Textos Básicos de Linguagem: De Platão a Foucault
Política
para a espécie ou da espécie para o gênero, ou de uma espécie para outra, por meio de analogia.”
POLÍTICA
A natureza política do homem e a linguagem
Em um texto célebre do tratado 1 Política (I, 1253a), Aristóteles caracteriza a linguagem como definidora da natureza humana, na
medida em que o homem é um ser social e é precisamente o uso da linguagem na comunicação e na negociação política que torna
possível a vida social.
SOBRE AS PARTES DOS ANIMAIS
A linguagem e a natureza humana
Para Aristóteles, devemos entender a linguagem levando em conta também aspectos fundamentais da natureza humana em seu sentido
fisiológico mesmo. Essa passagem de um dos textos mais importantes de seus tratados sobre ciência natural revela um aspecto pouco
explorado da concepção aristotélica da linguagem, na medida em que aqui o filósofo se refere à língua (glossa) propriamente dita.
O texto mostra como a possibilidade do uso da linguagem não depende apenas da mente, mas da própria fisiologia humana, dos
lábios e da língua. O desenvolvimento posterior da fonética classificará os sons exatamente com base nessa relação com os órgãos da
fala.
“[659b28-660a14] O uso dos lábios em todos os animais, exceto no homem, consiste em preservar e
proteger os dentes, e por isso a forma específica pela qual os lábios são formados é relativa aos graus de
beleza e de perfeição da natureza dos dentes. No homem, os lábios são macios e carnudos, capazes de se
separarem. Seu propósito, como nos outros animais, é proteger os dentes, mas também têm o propósito
mais elevado de contribuir, juntamente com outras partes, para a faculdade humana da fala. Pois assim
como a natureza fez a língua (glossa) humana diferente da dos outros animais, e como costuma ser sua
prática, fez com que ela servisse a dois diferentes propósitos, o paladar e a fala, o mesmo se pode dizer
em relação aos lábios, fazendo-os servir tanto para a fala quanto para a proteção dos dentes. A fala
consiste em uma combinação de letras, e a maioria delas seria impossível de pronunciar se os lábios não
fossem úmidos e se a língua não fosse como é. Pois algumas letras são formadas pelo fechamento dos
lábios e outras pela aplicação da língua. Mas quais as diferenças entre elas e qual a extensão dessas
diferenças são questões que devem ser respondidas por aqueles que se dedicam à ciência da métrica.”
QUESTÕES E TEMAS PARA DISCUSSÃO
1. Compare e contraste a discussão aristotélica sobre significado no Tratado da interpretação
com a platônica no Crátilo.
2. Que relação Aristóteles estabelece entre as palavras e as afecções da alma no Tratado da
interpretação?
3. Qual a solução aristotélica para a superação do convencionalismo linguístico?
4. Compare e contraste a concepção aristotélica de linguagem no Tratado da interpretação e na