Textos Básicos de Linguagem: De Platão a Foucault
Conduta do entendimento
ENSAIO SOBRE O ENTENDIMENTO HUMANO
Teoria da comunicação / tese do veículo por excelência (great conduit)
A linguagem é o grande veículo da comunicação e um pressuposto, portanto, da vida em sociedade, da negociação política no
Parlamento (da qual resultam as leis) e do desenvolvimento da ciência, através do debate entre os cientistas.
“[III, 2,1] O homem tem uma grande variedade de pensamentos de tal forma que ele tanto quanto outros
possa disso receber proveito e deleite; contudo esses pensamentos estão todos nele mesmo [within his
own breast], invisíveis e ocultos aos outros, e tampouco podem por si próprios se manifestar. O conforto
e a vantagem da sociedade não sendo possíveis sem a comunicação do pensamento, foi necessário que o
homem encontrasse algum signo externo sensível, de modo que essas ideias invisíveis, de que seus
pensamentos são feitos, se tornassem conhecidas aos outros. Para esses propósitos, nada era tão
adequado, tanto do ponto de vista da abundância quanto da presteza, como esses sons articulados, que
com tanta facilidade quanto variedade ele foi capaz de criar. Deste modo, podemos conceber como as
palavras, que por natureza eram tão adequadas a estes propósitos, passaram a ser usadas pelos homens
como signos de suas ideias. ”
ENSAIO SOBRE O ENTENDIMENTO HUMANO
O “fato da comunicação”
É o fato de que a comunicação efetivamente ocorre – ainda que possa ter falhas e apesar dos abusos e dos mal-entendidos – que
permite que o uso da linguagem seja, mesmo assim, bem-sucedido e que as pessoas se entendam, ainda que de modo imperfeito. O
entendimento se torna melhor na medida em que podemos passar das palavras às ideias correspondentes a elas.
“[III,11, 25] Com efeito, a necessidade da comunicação pela linguagem leva os homens a um acordo
quanto ao significado das palavras comuns, dentro de certos limites toleráveis, que servem para a
conversação comum: e portanto não podemos supor serem os homens tão ignorantes das ideias que estão
anexadas às palavras pelo uso comum, em uma linguagem que lhes é familiar. Mas o uso comum, sendo
uma regra muito incerta, que acaba por se reduzir às ideias de homens particulares, consiste
frequentemente em um critério muito variável.”
CONDUTA DO ENTENDIMENTO
Palavras e ideias
Em um texto posterior, intitulado Of the conduct of the understanding (1697), concebido como um adendo do Ensaio e publicado
postumamente em 1706, Locke deixa bem clara a necessidade de remeter as palavras a ideias.
“Seção 29, “Palavras”