Vitória
Sinopse
VITÓRIA • JOSEPH CONRAD
Numa ilha solitária do Mar de Java, sob o sol abrasador dos trópicos, desenrola-se o drama do pessimista Heyst, o homem cerebral demais “que não aprendeu, quando jovem, a esperar, a amar e a confiar na vida.” Jamais lançou Conrad sua sonda mais fundo na alma humana do que ao contar a história deste casal de Robinsons — o cético incontentável e a sua deslumbrada, sua sublime amante, que afinal o convence da realidade de seu amor com o sacrifício da própria vida.
A vizinhança imediata dos elementos, o céu, o mar e a floresta, a trama sinistra que a perversidade e a astúcia primitivas armam a esses dois espíritos desprendidos da terra na ânsia de alcançar o absoluto, comunicam à tragédia uma grandeza cósmica. É Caliban caçando Ariel e pegando-o afinal em sua armadilha monstruosa. Mr. Jones, essa encarnação das forças do mal, estranho bandido que parece um espectro surgido de Hades, o tigrino Ricardo e o fâmulo de ambos, um bruto pré-histórico, são figuras fantásticas a que só mesmo a pena de um Conrad poderia imprimir o cunho de viva e intensa realidade que têm. Ao acompanharmos as operações do cérebro desses aventureiros, ao vermos a calúnia rodear com os seus tentáculos o pobre filósofo, temos o estremecimento que nos causa a contemplação dos cataclismos inelutáveis da natureza. Um grande livro e uma lição profunda, eis o que é “Vitória".
Baseada nesta fascinante história, Hollywood produziu “Terror no Paraíso”, um filme de grande sucesso.
A
Perceval
e
Maisie Gibbon
Sombras que chamam, espectros a acenar,
Vozes etéreas que articulam nomes
Em mudas plagas e desertas selvas.
MILTON, Comus.