Ponerologia: Psicopatas no Poder

Andrew Lobaczewski · Capítulo 21 de 43

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Ponerologia: Psicopatas no Poder

Estados de Histerização Social

Quando lemos com atenção descrições científicas ou literárias dos fenômenos de histeria,

como aqueles ocorridos na Europa no último quarto de século que precedeu a Primeira Guerra

Mundial, uma pessoa não especialista pode ter a impressão que esse foi uma caso individual

ou endêmico, particularmente entre as mulheres. A natureza contagiosa dos estados de histeria,

contudo, já foi descoberta e descrita por Jean Martin Charcot.[ 66 ]

É praticamente impossível para a histeria se manifestar como um fenômeno individual, uma

vez que é contagiosa por meio de ressonância, identificação e imitação psicológicas. Cada ser

humano tem uma predisposição para essa malformação da personalidade, embora em graus

variados. Todavia, ela é normalmente superada pela educação e pela autoeducação, que são

responsáveis pelo pensamento correto e pela autodisciplina emocional.

Durante os “tempos felizes” de paz, dependendo das injustiças sociais, as crianças das

classes privilegiadas aprendem a reprimir do seu campo de consciência as idéias

desconfortáveis que sugerem que elas e seus pais estão se beneficiando da injustiça cometida

contra os outros. Tais pessoas jovens aprendem a desqualificar e menosprezar os valores

morais e mentais de qualquer pessoa cujo trabalho elas estejam usando para obter vantagens.

As mentes jovens, então, ingerem hábitos de seleção e substituição de informações no

subconsciente, que levam a uma economia histérico-conversiva de raciocínio. Eles crescem

para serem adultos um tanto quanto histéricos que, pelos meios descritos acima, transmitem

sua histeria para a próxima geração, que então desenvolve essas características em um grau

ainda maior. Os modelos histéricos por experiência e comportamento crescem e se espalham

para baixo a partir das classes privilegiadas, até cruzar as fronteiras do primeiro critério da

ponerologia: a atrofia das faculdades críticas naturais com respeito aos indivíduos

patológicos.

Quando os hábitos de seleção e substituição subconsciente de dados se espalham no nível

macrossocial, uma sociedade tende a desenvolver o desprezo pela crítica factual e a humilhar

qualquer um que soe o alarme. O desprezo também é mostrado por outras nações que têm

mantido modelos de pensamento normal e por suas opiniões. O pensamento egotista

amedrontador é consumado pela sociedade mesma e por seus processos de pensamento

conversivo. Isso torna óbvia a necessidade de censura da imprensa, teatro ou televisão, uma

vez que o censor patologicamente hipersensível vive dentro dos cidadãos mesmos.

Quando três “egos” governam – egoísmo, egotismo e egocentrismo – o sentimento de

conexão social e de responsabilidade em relação aos outros desaparece, e a sociedade em

questão divide-se em grupos ainda mais hostis uns aos outros. Quando o ambiente histérico

não consegue mais diferenciar as opiniões das pessoas limitadas - quase-não-normais - das

opiniões de pessoas normais, pessoas racionais, abre-se uma porta para que a ativação dos

fatores patológicos de várias naturezas entre em cena.

Os indivíduos que nós já encontramos, que são governados por uma visão patológica da

realidade e por objetivos anormais causados por sua natureza diferente, são capazes de

desenvolver suas atividades em tais condições. Se uma dada sociedade não consegue superar

o estado de histerização sob circunstâncias políticas e etnológicas, o resultado pode então ser

uma grande tragédia sangrenta.

Uma variação de tal tragédia pode ser a patocracia. Desta forma, contratempos menores em

termos de fracassos políticos ou derrotas militares podem ser um aviso da ocorrência de tal

situação, que pode se tornar uma benção disfarçada se apropriadamente compreendido, e se

for permitido que se torne um fator na regeneração dos costumes e das estruturas de

pensamento normais da sociedade. O conselho mais valioso que um ponerologista pode

oferecer sob tais circunstâncias é que a sociedade se aproveite da assistência da ciência

moderna, tirando vantagem particular dos dados obtidos do último grande aumento de histeria

na Europa.

Uma resistência maior à histerização caracteriza aqueles grupos sociais que ganham o pão

de cada dia pelo esforço diário, e nos quais os aspectos práticos da vida cotidiana forçam a

mente a pensar com bom senso e a refletir sobre generalidades. Por exemplo: os camponeses

continuam a ver os costumes histéricos das classes mais prósperas através da sua própria

percepção simples da realidade psicológica e do seu senso de humor. Costumes parecidos da

parte da burguesia predispõem os trabalhadores para a crítica amarga e para o ódio

revolucionário. Ancoradas em termos econômicos, ideológicos, ou políticos, a crítica e as

demandas desses grupos sociais sempre contêm um componente de motivação psicológica,

moral e anti-histérica. Por essa razão, é mais apropriado considerar essas demandas com

deliberação e levar em conta os sentimentos dessas classes. Por outro lado, resultados

trágicos podem derivar de uma ação impensada, que pavimenta o caminho para os

propagandistas se fazerem ouvidos.