Ponerologia: Psicopatas no Poder
Patocracia infectada artificialmente e Guerra Psicológica
Se um núcleo desse fenômeno patológico macrossocial já existe no mundo, sempre
encobrindo sua característica verdadeira por detrás da máscara ideológica de algum sistema
político, ele é radiado para outras nações através de notícias codificadas, que são difíceis
para as pessoas normais entenderem, mas de fácil leitura para os indivíduos psicopatas. “Esse
é o lugar para nós, nós agora temos uma pátria onde nossos sonhos sobre como governar
aqueles ‘outros’ podem se tornar realidade. Nós podemos finalmente viver em segurança e
prosperidade”. Quanto mais poderosos forem o núcleo e a nação patocrática, mais amplo será
o escopo deste chamado indutivo, ouvido pelos indivíduos cuja natureza é
correspondentemente anômala, como se fossem receptores super-heteródinos[ 72 ],
naturalmente sintonizados na mesma faixa de onda. Infelizmente, o que é utilizado hoje são
transmissores de rádio reais de centenas de quilowatts, além de agentes secretos da patocracia
interligando nosso planeta.
Seja direta ou indiretamente, isto é, por meio de “agentes” viciosos, essa chamada da
patocracia, uma vez apropriadamente “enfeitada”, alcança um ciclo significativamente amplo
de pessoas, incluindo tanto indivíduos com várias anomalias psicológicas como aqueles que
são frustrados, privados da oportunidade de se educar e fazer uso de seus talentos, física ou
moralmente ofendidos, ou simplesmente primitivos. A faixa de resposta a esse chamado pode
variar em proporção, mas em nenhum lugar ela representa a maioria. Apesar de tudo, os
propagandistas nativos que surgem nunca levam em consideração o fato de que eles não estão
aptos para extasiar a maioria.
Os diferentes graus de resistência de várias nações a essa atividade depende de muitos
fatores, tais como a prosperidade e sua justa distribuição, o nível educacional da sociedade
(especialmente o das classes mais pobres), o percentual de indivíduos que são primitivos ou
que têm vários desvios e a fase atual do ciclo histérico. Algumas nações desenvolveram a
imunidade como resultado de um contato mais direto com o fenômeno, algo que devemos
discutir no próximo capítulo.
Em países que acabaram de emergir de condições primitivas e com falta de experiência
política, uma doutrina revolucionária apropriadamente elaborada alcança o substrato
autônomo da sociedade e encontra pessoas que a tratam como realidade ideativa. Isso também
ocorre em nações onde uma classe governante super-egoísta defende sua posição por meio de
doutrinas ingenuamente moralizantes, onde a injustiça é extrema ou onde uma intensificação do
nível de histeria reprime a operação do senso comum. As pessoas que se tornaram
acostumadas às palavras-chave revolucionárias, não mais observam para ter certeza de que
quem está expondo tal ideologia é um adepto sincero e não simplesmente alguém que utiliza
uma máscara de ideologia para esconder outros motivos derivados de sua personalidade
anômala.
Adicionalmente aos propagandistas, podemos encontrar outro tipo de pregador de idéias
revolucionárias, cujo status está basicamente ligado ao dinheiro que ele recebe por suas
atividades. Contudo, é improvável que suas fileiras de seguidores incluam pessoas que
poderiam ser caracterizadas como normais sem nenhuma reserva, com base nos critérios
acima mencionados. Sua indiferença ao sofrimento humano causado por suas próprias atividades é derivada de suas deficiências em perceber o valor das ligações sociais ou de sua
incapacidade de visualizar os resultados de suas atividades.
Nos processos ponerogênicos, as deficiências morais, as falhas intelectuais e os fatores
patológicos se cruzam em uma rede causal de tempo-espaço, dando origem ao sofrimento
individual e das nações.
Qualquer guerra travada com armas psicológicas custa somente uma fração de uma guerra
clássica, mas ela realmente tem um custo, especialmente quando ocorre simultaneamente em
muitos países através do mundo.
