Textos Básicos de Linguagem: De Platão a Foucault
Questões e temas para discussão
gramática racionalista clássica, que admitia que as línguas são semelhantes somente no nível mais
profundo, no nível em que as relações gramaticais são expressas e em que os processos que
proporcionam o aspecto criador do uso da língua são encontrados. Segundo, esta crença desvirtua
seriamente as descobertas da linguística antropológica, que, de fato, se restringiu quase completamente
aos aspectos muito superficiais da estrutura da linguagem.
Dizer isso não é criticar a linguística antropológica, campo que enfrenta urgentes problemas próprios,
em particular o problema de obter ao menos algum registro das línguas do mundo primitivo que estão
rapidamente desaparecendo. Contudo, é importante ter em mente esta limitação fundamental sobre suas
realizações, ao considerar a luz que pode lançar sobre as teses da gramática universal. Os estudos
antropológicos (como os estudos linguísticos estruturais em geral) não tentam revelar o núcleo subjacente
dos processos gerativos na linguagem, isto é, os processos que determinam os níveis mais profundos de
estrutura e constituem os meios sistemáticos para criar tipos de sentenças sempre novos. Portanto,
obviamente não podem ter qualquer influência real sobre a suposição clássica de que esses processos
gerativos subjacentes variam só ligeiramente de língua para língua. De fato, os dados até agora
disponíveis sugerem que se a gramática universal tem sérios defeitos, como de fato tem, do ponto de vista
moderno, esses defeitos consistem na incapacidade de reconhecer a natureza abstrata da estrutura
linguística e impor condições suficientemente fortes e restritivas à forma de qualquer língua humana. E
um aspecto característico do trabalho atual em linguística é sua preocupação por universais linguísticos
de um tipo que só pode ser descoberto por uma detalhada pesquisa de línguas particulares, universais que
governam propriedades da língua que simplesmente não são acessíveis à pesquisa dentro da moldura
restrita adotada, muitas vezes por motivos muito bons, pela linguística antropológica.”
QUESTÕES E TEMAS PARA DISCUSSÃO
1. Qual a importância, para Chomsky, da criatividade no desenvolvimento da linguagem humana?
2. Por que, para Chomsky, os filósofos do início da Modernidade, sobretudo os cartesianos,
podem ser considerados seus precursores?
3. Como se pode entender a distinção entre estrutura superficial e estrutura profunda?
4. Como Chomsky relaciona sua posição com as teses da linguística antropológica (ver capítulo
sobre Sapir-Whorf)?
LEITURAS SUGERIDAS
Chomsky, Noam. Novos horizontes no estudo da linguagem e da mente, São Paulo, Unesp, 2005.
____. Arquitetura da linguagem, Florianópolis, Edusc, 2008.
____. Linguagem e pensamento, Petrópolis, Vozes, 1977.
Lyons, John. As ideias de Chomsky, São Paulo, Cultrix, 1970.