Textos Básicos de Linguagem: De Platão a Foucault

Danilo Marcondes · Capítulo 25 de 58

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Textos Básicos de Linguagem: De Platão a Foucault

Conduta do entendimento

ENSAIO SOBRE O ENTENDIMENTO HUMANO

Teoria da comunicação / tese do veículo por excelência (great conduit)

 

A linguagem é o grande veículo da comunicação e um pressuposto, portanto, da vida em sociedade, da negociação política no

Parlamento (da qual resultam as leis) e do desenvolvimento da ciência, através do debate entre os cientistas.

 

“[III, 2,1] O homem tem uma grande variedade de pensamentos de tal forma que ele tanto quanto outros

possa disso receber proveito e deleite; contudo esses pensamentos estão todos nele mesmo [within his

own breast], invisíveis e ocultos aos outros, e tampouco podem por si próprios se manifestar. O conforto

e a vantagem da sociedade não sendo possíveis sem a comunicação do pensamento, foi necessário que o

homem encontrasse algum signo externo sensível, de modo que essas ideias invisíveis, de que seus

pensamentos são feitos, se tornassem conhecidas aos outros. Para esses propósitos, nada era tão

adequado, tanto do ponto de vista da abundância quanto da presteza, como esses sons articulados, que

com tanta facilidade quanto variedade ele foi capaz de criar. Deste modo, podemos conceber como as

palavras, que por natureza eram tão adequadas a estes propósitos, passaram a ser usadas pelos homens

 

como signos de suas ideias. ”

 

ENSAIO SOBRE O ENTENDIMENTO HUMANO

O “fato da comunicação”

 

É o fato de que a comunicação efetivamente ocorre – ainda que possa ter falhas e apesar dos abusos e dos mal-entendidos – que

permite que o uso da linguagem seja, mesmo assim, bem-sucedido e que as pessoas se entendam, ainda que de modo imperfeito. O

entendimento se torna melhor na medida em que podemos passar das palavras às ideias correspondentes a elas.

 

“[III,11, 25] Com efeito, a necessidade da comunicação pela linguagem leva os homens a um acordo

quanto ao significado das palavras comuns, dentro de certos limites toleráveis, que servem para a

conversação comum: e portanto não podemos supor serem os homens tão ignorantes das ideias que estão

anexadas às palavras pelo uso comum, em uma linguagem que lhes é familiar. Mas o uso comum, sendo

uma regra muito incerta, que acaba por se reduzir às ideias de homens particulares, consiste

 

frequentemente em um critério muito variável.”

 

CONDUTA DO ENTENDIMENTO

Palavras e ideias

 

Em um texto posterior, intitulado Of the conduct of the understanding (1697), concebido como um adendo do Ensaio e publicado

postumamente em 1706, Locke deixa bem clara a necessidade de remeter as palavras a ideias.

 

“Seção 29, “Palavras”