Textos Básicos de Linguagem: De Platão a Foucault
Questões e temas para discussão
“[3.323] Na linguagem corrente, acontece com muita frequência que uma mesma palavra designe de
maneiras diferentes – pertença, pois, a símbolos diferentes – ou que duas palavras que designam de
maneiras diferentes sejam empregadas, na proposição, superficialmente do mesmo modo.
Assim, a palavra “é” aparece como cópula, como sinal de igualdade e como expressão da existência;
“existir”, como verbo intransitivo, tanto quanto “ir”; “idêntico”, como adjetivo; falamos de algo, mas
também de acontecer algo.
(Na proposição “Rosa é rosa” – onde a primeira palavra é um nome de pessoa, a última é um adjetivo
– essas palavras não têm simplesmente significados diferentes, mas são símbolos diferentes.)
[3.324-3.325] Assim nascem facilmente as confusões mais fundamentais (de que toda a filosofia está
repleta).
…
Para evitar esses equívocos, devemos empregar uma notação que os exclua, não empregando o mesmo
sinal em símbolos diferentes e não empregando superficialmente da mesma maneira sinais que designem
de maneiras diferentes. Uma notação, portanto, que obedeça à gramática lógica – à sintaxe lógica.
(A ideografia de Frege e Russell é uma tal notação, que não chega, todavia, a excluir todos os erros.)
[4.002] A linguagem é um traje que disfarça o pensamento. E, na verdade, de um modo tal que não se
pode inferir, da forma exterior do traje, a forma do pensamento trajado; isso porque a forma exterior do
traje foi constituída segundo fins inteiramente diferentes de tornar reconhecível a forma do corpo.
[4.003] A maioria das proposições e questões que se formularam sobre temas filosóficos não são falsas,
mas contrassensos.
[4.014-4.0141] O disco gramofônico, a ideia musical, a escrita musical, as ondas sonoras, todos mantêm
entre si a mesma relação interna afiguradora que existe entre a linguagem e o mundo.
A construção lógica é comum a todos.
…
Que haja uma regra geral por meio da qual o músico pode extrair a sinfonia da partitura … E essa
regra é a lei da projeção, lei que projeta a sinfonia na linguagem das notas.
[6.54] Minhas proposições elucidam dessa maneira: quem me entende acaba por reconhecê-las como
contrassensos, após ter escalado através delas – por elas – para além delas. (Deve, por assim dizer, jogar
fora a escada após ter subido por ela.)”
QUESTÕES E TEMAS PARA DISCUSSÃO
1. Qual o objetivo de Wittgenstein no Tractatus?
2. Como se pode entender a teoria pictórica do significado?
3. Em que sentido o método de Wittgenstein no Tractatus pode ser considerado crítico?
4. Que relação se pode estabelecer entre o Tractatus e as Investigações?
5. O que significa “jogo de linguagem”?
6. Em que sentido, nas Investigações filosóficas, encontramos uma concepção pragmática de
linguagem?