Textos Básicos de Linguagem: De Platão a Foucault

Danilo Marcondes · Capítulo 43 de 58

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Textos Básicos de Linguagem: De Platão a Foucault

Questões e temas para discussão

“[3.323] Na linguagem corrente, acontece com muita frequência que uma mesma palavra designe de

maneiras diferentes – pertença, pois, a símbolos diferentes – ou que duas palavras que designam de

maneiras diferentes sejam empregadas, na proposição, superficialmente do mesmo modo.

Assim, a palavra “é” aparece como cópula, como sinal de igualdade e como expressão da existência;

“existir”, como verbo intransitivo, tanto quanto “ir”; “idêntico”, como adjetivo; falamos de algo, mas

também de acontecer algo.

(Na proposição “Rosa é rosa” – onde a primeira palavra é um nome de pessoa, a última é um adjetivo

– essas palavras não têm simplesmente significados diferentes, mas são símbolos diferentes.)

 

[3.324-3.325] Assim nascem facilmente as confusões mais fundamentais (de que toda a filosofia está

repleta).

…

Para evitar esses equívocos, devemos empregar uma notação que os exclua, não empregando o mesmo

sinal em símbolos diferentes e não empregando superficialmente da mesma maneira sinais que designem

de maneiras diferentes. Uma notação, portanto, que obedeça à gramática lógica – à sintaxe lógica.

(A ideografia de Frege e Russell é uma tal notação, que não chega, todavia, a excluir todos os erros.)

 

[4.002] A linguagem é um traje que disfarça o pensamento. E, na verdade, de um modo tal que não se

pode inferir, da forma exterior do traje, a forma do pensamento trajado; isso porque a forma exterior do

traje foi constituída segundo fins inteiramente diferentes de tornar reconhecível a forma do corpo.

 

[4.003] A maioria das proposições e questões que se formularam sobre temas filosóficos não são falsas,

mas contrassensos.

 

[4.014-4.0141] O disco gramofônico, a ideia musical, a escrita musical, as ondas sonoras, todos mantêm

entre si a mesma relação interna afiguradora que existe entre a linguagem e o mundo.

A construção lógica é comum a todos.

…

Que haja uma regra geral por meio da qual o músico pode extrair a sinfonia da partitura … E essa

regra é a lei da projeção, lei que projeta a sinfonia na linguagem das notas.

 

[6.54] Minhas proposições elucidam dessa maneira: quem me entende acaba por reconhecê-las como

contrassensos, após ter escalado através delas – por elas – para além delas. (Deve, por assim dizer, jogar

 

fora a escada após ter subido por ela.)”

 

QUESTÕES E TEMAS PARA DISCUSSÃO

 

1. Qual o objetivo de Wittgenstein no Tractatus?

2. Como se pode entender a teoria pictórica do significado?

3. Em que sentido o método de Wittgenstein no Tractatus pode ser considerado crítico?

4. Que relação se pode estabelecer entre o Tractatus e as Investigações?

5. O que significa “jogo de linguagem”?

6. Em que sentido, nas Investigações filosóficas, encontramos uma concepção pragmática de

linguagem?