Ponerologia: Psicopatas no Poder

Andrew Lobaczewski · Capítulo 31 de 43

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Ponerologia: Psicopatas no Poder

Compreensão

Compreender essas pessoas normais fadadas a viver sob um governo patocrático, sejam elas

expoentes ou medianas, sua natureza humana e suas reações a essa realidade basicamente

deficiente, seus sonhos, seus métodos de compreensão dessa realidade (incluindo todas as

dificuldades ao longo do caminho), e as suas necessidades de adaptação e resistência

(incluindo os efeitos colaterais) é uma precondição sine qua non para o aprendizado do

comportamento que efetivamente os auxiliaria em seus esforços para alcançar um sistema do

homem normal. Seria psicologicamente impossível para um político de um país livre

incorporar o conhecimento prático que tais pessoas adquirem no decorrer dos anos de

experiência cotidiana. Esse conhecimento não pode ser transmitido; nenhum esforço

jornalístico ou literário jamais alcançará qualquer coisa nessa área. Contudo, uma ciência

análoga formulada em linguagem natural objetiva pode ser comunicada em ambas as direções.

Ela pode ser assimilada pelas pessoas que não tiveram tais experiências específicas e pode

também ser transmitida de volta para o lugar onde existe tanto uma grande necessidade dessa

ciência como mentes já preparadas para recebê-la. Tal ciência poderia realmente agir sobre

suas personalidades surradas quase do mesmo modo que o melhor dos remédios. A mera

consciência de que se está sujeito à influência de um deficiente mental é ela mesma uma parte

crucial do tratamento.

Quem quer que seja que queira manter a liberdade de seu país e do mundo já amedrontado

por esse fenômeno patológico macrossocial, quem quer que queira curar este nosso planeta

doente, não deve somente entender a natureza dessa grande doença, mas deve também estar

consciente dos poderes de cura potencialmente regenerativos.

Cada país dentro da abrangência desse fenômeno macrossocial contém uma grande maioria

de pessoas normais vivendo e sofrendo ali dentro, que nunca aceitarão a patocracia. O

protesto delas contra a patocracia vem das profundezas de suas almas e de sua natureza

humana conforme condicionada pelas propriedades transmitidas por meio da herança

biológica. As formas desse protesto e as ideologias pelas quais elas gostariam de realizar

seus desejos naturais podem, no entanto, ter mudado.

A ideologia ou a estrutura social através da qual eles gostariam de recuperar seu direito

humano de viver em um sistema do homem normal é, contudo, de importância secundária para

essas pessoas. É claro que existem diferenças de opinião nessa área, mas elas não são do tipo

que levaria a um conflito violento entre pessoas que enxergam diante de si um objetivo digno

de sacrifício.

Aqueles cujas atitudes são mais penetrantes e ponderadas vêem a ideologia original como

ela era antes da caricatura produzida pelo processo de ponerização, como a base mais prática

para alcançar os desejos da sociedade. Certas modificações dotariam essa ideologia com uma

forma mais madura, mais em contato com as demandas dos tempos presentes; ela poderia,

então, servir como fundamento para um processo de evolução, ou melhor, de transformação

em um sistema sócio-econômico capaz de um funcionamento adequado.

As convicções do autor são um tanto quanto diferentes. Sérias dificuldades poderiam ser

causadas por pressões externas focadas na introdução de um sistema econômico que perdeu

suas raízes historicamente condicionadas em tal país.

As pessoas que tiveram que viver muito tempo no mundo estranho dessa divergência são

assim difíceis de serem compreendidas por alguém que teve a sorte de ter esse destino

evitado. Vamos nos abster de impor sobre elas imaginações que só fazem sentido dentro dos

governos do homem normal; não vamos classificá-las em quaisquer doutrinas políticas, as

quais são freqüentemente bem diferentes da realidade que elas estão familiarizadas. Vamos

dar as boas vindas a elas, com sentimento de solidariedade humana, respeito recíproco e uma

grande confiança em sua razão e em sua natureza humana normal.

 

Um trabalho esgotante e inútil. Baseia-se no mito grego de Sísifo, filho do rei Éolo, que foi condenado ao Hades pelos erros que cometeu em vida. Sua eterna punição era rolar uma enorme pedra para o topo de uma colina, mas sempre que estava prestes a alcançá-lo, uma força invencível fazia a pedra rolar montanha abaixo, sendo preciso reiniciar o infrutífero trabalho – NT. “Uma horda de filhos da puta que subiram à manjedoura em cima das costas da classe trabalhadora”. De direito e de fato, ou seja, pela lei e na prática – NT.

Conjunto de casos pregressos e/ou prevalentes para um local, região ou contexto maior, a partir dos quais são elaboradas analogias e comparações com novos casos e assuntos temáticos correlacionados, passíveis de investigação – NT. “Entender tudo é perdoar tudo”. Anne-Louise Germaine Necker, baronesa de Staël-Holstein (Paris, 22 de Abril de 1766 — 14 de Julho de 1817), mais conhecida como Madame de Staël, foi uma romancista e ensaísta francesa que incorporou como poucas mulheres o espírito do Iluminismo francês – NT.

Boleslaw Lesmian (nascido Boleslaw Lesman; 1878-1937) foi um poeta e artista polonês e membro da Academia Polonesa de Literatura. Ele foi um dos mais influentes poetas do início do século XX, na Polônia – NT.

CAPÍTULO VII