. Será que ele pensa que estou enfeitiçada, pronta para entregar meu coração numa bandeja? Serei pór acaso uma camponesa, para me tornar escrava do primeiro homem que me toca? Ou pensa que estou deslumbrada com sua coleção de instrumentos antigos?
Haramis pensou nas coisas que Orogastus já havia mostrado.
Quem sabe do que são capazes aqueles aparelhos? Não me parecem brinquedos.. e aquele mais complicado, que parece um cabo de besta, tem uma aura bastante sinistra.
Por outro lado, talvez ele não seja o vilão que eu sempre pensei que fosse. Pobre Homem — que infância terrível!
É claro que seu apoio à invasão do Rei Voltrik é imperdoável. Mas acho que não podia se opor diretamente à loucura do monarca, sem ser expulso de Labornok. E ele sabia que seu destino não está em sua terra distante, mas aqui, nestas montanhas, para onde o chamou a Caverna do Gelo a fim de lhe entregar seus tesouros.
No lugar dele, pensou ela, o que eu faria? Teria agido de modo mais inteligente e mais ético? Teria declinado o posto de Feiticeiro da Corte de um governante corrupto, se isso significasse ignorar o chamado de um destino mais alto?
Haramis abriu o embrulho e examinou os trajes que deviam torná-la aceitável aos olhos dos Poderes das Trevas, e não resistiu à tentação de experimentá-los imediatamente.
Havia uma túnica de fazenda negra forrada de pele e botas combinando. Um vestido longo de malha prateada com panos de um negro brilhante, muito frio ao tato. Depois, um manto negro, com forro prateado, com uma fivela trabalhada e o símbolo da estrela de várias pontas nas costas. Finalmente, Haramis apanhou uma espécie de chapéu, de aparência estranha, e hesitou, antes de levá-lo à cabeça. Consistia num capuz prateado, justo na testa e sob o queixo, deixando descoberta a parte superior do rosto. Logo acima dos ombros, erguia-se um círculo de pontas prateadas, afiadas, que circundavam sua cabeça como uma estrela brilhante, deixando o cabelo negro solto nas costas. A máscara não era de metal, mas de um material macio, que parecia couro prateado. Havia também luvas longas, combinando.
Quando acabou de se vestir, Haramis sentiu uma vontade imperiosa de rasgar toda a roupa, fugir do quarto e chamar o lammergeier para levá-la dali. O talismã, no cordão de ouro, estava frio como gelo e sem brilho.
O que estou fazendo?, perguntou Haramis. Esta roupa me dá uma sensação estranha. Os instrumentos que ele me mostrou até agora não são mágicos — tenho certeza disso —, mas, há alguma coisa nestas roupas. Os Poderes das Trevas de que ele tanto fala existirão realmente? Sem dúvida ele acredita que sim e, certamente, alguma coisa concede a ele poderes superiores aos dos homens comuns. Orogastus pode muito bem governar o mundo, como deseja.
Será essa a causa da estranha atração que sinto por ele? Ele tem poder, seja qual for a origem, mas que espécie de poder? Será alguma coisa que posso aprender e usar?
Um tremor de medo percorreu seu corpo. Ergueu o Círculo de Três Asas, olhou fixamente para o centro e disse:
— Dama Branca! Responda!
Não aconteceu nada por um longo tempo. Então, Haramis tirou as luvas prateadas. O bastão aqueceu-se em suas mãos e o trílio no âmbar pulsou com um brilho fraco. Lentamente, apareceu uma névoa perolada no interior do círculo e nela o rosto envelhecido e doente da Arquimaga, sobre um travesseiro. Sua expressão era de dor. Os olhos, linhas escuras, rasos de lágrimas, fixaram-se em Haramis, vestida com a roupa dada por Orogastus.
— Tão depressa? — A voz era fraca como uma brisa sobre um campo de flores. — Ele a conquistou tão depressa?. Mas, não, eu a julguei mal, minha filha. Vejo que ainda não resolveu seguir o caminho dele.
— É claro que não!
A ansiedade de Haramis com a aparência da Dama Branca transformou-se em irritação. A velha maga falava como um adulto censurando uma criança malcomportada. Haramis não a chamara por sentir-se culpada. Não tinha feito nada errado, nada de que se envergonhasse.
— Vim para cá porque fui convidada — disse a princesa, com gelada cortesia —, e porque achei que ninguém sabe toda a verdade sobre Orogastus. Vim para ver pessoalmente o que ele é — e para descobrir suas fraquezas, como você me aconselhou!
— É verdade que esse conhecimento pode vir a ser útil — disse a Arquimaga, com voz suave. — Mas será prudente continuar sob o mesmo teto que ele?
— Não corro perigo aqui — disse Haramis impulsivamente. — Meu lammergeier pode me levar embora a qualquer hora. Orogastus não pode roubar meu talismã. Ele me trata com cortesia...
— Mais do que cortesia.
Haramis corou sob a máscara prateada.
— Sim — admitiu ela.
— Vejo que você está intrigada, Haramis, fascinada pelo homem e por seu poder. E pensa que conhece um grande segredo sobre os instrumentos dos Desaparecidos que Orogastus não suspeita — um segredo que o tornará vulnerável.
— Sim — disse Haramis. — Afinal, foi para isso que vim para cá, à procura de conhecimento. Há muito que aprender aqui. E quanto mais eu aprendo, mais quero saber sobre Ruwenda e sua mágica. Mas estou aprendendo e tudo vai acabar bem. Tenho certeza.
— Sim, tudo vai acabar bem... Mas você deve me procurar logo e ouvir minha visão. Difere completamente da visão de Orogastus e, para algumas pessoas, poderia parecer menos gloriosa. Porém, a decisão é sua. Há um grande abismo entre o meu caminho e o caminho de Orogastus e os iguais a ele. Você deve conhecer os dois antes de fazer sua escolha
— Sim — concordou Haramis. — Eu a procurarei logo.
— Não demore muito.
O rosto envelhecido desapareceu. O círculo ficou vazio.
Largando o talismã, Haramis foi até o espelho do banheiro e olhou para a imagem que ele refletia. Negro e prata. Olhos insondáveis, uma figura alta e imponente. E, sim, assustadora.
Deu as costas ao espelho e começou a tirar os trajes escuros. Mas sabia que ia vesti-los novamente no dia seguinte, e que iria com ele à Caverna do Gelo Negro.