Ponerologia: Psicopatas no Poder

Andrew Lobaczewski · Capítulo 38 de 43

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Ponerologia: Psicopatas no Poder

Imunização

Muitas doenças infecciosas dão ao organismo uma imunidade natural por um período entre

alguns poucos e muitos anos. A medicina imita esse mecanismo biológico, introduzindo

vacinas que capacitam o organismo a se tornar imune se passar pela doença. Mais e mais

freqüentemente a psicoterapia tenta imunizar a psique de um paciente para vários fatores

traumáticos que são muito difíceis de eliminar de sua vida. Na prática, nós utilizamos isso

com mais frequência em pessoas sujeitas à influência destrutiva de indivíduos caracteropatas.

Imunizar alguém contra a influência destrutiva das personalidades psicopáticas é algo mais

difícil. Contudo, isso representa uma analogia próxima à tarefa que deve ser executada em

relação às nações que sucumbiram à influência do diversionismo psicológico patocrático.

As sociedades governadas por muitos anos por um sistema patocrático desenvolvem uma

imunização natural como descrito, junto com a indiferença característica do fenômeno e o

humor cínico. Em combinação com o crescimento do conhecimento prático, esse estado deve

ser levado em consideração toda vez que desejamos avaliar a situação política de um

determinado país. Nós devemos também destacar que essa imunidade se refere ao fenômeno

patológico por si mesmo, não sua ideologia, o que explica porque ela é efetiva contra

qualquer outra patocracia, não importando a máscara ideológica. A experiência psicológica

ganha permite que o mesmo fenômeno seja reconhecido de acordo com suas propriedades

reais. A ideologia é tratada de acordo com seu papel verdadeiro.

A psicoterapia aplicada apropriadamente sobre um indivíduo que sucumbiu à influência

destrutiva das condições de vida sob o domínio patocrático sempre produz uma melhora

significativa na imunização psicológica. Ao tornar um paciente consciente das qualidades

patológicas de tais influências, nós facilitamos o desenvolvimento dessa indiferença crítica e

da serenidade espiritual que a imunização natural não poderia ter produzido. Assim, nós não

imitamos simplesmente a natureza, mas realmente alcançamos uma qualidade melhor que a

natural na imunidade, que é muito mais efetiva na proteção do paciente das tensões neuróticas

e no reforço de sua desenvoltura prática do dia-a-dia. A consciência da essência biológica do

fenômeno proporciona uma preponderância tanto sobre o fenômeno como sobre as pessoas

que não possuem tal consciência.

Esse tipo de imunidade psicológica também se mostra mais permanente. Se a imunidade

natural dura a vida da geração na qual ela foi produzida, a imunidade com base científica pode

ser transmitida posteriormente. Da mesma forma, a imunidade natural, juntamente com o

conhecimento prático sobre o qual ela está baseada, pode ser muito difícil de ser transmitida a

nações que não tiveram essa experiência imediata, mas o conhecimento que está baseado em

dados científicos geralmente acessíveis pode ser transmitido a outras nações sem esforços

super-humanos.

Nós estamos diante de dois objetivos relacionados. Em países afetados pelo fenômeno

acima discutido nós devemos tentar transformar a imunidade natural existente naquela

imunidade de melhor qualidade, tornando assim possível aumentar a facilidade de operação,

ao mesmo tempo em que se diminuem as tensões psicológicas. Em relação àqueles indivíduos

e sociedades que indicam uma imunodeficiência óbvia e estão ameaçados pela expansão

patocrática, nós devemos facilitar o desenvolvimento da imunidade artificial.

Essa imunidade é gerada principalmente como um resultado natural da compreensão dos

conteúdos reais do fenômeno macrossocial.

Essa consciência causa um período de experiência tempestuoso, não destituído de protestos,

mas esse processo de substituição da doença é de curta duração. Desnudar a realidade

naturalista até agora protegida por uma máscara ideológica é uma assistência efetiva e

necessária para indivíduos e sociedades. Dentro de um curto período de tempo, isso começa a

protegê-los das atividades ponerogênicas dos fatores patológicos mobilizados no interior da

frente monolítica da patocracia. As indicações adequadas dos meios práticos para proteção da

própria higiene mental facilitarão e acelerarão a criação dessa imunidade psicológica valiosa,

de forma similar aos resultados da atividade de uma vacina.

Essa imunidade psicológica individual e coletiva, baseada no entendimento

naturalisticamente objetivado dessa outra realidade, é colorida com um sentimento de

conhecimento próprio que cria assim uma nova rede humana. Alcançar essa imunidade parece

uma precondição necessária para o sucesso em relação a quaisquer esforços e ações de

natureza política que auxiliariam a tomada de governos pela sociedade das pessoas normais.

Sem tal consciência e imunização será sempre difícil conseguir a cooperação entre os países

livres e as nações que sofrem sob um governo patocrático. Nenhuma linguagem comum de

comunicação pode ser garantida por quaisquer doutrinas políticas baseadas na imaginação

natural das pessoas que não possuem nem a experiência prática, nem o entendimento

naturalista do fenômeno.

***

As armas mais modernas e caras que atualmente ameaçam a humanidade com catástrofes

globais se tornam obsoletas no mesmo dia em que elas são produzidas.

Por quê?

Elas são armas de uma guerra que pode nunca acontecer, e as nações do mundo rezam para

que isso nunca aconteça.

A história da humanidade tem sido a história das guerras, o que faz com que ela perca o

sentido eterno aos nossos olhos. Uma nova grande guerra representaria o triunfo da loucura

sobre o desejo de viver das nações.

Portanto, a razão internacional deve prevalecer, reforçada pelos valores morais e pela

ciência naturalista recentemente descobertos, no que diz respeito às causas e à gênese do mal.

A “nova arma” sugerida aqui não mata ninguém. Todavia ela é capaz de reprimir o processo

de gênese do mal dentro de uma pessoa e de ativar os seus próprios poderes curativos. Se as

sociedades forem supridas com uma compreensão da natureza patológica do mal, elas estarão

habilitadas para executar uma ação acertada baseada em critérios morais e naturalistas.

Esse novo método de solucionar os problemas eternos será a arma mais humanitária já usada

na história humana, assim como a única que pode ser utilizada de forma segura e efetiva. Nós

podemos também esperar que o uso dessa arma ajudará a terminar séculos de guerra entre as

nações.

 

Thomas Stephen Szasz (1920-2012), psiquiatra húngaro ferrenho crítico dos métodos psiquiátricos tradicionais. Propunha um método alternativo onde o paciente decidia, junto com o seu médico, o tratamento que iria seguir. Chegou a afirmar – e defender em seus livros – que a doença mental é um mito – NT.

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