Ponerologia: Psicopatas no Poder

Andrew Lobaczewski · Capítulo 16 de 43

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Ponerologia: Psicopatas no Poder

Propagandistas

PROPAGANDISTAS [ 60 ]

Para compreender os caminhos ponerogênicos de contágio, especialmente aqueles agindo em

um contexto social mais amplo, vamos observar os papéis e as personalidades de indivíduos

que chamamos de propagandistas, os quais são muito ativos nessa área, apesar de que,

estatisticamente, seu número seja insignificante.

Geralmente, propagandistas são portadores de vários fatores patológicos, algumas

caracteropatias e algumas anomalias herdadas. Indivíduos com malformações em suas

personalidades freqüentemente representam papéis similares, embora a escala social de sua

influência permaneça pequena (família ou vizinhança) e não ultrapasse certos limites de

decoro.

O propagandista é caracterizado por um egotismo patológico. Tal pessoa é forçada por

algumas causas internas a fazer uma escolha prematura entre duas possibilidades: a primeira é

forçar as outras pessoas a pensar e experimentar as coisas do mesmo modo que ela mesma; a

segunda é um sentimento de ser sozinha e diferente, um desencaixe patológico na vida social.

Algumas vezes, a escolha se resume a ser um encantador de serpentes ou um suicida.

A repressão triunfante da autocrítica ou de conceitos desagradáveis do campo da

consciência dá origem, gradualmente, aos fenômenos de pensamento conversivo, ou

paralógicos, de paramoralismos e de bloqueios reversivos. Eles saem com tanta profusão da

mente e da boca do propagandista que inundam a mente da pessoa mediana. Tudo se torna

subordinado à convicção super-compensatória por parte do propagandista de que ele é

excepcional, muitas vezes até messiânico. Uma ideologia emerge dessa convicção, em parte

verdadeira, cujo valor é supostamente superior. Contudo, se analisarmos as funções exatas de

tal ideologia na personalidade do propagandista, perceberemos que ela não é nada mais que

um meio de auto-feitiço, útil para reprimir aquelas associações autocríticas desgostosas para

o subconsciente. O papel instrumental da ideologia, o de influenciar as outras pessoas,

também atende às necessidades do propagandista.

O propagandista acredita que sempre encontrará conversos para a sua ideologia e, com

frequência, está certo. Contudo, ele fica chocado (ou mesmo paramoralmente indignado)

quando acontece de sua influência se estender somente a uma minoria limitada, enquanto a

atitude da maioria das pessoas em relação às suas atividades permanece crítica, penosa e

perturbada. O propagandista é então confrontado com a escolha: ou retrocede para o seu vazio

ou fortalece sua posição desenvolvendo a efetividade de suas atividades.

O propagandista coloca num plano moral elevado qualquer pessoa que tenha sucumbido à

sua influência e incorporado os métodos experimentais impostos por ele. Ele trata essas

pessoas com atenção e propriedade, se possível. Os críticos encontram insultos “morais”.

Pode até proclamado que a minoria complacente é, de fato, a maioria moral, uma vez que ela

professa a melhor ideologia e honra um líder cujas qualidades estão acima da média.

Tal atividade é sempre caracterizada necessariamente pela inabilidade de visualizar seus

resultados finais, algo que é óbvio do ponto de vista psicológico, porque seu substrato

contém fenômenos patológicos, e tanto a propaganda como o auto-feitiço tornam impossível

perceber a realidade de forma precisa o suficiente para visualizar os resultados logicamente.

Contudo, os propagandistas nutrem grande otimismo e visões acolhedoras sobre triunfos futuros similares àqueles que eles possuem sobre suas próprias almas incapazes. Também é

possível que o otimismo seja um sintoma patológico.

Em uma sociedade saudável, as atividades dos propagandistas encontram a crítica efetiva o

suficiente para contê-los rapidamente. Contudo, quando eles são precedidos de condições que

operam destrutivamente sobre o senso comum e a ordem social, tais como injustiça social,

atraso na cultura ou governantes intelectualmente limitados que manifestam algumas vezes

características patológicas, as atividades dos propagandistas têm levado sociedades inteiras à

tragédia humana em larga escala.

Tal indivíduo “pesca”, em um ambiente ou em uma sociedade, as pessoas receptivas à sua

influência, aprofundando-se nas suas fraquezas psicológicas até que finalmente se junta a elas

em uma união ponerogênica. Por outro lado, as pessoas que têm mantido suas faculdades

críticas e saudáveis intactas, baseadas em seu próprio senso comum e em seus critérios

morais, tendem a reagir contra as atividades desses propagandistas e os seus resultados. Na

polarização resultante das atitudes sociais, cada lado se justifica por meio de categorias

morais. Por isso é que tal resistência do senso comum é sempre acompanhada por algum

sentimento de desamparo e pela deficiência de critérios.

A consciência de que um propagandista é sempre um indivíduo patológico deveria nos

proteger dos resultados conhecidos de uma interpretação moralista dos fenômenos

patológicos, garantindo-nos critérios objetivos para uma ação mais efetiva. A explicação

sobre qual tipo de substrato patológico está escondido por detrás de um dado exemplo de

atividades do propagandista deveria nos capacitar a uma solução moderna para tais situações.

É um fenômeno característico que um QI alto geralmente ajuda a pessoa a ser mais imune às

atividades de propagandistas somente em um nível moderado. As diferenças reais na

formação das atitudes humanas sob influência de tais atividades devem ser atribuídas a outras

propriedades da natureza humana. O fator mais decisivo para assumir uma atitude crítica é

uma boa inteligência básica, que condiciona a nossa percepção da realidade psicológica. Nós

podemos também observar como as atividades do propagandista “descascam” indivíduos

receptivos com uma regularidade surpreendente.

Nós retornaremos depois para as relações específicas que ocorrem entre a personalidade do

propagandista, a ideologia que ele expõe e as escolhas feitas por aqueles que facilmente

sucumbem. Uma explicação mais exaustiva, no entanto, necessitaria um estudo em separado,

dentro da estrutura da ponerologia geral, um trabalho destinado a especialistas, para explicar

alguns desses fenômenos interessantes que ainda não foram adequadamente entendidos nos

dias de hoje.