As pessoas que agem em nome dos interesses da patocracia podem executar suas atividades
em paralelo, sob a bandeira de uma ideologia tradicional ou de alguma outra, ou mesmo com a
assistência de uma ideologia contraditória se opondo à tradicional. Nesse último caso o
serviço deve ser realizado por indivíduos cuja resposta ao chamado da patocracia é
suficientemente firme, de forma a evitar que as atividades auto-sugestivas da outra ideologia
que ele está utilizando enfraqueça as ligações com as suas reais expectativas de poder.
Sempre que uma sociedade contém sérios problemas sociais, também haverá algum grupo de
pessoas sensíveis aspirando por melhorias na situação social, por meio de reformas enérgicas,
bem como pela eliminação da causa da tensão social. Outros consideram que é sua obrigação
trazer um rejuvenescimento moral para a sociedade. A eliminação da injustiça social e a
reconstrução da moral do país e da civilização podem privar a patocracia de qualquer chance
de domínio. Tais reformadores e moralistas devem, por consequência, ser constantemente
neutralizados pela patocracia, por meio de posições liberais ou conservadoras, palavras-
chave sugestivas usadas apropriadamente e paramoralismos. Se necessário, os melhores
entre eles devem ser assassinados.
Os estrategistas da guerra psicológica devem decidir o quanto antes qual ideologia será mais
eficiente em um país particular, por causa da sua adaptabilidade às tradições de tal país.
Afinal de contas, a ideologia adequadamente adaptada deve executar a função de um Cavalo
de Tróia, transportando a patocracia para dentro do país. Essas várias ideologias são assim
gradualmente conformadas ao plano mestre original, próprio de cada um. Por último, vem a
máscara.[ 73 ]
No tempo certo os guerrilheiros locais são organizados e armados, com recrutas
selecionados nas localidades insatisfeitas. A liderança é provida de oficiais treinados,
familiarizados tanto com a idéia secreta como também com a idéia operativa concebida para
propagação no país em questão. A assistência deve então ser dada, de modo que os grupos de
conspiradores que aderiram à ideologia concebida possam aplicar um golpe de estado,
através do qual um governo mão-de-ferro é instaurado. Uma vez que isso tenha acontecido, as
atividades guerrilheiras dos subversivos são encerradas – eles são feitos para serem bodes
expiatórios – de forma que as novas autoridades possam receber o crédito de terem trazido a
paz interna. Qualquer vagabundo que não possa ou não queira se submeter aos novos decretos
é “gentilmente” convidado a vir à frente do seu antigo líder e então baleado atrás da cabeça.
Essa é a nova realidade.
Essa é a forma como os sistemas governamentais são gerados. Uma rede de fatores
ponerogênicos patológicos já está ativa, assim como o papel inspirador da psicopatia essencial. Contudo, isso ainda não representa um quadro completo da patocracia. Muitos
líderes locais e adeptos persistem nas convicções originais que, embora radicais, chegam a
eles como uma possibilidade de fazer o bem a uma proporção muito maior de pessoas
abusadas anteriormente, e não somente a um pequeno percentual de patocratas e seus
interesses em um suposto império mundial.
Os líderes locais continuam a pensar dentro das categorias da revolução social, apelando
para os objetivos políticos nos quais verdadeiramente acreditam. Eles exigem que o “poder
amigável” os forneça não somente a assistência prometida, mas também uma certa medida de
autonomia que consideram crucial. Eles não são suficientemente familiarizados com os
mistérios da dicotomia “nós-e-eles”. Ao mesmo tempo, eles são instruídos e ordenados a se
submeterem às sentenças de embaixadores duvidosos, cujos significado e proposta são
difíceis de entender. A frustração e as dúvidas então crescem; sua natureza é ideológica,
nacionalista e prática.
