Ponerologia: Psicopatas no Poder
Compreensão
Compreender essas pessoas normais fadadas a viver sob um governo patocrático, sejam elas
expoentes ou medianas, sua natureza humana e suas reações a essa realidade basicamente
deficiente, seus sonhos, seus métodos de compreensão dessa realidade (incluindo todas as
dificuldades ao longo do caminho), e as suas necessidades de adaptação e resistência
(incluindo os efeitos colaterais) é uma precondição sine qua non para o aprendizado do
comportamento que efetivamente os auxiliaria em seus esforços para alcançar um sistema do
homem normal. Seria psicologicamente impossível para um político de um país livre
incorporar o conhecimento prático que tais pessoas adquirem no decorrer dos anos de
experiência cotidiana. Esse conhecimento não pode ser transmitido; nenhum esforço
jornalístico ou literário jamais alcançará qualquer coisa nessa área. Contudo, uma ciência
análoga formulada em linguagem natural objetiva pode ser comunicada em ambas as direções.
Ela pode ser assimilada pelas pessoas que não tiveram tais experiências específicas e pode
também ser transmitida de volta para o lugar onde existe tanto uma grande necessidade dessa
ciência como mentes já preparadas para recebê-la. Tal ciência poderia realmente agir sobre
suas personalidades surradas quase do mesmo modo que o melhor dos remédios. A mera
consciência de que se está sujeito à influência de um deficiente mental é ela mesma uma parte
crucial do tratamento.
Quem quer que seja que queira manter a liberdade de seu país e do mundo já amedrontado
por esse fenômeno patológico macrossocial, quem quer que queira curar este nosso planeta
doente, não deve somente entender a natureza dessa grande doença, mas deve também estar
consciente dos poderes de cura potencialmente regenerativos.
Cada país dentro da abrangência desse fenômeno macrossocial contém uma grande maioria
de pessoas normais vivendo e sofrendo ali dentro, que nunca aceitarão a patocracia. O
protesto delas contra a patocracia vem das profundezas de suas almas e de sua natureza
humana conforme condicionada pelas propriedades transmitidas por meio da herança
biológica. As formas desse protesto e as ideologias pelas quais elas gostariam de realizar
seus desejos naturais podem, no entanto, ter mudado.
A ideologia ou a estrutura social através da qual eles gostariam de recuperar seu direito
humano de viver em um sistema do homem normal é, contudo, de importância secundária para
essas pessoas. É claro que existem diferenças de opinião nessa área, mas elas não são do tipo
que levaria a um conflito violento entre pessoas que enxergam diante de si um objetivo digno
de sacrifício.
Aqueles cujas atitudes são mais penetrantes e ponderadas vêem a ideologia original como
ela era antes da caricatura produzida pelo processo de ponerização, como a base mais prática
para alcançar os desejos da sociedade. Certas modificações dotariam essa ideologia com uma
forma mais madura, mais em contato com as demandas dos tempos presentes; ela poderia,
então, servir como fundamento para um processo de evolução, ou melhor, de transformação
em um sistema sócio-econômico capaz de um funcionamento adequado.
As convicções do autor são um tanto quanto diferentes. Sérias dificuldades poderiam ser
causadas por pressões externas focadas na introdução de um sistema econômico que perdeu
suas raízes historicamente condicionadas em tal país.
As pessoas que tiveram que viver muito tempo no mundo estranho dessa divergência são
assim difíceis de serem compreendidas por alguém que teve a sorte de ter esse destino
evitado. Vamos nos abster de impor sobre elas imaginações que só fazem sentido dentro dos
governos do homem normal; não vamos classificá-las em quaisquer doutrinas políticas, as
quais são freqüentemente bem diferentes da realidade que elas estão familiarizadas. Vamos
dar as boas vindas a elas, com sentimento de solidariedade humana, respeito recíproco e uma
grande confiança em sua razão e em sua natureza humana normal.
Um trabalho esgotante e inútil. Baseia-se no mito grego de Sísifo, filho do rei Éolo, que foi condenado ao Hades pelos erros que cometeu em vida. Sua eterna punição era rolar uma enorme pedra para o topo de uma colina, mas sempre que estava prestes a alcançá-lo, uma força invencível fazia a pedra rolar montanha abaixo, sendo preciso reiniciar o infrutífero trabalho – NT. “Uma horda de filhos da puta que subiram à manjedoura em cima das costas da classe trabalhadora”. De direito e de fato, ou seja, pela lei e na prática – NT.
Conjunto de casos pregressos e/ou prevalentes para um local, região ou contexto maior, a partir dos quais são elaboradas analogias e comparações com novos casos e assuntos temáticos correlacionados, passíveis de investigação – NT. “Entender tudo é perdoar tudo”. Anne-Louise Germaine Necker, baronesa de Staël-Holstein (Paris, 22 de Abril de 1766 — 14 de Julho de 1817), mais conhecida como Madame de Staël, foi uma romancista e ensaísta francesa que incorporou como poucas mulheres o espírito do Iluminismo francês – NT.
Boleslaw Lesmian (nascido Boleslaw Lesman; 1878-1937) foi um poeta e artista polonês e membro da Academia Polonesa de Literatura. Ele foi um dos mais influentes poetas do início do século XX, na Polônia – NT.
CAPÍTULO VII