Textos Básicos de Linguagem: De Platão a Foucault

Danilo Marcondes · Capítulo 46 de 58

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Textos Básicos de Linguagem: De Platão a Foucault

Questões e temas para discussão

gramática racionalista clássica, que admitia que as línguas são semelhantes somente no nível mais

profundo, no nível em que as relações gramaticais são expressas e em que os processos que

proporcionam o aspecto criador do uso da língua são encontrados. Segundo, esta crença desvirtua

seriamente as descobertas da linguística antropológica, que, de fato, se restringiu quase completamente

aos aspectos muito superficiais da estrutura da linguagem.

Dizer isso não é criticar a linguística antropológica, campo que enfrenta urgentes problemas próprios,

em particular o problema de obter ao menos algum registro das línguas do mundo primitivo que estão

rapidamente desaparecendo. Contudo, é importante ter em mente esta limitação fundamental sobre suas

realizações, ao considerar a luz que pode lançar sobre as teses da gramática universal. Os estudos

antropológicos (como os estudos linguísticos estruturais em geral) não tentam revelar o núcleo subjacente

dos processos gerativos na linguagem, isto é, os processos que determinam os níveis mais profundos de

estrutura e constituem os meios sistemáticos para criar tipos de sentenças sempre novos. Portanto,

obviamente não podem ter qualquer influência real sobre a suposição clássica de que esses processos

gerativos subjacentes variam só ligeiramente de língua para língua. De fato, os dados até agora

disponíveis sugerem que se a gramática universal tem sérios defeitos, como de fato tem, do ponto de vista

moderno, esses defeitos consistem na incapacidade de reconhecer a natureza abstrata da estrutura

linguística e impor condições suficientemente fortes e restritivas à forma de qualquer língua humana. E

um aspecto característico do trabalho atual em linguística é sua preocupação por universais linguísticos

de um tipo que só pode ser descoberto por uma detalhada pesquisa de línguas particulares, universais que

governam propriedades da língua que simplesmente não são acessíveis à pesquisa dentro da moldura

 

restrita adotada, muitas vezes por motivos muito bons, pela linguística antropológica.”

 

QUESTÕES E TEMAS PARA DISCUSSÃO

 

1. Qual a importância, para Chomsky, da criatividade no desenvolvimento da linguagem humana?

2. Por que, para Chomsky, os filósofos do início da Modernidade, sobretudo os cartesianos,

podem ser considerados seus precursores?

3. Como se pode entender a distinção entre estrutura superficial e estrutura profunda?

4. Como Chomsky relaciona sua posição com as teses da linguística antropológica (ver capítulo

sobre Sapir-Whorf)?

 

LEITURAS SUGERIDAS

 

Chomsky, Noam. Novos horizontes no estudo da linguagem e da mente, São Paulo, Unesp, 2005.

____. Arquitetura da linguagem, Florianópolis, Edusc, 2008.

____. Linguagem e pensamento, Petrópolis, Vozes, 1977.

Lyons, John. As ideias de Chomsky, São Paulo, Cultrix, 1970.