Textos Básicos de Linguagem: De Platão a Foucault

Danilo Marcondes · Capítulo 14 de 58

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Textos Básicos de Linguagem: De Platão a Foucault

Questões e temas para discussão

“Livro II, Capítulo 1: “Definição de sinal”

 

O sinal é, portanto, toda coisa que, além da impressão que produz em nossos sentidos, faz com que nos

venha ao pensamento outra ideia distinta. Assim, por exemplo, quando vemos uma pegada, pensamos que

foi impressa por um animal. Ao ver fumaça, percebemos que embaixo deve haver fogo. Ao ouvir a voz de

um ser animado, damo-nos conta do estado de seu ânimo. Quando soa a corneta, os soldados sabem se

devem avançar, retirar-se ou fazer alguma outra manobra, exigida pelo combate.

 

Sinais naturais

 

Entre os sinais, alguns são naturais e outros convencionais. Os naturais são os que, sem intenção nem

desejo de significação, dão a conhecer, por si próprios, alguma outra coisa além do que são em si.

Assim, a fumaça é sinal de fogo. Ela o assinala sem ter essa intenção, mas nós sabemos, por experiência,

observando e comprovando as coisas, que ao aparecer a fumaça haverá fogo embaixo.

A esse gênero de sinais pertence a pegada do animal que passa. O rosto de um homem irritado ou triste

traduz o sentimento de sua alma, ainda que ele não tivesse nenhuma intenção de exprimir essa irritação ou

tristeza. Da mesma maneira acontece com qualquer outro movimento da alma que é revelado e traduzido

no rosto, sem que nada tenhamos feito para o manifestar.

Não é meu propósito discorrer agora sobre esses tipos de sinais. Mas como pertencem à distinção que

fizemos acima, não pude de modo algum deixá-los passar sob silêncio. É suficiente, entretanto, o que até

 

aqui foi dito a esse respeito. ”

 

QUESTÕES E TEMAS PARA DISCUSSÃO

 

1. Qual a função da linguagem para Santo Agostinho?

2. Como se pode entender, segundo Santo Agostinho, a natureza e o papel dos sinais?

3. Como Santo Agostinho define a relação entre linguagem e conhecimento?

4. Em que sentido o “mestre interior” pode ser entendido como representando uma concepção

inatista de conhecimento?

 

LEITURAS SUGERIDAS

 

Gilson, Étienne. A filosofia na Idade Média, São Paulo, Martins Fontes, 2007.

Libera, Alain de. A filosofia medieval, São Paulo, Loyola, 2004.

Matthews, Gareth B. Santo Agostinho: a vida e as ideias de um filósofo diante de seu tempo, Rio

de Janeiro, Jorge Zahar, 2007.