Textos Básicos de Linguagem: De Platão a Foucault
Poética
É importante destacar aqui a função comunicacional da linguagem: falamos sobre algo para alguém e com um determinado objetivo. É o
objetivo que determina os elementos retóricos a serem empregados. Segundo Aristóteles, quando se trata de um júri, queremos
convencer os jurados de algo que se passou (por exemplo a inocência ou culpa do réu); quando se trata de uma assembleia política,
queremos fazer com que os eleitores deliberem sobre uma ação futura; e, no caso do discurso cerimonial, a audiência é meramente
espectadora e o orador deve causar uma boa impressão.
Ao contrário de Platão no Górgias (ver capítulo anterior), Aristóteles atribui à retórica uma função relevante, pois através dela o
falante visa a fazer com que o ouvinte veja a realidade de uma determinada maneira.
“[I, 3, 1358a] A retórica se divide em três partes, determinadas pelos três tipos de ouvintes dos
discursos, uma vez que dentre os três elementos que entram na produção do discurso – o falante, aquilo
de que se fala e o ouvinte – é este último, o ouvinte, que determina a finalidade do discurso e seu
objetivo. O ouvinte deve ser ou alguém que julga, e tem uma decisão a tomar acerca de eventos passados
ou futuros, ou então um observador. Um membro da assembleia decide acerca de eventos futuros, um
membro de um júri, acerca de eventos passados, enquanto aqueles que apenas decidem sobre a
habilidade do orador são observadores. Daí se segue que há três tipos de oratória: a política, a forense e
a cerimonial.”
RETÓRICA
A natureza da metáfora
A Retórica (Livro III, capítulo 4) trata também da metáfora, oferecendo um exemplo mais claro que os da própria Poética: dizer
“Aquiles é corajoso como um leão” é fazer uma comparação usando uma imagem, dizer “Aquiles é um leão” é uma metáfora.
“[1406c] A imagem é também uma metáfora, sendo pequena a diferença entre ambas. Quando Homero
afirma sobre Aquiles, “que se lançou contra o inimigo como um leão” (Ilíada, XX, 164), trata-se de uma
imagem, mas quando afirma “Este leão lançou-se”, trata-se de uma metáfora. Como o leão e o herói são
ambos corajosos, Homero caracterizou Aquiles como um leão por uma transposição. ”
POÉTICA
A linguagem metafórica
Na Poética, Aristóteles indica a importância da “linguagem ornamentada”, ou seja, acompanhada de recursos que garantam o efeito
dramático (produzir emoções) sobre a audiência. Em seguida, destaca a metáfora como uma das principais formas de ornamento.
“[VI, 1499b] É pois a tragédia imitação de uma ação de caráter elevado, completa e de certa extensão,
em linguagem ornamentada e com as várias espécies de ornamentos distribuídos pelas diversas partes. …
Digo “ornamentada” a linguagem que tem ritmo, harmonia e canto, e o servir-se separadamente de cada
uma das espécies de ornamentos significa que algumas partes da tragédia adotam só o verso, outras
também o canto.