O conflito aumenta progressivamente, especialmente quando círculos amplos da sociedade
começam a duvidar se aqueles pessoas, que agem supostamente em nome de alguma grande
ideologia, realmente acreditam nela. Graças à experiência e ao contato com a nação
patocrática, círculos semelhantemente amplos aumentam simultaneamente seu conhecimento
prático sobre a realidade e sobre os métodos de comportamento desse sistema. Caso tal semi-
colônia alcance muita independência, ou mesmo decida desertar, muito dessa informação pode
alcançar a consciência dos países dos homens normais. Isso poderia representar uma grave
derrota para a patocracia.
Um controle cada vez maior é assim necessário, até que a patocracia total seja alcançada.
Esses líderes, que as autoridades centrais consideram ser efetivamente de transição, podem
ser eliminados, a menos que mostrem um grau de submissão suficiente. As condições
geopolíticas são geralmente decisivas nessa área. Isso explica porque é mais fácil para tais
líderes sobreviverem em uma ilha afastada do que em países que fazem fronteira com o
Império. Caso tais líderes tentem manter um grau elevado de autonomia pela ocultação de
suas dúvidas, eles podem ser capazes de tirar vantagem de sua posição geopolítica, se as
condições forem favoráveis.
Durante essa fase de crise de confiança, uma política de prudência por parte dos países dos
homens normais pode ainda inclinar o fiel da balança para o lado de uma estrutura
possivelmente revolucionária e esquerdista, mas não patocrática. Contudo, essa não é a única
consideração faltante; uma outra primordial é a falta de conhecimento objetivo sobre o
fenômeno, algo que tornaria tal política possível. Fatores emocionais, junto com uma
interpretação moralizante do fenômeno patológico, freqüentemente têm um papel muito
grande na tomada de decisão política.
Nenhuma patocracia inteiramente madura pode se desenvolver antes de uma segunda
revolta e da eliminação dos líderes de transição que não foram suficientemente leais a ela.
Essa é a alternativa ao confronto direto com os adeptos verdadeiros da ideologia inserida na
gênese da patocracia original, que pode ser implementada devido à imposição de líderes
apropriados e pela atividade desses mecanismos ponerogênicos autônomos do fenômeno.
Depois do período inicial de governo – período brutal, sangrento e psicologicamente ingênuo – tal patocracia inicia sua transformação para sua forma dissimulativa, que já foi
descrita na discussão da gênese do fenômeno, e na patocracia imposta pela força. Durante
esse período nem mesmo a política externa mais habilidosa tem a possibilidade de minar a
existência de tal sistema. O período de fraqueza ainda está por vir: quando uma rede
poderosa da sociedade das pessoas normais estiver formada.
A descrição acima detalhada sobre a imposição infecciosa da patocracia mostra que esse
processo repete todas as fases da ponerogênese independente, condensadas no tempo e no
conteúdo. Sob o governo pregresso de seus administradores incompetentes nós podemos até
mesmo discernir um período de hiperatividade da parte dos indivíduos esquizóides,
hipnotizados pela visão de seu próprio governo baseado no desprezo pela natureza humana,
especialmente se eles são numerosos dentro de um dado país. Eles não percebem que a
patocracia nunca irá fazer com que os seus sonhos se realizem. Pelo contrário, ela os jogará
para as sombras, uma vez que os indivíduos com os quais já estamos familiarizados se
tornarão os líderes.
Uma patocracia assim gerada será mais fortemente gravada sobre um país subjugado do que
uma imposta por força. Ao mesmo tempo, contudo, ela mantém certas características de seu
conteúdo divergente, algumas vezes referido como “ideológico”, embora de fato seja um
derivado de um diferente substrato etnológico sobre o qual o enxerto foi realizado. Caso
condições como a plenitude numérica de uma nação, sua grande extensão, ou seu isolamento
geográfico permitam a independência da nação patocrática principal, os fatores mais
moderados e a sociedade das pessoas normais encontrarão assim um meio de influenciar o
sistema de governo, tirando vantagem da oportunidade fornecida pela fase dissimulativa. Na
presença de condições favoráveis e de uma assistência habilidosa de fora, isso pode levar a
uma “depatologização” progressiva do sistema.